domingo, 27 de dezembro de 2015

Angelus: abrir a porta da família à presença de Deus


Cidade do Vaticano (RV) – Após celebrar a Missa pelas famílias na Basílica Vaticana, o Papa rezou o Angelus com os milhares de fiéis reunidos na Praça S. Pedro.

Antes da oração mariana, o Pontífice dedicou sua alocução à festa da Sagrada Família, que a Igreja celebra no dia 27 de dezembro.

“Penso no grande encontro de Filadélfia, em setembro passado; nas inúmeras famílias que encontrei nas viagens apostólicas; e naquelas de todo o mundo. Gostaria de saudá-las com afeto e reconhecimento, especialmente neste nosso tempo, no qual a família é sujeita a incompreensões e dificuldades de vários gêneros que a enfraquecem.

A cada criança, um novo sorriso


Já o Evangelho deste domingo convida as famílias a acolherem a luz de esperança que provém da casa de Nazaré. “O núcleo familiar de Jesus, Maria e José é para cada fiel, e particularmente para as famílias, uma autêntica escola do Evangelho. Aqui admiramos a realização do desenho divino de fazer da família uma comunidade de vida e de amor especial. Aqui aprendemos que cada núcleo familiar cristão é chamado a ser ‘igreja doméstica’”.

A seguir, Francisco recordou os traços típicos da Sagrada Família: recolhimento e oração, compreensão e respeito mútuos, espírito de sacrifício, trabalho e solidariedade.

“Do exemplo da Sagrada Família, cada família pode receber indicações preciosas para o estilo e as escolhas de vida. Maria e José ensinam a acolher os filhos como dom de Deus", acresentou o Pontífice, recordando que cada criança doa ao mundo um novo sorriso.

Abrir as portas

Em sua reflexão, o Papa se deteve de modo especial na alegria, cuja a base está na presença de Deus. “Se não se abre a porta da família à presença de Deus e ao seu amor, a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e a alegria se apaga. Ao invés, a família que vive a alegria da fé é sal da terra e luz do mundo, fermento para toda a sociedade.”

Francisco então concluiu:

“Que Jesus, Maria e José abençoem e protejam todas as famílias do mundo, para que nelas reinem a serenidade e a alegria, a justiça e a paz que o nascimento de Cristo doou à humanidade.”

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A Mensagem Franciscana do Presépio

Segundo a tradição, a primeira representação visualizada, teatralizada e celebrada de um presépio aconteceu no ano de 1223, num bosque próximo de Greccio, na Úmbria, região italiana. Quem tomou esta iniciativa foi Francisco de Assis, e ,com isso, ele passa a ser o primeiro a organizar de um modo plástico a cena da Encarnação do Filho de Deus.

Não é de se discutir se o fato é verídico ou legendário, pois Francisco de Assis foi um apaixonado pelo modo como Deus fez morada no mundo dos humanos, e certamente, mais do que palavras quis mostrar o maior evento de todos os tempos: na carne de um Menino, Deus está para sempre no meio de nós. Vejamos o texto das Fontes Franciscanas: “A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração.

Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.

E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria.” (Cel 30,4).

Sob a inspiração deste fluo, baseando-se nas Fontes Franciscanas, toda a celebração de Natal ganha um novo vigor interpretativo e celebrativo em toda Itália, da Itália para a Europa e da Europa para o mundo. A cidade de Nápoles transforma a cena de Natal num movimento artístico, e a partir dali e dos anos 1700, o presépio é pura arte.

Unindo a Palavra de Deus, a representação artesanal e o folclore, os presépios vão destacando as típicas figuras regionais, e unem fé e beleza estética. As missões franciscanas levam o presépio para o mundo, e assim, cultura local e tradição cristã mostram o maior feito histórico da cristandade.

O presépio tem a forma dos momentos culturais: barroco, colonial, rococó, renascentista, moderno, vanguardista, arte popular, oriental, latino-americano, indiano e africano. O Deus Menino está no campo, na cidade, nas tendas, favelas e arranha-céu; está no centro urbano e na periferia. Une a força do sinal, do sacramental, do sagrado, da teologia da imagem, a fala da fé.

