sábado, 31 de janeiro de 2015

Manuscrito inédito sobre vida de São Francisco de Assis



Novos aspectos da vida de Francisco reemergem do passado; não só fragmentos, desta vez, ou citações indiretas extraídas de obras contemporâneas, mas a segunda mais antiga Vida do Santo de Assis, desconhecida até hoje, contida em um manuscrito aparentemente insignificante e ausente dos catálogos das bibliotecas, por fazer parte de uma coleção privada.

Um pequeno códice (do formato e 12×8 centímetros) no centro de uma questão historiográfica muito vasta e complexa, em curso, sem solução de continuidade, desde a terceira década do século XIII até os nossos dias, cruz e delícia de gerações de medievalistas: a busca de testemunhos biográficos sobre o Pobrezinho de Assis não coincidentes com a vida oficial, a Legenda de Bonaventura, aprovada em 1263.

Um livro que passou despercebido por muito tempo e que chegou ileso até nós, talvez justamente por causa da sua pobreza: trata-se de um pequeno códice “franciscano em sentido literal, humilde e pobre, sem decorações ou miniaturas”, explica-nos, de Paris, o autor da descoberta, o medievalista Jacques Dalarun, a quem pedimos que nos contasse os detalhes de uma pesquisa apaixonante e cheia de surpresas, como uma história de detetive paleográfica.

Eis a entrevista.

Como o senhor encontrou o manuscrito?


Graças ao e-mail de um colega, Sean Field, que leciona na Universidade de Vermont e é – aproveito a oportunidade para especificá-lo – felizmente casado: não é um frei franciscano, como vi escrito na imprensa nestes dias. Sean, sabendo que eu me ocupo há muito tempo com os testemunhos biográficos de Francisco, me assinalou um iminente leilão de um manuscrito que poderia ser interessante. E também graças ao cuidadoso e inteligente trabalho de Laura Light, a estudiosa que preparou a descrição do manuscrito para a casa de leilões norte-americana, que o colocou à venda no ano passado. Eu estava procurando esse texto há sete anos: durante os meus estudos, eu tinha encontrado fragmentos e vestígios dispersos, e tudo levava a pensar na existência de uma espécie de Legenda intermediária de Tomás de Celano, posterior à primeira redação e anterior à segunda Vida que conhecemos, uma obra composta sob o generalato do frei Elias. Encontrar esse texto foi uma confirmação muito, muito preciosa e, obviamente, uma grande alegria. Dizemos que essa descoberta choveu em um terreno pronto para recebê-lo.

Quando o senhor percebeu que o texto latino à sua frente na tela do seu computador não era apenas um florilégio umbro do fim do século XIII sobre a vida de Francisco, mas uma obra inédita de Tomás de Celano?

Decifrando o prólogo. No site, também havia imagens do manuscrito, não da mais alta qualidade, mas mesmo assim legíveis, embora com um pouco de dificuldade. A própria Laura Light, na sua descrição do códice, citava os meus estudos, referindo à possibilidade de que pudesse se tratar de uma peça importante de um mosaico ainda a ser totalmente concluído. Nesse ponto, a minha preocupação foi tornar o texto disponível aos estudiosos; se tivesse sido comprado de um privado, isso não seria automaticamente garantido. Por isso, me dirigi à diretora do departamento de manuscritos da Biblioteca Nacional da França, que, depois de uma negociação com a casa de leilões, comprou o livro. Enquanto isso, desde setembro passado até hoje, pude estudar o texto de modo aprofundado e preparar a edição latina e a tradução francesa, iniciando também as traduções em italiano e inglês. A notícia foi divulgada apenas no dia 16 de janeiro passado na imprensa francesa. Não era apropriado torná-lo conhecido antes para não interferir em uma negociação comercial em andamento, e eu queria também ter uma ideia precisa da colocação cronológica e do conteúdo do manuscrito.

Encontrou elementos interessantes no texto?

É um resumo, escrito em um lapso de tempo que vai de 1232 a 1239, da primeira versão da Legenda, considerada longa demais pelos contemporâneos, mas não só: são adicionados novos elementos e, lendo-o com atenção, fica evidente que a reflexão do autor também se aprofundou notavelmente ao longo do tempo, especialmente sobre as questões da pobreza e do amor pelas criaturas. Tomás de Celano era um homem muito profundo e nunca deixou de refletir sobre o ensinamento de Francisco. Em certo sentido, se poderia dizer que o biógrafo, com o passar dos anos, entende que… realmente não entendeu a mensagem de Francisco. Que o relatou, mas não o entendeu realmente. E é um texto amplo: a edição latina tem cerca de 60 cartelas.

