terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Retrospectiva 2014

Este ano de 2014 foi repleto de muitas emoções!

 A grande alegria foi a Reabertura da Igreja em maio com a presença do Governador do Estado, Dr. Geraldo Alckmin para entrega das Obras de Restauro da Igreja das Chagas!
A igreja ficou cheia de autoridades, convidados, imprensa, Povo de Deus.

A alegria estava no ar! Nas pessoas que admiravam a beleza da igreja depois de quase sete anos fechada. Tudo era festa! A Festa da reabertura da Igreja das Chagas!

Logo em seguida, no domingo da Ascensão do Senhor, 1º de junho, o Cardeal Dom Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidiu a celebração, às 9 horas, tendo como concelebrantes o Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel, da Província Franciscana da Imaculada Conceição, e o pároco e reitor do Santuário e Convento São Francisco, Frei Luiz Henrique de Aquino.

Quanta emoção para a preparação da missa!

Quanta alegria! Quantas coisas a providenciar para a liturgia!

Contamos com o coral da Catedral...  Entrada solene... A emoção tomava conta de todos!
Nos últimos dois anos a Fraternidade se preparou para o momento da reabertura.

Confeccionamos camisas para os irmãos (homens e mulheres); alfaias e toalhas para o altar; bandeira, tudo bordado com o brasão da Ordem. Que bonito!       

Logo no início do ano fomos como Fraternidade ao Santuário Nacional de Aparecida rezar aos pés da Mãe agradecendo pelas graças e bênçãos recebidas e pedir forças e luzes para todos os acontecimentos que viriam com a reabertura da Igreja.

Rezamos também na noite de Vigília, colocando aos pés de Jesus Eucaristia nossas intenções e providências para a reabertura da igreja.

Encomendamos um coffe-break para o dia da missa de reabertura para que todos os irmãos pudessem aproveitar o máximo o momento que iríamos vivenciar.

Ainda no mês de junho aconteceu a santa missa em Ação de graças pelos trabalhadores que atuaram no Restauro da Igreja.  Foi muito emocionante ver cada um dos trabalhadores entrando na procissão do ofertório com a ferramenta de trabalho que utilizou na obra e colocando-a no altar.

Tivemos a grande alegria de receber a visita do Irmão Antonio Benedito Bitencourt, Ministro nacional da OFS. Ele gostou de tudo e conversamos bastante sobre perspectivas, projetos e trabalhos na igreja. Que Bom!

Foram muitos encontros de mutirão para deixar tudo em ordem na igreja e nas dependências da fraternidade. Quanto trabalho! Quanto prazer nos trabalhos para colocar as coisas em seu devido lugar!

Mas não descuidamos da vida em Fraternidade!

Cumprimos com a agenda de Formação.  Visitamos nossos irmãos idosos e doentes (SEI).
Logo após a reabertura da igreja, sediamos o Encontro do nosso Distrito nas dependências da Igreja. Recebemos mais de 300 irmãos vindos de várias fraternidades. Todos queriam apreciar a igreja reaberta e restaurada. Que Benção!

A igreja das Chagas já recebeu mais de 3.000 visitantes após o mês de Junho: pesquisadores, professores, crianças, jovens, peregrinos de todos os cantos de nosso Brasil e do exterior.

Temos a visita monitorada nas quintas-feiras ás 14 horas.

Temos também Santa Eucaristia ás 13 horas todo dia 08 de cada mês em honra a Santo Antonio de Categeró;  todo dia 19 em honra a Santo Ivo e na 1ª Sexta-feira do Mês em honra ao Sagrado Coração de Jesus. Bem como aos 1ºs e 3ºs domingos do mês ás 09 horas, quando acontecem os encontros da Fraternidade.

Já tivemos também na Santa Eucaristia o sufrágio de parentes dos irmãos; Entrada para o Período de Formação e Profissão à OFS; renovação do compromisso de casamento de 10 anos; jubileus e renovação da Profissão dos irmãos.

E desde o mês de Novembro até maio de 2015 acontecerão na igreja Concertos. A realização da série de 07 concertos do Evento CONCERTOS CCBB DE MUSICA CLÁSSICA, com curadoria do Maestro Julio Medaglia.

Logo de manhã os músicos chegam para o ensaio. As pessoas vão chegando ao som das músicas e aos poucos a igreja fica repleta, todos querendo ocupar os lugares e apreciar boas músicas.

Enfim, a grande alegria desse ano foi a reabertura da Igreja das Chagas do Seráphico Pai São Francisco.

A todos que colaboraram e colaboram conosco para a manutenção da Igreja: Muito Obrigado! Que Deus abençoe a todos!

Nossa alegria será completa quando conseguirmos honrar com todos os compromissos da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência da Cidade de São Paulo.

Temos trabalhado incansavelmente para regularizar sua difícil situação financeira. Já fizemos bastante, mas temos ainda pela frente um longo caminho.

Com a graça de Deus cumpriremos com todos!

A Obra é de Deus!

Agradecemos a todos os leitores do nosso blog, pelas visualizações e orações.

Que Deus conceda a todos muitas bênçãos e graças.

Por tudo Deus seja louvado!
Fraternalmente,

Maria Nascimento  































quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal!





A Encarnação do verbo eterno de Deus



Na noite luminosa do Natal celebra-se o mistério central da nossa fé: o Verbo eterno de Deus, “subsistindo na condição de Deus, não pretendeu reter para si ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo por solidariedade aos homens” (Fl 2,6-7). Esse hino sublinha o empenho pessoal do Filho de Deus que renuncia absolutamente a si mesmo e assume a condição de servo (natureza humana), embora subsistindo na condição divina.

O Verbo eterno (Lógos em grego), o Filho de Deus Pai, assume a natureza humana de Jesus, ao encarnar-se no seio da Virgem Maria. Não pode haver maior paradoxo à razão humana do que dizer que o Deus experimentado e vivido pelo cristianismo não é somente o Deus transcendente, eterno e infinito, mas é também o Deus que se autocomunica, por Sua livre graça, na pequenez e na fragilidade de uma criança. Como entender que este homem, criado no tempo, seja ao mesmo tempo Deus? Isso é um escândalo para os judeus e para todos os que adoram e veneram um Deus totalmente inobjetivável.

O Deus experimentado e vivido pelo cristianismo é, sim, santo, absoluto, eterno e infinito, mas bem porque Ele é o máximo que se pode pensar, tem o poder de revelar-se “para fora” de forma tão desconcertante e paradoxal. Ou será que não há nada de desconcertante na declaração joanina de que o Verbo eterno de Deus tornou-se “carne” (Jo 1,14)? A palavra “carne” indica, por um lado, a fragilidade e mortalidade próprias da pessoa humana e, por outro, indica a grandeza do abaixamento (kénôsis) de Deus. A alteza e profundidade do mistério quenótico, que se radicaliza na entrega de Jesus na cruz, transcende infinitamente ao máximo que se pode pensar. Por outras palavras, parafraseando Leonardo Boff, o Deus que em e por Jesus se revela é tão humano e o homem que em e por Jesus emerge é tão divino que a linguagem humana não pode dizer adequadamente.

O Verbo (Filho) eterno do Pai assumiu a natureza humana, conservando a Sua divindade. Isso quer dizer que Jesus Cristo, em pessoa, é humano e divino. Enquanto pessoa, Ele é essencialmente relação. A pessoa toma consciência de si e constrói sua individualidade no relacionamento de doação e de recepção da alteridade do outro. Ora, sabe-se da mútua implicação das três pessoas divinas e do quanto Jesus Cristo doou-se incondicional e gratuitamente a todos, bem como abraçou a cada um em seu amor ilimitado (Mc 2,13-17), inclusive aos inimigos (Mt 5,43-44). E devido ao Seu absoluto desprendimento e inominável receptividade, o eu humano de Jesus foi de tal maneira assumido pelo Lógos, a ponto de dizer, como Paulo: ”Já não sou eu que vivo, mas Cristo [o Lógos] vive em mim” (Gl 2,20). Jesus viveu uma relação tão íntima com Deus, invocado por Ele pelo termo “Abba” (Paizinho), que se igualou a nós em tudo, exceto no pecado.