Nos presépios temos a harmonia das diferenças. O mundo do divino encontra-se com o mundo do humano. A grandeza, a onipotência de um Deus revela-se na fragilidade de uma criança. Ali o mundo animal, ovelhas, boi, burro, queda-se contemplativo abraçado pelo silêncio do mundo mineral: pedras e presentes. Há também o toque brilhante daquela Estrela Guia aproximando o mundo sideral.

As plantas formam o colorido arranjo do mundo vegetal. Anjos e pastores, um pai sonhador e uma mãe silente que guarda tudo no coração; afinal todos são conduzidos pelo mesmo mistério. O curioso e controlador mundo do poder representado pelos Reis Magos vem conferir. Fazer presépios é unir mundos! Aquele Menino fez-se Filho do Humano: veio experimentar a nossa cultura, o nosso jeito, a nossa consangüinidade.

Num presépio cabe todos os rostos! É o grande encontro dos simples, dos normais, dos marginais, dos ternos, fraternos, sofridos e excluídos. Quando o diferente se encontra temos a mais bela paisagem do mundo. Tudo se torna transparente na unidade das diferenças. Num presépio não existe preconceito, existe sim aquela silenciosa e calma contemplação da beleza de cada um, de cada uma. Encarnar-se é morar junto e respeitar o diferente! Paz na Terra aos Humanos de vontade boa e bem trabalhada! Isso é que encantou Francisco de Assis!

O presépio nos lembra que Deus não está no mercado das crenças, nem no apelo abusivo do comércio natalino que faz uma profanização deste universo de símbolos: pinheiros e estrelas, animais e pastores, presépios variados. Deus nem sempre está nas igrejas e nem nas bibliotecas; mas Ele está num coração que pulsa de Amor. Esta é a sacralidade inviolável do Natal: Deus está no seu grande projeto, que é Humanizar-se, fazer valer o Amor, Encarnar o Amor!

Deus não está na violência e nem onde se atenta contra a vida. Deus não está no orgulho dos poderosos nem entre os caçadores de privilégios hierárquicos. Mas Ele está na leveza deste Menino, Filho do Pai Eterno, a grande síntese das naturezas humana e divina.

Ele está aqui na mais bela doação do Sim de José e de Maria. Quando há disponibilidade, todo sonho é fecundo. Ele está onde se faz um presépio: lugar do Bem e da Beleza. É o grande momento de refletir este presente que ele nos dá. Isso é que encantou Francisco de Assis!

O Amor tem que ser Amado! A Verdade e a Beleza têm que ser apreciadas. Este é o lugar de Luz no meio das sombras humanas. A luz vale mais do que todas as trevas. Deus está ali com você e com Francisco diante do presépio, e abraçando você com silêncio, paz, harmonia, serenidade; acolhendo você e passando-lhe Onipresença, Onipotência eterna para a fragilidade da criatura. No presépio, Deus olha você, pessoa humana, contemplando a suprema humildade da Pessoa Divina.

Artigo “A Mensagem Franciscana do Presépio, da Revista Franciscana, uma publicação da FFB

Por Frei Vitório Mazzuco Fº

domingo, 20 de dezembro de 2015

Envoltos numa grande Luz


Frei Almir Guimarães

Noite Santa! Noite do Nascimento da luz, Noite de paz, Noite em que nasceu a claridade. Mais uma vez, diante de nós, a singeleza e a beleza da noite do nascimento de Deus na terra dos homens. Festa da iluminação.

“Ó Deus que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz, concedei que tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu de sua plenitude” (Oração da Coleta).

Tudo é claridade e luminosidade. O povo andava com dificuldade, caminhava na escuridão. Para os que habitavam nas trevas da morte uma luz resplandeceu…

A cena é conhecida: um recanto extremamente modesto, uma mulher, um homem, uma criança. Luz e esperança se entrelaçam. Toda criança que nasce é sinal de esperança luminosa. Lucas situa a cena dentro dessa perspectiva da iluminação. “Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu de luz e eles ficaram com muito medo”.