Muitos comentários contidos na primeira versão foram eliminados, e há alguns pontos novos. Ressalta-se muito mais a concretude da experiência da pobreza, do experiri paupertatem não em sentido simbólico, alegórico ou só espiritual, mas real: significa usar as mesmas vestes e comer a mesma comida dos pobres. E se aprofunda o tema da fraternidade com toda a criação. No início, Tomás falava disso como de algo admirável, estranho e incrível, mas, substancialmente, estranho para a sua experiência. Bem escrito, mas distante. Na reescrita, em vez disso, ele reflete sobre o fato de que a fraternidade com a criação também diz respeito aos seres desprovidos de razão, não só aos seres humanos. É um discurso anti-identitário. Somos diferentes, mas irmãos, porque todos descendem da paternidade do Criador. Por isso, não concordo quando ouço que “Francisco amava a natureza”: é um conceito pagão. Francisco amava os seus irmãos homens e animais, por serem filhos de um mesmo Criador.

Há um ponto que chamou a sua atenção de modo particular?

Um episódio que já conhecíamos, mas que é contado de um modo um pouco diferente na chamada legenda trium sociorum. O que podemos ler agora é provavelmente a versão mais autêntica e mais antiga. Fala-se de uma viagem de Francisco em Roma, mas não como a peregrinação de uma pessoa já convertida, que abraçou a vida religiosa. Neste caso, é contada uma viagem de negócios de um mercador que fica impressionado com a pobreza dos mendicantes que vê perto de São Pedro e se pergunta se seria capaz de viver uma experiência semelhante. Nada a ver com a versão adocicada que se difunde posteriormente: Francisco, já frei, que se inclina sobre a dor de quem cruza pelo seu caminho. Aqui, o contraste é muito mais forte, não uma mudança gradual, mas um verdadeiro choque. Tomás acrescenta outros detalhes muito concretos e realistas: explica que Francisco reparava os buracos na sua túnica usando fibras tiradas da casca das árvores e das ervas que encontrava nos campos, justamente como faziam aqueles que não tinham absolutamente nada, nem mesmo os instrumentos para costurar.

Ainda é preciso entender...

O suspense está apenas no início: quem tinha esse livro no bolso? Por quem foi feito? Provavelmente, por um frei menor, perto de Assis. Quem podia ter conhecimento desses textos? O frei Leão, ou talvez o frei Luigi Pellegrini, levando em conta também o fato de que a Vita tem apenas 15 fólios, um oitavo do volume. No manuscrito, também há as Admoestações de Francisco e muito mais. Mas ainda há muito o que entender. Também é interessante o momento histórico em que floresceu do passado esse testemunho, em um ângulo de século que tem muitos pontos em comum com a grande expansão econômica e os grandes bolsões de pobreza do século XIII. É uma bela ajuda por parte do primeiro Francisco para o atual papa, que, justamente agora, está preparando uma encíclica sobre o amor pela criação.

A reportagem é de Silvia Guidi, publicada no jornal “L’Osservatore Romano”, no dia 27-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto, do Instituto Humanitas Unisinos.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Retorno às atividades - 2015

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu no dia 17/01/15 outra apresentação de concertos do CCBB na Igreja da Ordem Terceira.

O número de pessoas é grande a cada nova apresentação. O público chega cedo para apreciar o ensaio dos músicos.  Com aproximadamente 300 pessoas a igreja fica repleta.

No domingo dia 18/01/15 na missa das nove horas rezamos em sufrágio da Irmã Maria Madalena Salomé falecida no dia 14/01/15 e do Dr. José Welington, procurador jurídico da VOT falecido no dia 15/01/15.

Após o café a formação foi conduzida pelo Irmão Milton sobre a Consciência de Pertença. Ele foi bem dinâmico e alegre, contando com a participação da assembleia  enriquecendo ainda mais o tema.

Depois do almoço tivemos a formação para iniciantes e formandos, enquanto os professos rezaram a Coroa franciscana na capela.

Começamos o ano com várias pessoas procurando ingressar na OFS. 

Deus seja louvado!