Pensadores clássicos da Filosofia e da Teologia cristãs colocaram muitas questões acerca da criação do mundo e da encarnação do Filho de Deus. Destacamos primeiramente a seguinte: Por que Deus criou o universo? Entre as muitas respostas figurava a idéia de que Deus criou o mundo porque quis, por pura e absoluta gratuidade do amor, manifestar-se ad extra, isto é, para fora de si mesmo. O Sumo Bem cria o mundo contemplando o Verbo, pois é Nele que se encontram as razões ideais (rationes idealis) de todas as coisas criadas e criáveis no tempo. Assim, o Filho de Deus é o princípio; é o primogênito de toda a criatura porquanto todas as coisas visíveis e invisíveis são criadas à luz do Verbo: “Todas as coisas foram feitas por ele [Verbo] e sem ele nada se fez de tudo que foi feito” (Jo 1, 1-3).

Todavia, a suprema comunicação ad extra de Deus não se dá na criação, mas na encarnação do Seu próprio Filho. Poder-se-ia então pensar que Deus criou o cosmos para possibilitar a Sua encarnação em Jesus de Nazaré. Por isso, ao se colocar a questão da criação do mundo indaga-se também pelo motivo da encarnação do Verbo eterno. Onde se fundamenta a decisão divina de encarnar-se em Jesus Cristo? Teria o Verbo se encarnado simplesmente para resgatar a humanidade do pecado? Tradicionalmente afirma-se que a encarnação foi condicionada pelo pecado humano. Mas será que essa é uma resposta exaustiva à questão: Cur Deus homo? (Por que um Deus-homem?). Será que Deus poderia ter-se utilizado de outros meios para realizar a obra da redenção?

Para Santo Agostinho, Deus poderia, sem dúvida, ter-se utilizado de outros meios para realizar a obra da redenção. Porém, “não existia nenhum outro modo mais conveniente para remediar nossa miséria” (De Trinitate, XIII). Também Santo Anselmo e Santo Tomás de Aquino entendem que o motivo da encarnação é a redenção do pecado do homem. Conseqüentemente, sem o pecado, a encarnação não teria acontecido.

No entanto, para o pensador franciscano João Duns Scotus, a encarnação não é só um pressuposto para o sacrifício redentor, mas é um acontecimento que faz parte do plano de amor do Pai. Duns Scotus afirma que o Verbo seria encarnado, mesmo se o homem não tivesse pecado, visto ser a encarnação totalmente incondicionada. Ao encarnar-se, evidentemente quis a salvação de todos, pois, era conveniente que o fizesse por amor a cada pessoa na sua singularidade. Não se nega, portanto, que a encarnação do Verbo tem também a finalidade redentora. Sabiamente Scotus acentua que a segunda pessoa da Santíssima Trindade se encarnou, por Sua livre graça, para demonstrar o profundo amor salvífico de Deus pela humanidade pecadora e para conduzir a criação toda à sua plenitude. O Verbo encarnado é simultaneamente o princípio da criação e o fim último para o qual tende a pessoa humana, integrada ao cosmos.

Assim, acenamos para a imensidade do mistério do Natal de Jesus Cristo. A Igreja alerta-nos de que devemos nos preparar adequadamente para a celebração de tão grande mistério. O Deus revelado por Jesus Cristo encarnado é essencialmente um mistério transbordante de amor e, portanto, somente apreensível na experiência (ascese) da liberdade e do amor. E o esforço ascético que precede a solenidade do Natal do Senhor é liturgicamente denominado de “advento”. No advento a humanidade prepara-se para a vinda do Filho de Deus na carne humana de Jesus Cristo. No entanto, o Filho de Deus já veio; o Verbo já se encarnou. Qual é, então, o sentido do advento, se o tempo da espera e das trevas já passou e se o Esperado já veio?

É verdade que Deus veio de forma definitiva para dentro de nossa história, mas apesar disso, Ele é sempre aquele que ainda deve vir para cada um de nós. A natureza humana é assumida pelo Verbo não só por um momento, mas por meio de um ato que se realiza constantemente em cada filho e filha de Deus. O Verbo eterno quer encarnar-se em cada um de nós a ponto de também podermos dizer, como Paulo: ”Já não sou eu que vivo, mas Cristo [o Lógos] vive em mim” (Gl 2,20). No advento espera-se, portanto, que o amor de Deus se revele maximamente em cada criatura humana. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).

Cada ser humano vive no desejo da redenção e na ânsia do Libertador. Porém, não somente os seres humanos, mas toda a criação espera pela chegada do Reino da Liberdade: “A criação toda geme e sofre em dores de parto até agora e nós também gememos em nosso íntimo esperando a libertação” (Rm 8, 22-23). De fato, o sonho de harmonia cósmica do profeta Isaías ainda não se realizou. O lobo ainda não é hóspede do cordeiro, a pantera não se deita ao pé do cabrito, nem o touro e o leão comem juntos; não é verdade ainda que a vaca e o urso se confraternizam e o leão come palha com o boi; não é ainda verdade que a criança brinca à toca da serpente e o menino mete a mão no buraco do escorpião (Is 11, 6-8). Em suma: a harmonia entre os seres humanos e entre estes e todos os seres da natureza, é ainda um sonho muito distante da realidade. No entanto, Jesus proclamou a grande novidade de que o Reino de Deus já chegou e atua nesta nossa história (Mt 12,28). O Reino de Deus, muito sutilmente, já “está no meio de vós” (Lc 17,21). Mas, enquanto Deus não for tudo em todas as coisas, enquanto não se restabelecer a paz entre todos os seres do universo, continuaremos na expectativa, suplicando como os primeiros cristãos: Vinde, Senhor Jesus!

Enfim, ressaltamos a especial ternura que nosso pai e irmão Francisco de Assis nutriu pela festa do nascimento do Filho de Deus (2Cel 199). Para ele, o Natal do Menino Jesus era a festa das festas porque nesse dia Deus revelou todo o Seu amor para com a humanidade, tornando-se criança pequenina, e porque no Filho encarnado encontramos um modelo para o nosso viver e o nosso agir segundo a vontade de Deus. O “Filho amado” do Pai convoca a todos os seus irmãos e irmãs a responderem amorosamente Àquele que tanto nos amou e a louvá-Lo com todas as criaturas. Então, sim, não será mais advento, mas NATAL.

Frei João Mannes, OFM

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Natividade



Até o fim de sua vida, Francisco foi solícito em desejar acima de tudo o Espírito do Senhor. E o Espírito não cessou de conduzi-lo num caminho de renúncia de si sempre mais profunda. Mas este despojamento íntimo, longe de ser um empobrecimento de sua verdadeira personalidade, abria nele um espaço cada vez maior de acolhimento, uma capacidade crescente de comunhão e de fraternidade. Nada retendo para si, ele tornou-se presente a toda criatura. Sua pobreza era sua riqueza, a chave do Reino. No espírito de doçura, Francisco nascia ao mesmo tempo para Deus, para o mundo e para si mesmo.

Não há melhor maneira de compreender esse itinerário do que invocando aquele acontecimento que iluminou seus últimos anos. Mais que um simples episódio maravilhoso na sua vida, o Natal que ele celebrou, três anos antes de sua morte, entre as pessoas simples da montanha, foi uma experiência mística, um novo nascimento. Seu primeiro biógrafo não se enganou. Naquela noite, diz ele, Francisco se fez “menino com o Menino (2Cel, 35). O Espírito do Senhor renovava nele seu “advento de doçura”, no auge do rude inverno da natureza e dos homens.