Luz do começo da criação, quando o Senhor separou as trevas da luz e vieram o primeiro dia e a primeira noite. Luz no semblante de Moisés quando ia ter com Deus no alto da montanha. Moisés precisava mesmo colocar um véu cobrindo-lhe a face tão forte o brilho da claridade. A luz de Deus é forte demais. Quando Clara de Assis saía da oração, as irmãs tinham a impressão que seu rosto estava iluminado. A grandeza e majestade, a luz de Deus em confronto com a pequenas e trevas do coração humano provocam medo. O anjo adverte aos pastores: “Não tenhais medo!” O Deus que se apresenta como luz do mundo na cena do presépio se mostra com tanta simplicidade que sua luz na pode atemorizar. É uma criança, um Deus que se torna criança, um Deus que estende as mãozinhas pedindo amor, esse que vem viver a nossa vida para iluminar nossos passos…

Luzes na árvore do Natal, luzes nos festões, nos umbrais das portas, lâmpadas multicoloridas em todos os cantos. Velas acesas na coroa do advento, luzes para os pastores que passavam a noite nos campos cuidando dos rebanhos.

Em poucas e singelas palavras, Lucas descreve a cena do Natal: “ “Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto e Maria deu à luz o seu filho primogênito e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para ele na hospedaria”.

Participamos da solene liturgia envoltos pela luz do candelabros. Ceamos com nossos irmãos e amigos num ambiente de luz. Deixamos o mundo das trevas, da mentira, da impiedade e das paixões mundanas. Neste tempo santo do Natal, pregustamos a festa da luz que será a glória, imaginamos a luminosidade do banquete do céu onde não haverá nas necessidade de luz porque o Cordeiro ilumina a todos.

Festejar o Natal é tomar a decisão de deixar o mundo das trevas, é acolher a luz, é acender todas as lâmpadas e lamparinas da face da terra para simbolizar a chegada da Luz que não conhece o acaso.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Exposição de Presépios



Não perca nossa 1ª Exposição de Presépios na Chagas!

Dia 18/12/15 às 13 horas - Apresentação de Joana Matera e o Trio Cantique

Dia 19/12/15 às 13 horas - Terá apresentação de Sarau e Coral

São Francisco e o Natal

Para São Francisco, o Natal é a festa das festas, porque o Filho de Deus se revestiu da verdadeira carne da nossa frágil humanidade, para a nossa salvação; e por isso quer que seja celebrado com alegria e generosidade para com os pobres e mesmo para com todos os animais. Numa singular intuição une e funde o mistério da encarnação, na pobreza e humildade, com a eucaristia.

Por isso quer “ver”, com os próprios olhos do corpo, o Natal da celebração eucarística, e criar um ambiente sugestivo para um encontro real com Jesus eucarístico, acolhido na humildade de uma gruta. Assim é o presépio de Greccio, no Natal de 1223. Aquilo que Francisco quer ver e fazer entender é a pobreza-humilhação do Filho de Deus na sua vinda ao mundo, tal qual acontece diariamente na eucaristia. O binômio Belém-eucaristia é de tradição bem mais antiga, que vê o altar como presépio.

Francisco tem a originalidade de atualizá-lo em formas plásticas e simples, ao vivo. Seu desejo era o de fazer nascer Jesus menino e as suas virtudes nos corações de todos e o de fazer “ver” o momento da salvação no Natal-eucaristia.

O mérito de São Francisco não foi o de ter inventado uma cena que todos poderiam reproduzir, mas o de ter mostrado com que sentimentos de coração devemos nos acercar do Menino Jesus.

Cesarius Van Hulst

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Abertura da 1ª Exposição de Presépios na Igreja das Chagas

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu no dia 06/12/15 (domingo) na Igreja da Ordem Terceira, na missa das 9 horas, a abertura da 1ª Exposição de Presépios na Igreja das Chagas do Seráphico Pai São Francisco.

Com o Tema: ”Eu vim para que todos tenham Vida”.