Maria Nascimento










Abdullah II elogia posição do Papa sobre liberdade de expressão



Amã (RV) – O Rei da Jordânia Abdullah II considerou positivas e fez como suas as considerações do Papa Francisco sobre a liberdade de expressão e o respeito pela fé e símbolos religiosos, expressas durante a recente viagem à Ásia. Ao encontrar a Tribo beduína Beni Sakhr, o monarca fez claras referências às palavras do Santo Padre de que a liberdade de expressão é um direito e até mesmo um dever, ao mesmo tempo que tem seus limites, não podendo chegar ao ponto de ofender as convicções religiosas dos outros. O fato foi confirmado pelo Vigário Patriarcal de Jerusalém, Maroun Lahham.

O monarca jordaniano reiterou ainda que os extremistas não representam o autêntico Islã e que a reputação dos muçulmanos deve ser tutelada e defendida. Abdullah II explicou sua participação na Marcha de Paris contra o terrorismo, como uma “intenção de mostrar a própria solidariedade a um país amigo, onde vivem mais de 6 milhões de muçulmanos”.

No encontro com os chefes beduínos, o monarca do Reino Hashemita lançou um alarme sobre o crescimento da islamofobia na Europa, insistindo sobre a necessidade de proteger a imagem de moderação e de tolerância do autêntico Islã e de envolver toda a comunidade muçulmana na condenação dos grupos extremistas e terroristas que instrumentalizam o Alcorão. (JE)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Convite para missa de sufrágio: Maria Madalena Salomé - 18.01.15


CONCERTOS CCBB DE MÚSICA CLÁSSICA

A série, em cartaz até maio de 2015, promove a música clássica por meio de diversos compositores europeus e brasileiros do séc. XV ao XX e faz uma homenagem a um dos espaços mais representativos do estilo barroco em São Paulo, a Igreja das Chagas do Seraphico Pai São Francisco, construída no séc. XVII e reaberta em 2014.

Em 17 de janeiro apresenta-se o Quarteto de Cordas Quadrus Chordarum, formado por Edgar Leite (Violino), Alexandre Cunha (Violino), Davi Caverni (Viola), Alberto Kanji (Violoncelo), com a participação da soprano Natália Áurea. A programação inclui A. Borondin, Alexandre Levy, Puccinie Piazzolla, entre outros.

13h – Quarteto de Cordas Quadrus Chordarum, com participação da soprano Natalia Aurea


Nota de Falecimento Frei José Carlos Pedroso - 09.01.2015


Moacir Beggo

São Paulo (SP) – Às 23h30 da sexta-feira, 9 de janeiro, a irmã morte visitou o estudioso e mestre da espiritualidade franciscana e clariana, Frei José Carlos Corrêa Pedroso. Seu corpo foi velado na Capela do Seminário São Fidelis no Centro de Espiritualidade de Piracicaba (SP) e o sepultamento foi às 17 horas. Frei José Carlos vinha lutando contra um câncer e estava internado desde o último dia 30 de dezembro.

Segundo o Provincial dos Capuchinhos, Frei Carlos Silva, ele lutou até o fim. “Eu o visitei recentemente e ele me disse: ‘ainda estou com esperança'”, contou Frei Carlos. Segundo o Provincial, Frei José Carlos doou sua vida pela espiritualidade franciscana: “Até o último minuto de sua vida, ele se dedicou a esta missão. Ele dormia, comia, respirava a mística franciscana clariana”, disse Frei Carlos.

Para Frei Carlos, o céu ganha com a sua partida, mas nós ficamos com o legado que ele deixou. “Por onde ele passou, deixou essa marca, que é única. Viveu intensamente a vida que abraçou. É um exemplo para nós”, acrescentou Frei Carlos.

Frei José Carlos é frade capuchinho da Província Imaculada Conceição dos Capuchinhos de São Paulo (OFMCap). Licenciado em Letras Clássicas pela Pontifícia Universidade de São Paulo, Frei José Carlos nasceu em São Paulo, no dia 14 de agosto de 1931. Fez a primeira profissão na Ordem Franciscana no dia 8 de janeiro de 1950, há 65 anos. Professou solenemente na Ordem no dia 11 de janeiro de 1953 e foi ordenado presbítero no dia 24 de junho de 1956.

Frei José Carlos era diretor e um dos fundadores do Centro Franciscano de Espiritualidade, em Piracicaba, que foi criado em 1990. Além de grande escritor e palestrante, ele foi Definidor Geral da Ordem Franciscana para América Latina e Grécia por dois sexênios e foi Ministro Provincial também em dois mandatos.