Estamos no fim do ano de 1223, numa pequena aldeia da montanha que domina o vale de Rieti, no centro da Itália. Esta aldeia se chama Greccio. Para seus habitantes, parece que o ano deve terminar como todos os outros: no frio, no isolamento e na pobreza. A primeira neve começou a cair. E a aldeia tomou seu aspecto invernal.

As pequenas casas se escondem sob sua capa branca. As atividades externas vão se tornando raras. As mulheres fiam a lã dentro de casa. Os homens cortam e racham a lenha… E, quando cai a noite, todos reunidos diante da lareira contemplam em silêncio o fogo que crepita e faz sonhar. Eles esperam. O que esperam? O retorno de dias melhores, a primavera, o sol? Sem dúvida, mas acima de tudo um pouco de calor humano, um pouco de amizade e de alegria. Sonham com um sopro de inocência e de ternura. Mas o que pode trazer-lhes naquele instante a verdadeira felicidade?

Em toda a cristandade, através da liturgia do advento, eleva-se de novo a voz suplicante do profeta, o insistente pedido que vem do fundo dos tempos: “Ah! Javé, oxalá rasgasses os céus e descesses…” (Is 63,19). “Céus, destilai orvalho lá do alto; nuvens, fazei chover o Justo…” (Is 45,8). E eis a resposta lá do alto, radiosa, cheia de esperança: “Consolai-vos, consolai-vos, meu povo, diz o vosso Deus, falai ao coração de Jerusalém
e gritai-lhe que seu tempo de escravidão terminou…” (Is 40,1-2).

Mas, em Greccio, não há ninguém para falar ao coração das pobres. Por mais que as pesadas nuvens se abaixem sobre a montanha, caindo em flocos de neve, o céu não se abre e o Justo não dá sinais de descer.

De manhã, não se vê ninguém vindo sobre a neve intacta. E de noite, muito menos, quando as encostas brancas e desoladas se tingem de cor de malva sob os passos da noite. Ninguém. É a imensa solidão do inverno. E como são longas as noites de inverno na montanha! Ouve-se apenas o gemido e o rachar das árvores sob o peso da neve, ao sopro do vento, no bosque vizinho. E às vezes também o uivar dos lobos. Terra regela-
da, terra ansiosa, à expectativa de um pouco de amor, “quando enfim verás nascer a aurora divina?”

Entretanto, os habitantes desta pequena aldeia não ignoram que por todos os cantos do país se fala muito de um homem chamado Francisco, ou o Pobre de Assis. Sua reputação de santidade é grande. Filho de um rico negociante de tecidos, converteu-se ao Evangelho depois de uma juventude um pouco desvairada e esbanjadora. Renunciou à riqueza, às honras, ao poder, à violência. Fez-se pobre por amor de Cristo e para ser o irmão de todos.

Muitos jovens se juntaram a ele, às dezenas, depois às centenas. Agora são milhares. Vêm de todas as camadas da sociedade, de todas as condições. Francisco ensina-lhes a viver segundo o santo Evangelho, em grande fraternidade entre eles e com todos as pessoas. Revela-lhes o verdadeiro rosto de Deus. Não do Deus dos domínios da Igreja, nem das cruzadas, nem do dinheiro, mas do Deus dos pequenos que vêm a nós com doçura. “Vede a humildade de Deus!” – gostava Francisco de dizer-lhes, mostrando-lhes o exemplo de Cristo humilde e pobre.

Mas eis que naquele mês de dezembro de 1223, às vésperas do Natal, Frei Francisco foi como que tomado por um grande desejo. Revelou este desejo aos seus irmãos: “Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro” (ICel, 84).

Naquele tempo ainda não existiam os presépios de Natal, principalmente os presépios vivos. A idéia era completamente nova e até ingênua. Tinha surgido de repente no coração de Francisco, como uma chama de amor. Era uma idéia extraordinária como só os poetas podem ter, pois são eles que nos fazem voltar aos olhos da infância. E, de súbito, reencontramos os segredos perdidos. Um boi e um burro na penumbra de um estábulo, e o Natal nos é restituído com o realismo de sua ternura.

“Ver” e “fazer ver” o altíssimo Filho de Deus, nascendo ao mundo na humildade e na pobreza de um presépio entre animais, nada era mais importante para o futuro do mundo. Numa sociedade de cunho mercantil, onde o soberano era o dinheiro, o que podia ser mais útil do que fazer brilhar a gratuidade de Deus? Num mundo de clérigos ávidos de honra e poder, o que podia ser mais salutar do que lembrar a humildade de Deus? E num tempo de violências, de cruzadas e de guerras santas, o que podia ser mais urgente, mais necessário do que fazer ver a doçura, a mansidão de Deus?

Não, não se tratava simplesmente de uma idéia tocante. Era toda a vida ardente de Francisco, todo o seu ser, toda a sua busca de Deus que se expressava neste desejo de ver o Menino divino na penúria do presépio.

“Reinventar” o Natal, reencontrar a humanidade de Deus, a ternura de Deus, eis o que Francisco queria para si e para seus irmãos e para o mundo inteiro, imaginando aquele presépio vivo. Ele via longe, muito longe. E a coisa mais simples do mundo. Fora dos caminhos comuns, dos caminhos batidos, ele encontrava a fonte oculta da ternura e da fraternidade.

E quem melhor do que as pessoas simples da montanha poderia compreender e acolher esta mensagem? Como outrora os pastores de Belém, eles serão os primeiros a ouvir a Boa Notícia. Sem hesitar, Francisco decide então fazer o presépio em Greccio.

Apressa-se em confiar seu projeto a seu amigo, o Sr. João Velita, que, apesar de sua alta linhagem e seus cargos importantes, é muito simples e achegado aos irmãos. Francisco tem muita estima por ele e lhe diz: “Se quiseres, é em Greccio que vamos celebrar a festa do Natal este ano. Sim, quero ver o Menino divino, com meus olhos de carne, assim como estava no presépio de Belém, dormindo na palha, entre um boi e um burro… Vai, começa a fazer os preparativos…”(ICel, 84)

O Sr. João, inteiramente de acordo com o projeto de Francisco e feliz pela confiança que o Poverelio depositava nele, apressa-se e vai à humilde aldeia da montanha. Que alegria para os habitantes de Greccio e que orgulho também, quando souberam que Frei Francisco, aquele de quem todo mundo fala com veneração, escolheu sua aldeia para lá celebrar a festa da Natividade que se aproximava! E que surpresa e deslumbramento quando o Sr. João lhes fez saber que Fr. Francisco quer que se prepare um estábulo, exatamente como em Belém, com uma manjedoura provida de palha e com um burro e um boi.

No mesmo instante, toda a aldeia acordou de sua letargia. Todos queriam ajudar o Sr. João a preparar a festa. O lugar escolhido foi uma gruta bem grande, no flanco da montanha. Ali foi instalada uma manjedoura com feno. Foi levado para lá um burro e um boi. Em pouco tempo tudo estava pronto. No dia 24 de dezembro ao anoitecer chegou Frei Francisco com alguns frades.

Havia chegado enfim a noite abençoada em que toda a cristandade celebra o nascimento do Salvador. Os moradores de Greccio e das redondezas acorrem em massa com tochas e lanternas. Nos bosques, ressoam seus cantos. E uma noite extraordinária, toda iluminada com centenas de luzes que enchem a gruta e tudo em redor dela. “Uma noite tão deliciosa para os homens como para os animais”, conta Tomás de Celano (ICel, 85).

Francisco “passa a vigília de pé diante do presépio, comovido e cheio de uma indizível alegria” (ICel, 85). Na verdade, ele experimentou naquela noite um longo momento de êxtase. Com os olhos fixos na manjedoura, parecia ver o Menino Deus deitado no feno, entre os animais. Com toda certeza, seu espírito estava em Belém.