A exposição faz homenagem aos imigrantes que habitam a Cidade de São Paulo.

Organização: Wilson de Jesus Silva.

Contamos com a presença de dois corais:

MOP (Movimento Pró–Idoso).

E o da GCM (Guarda Civil Metropolitana de São Paulo).

Foi muito bom!

Ao final da celebração, o Frei Gustavo Medella, OFM, nosso Assistente deu a bênção e abertura solene da Exposição.

E todos participaram conosco do café franciscano servido em nosso refeitório.

Com muita alegria e fraternidade saboreamos um delicioso café e lanches num ambiente bem enfeitado com motivos natalinos.

A exposição permanecerá até o dia 06/01/16 no horário de funcionamento da igreja.

E aos sábados dias 12 e 19/12/15 teremos sarau e apresentação de coral, bem como no dia 18/12/15 (sexta-feira) sempre às 13 horas.

Vale a pena apreciar! Sejam bem-vindos!

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento












quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Audiência: a alegria de Deus é perdoar

Cidade do Vaticano (RV) – Por que um Jubileu da Misericórdia? Esta pergunta guiou a catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (09/12), na Praça S. Pedro.

Um dia depois da abertura da Porta Santa da Basílica de S. Pedro, o Pontífice voltou a se reunir com milhares de fiéis e motivou a convocação deste Ano Jubilar afirmando que a Igreja necessita deste momento extraordinário, enfatizando a palavra "necessidade".

“Na nossa época de profundas mudanças, a Igreja é chamada a oferecer a sua contribuição peculiar, tornando visíveis os sinais da presença e da proximidade de Deus. E o Jubileu é um tempo favorável para todos nós, porque contemplando a Misericórdia Divina, que ultrapassa todo e qualquer limite humano, podemos nos tornar testemunhas mais convictas e eficazes.

Toque suave e doce

Dirigir o olhar a Deus, explicou o Papa, significa concentrar a atenção no conteúdo essencial do Evangelho, isto é, Jesus Cristo. Ele é a misericórdia feita carne. “Este Ano Santo nos é oferecido para experimentar na nossa vida o toque doce e suave do perdão de Deus, a sua presença ao nosso lado e sua proximidade sobretudo nos momentos de maior necessidade.”

Para Francisco, este Jubileu é uma momento privilegiado para que a Igreja aprenda a escolher unicamente “aquilo que mais agrada a Deus”.

E o que é que mais agrada a Deus é perdoar os seus filhos, usar de misericórdia para com eles, a fim de que possam, por sua vez, usar de misericórdia e perdoar os seus irmãos.

Citando Sto. Ambrósio, o Papa disse que Deus ficou ainda mais satisfeito por ter criado o homem e a mulher porque, assim, tinha a quem perdoar. “A alegria de Deus é perdoar. A essência de Deus é a misericórdia.”

Inclusive a obra de renovação das instituições e das estruturas da Igreja é um meio de experimentar a misericórdia de Deus, afirmou o Papa.

Misericórdia para um mundo mais humano

A misericórdia, acrescentou, pode realmente contribuir para a edificação de um mundo mais humano, especialmente neste nosso tempo, em que o perdão é um hóspede raro nos âmbitos da vida humana.

A quem objeta que haveria coisas mais urgentes do que contemplar a misericórdia de Deus, o Papa responde que na raiz do esquecimento da misericórdia, sempre está o amor próprio, o egoísmo.

No mundo, isso toma a forma de busca exclusiva dos próprios interesses, prazeres e honras, juntamente com a acumulação de riquezas, enquanto na vida dos cristãos aparece muitas vezes sob a forma de hipocrisia e mundanidade.

Estas investidas do amor próprio, que alienam a misericórdia do mundo, são tais e tantas que frequentemente nem sequer somos capazes de as reconhecer como limite e como pecado. Este é o motivo pelo qual é preciso reconhecer que somos pecadores para reforçar em nós a certeza da misericórdia divina. E ensinou aos fiéis uma “oração fácil”, ao reconhecer diariamente nossa condição de pecadores, devemos implorar a Deus: “Senhor, vem com a tua misericórdia”.

E concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, faço votos de que, neste Ano Santo, cada um de nós faça experiência da misericórdia de Deus. É ingênuo acreditar que isso possa mudar o mundo? Sim, humanamente falando é loucura, mas “o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”

Francisco inaugura o 29º Jubileu da história da Igreja


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco inaugurou o 29º Jubileu da história da Igreja Católica – um Ano Santo extraordinário centrado no tema da Misericórdia que decorre até 20 de novembro de 2016.

O Jubileu da Misericórdia teve início com a abertura da Porta Santa na Catedral de Bangui, na República Centro-Africana, no dia 29 de novembro.

Neste dia 8 de dezembro, foi a vez da abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, algo que não acontecia desde 2000.

Esta porta é aberta apenas durante o Ano Santo, permanecendo fechada no restante do tempo, e existem portas santas nas quatro basílicas papais: São Pedro, São João de Latrão, São Paulo fora de muros e Santa Maria Maior.

O anúncio solene do Ano Santo teve lugar com a leitura e publicação da bula pontifícia (Misericordiae Vultus), junto da porta de São Pedro, no Domingo da Divina Misericórdia (12 de abril).

Tradição

A Igreja Católica iniciou a tradição do Ano Santo com o Papa Bonifácio VIII, em 1300, e a partir de 1475 determinou-se um jubileu ordinário a cada 25 anos.

Até hoje, houve 26 Anos Santos ordinários e dois extraordinários (anos santos da Reden­ção): em 1933 (Pio IX) e 1983 (João Paulo II).

O jubileu consiste num perdão geral, uma indulgência aberta a todos, e na possibilidade de renovar a relação com Deus e o próximo. Esta indulgência implica obras penitenciais, como peregrinações e visitas a igrejas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

8 de dezembro: Imaculada Conceição de Maria


Imaculada Conceição da Virgem Maria

8 de dezembro de 2015
Gênesis 3, 9-15. 20; Efésios 1, 3-6.11-12; Lucas 1, 26-38
IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA
O sonho de Deus


Introduzindo

• Quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore de cujo fruto te proibi comer? (Gn 3, 11)
• Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade, para o louvor de sua glória e da graça com que ele nos cumulou o seu bem-amado” (Ef 1, 5-6).
• Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)

O ensinamento da Igreja

Figuras femininas do AT prepararam Maria

“Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão das santas mulheres. No princípio está Eva: a despeito de sua desobediência, ela recebe a promessa de uma descendência que será vitoriosa sobre o Maligno e a de ser a mãe de todos os viventes. Em virtude dessa promessa, Sara concebe um filho, apesar de sua idade avançada. Contra toda expectativa humana, Deus escolheu o que era tido como impotente e fraco para mostrar sua fidelidade à sua promessa: Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite e Ester e muitas outras mulheres. Maria sobressai entre esses humildes e pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, Filha de Sião, por excelência, depois de demorada espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova economia” (Catecismo da Igreja Católica, n. 489).