Na entrevista que fiz com ele em 2011, Frei José Carlos Corrêa Pedroso dizia que vivia “inteiramente entregue” em mostrar às pessoas qual é o sentido de vida que São Francisco propõe.

Além da série de livros publicados sobre espiritualidade franciscana, das palestras e aulas que ministrava, Frei José Carlos se dedicava com muita paixão ao Curso Franciscano de Verão, anualmente no mês de janeiro. Ele foi o idealizador do curso em 2008. “É interessante porque sempre sonhei alto, mas neste caso (do curso), a realidade ultrapassou o sonho. Estou feliz com o andamento do curso como nem esperava”, dizia em 2011.

Frei Vitório Mazzuco, que está participando do curso em Águas de São Pedro, escreveu o seguinte texto sobre a morte de seu amigo:

“A Irmã Morte nos visitou para convidar Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap, aos 83 anos, para entrar no Paraíso que ele brilhantemente conquistou! Frei José Carlos fez a sua travessia para a eternidade, às 23h30 da noite do dia 9 de Janeiro, no Hospital dos Plantadores de Cana, de Piracicaba, SP. Este frade de olhar profundo e paternal, sereno, amigo, fraterno e amável, foi sempre uma presença necessária na Família Franciscana e Clariana do Brasil.

Fundou e organizou o Centro de Espiritualidade Franciscana de Piracicaba, hoje uma referência para os que querem conhecer a Espiritualidade, Mística, História e Vida Franciscana e Clariana. Amou profundamente as Fontes Franciscanas e Clarianas. Traduziu, comentou, divulgou. Foi o primeiro a lançar no Brasil as Fontes Clarianas. Dedicou toda sua vida à Espiritualidade Franciscana. Cuidou com carinho todo empenhado e particular, da Formação Contínua dos seus confrades Capuchinhos, das Irmãs Clarissas, das Congregações Femininas e de toda Família Franciscana do Brasil e da América Latina.

Desde 1990 trabalhei e trabalho com ele no Curso de Mística Franciscana, no antigo CEFEPAL, em Petrópolis e no Curso Franciscano de Verão, em Piracicaba e São Pedro (SP), e estive com ele em muitas assessorias, encontros, congressos, jornadas e retiros. Um verdadeiro Mestre. Um apaixonado pela causa franciscana. Foi o primeiro a colocar “on line” a tradução das Fontes Franciscanas. Organizou com carinho a excelente Biblioteca Franciscana do Centro Franciscano de Espiritualidade de Piracicaba.

Foi o maior orientador de Retiros Franciscanos do Brasil. Acompanhava Irmãos e Irmãs que se preparavam para os votos. Fazia acompanhamento personalizado, capaz de orientar retiro para uma, duas, três e 100 pessoas com a mesma vibração. Memorável as Noites Franciscanas que criou em Piracicaba! Dezenas de livros e artigos publicados. Traduções e ensaios, legendou filmes e musicais, tudo para fazer São Francisco e Santa Clara mais conhecidos, mais amados e mais seguidos. Homem de sonhos e projetos. Vigor e ternura, segurança e leveza. Um dos pioneiros na reflexão sobre as relações de gênero, concretizou um natural encontro das potencialidades femininas e masculinas à luz do franciscanismo.

Foi Definidor Geral da Ordem dos Capuchinhos, Provincial, Guardião, Mestre e sempre um expressivo confrade. Fez a sua passagem para a eternidade em pleno Curso Franciscano de Verão, onde me encontro agora e vamos celebrar com os seus Confrades Capuchinhos, Irmãos e Irmãs das três Ordens, das Famílias Regulares, dos Leigos e Simpatizantes do Franciscanismo que a ele devem o acesso fácil e rápido às Fontes Franciscanas e Clarianas, mas sobretudo devem a ele o testemunho transparente de uma vida apaixonada pela causa de Clara e Francisco.

Inteligente, poliglota, grande professor e pregador, nunca deixou de ser humilde e simples. Uma Presença para Sempre! Morreu durante o Curso de Verão que ele criou e incrementou, um dos seus grandes amores! Estamos aqui, emocionados, saudosos, porém não estamos tristes, pois sua vida conquistou a Eternidade no Amor! Vá em paz Frei José Carlos Pedroso! Nós vamos continuar a sua Herança! Paz e Bem! “

Fonte: www.franciscanos.org.br