Mas o que via então o Poverelio naquela noite de Natal? Não era apenas uma cena maravilhosa. Ele contemplava o mistério do Natal em sua profundidade. Se ele quis este presépio, não foi para oferecer uma representação simplesmente comovedora. Sua visão ia muito mais longe: via toda a criação com Deus num mistério profundo. Queria tudo que existia, tudo que vivia para este instante único, para esta comunhão com a vida divina no Deus-Menino.

Portanto, a vida divina não devia ser buscada fora das fragilidades da vida humana e de suas raízes obscuras, fora da criação material. No Deus-Menino tudo se encontrava. E o que estava oculto se tomava visível. O sentido do mundo se tornava bem claro. A unidade da criação se revelava. Era uma epifania de luz. Não se podia acolher a vida divina sem respeitar toda vida: a vida humana é claro, mas também as formas de vida mais humildes. Não se podia comungar com a vida divina sem fraternizar com toda vida, com toda criatura. Com toda a criação.

E o caminho desta comunhão e desta fraternidade era a humildade do presépio, aquela humildade original que nos aproxima das mais humildes criaturas, aquela proximidade e doçura que nos fazem reintegrar o vasto círculo da criação. Não era exatamente esta a mensagem dos anjos aos pastores na noite de Natal: “Hoje vos nasceu um Salvador. Este é o sinal pelo qual o reconhecereis: encontrareis um recém-nascido, envolto em panos e deitado num presépio…” A criação inteira, com suas criaturas mais humildes, se havia tomado o “berço divino”. Só podia aproximar-se do Menino, só podia encontrá-lo, quem entrasse no presépio, quem se fizesse a si mesmo bem próximo das criaturas mais humildes.

Nesta noite de Natal, em que Deus mesmo vinha a nós na humildade de um estábulo, era pois preciso manifestar um infinito respeito e uma grande ternura para com toda a vida, por humilde que fosse. Francisco queria que, naquele dia, os pobres e esfomeados fossem saciados pelos ricos, e que se concedesse uma ração maior e mais feno para os bois e burros (2Cel, 200). E não esqueceu os passarinhos: “Se eu pudesse falar com o imperador, pediria que promulgasse esta lei geral: que todos que puderem joguem pelas mas trigo e outros grãos, para que nesse dia tão solene tenham abundância até os passarinhos, e principalmente as irmãs cotovias” (ICel, 200).

Toda esta ternura transbordava do coração de Francisco, enquanto contemplava, extasiado, a manjedoura, como se estivesse de fato em Belém e visse o Menino com seus próprios olhos. Renovou-se então para ele, de uma maneira sensível, o mistério de um Deus nascendo nas profundezas da terra, entre os animais. “Uma das testemunhas – conta Tomás de Celano – viu, deitado na manjedoura, um bebê dormindo que acordou quando o santo chegou perto”.

Não devemos deter-nos neste lado maravilhoso do evento sem ver seu significado profundo. Se quiséssemos traduzir de uma maneira simbólica a experiência espiritual de Francisco naquela noite, sem dúvida nada seria melhor do que relatar este traço maravilhoso. Tomás de Celano não se enganou a este respeito. Ele escreve em sua “Vita Secunda”: “Foi nesse lugar [Greccio] que Francisco recordou pela primeira vez o Natal do Menino de Belém, fazendo-se menino com o Menino”. Assim, para o seu biógrafo, esta celebração externa traduzia uma transformação interna: “Fazendo-se menino com o Menino, factus cum Puero puer” (ICel, 86).

Este presépio vivo, no fundo de uma gruta onde acorda um lindo bebê quando Francisco se aproxima, simboliza o nascimento oculto do Deus-Menino nas profundezas da alma, num homem plenamente reconciliado com sua arqueologia. O presépio é a expressão
sensível de uma aproximação interna de Deus por caminhos de humildade e de reconciliação: por caminhos de encarnação.

Atribuem-se ao teólogo Bultmann estas palavras: “Eu quero Cristo sem o presépio”. Querer Cristo sem o presépio é querê-lo sem suas humildes inserções naturais, sem sua matriz cósmica. Numa tal perspectiva idealista, o evento da salvação nada mais tem a fazer com a Terra-Mãe, com tudo que nos liga ao cosmos e à vida; ele se desenrola à primeira vista na pura interioridade, acima de qualquer condição carnal; não nos atinge em nossas raízes vitais e psíquicas. Numa palavra, não assume o destino total do ser humano, deste ser “que lança raízes na natureza animal e, ultrapassando o que é simplesmente humano, se eleva até à divindade” (Jung). A criação material e animal é deixada de lado. Ela não é atingida pelo evento da salvação. Portanto não há reconciliação do homem com suas forças obscuras, nem transfiguração da agressividade, nem da libido. Cristo não desceu às nossas profundezas. A paz do Natal ficou pendurada nas estrelas.

Completamente diferente é o caminho de Francisco. Ele encontra o Menino-Deus na humildade do presépio, fraternizando com nossos irmãos os animais e com toda a vida. Ele o encontra lá onde estão as nossas raízes. Deus, para nascer no homem, tem necessidade do homem todo e primeiramente de suas raízes obscuras, vitais e cósmicas. É com isto que ele conta: “Vede a humildade de Deus”, dizia Francisco aos seus irmãos.

Depois desta longa vigília de oração e de canto na gruta transformada em estábulo, a missa do Natal foi celebrada na manjedoura como altar. Francisco, que tinha vestido a dalmática em sua qualidade de diácono, cantou o Evangelho da Natividade. Com sua voz “vibrante e doce, clara e sonora”, proclamou a Boa-Nova: “Não temais, pois eu vos anuncio uma grande alegria que será para todo o povo: hoje vos nasceu um Salvador…” (Lc 2,10-11).

Depois deste anúncio, Francisco dirigiu-se ao povo, convidando todos a regozijar-se com o evento. Não era um sermão que ele fazia, era sua própria vibração interior que lhes transmitia. Em palavras bem simples, evocou a pequena cidade de Belém e o nascimento do Menino-Deus na pobreza do presépio. Ouvindo-o, tinha-se verdadeiramente a impressão de que naquela noite o céu havia perdido todo o seu orgulho e se havia tomado próximo e fraternal. O Deus de majestade se havia feito nosso irmão em Maria sua Mãe.

Pode-se encontrar um eco da homilia de Francisco na oração que ele compôs para as vésperas de Natal, em seu Oficio:
Naquele dia Deus nosso Senhor concedeu a sua graça
e de noite ressoou o seu louvor.
Este é o dia que o Senhor fez,
alegres exultemos por ele.
Pois foi-nos dado um Menino amável e santíssimo,
nascido por nós à beira do caminho
e deitado numa manjedoura,
porque não havia lugar na estalagem.
Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens de boa vontade.
Alegrem-se os céus, rejubile a terra,
ressoe o mar com tudo o que contém,
rejubilem-se os campos e o que neles existe!…

“Paz na terra!” A mesma paz que Francisco foi anunciar aos cruzados, depois ao sultão, no Oriente Próximo, foi nesta pequena aldeia da montanha que ela floresceu naquela noite de Natal. Não era necessário correr para o país de Jesus para encontrá-la: Greccio se havia tomado uma nova Belém. O Menino-Deus nasce em toda parte onde há seres humanos bastante humildes para reconhecer-se irmãos uns dos outros e de toda criatura.

Trecho do livro “O Sol Nasce em Assis”, de Éloi Leclerc, Vozes, 2000

Éloi Leclerc

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

A Mensagem Franciscana do Presépio



Segundo a tradição, a primeira representação visualizada, teatralizada e celebrada de um presépio aconteceu no ano de 1223, num bosque próximo de Greccio, na Úmbria, região italiana. Quem tomou esta iniciativa foi Francisco de Assis, e ,com isso, ele passa a ser o primeiro a organizar de um modo plástico a cena da Encarnação do Filho de Deus.