Texto seleto

O canto de Maria calou o pranto de Eva

Chegou para nós, caríssimos, o dia esperado da venerável e bem-aventurada sempre Virgem Maria; que nossa terra se alegre com grande exultação, iluminada pela solenidade de uma tal Virgem. Pois ela é a flor dos campos, da qual saiu o precioso lírio dos vales, por cujo parto a natureza é transformada e apagada a falta de nossos primeiros pais. Nela foi abolida a sentença da maldição pronunciada contra Eva: Na dor darás à luz filhos (Gn 3,16), pois foi na alegria que ela deu à luz o Senhor. Eva chorou, Maria exultou; Eva carregou em seu seio um fruto de lágrimas, Maria um fruto de alegria; a primeira trouxe ao mundo um pecador, a segunda um inocente.
Gerou permanecendo virgem, porque virgem concebeu; deu à luz sem ferir sua pureza, porque não houve concupiscência na concepção. Foi um milagre nos dois sentidos: a jovem mãe engravidara sem corrupção, e permanecendo virgem no parto. Um anjo desceu do céu, enviado por Deus Pai, no primeiro instante de nossa redenção, para saudar a bem-aventurada Maria: Ave, disse ele, cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1,28). Maria foi, portanto, cumulada de graça, e Eva aliviada de seu culpa. A maldição de Eva se converte em bênção para Maria: Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. O Senhor está contigo em teu coração, em teu ventre, em teu seio, está contigo para vir em teu auxílio.
Alegra-te, Virgem santa: o Cristo rei vem do céu ao teu seio, digna-se descer do seio do Pai ao de sua mãe. Bendita és tu entre as mulheres (Lc 1, 42), tu que geraste vida para os homens e mulheres. A mãe de nossa raça introduziu o castigo no mundo. Eva foi a autora do pecado; Maria a autora do mérito. Eva foi nociva dando-nos a morte; Maria foi útil vivificando-nos. Aquela nos abateu, esta nos curou. Pois a desobediência é mudada em obediência, a fé compensa a incredulidade.
Portanto, é na alegria que Maria carrega seu filho, exultante o abraça e leva aquele por quem era levada. Que Maria faça agora soar os instrumentos de harmonia, e que dos dedos ágeis da jovem mãe façam retinir os tamborins. Que nossos coros lhe respondam com alegria e o nosso canto suave alterne com suas melodias: Minha alma engrandece o Senhor (Lc 1,46). A causa de tão grande júbilo foi também novo milagre. A nova geração de Maria resgatou a geração de Eva, e o canto de Maria calou o pranto de Eva.
Santo Ambrósio Autperto, abade – Lecionário Monástico I, p. 564-565

Imaculada em sua Conceição

“Para ser a Mãe do Salvador, Maria foi enriquecida por Deus com os dons para tamanha função. No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como cheia de graça. Efetivamente, para poder dar assentimento livre de sua fé ao anúncio de sua vocação era preciso que ela estivesse totalmente sob a moção da graça de Deus, foi redimida desde a concepção. É isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX: A beatíssima Virgem Maria, no primeiro momento de sua conceição, por singular e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original. Esta “santidade resplandecente e absolutamente única” da qual Maria é enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição lhe vem inteiramente de Cristo: Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime. Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo (Ef 1,3). Ele a escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor (Ef 1, 4)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 490-492). 

A figura de Maria 

• Estamos vivendo os tempos belos de preparação para o Natal e para as festas que comemoram a encarnação do Verbo. Percorremos as trilhas do Advento. Os profetas dos tempos passados haviam falado dos desígnios de Deus, do sonho que Deus tinha de se fazer companheiro da caminhada dos homens. Um dos nomes que o Senhor queria ter era precisamente esse de Emanuel, Deus conosco. Esse sonho começa a se concretizar de maneira clara com a resposta de uma mulher de Nazaré chamada Maria. “Aqui estou. Faça-se em mim segundo teus insondáveis desígnios.

• Maria era uma judia piedosa que esperava a vinda do Messias. Pertencia ao resto fiel do povo. Havia se acostumado a contemplar as nuvens dos céus, esperando sinais da manifestação do Messias. Certamente conhecia os salmos que alimentavam seu relacionamento com o Senhor e, a julgar pelo seu cântico de ação de graças, o Magnificat, tinha traços da espiritualidade de Abraão. Caminhava confiante para uma terra que Deus lhe haveria de mostrar.

• Quando pensamos em Deus, nesse ser de todas as grandezas e de toda plenitude não sabemos como descrevê-lo. A fé nos ensina que ele é uma fornalha de amor. O Pai, eternamente Pai, gera eternamente o Verbo, sua expressão. O Verbo, a Palavra se volta para o Pai. Entre o Pai e o Verbo há um liame, um laço, um sopro que é o Espírito. Esse Deus uno e trino é fornalha de amor. O sonho de Deus é criar o mundo e o homem e fazer com esses homens todos pudessem mergulhar no abismo de amor da Trindade. Por isso, na intenção de Deus a primeira realidade em seu pensamento foi a natureza humana de Jesus. Seu projeto era tomar carne e assim levar a carne para o mistério do Amor trinitário. A humanidade de Jesus é o primeira pensamento de Deus. Para tanto era preciso um seio de mulher, a aquiescência de uma descendente de Eva que pudesse ser coberta com sombra do Espírito. E assim Maria de Nazaré fica sendo a segunda no pensamento de Deus. A partir de sua aquiescência começa a se realizar o sonho de Deus. E o Senhor inventa a Imaculada.