Não é de se discutir se o fato é verídico ou legendário, pois Francisco de Assis foi um apaixonado pelo modo como Deus fez morada no mundo dos humanos, e certamente, mais do que palavras quis mostrar o maior evento de todos os tempos: na carne de um Menino, Deus está para sempre no meio de nós. Vejamos o texto das Fontes Franciscanas: “A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração.

Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.

E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria.” (Cel 30,4).

Sob a inspiração deste fluo, baseando-se nas Fontes Franciscanas, toda a celebração de Natal ganha um novo vigor interpretativo e celebrativo em toda Itália, da Itália para a Europa e da Europa para o mundo. A cidade de Nápoles transforma a cena de Natal num movimento artístico, e a partir dali e dos anos 1700, o presépio é pura arte.

Unindo a Palavra de Deus, a representação artesanal e o folclore, os presépios vão destacando as típicas figuras regionais, e unem fé e beleza estética. As missões franciscanas levam o presépio para o mundo, e assim, cultura local e tradição cristã mostram o maior feito histórico da cristandade.

O presépio tem a forma dos momentos culturais: barroco, colonial, rococó, renascentista, moderno, vanguardista, arte popular, oriental, latino-americano, indiano e africano. O Deus Menino está no campo, na cidade, nas tendas, favelas e arranha-céu; está no centro urbano e na periferia. Une a força do sinal, do sacramental, do sagrado, da teologia da imagem, a fala da fé.

Nos presépios temos a harmonia das diferenças. O mundo do divino encontra-se com o mundo do humano. A grandeza, a onipotência de um Deus revela-se na fragilidade de uma criança. Ali o mundo animal, ovelhas, boi, burro, queda-se contemplativo abraçado pelo silêncio do mundo mineral: pedras e presentes. Há também o toque brilhante daquela Estrela Guia aproximando o mundo sideral.

As plantas formam o colorido arranjo do mundo vegetal. Anjos e pastores, um pai sonhador e uma mãe silente que guarda tudo no coração; afinal todos são conduzidos pelo mesmo mistério. O curioso e controlador mundo do poder representado pelos Reis Magos vem conferir. Fazer presépios é unir mundos! Aquele Menino fez-se Filho do Humano: veio experimentar a nossa cultura, o nosso jeito, a nossa consangüinidade.

Num presépio cabe todos os rostos! É o grande encontro dos simples, dos normais, dos marginais, dos ternos, fraternos, sofridos e excluídos. Quando o diferente se encontra temos a mais bela paisagem do mundo. Tudo se torna transparente na unidade das diferenças. Num presépio não existe preconceito, existe sim aquela silenciosa e calma contemplação da beleza de cada um, de cada uma. Encarnar-se é morar junto e respeitar o diferente! Paz na Terra aos Humanos de vontade boa e bem trabalhada! Isso é que encantou Francisco de Assis!

O presépio nos lembra que Deus não está no mercado das crenças, nem no apelo abusivo do comércio natalino que faz uma profanização deste universo de símbolos: pinheiros e estrelas, animais e pastores, presépios variados. Deus nem sempre está nas igrejas e nem nas bibliotecas; mas Ele está num coração que pulsa de Amor. Esta é a sacralidade inviolável do Natal: Deus está no seu grande projeto, que é Humanizar-se, fazer valer o Amor, Encarnar o Amor!

Deus não está na violência e nem onde se atenta contra a vida. Deus não está no orgulho dos poderosos nem entre os caçadores de privilégios hierárquicos. Mas Ele está na leveza deste Menino, Filho do Pai Eterno, a grande síntese das naturezas humana e divina.

Ele está aqui na mais bela doação do Sim de José e de Maria. Quando há disponibilidade, todo sonho é fecundo. Ele está onde se faz um presépio: lugar do Bem e da Beleza. É o grande momento de refletir este presente que ele nos dá. Isso é que encantou Francisco de Assis!

O Amor tem que ser Amado! A Verdade e a Beleza têm que ser apreciadas. Este é o lugar de Luz no meio das sombras humanas. A luz vale mais do que todas as trevas. Deus está ali com você e com Francisco diante do presépio, e abraçando você com silêncio, paz, harmonia, serenidade; acolhendo você e passando-lhe Onipresença, Onipotência eterna para a fragilidade da criatura. No presépio, Deus olha você, pessoa humana, contemplando a suprema humildade da Pessoa Divina.

Artigo “A Mensagem Franciscana do Presépio, da Revista Franciscana, uma publicação da FFB

Por Frei Vitório Mazzuco Fº


Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Francisco e o presépio



Nós todos aprendemos a gostar de São Francisco ao longo de nossa vida. Encontramos vestígios dele no rosto de certos irmãos e de muitas irmãs. Difícil dizer o que mais encanta. Tudo nele é força na fragilidade e ternura vigorosa. Por vezes, por vezes mesmo, ele nos lembra Cristo Jesus. Os dois se parecem demais.

Gostamos de vê-lo, simples, despojado, caminhando pelas ruas, dizendo que o Amor não é amado. Vai gastando todas as suas energias para dizer a todos os homens que será preciso mudar o coração, fazer penitência.

Ficamos extasiados ao vê-lo passar horas, noites e dias em oração. Ele é o amante das grutas e dos espaços virgens onde a mão humana pouco se faz presente. A impressão que se tem é que Francisco faz sua vida desenrolar-se continuamente na presença de Deus. Ele não é homem de oração. No dizer de Celano, ele é a própria oração. Tarefa alguma pode fazer com que venhamos a perder o espírito de oração e da santa devoção. Por sua vida, ele assim nos ensina.

Gostamos de freqüentar Greccio, nossa Belém. Nunca ninguém soube tão bem festejar o nascimento de Deus na terra dos homens: palha, despojamento, frades encantados e extasiados, homens e mulheres com tochas acesas e Francisco, feito um dançarino de Deus, cantando a glória do Menino das Palhas, no Menino Pobre, do Deus que se toma criança.

Gostamos de nos sentar contemplativamente diante da rudez e majestade do La Verna. Frei Francisco, Frei Leão, o irmão falcão, os abismos, o verde, o serafim e as chagas de Jesus na carne de Francisco nos envolvem e nos encantam.

Gostamos de ver Francisco caminhando pelas terras da Úmbria atrás dos leprosos, dos mais abandonados, fazendo-se amorosamente presente na vida das pessoas.

Por vezes, gostamos de imaginar esse bando de gente simples, de pés no chão, de braços alevantados, estes frades com Francisco, louvando o Senhor, deixando que o sol, que o Irmão Sol lhes queimasse o rosto e sendo acariciados pelo suave Irmão vento ou pela Irmã Brisa. Gostamos de ver chegar Irmã Jacoba nos derradeiros momentos, trazendo a mortalha do Pai e aqueles doces de amêndoa que só ela sabia fazer e de que ele tanto gostava. Gostamos do Francisco humano, verdadeira e belamente humano.

Gostamos de ver Francisco como aquele que tudo descomplica: sem preocupações mundanas, sem bens materiais, sem cultivo do ego, sem vontade de aparecer, não reclamando nada.

A impressão que se tem é que Cristo veio outra vez viver entre nós na delicada e vigorosa figura de Francisco de Assis.

Texto extraído do livro “Por que todos andam atrás de ti?”, de Frei Almir Ribeiro Guimarães. Publicação da FFB, 2005


Frei Almir Ribeiro Guimarães, ofm


Fonte: http://www.franciscanos.org.br

São Francisco e o Natal




Para São Francisco, o Natal é a festa das festas, porque o Filho de Deus se revestiu da verdadeira carne da nossa frágil humanidade, para a nossa salvação; e por isso quer que seja celebrado com alegria e generosidade para com os pobres e mesmo para com todos os animais. Numa singular intuição une e funde o mistério da encarnação, na pobreza e humildade, com a eucaristia.

Por isso quer “ver”, com os próprios olhos do corpo, o Natal da celebração eucarística, e criar um ambiente sugestivo para um encontro real com Jesus eucarístico, acolhido na humildade de uma gruta. Assim é o presépio de Greccio, no Natal de 1223. Aquilo que Francisco quer ver e fazer entender é a pobreza-humilhação do Filho de Deus na sua vinda ao mundo, tal qual acontece diariamente na eucaristia. O binômio Belém-eucaristia é de tradição bem mais antiga, que vê o altar como presépio.

Francisco tem a originalidade de atualizá-lo em formas plásticas e simples, ao vivo. Seu desejo era o de fazer nascer Jesus menino e as suas virtudes nos corações de todos e o de fazer “ver” o momento da salvação no Natal-eucaristia.

O mérito de São Francisco não foi o de ter inventado uma cena que todos poderiam reproduzir, mas o de ter mostrado com que sentimentos de coração devemos nos acercar do Menino Jesus.

Cesarius Van Hulst

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A chegada de um Menino



Juízes 13, 2-7.24-25; Lucas 1, 5-25

Estamos perto do Natal. Entre nossos companheiros do tempo do Advento contamos com João Batista. O evangelho deste dia nos fala da anunciação do anjo a Zacarias. Deus acaba com a tristeza desse casal que não tinha filhos. Sigamos as informações de Lucas.

Zacarias era sacerdote do grupo de Abia. Isabel, sua esposa, era descendente de Aarão. Ambos viviam a dor de não terem filhos. Os dois eram fidelíssimos ao Senhor.

Exercendo suas funções no templo, Zacarias é visitado pelo alto. “Não tenhas medo, Zacarias, porque Deus ouviu tua súplica. Tua esposa, Isabel, vai ter um filho e lhe darás o nome de João. Tu ficarás alegre e feliz e muita gente se alegrará com o nascimento do menino porque ele vai ser grande diante do Senhor”. Há a alegria do anúncio da chegada de um filho. Encerra-se o tempo do luto e da tristeza.

O menino que vai chegar reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor. Ele, de alguma forma, será uma nova versão de Elias, o profeta ardoroso e corajoso. Ele preparará para o Senhor um povo disposto. Será um aplanador de vias e estradas. Aquele que prepara os caminhos do Messias. Zacarias hesita. Pergunta: “Como isso acontecerá? Eu e minha mulher já somos avançados em idade”. Isabel, um pouco depois, ficou grávida e escondeu-se durante cinco meses: “Eis o que o Senhor fez por mim, nos dias em que ele se dignou tirar-me da humilhação pública”. Assim, o casal foi visitado pela graça de Deus. Comemoramos com essa litúrgia o anúncio de Deus feito aos pais daquele que haveria ser o precursor do Messias.

“Para Lucas, as aparições de anjos são sinal de que caíram as antigas barreiras entre o céu e a terra, ou pelo menos estão para cair, e está para aparecer na terra dos homens uma epifania do mundo celeste. A iniciativa parte de Deus, porque tudo o que é grande vem dele. Zacarias, passado o primeiro momento de espanto e de estupor, exprime dúvidas baseado nas categorias das possiblidades humanas. Sua fé não atingiu ainda a altura e a profundidade suficientes, ainda não sentiu que para Deus nada é impossível e que seu poder começa exatamente onde a fraqueza humana mostra os limites de suas possibilidades” (Missal Cotidiano da Paulus, p. 83).

Terminamos esta reflexão com citação do CardeL Suenens feita pelo Missal da Paulus: “Felizes os que sabem auscultar em profundidade, porque ouvirão a Deus! A nós parece incrível que Deus nos fale, entretanto ele o faz initerruptamente. Por que então não lhe ouvimos a voz? Simplesmente porque não estamos à escuta. A frequência de suas ondas é captada por quem pede e ouve em silêncio”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães


Fonte: http://www.franciscanos.org.br

domingo, 14 de dezembro de 2014

Alegria de quem não perde a esperança

Isaías 61, 1-2.10-11; 1Tessalonicenses; João 1,6-8.19-28

Este domingo é conhecido como domingo da alegria, “gaudete”. Nestes dias que antecedem a comemoração do Natal do Menino somos convidados a vivenciar uma profunda alegria. A carta aos Tessalonicenses lembra: “Estai sempre alegres no Senhor”. Toda a leitura de Isaías nos convida a viver no júbilo.

• “A liturgia de hoje é banhada na alegria. Alegria do antigo povo de Israel, que, de volta do exílio, mas ainda não estabelecido, espera dias melhores para breve; pois o profeta lhe é enviado com uma missão particular do Senhor (isto significa unção, Is 61,1); anunciar a boa nova da perfeita restauração da paz e da justiça, ao povo oprimido: os pobres, os sofridos, os cativos, os sofridos; proclamar um ano de graça, isto é, um ano sabático, um jubileu, instituições de Israel para restabelecer na sociedade, chances iguais para casa um (devolução das terras hipotecadas, libertação dos escravos etc.). A perspectiva de tal restauração da harmonia (não temos conhecimento de que ela foi jamais realizada) provoca no profeta um grito de júbilo, como de um noivo ou noiva preparando-se para as núpcias” (Johan Konings, SJ).

• Domingo de alegria: que quer dizer? Não fomos lançados a esmo na aventura da vida e dos tempos. Somos frutos de um sonho de Deus e o cosmos foi dado a esse ser chamado homem e mulher. Não vieram de leis cegas. Constituem um sonho e um projeto do Altíssimo. E esse Deus que se torna um frágil criança e um servo que lava os pés de seus patrões veio derramar seu espírito e seu amor em nossos corações. Novamente Konings: “Naquele que o Batista anuncia manifesta-se que Deus está perto de nós, não como realidade assustadora, mas como pessoa humana, que nos ama com tanta fidelidade que dá até sua vida por nós. Não é essa uma razão de alegria? Alegria contida, pois sabemos quanto custou a Jesus manifestar a presença de Deus desse jeito…”

• Jesus, o Messias, o Esperado das colinas eternas está em nosso meio. Será preciso descobri-lo nos traços que ele deixou nas Escrituras, no rosto daqueles que são seus irmãos, nas inspirações do alto.

• Na Carta aos Tessalonicenses Paulo nos pede: “Não apagueis o Espírito”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

Fonte: //www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CELEBRA

                  










CELEBRAÇÃO PENITENCIAL DE ADVENTO
C O N V I T E 



Queridas Irmãs e Irmãos da OFS, Religiosas e Religiosos.
PAZ E BEM!

“É PARA A LIBERDADE QUE CRISTO NOS LIBERTOU!” (Gl 5,1)


Ao longo do ano que estamos encerrando a Igreja nos convidou para refletirmos sobre a Fraternidade e o Tráfico humano e para lutarmos pela promoção da defesa e da liberdade da vida de todos os nossos irmãos.
Aproximamo-nos da festa do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e agora somos convidados a acolhermos Deus que se faz homem, assume nossa condição mortal e que morar em nossos corações. Jesus nasce justamente para nos libertar plenamente para Deus, tirando-nos da escravidão do pecado e da morte. Como Família Franciscana queremos celebrar a misericórdia de Deus através de nossa celebração penitencial do Advento, para a qual convidamos a todos: os nossos irmãos.
DATA: Dia 13 de Dezembro de 2014
HORÁRIO: De 09 até 11horas.
ONDE: Convento São Francisco de Assis - SALA SANTA CECÍLIA - ENTRADA PELA
IGREJA , Largo São Francisco 133, APÓS A CELEBRAÇÃO TEREMOS OPORTUNIDADE
DE VISITAR A EXPOSIÇÃO DE PRESÉPIOS

Contamos com sua presença e participação!

Frei Anacleto Luiz Gapski, OFM - Coordenador Regional

Família Franciscana do Brasil - Regional Sul I - São Paulo
 Largo São Francisco, 181 - 5 andar - sala 2 - CEP 01005-010

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Programe em sua agenda, sábado dia 13/12/14, às 13h. Não perca!!


O que está por trás da festa do Natal



Frei Luiz Iakovacz

Quando chega dezembro, todos, quase que automaticamente, nos ligamos ao Natal, a festa mais esperada do ano. Com oferta de empregos temporários e o décimo terceiro nas mãos, o comércio explora, exaustivamente, a compra de presentes; doam-se Cestas de Natal; empresas e pastorais promovem encerramento das atividades com ‘amigo secreto’; a Ceia é recheada de comida-bebida e troca de presentes; outros viajam para encontrarem familiares; e muito mais!

Nós, cristãos, precisamos priorizar Jesus Cristo. Ele não é um acréscimo ao que foi dito acima, mas a essência de tudo. Para isso, a Igreja oferece vários meios, sendo que a Liturgia é o principal deles.

O profeta Isaías anuncia que o Messias nascerá de uma donzela (Is 7,14) e que se chamará “Príncipe da Paz” (Is 9,5); por isso, uma das realidades dos tempos messiânicos é a harmonia entre os seres humanos e, estes, com a natureza (Is 11,6-9).

João Batista é a voz que grita, conclamando o povo a uma verdadeira conversão, aplainando as montanhas da autossuficiência e nivelando os buracos que causam a queda de tantos irmãos. Ele quer endireitar a vida dos que andam transviados em vista da vinda do Senhor (Lc 3,3-6). A pessoa de Maria, mãe e agraciada por Deus, nos lembra a ternura feminina no lar e na sociedade.

Porém, é oportuno dizer que o Natal de Jesus foi muito conflitivo.

Maria, com seu “sim”, aceitou a maternidade, sendo virgem. Como explicá-la a José, seu noivo, e à comunidade?! Quem iria acreditar que era obra do Espírito Santo (Lc 1,35)? Conforme o costume judaico, todo o adultério, seguido ou não de uma gravidez, era passível de denúncia pública e até de apedrejamento. Se Deus interveio junto a José para que acolhesse Maria e adotasse o filho, dando-lhe o nome e a linhagem davídica (Mt 1,20-21), não podemos, também, desconsiderar a postura de Maria que, com sua ternura e convicção em assumir as consequências do seu “sim”, ajudou “acalmar” esta constrangedora situação.

Como não pensar na inviabilidade de alguém, prestes a dar a luz, fazer uma viagem no lombo de um burrinho de, aproximadamente 150 km, por causa do recenseamento? (Lc 2,1-7). Que dizer de um nascimento numa gruta e do recém-nascido estar envolto em “paninhos” (Lc 2,12), isto é, em extrema pobreza?

Como não pensar na morte sanguinária e sumária das crianças de Belém por que o rei Herodes temia perder o trono (Mt 2,16-18)? Como não pensar na fuga apressada para o Egito (Mt 2,13-15)? Como não pensar na “tristeza interior” de José que, ao voltar do Egito, tinha a intenção de morar em Belém, mas sabendo que o filho de Herodes era tetrarca da região e, por isso, foi a Nazaré, fora da jurisdição de Arquelau?”(Mt 2,1923)?

Pode ser que essa conflituosa situação do nascimento de Jesus não tenha acontecido “ipsis litteris”, isto é, assim como os Evangelhos nos relatam. Estes foram escritos muitos anos depois e, talvez, sem provas consistentes.

Uma coisa, porém, é certa: precisamos ter uma postura de insatisfação com o “natal comercial” e com o “romântico presépio” de São Francisco. Quiçá, ele também esteja inconformado. Somemo-nos a ele e a todos os que lutam por um Natal mais cristão.


Fonte: http://www.franciscanos.org.br

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Imaculada Conceição de Maria





O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro de nós e que não renunciamos nunca.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma, foi definida em 1854, pelo papa Pio IX, através da bula “Ineffabilis Deus”, mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no Oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.

A festa não existia, oficialmente, no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia chamado bem-aventurado João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de são Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria como início do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570, foi confirmada e formalizada pelo papa Pio V, na publicação do novo ofício, e, finalmente, no século XVIII, o papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se, explicitamente, com a prova de incontáveis milagres: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus misericordioso. Foi Deus que concedeu a ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina, permanecesse incontaminada.

Maria, então, foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor, que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.

Hoje, não comemoramos a memória de um santo, mas a solenidade mais elevada, maior e mais preciosa da Igreja: a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a rainha de todos os santos, a Mãe de Deus.

A Igreja também celebra neste dia a memória dos santos Romário e Lucila.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

“Tudo começou naquela noite do Oriente”


Frei Almir Ribeiro Guimarães

Nós, que somos discípulos de Jesus, gostamos muito dos dias de dezembro quando cantamos loas ao Menino das Palhas. Crianças, homens maduros e os já envelhecidos caminhamos todos rumo à celebração do Natal através das preparações sólidas e belas do tempo do Advento. Em lá chegando extasiamo-nos diante da maneira singela e pobre como Deus resolveu se manifestar. Natal é bem mais do que luzes que cintilam, do que brilho da purpurina, do que as árvores com suas bolas e um certo sentimento “adocicado” que pode tomar conta de nós. Natal e uma criança, é fragilidade, simplicidade. O Deus de todas as grandezas e de todos os tempos resolve fazer caminhada conosco. Não hesita, como diz a Carta aos Filipenses, em tomar a condição humana, a fragilidade humana, a posição do servo. Quando queremos dizer da beleza do Natal nada melhor do que exprimi-lo com o símbolo da criança indefesa deitada nas palhas. Singeleza, simplicidade, carinho, visita do Alto que se faz na pobreza de uma criatura dependente desse Menino das Palhas…

Com a encarnação, Deus passou a conviver com a fragilidade. Karl Ranher escreve a respeito: Natal, presença de Cristo, em toda existência humana: “Aí estou eu, perto de ti. Sou tua vida, sou teu tempo terrestre. Sou essa tonalidade cinzenta de teu cotidiano. Eu o suportei. Por que tu não o suportas? Choro tuas lágrimas; eu te peço que, por tua vez, chores as minhas, meu filho. Sou tua alegria. Por que hesitas em ser alegre? Depois que verti lágrimas, a atitude de alegria é a mais consentânea com a realidade: deixa medo e tristeza para aqueles que não têm esperança. Estou mesmo em teus impasses. Não fiques preocupado demais em te ver livre deles, pobre filho de visão acanhada, porque é então que mais te aproximas de mim, sem disto ter consciência. Estou em teu medo porque o sofri contigo e não fui heroico como o mundo costuma ser. Estou presente na prisão de tua finitude…”. Os que estamos para celebrar a Encarnação do Verbo temos consciência de que o humano todo e todos os humanos foram tocados e marcados pelo Verbo que se fez carne e nasceu naquela noite do Oriente.

Ora, os que contemplam a cruz do Mestre, os que leem novamente o texto de João que fala do soldado o peito de Jesus, fixam novamente extasiados com o abaixamento de Deus. Agora é um indefeso e inocente torturado que vai ter o Coração aberto constituindo assim uma janela por onde podemos ver o tesouros de amor de um Deus que é amor, o mesmo que antes era uma indefesa criança que nascia numa noite do Oriente.

O amor terno e carinhoso do Menino das Palhas se completa admiravelmente com as torrentes de amor que jorram do peito aberto daquele que não hesitou em revestir-se de simplicidade de pobreza.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Convite para missa de sufrágio Frei Agostinho Salvador Piccolo, OFM



Irmãos e Irmãs,
Paz e Bem!

Faleceu no dia 28/11/14, Frei Agostinho Salvador Piccolo, OFM.

A Fraternidade esteve representada na missa de corpo presente na Igreja do Pari.

Dentre os inúmeros serviços que prestou à comunidade em seus 63 anos de Vida franciscana, está a Assistência Espiritual nas Chagas de 30/03/10 a dezembro de 2012.

Sempre gentil, estudioso, acolhedor, extrema delicadeza com todos. Estava sempre presente aos Encontros de Formação e Reuniões de Conselho da fraternidade. 

Gostava muito de estar com os jovens. Sempre que podia dividia o tempo entre a OFS e a Jufra. 

Ficava radiante quando o assunto era o Corinthians!

Guardamos dele um profundo carinho. Ele chegou até nós num momento bem difícil, pois estávamos começando como um novo Conselho.  Sua presença e atenção ajudaram muito na caminhada do Conselho e com os irmãos na fraternidade.

Louvamos a Deus pelos seus 84 anos de vida passados nesse mundo. E agora está em plenitude nos Braços do Pai!

Convidamos a todos para a missa de sufrágio no dia 07/12/14 às 9 horas na igreja da Ordem Terceira.

A lembrança que guardo dele é a ALEGRIA!
ALEGRAI-VOS NO SENHOR!

Fraternalmente,

Maria Nascimento

São Francisco Xavier, grande santo missionário


A Igreja que na sua essência é missionária, teve no século XV e XVI um grande impulso do Espírito Santo para evangelizar a América e o Oriente. No Oriente, São Francisco Xavier destacou-se com uma santidade que o levou a ousadia de fundar várias missões, a ponto de ser conhecido como “São Paulo do Oriente”. Francisco nasceu no castelo de Xavier, na Espanha, a 7 de abril de 1506, sofreu com a guerra, onde aprendeu a nobreza e a valentia; com dezoito anos foi para Paris estudar, tornando-se doutor e professor.

Vaidoso e ambicioso, buscava a glória de si até conhecer Inácio de Loyola, com quem fez amizade; e que sempre repetia ao novo amigo: “Francisco, que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?” Com o tempo, e intercessão de Inácio, o coração de Francisco foi cedendo ao amor de Jesus, até que entrou no verdadeiro processo de conversão; o resultado se vê no fato de ter se tornado cofundador da Companhia de Jesus. Já como Padre, e empenhado no caminho da santidade, São Francisco Xavier foi designado por Inácio a ir em missão para o Oriente. Na Índia, fez frutuoso trabalho de evangelização que abrangeu todas as classes e idades, ao avançar para o Japão, submeteu-se em aprender a língua e os seus costumes, a fim de anunciar um Cristo encarnado. Ambicionando a China para Cristo, pôs-se a caminho, mas em uma ilha frente a sua nova missão, veio a falecer por causa da forte febre e cansaço.

Esse grande santo missionário entrou no Céu com quarenta e seis anos, e percorreu grandes distâncias para anunciar o Evangelho, tanto assim que se colocássemos em uma linha suas viagens, daríamos três vezes a volta na Terra. São Francisco Xavier, com dez anos de apostolado, tornou-se merecidamente o Patrono Universal das Missões ao lado de Santa Teresinha do Menino Jesus.

São Francisco Xavier, rogai por nós!


Fonte: http://santo.cancaonova.com/

Na audiência, Papa enaltece o valor de acolher refugiados



Cidade do Vaticano (RV) – Quarta-feira de tempo coberto e chuva na capital italiana. Os cerca de 10 mil fiéis e turistas presentes encontraram lugar para se sentar nas cadeiras dispostas da Praça São Pedro para a audiência geral. Antes de começar o encontro, Francisco passou na Sala Paulo VI para saudar pessoalmente os idosos e enfermos. Já na Praça, depois do tradicional giro em papamóvel, Francisco pediu aos presentes que cumprimentassem, com um aplauso, estas pessoas que, por causa do mau tempo, acompanhavam o encontro através de telões.

A catequese do Bispo de Roma verteu sobre a sua peregrinação à Turquia, de sexta-feira, 28, a domingo, 30 de novembro. O Papa agradeceu aos fiéis por terem rezado, antes, pelo bom êxito da visita e pediu agora que deem graças ao Senhor pelos frutos que ela pode dar no diálogo com os irmãos ortodoxos e muçulmanos e na construção da paz entre os povos.

O Pontífice fez um agradecimento formal a todas as autoridades civis e religiosas que o acolheram e garantiram a realização de todas as etapas programadas. De acordo com Francisco, seus predecessores João XXIII, Paulo VI e João Paulo II o protegeram, do céu, nesta missão.

Na sequência, o Papa Francisco ilustrou os dias de sua viagem, desde o primeiro momento, em Ancara, quando visitou o Mausoléu de Atatürk. No discurso feito naquela ocasião, o Papa insistiu na importância que cristãos e muçulmanos se comprometam juntos com a solidariedade, a paz e a justiça. Lembrando que a Turquia é um Estado laico, disse que é dever de todo país assegurar à cidadania e às comunidades religiosas uma real liberdade de culto.

No segundo dia, encontrando pessoalmente os líderes das diferentes confissões religiosas do país, Francisco “sentiu no coração a invocação ao Senhor, Pai misericordioso de toda a humanidade”, e contou aos fiéis presentes na Praça:

“Juntos, invocamos ao Espírito Santo a unidade da Igreja: unidade na fé, unidade na caridade, unidade na coesão interior. O Povo de Deus, na riqueza de suas tradições, é chamado a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, em atitude de abertura, docilidade e obediência. Quem faz este caminho é o Espírito Santo, disse o Papa. Nós devemos somente acolhê-lo e nos deixar guiar pela sua inspiração”.

Continuando seu relato, o Papa disse que “o terceiro e último dia, festa do Apóstolo Santo André, ofereceu o contexto ideal para fortalecer as relações fraternas entre o Bispo de Roma e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I. Foi assinada uma Declaração conjunta que representa mais uma etapa na estrada da plena comunhão entre católicos e ortodoxos”.

Recordando o momento da prece final, Francisco afirmou que “a oração é a base para um diálogo ecumênico frutífero, sob a guia do Espírito Santo”.

Enfim, um momento muito importante, belo e doloroso para Francisco foi o encontro com um grupo de jovens refugiados hospedados pelos Salesianos:

“Estive lá seja para expressar a proximidade minha e da Igreja, seja para ressaltar o valor da acolhida, no qual a Turquia muito se empenhou. Agradeço de coração aos Salesianos que trabalham com os refugiados. Aquele oratório é uma coisa bonita, um trabalho ‘escondido’. Rezemos todos pelos refugiados e deslocados, para que sejam removidas as causas desta dolorosa chaga”.

Terminando o encontro, Francisco pediu ao Senhor que continue a proteger o povo turco, para que possam todos, unidos, construir um futuro de paz, a fim de que a Turquia seja um lugar de coexistência pacífica entre religiões e culturas diferentes.

O Papa lembrou a memória de São Francisco Xavier, padroeiro das missões, que a Igreja recorda hoje, 3 de dezembro, e em seguida, leitores saudaram os grupos, resumindo a catequese do Papa em várias línguas.

Em português, este foi o cumprimento:

“Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos membros das Romarias Quaresmais de São Miguel, no Arquipélago dos Açores. Queridos amigos, obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! Peçamos ao Espírito Santo, artífice da unidade da Igreja, que aplane a estrada para a plena comunhão de todos os cristãos no Senhor Jesus. Que Deus vos abençoe a vós e a vossos entes queridos!”.

Fonte: Rádio Vaticano