• Tudo começa com a criação. Esse Deus adorável cria os espaços, os oceanos, as estrelas, o sol, o verde, o ar. Tudo sai de suas mãos e de seu desejo de partilhar o bem, o amor. Tudo começara bem. Homem e mulher foram colocados num jardim. Ele e ela vieram da terra. O sopro divino fez dele e dela seres viventes. Deus mesmo costumava passear pelas alamedas do paraíso ao cair da terra, na hora da brisa fresca. Harmonia e paz nesse mundo que ia brotando do amor e da força de Deus. O coração do homem, no entanto, não foi fiel ao Senhor. Adão foge do olhar do Senhor. “Adão, onde estás?” Tudo era ordem e beleza. De repente, Adão experimenta medo devido à desordem de seu coração. “Ouvi a tua voz no jardim e fiquei com medo; porque estava nu e me escondi”. Medo e vergonha se entrelaçam. O pecado quebra a paz e a harmonia. Aparece a serpente como atriz do drama. E o Senhor disse à serpente: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Ela te ferirá a cabeça e a tu lhe ferirás o calcanhar”. Uma mulher haveria de esmagar aquela que havia feito o convite a desordem e inspirado. Esta seria Maria, a Imaculada.

• “Aqui estou com minha história e minha trajetória. Sou filha de um povo de fé. Que em mim se faça a vontade do Altíssimo. O que nascer de mim vem de mim e vem da vontade amorosa do Altíssimo. O Senhor fez maravilhas em mim. Não tenho outro desejo senão o de ser a serva do Senhor. O que se opera em mim é obra do amor sem limites daquele que sempre olha para a humildade de seus servos”.

• Ao lado do quadro da descrição da criação e do pecado dos primeiros pais encontramos o da anunciação do anjo a Maria. A mulher de Nazaré diante da palavras do mensageiro divino sente-se perturbada. Maria experimenta medo diante da proposta de ser participante na realização do sonho de Deus. O mensageiro divino afirma: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça, diante de Deus”. Segundo José Antonio Pagola através das palavras do anjo compreendemos o mistério e vislumbramos a beleza da Imaculada. O que a ela é dirigido e dito convém acolhamos também nos em nossa vida diária:

o Alegra-te – É a primeira coisa que Maria ouve, é a primeira coisa que devemos ouvir também nós. Alegra-te: essa é a primeira palavra de Deus a toda criatura. Nestes tempos, que a nós nos parecem de incerteza e escuridão, cheios de problemas e dificuldades, a primeira coisa que se nos pede é não perder a alegria. Sem alegria a vida se torna mais difícil e dura.

o O Senhor está contigo – A alegria a que estamos convidados não é um otimismo forçado nem um autoengano fácil. É a alegria interior que nasce em quem enfrenta a vida com a convicção de que não está só. Uma alegria que nasce da fé. Deus nos acompanha, nos defende e busca sempre o nosso bem. Podemos queixar-nos de muitas coisas, mas nunca poderemos dizer que estamos sós, porque não é verdade. Dentro de cada um, no mais profundo de nosso ser, está Deus, nosso Salvador.

o Não temas. São muitos os medos que podem despertar em nós. Medo do futuro, da doença, da morte. Coisas que nos causam medo: sofrer, sentir-se só, não ser amado. Podemos ter medo de nossas contradições e incoerências. O medo é mau, causa dano. O medo sufoca a vida, paralisa as forças, nos impede de caminhar. Precisamos de confiança, segurança e luz. Adão teve medo. O anjo afirma que Maria nada tem a temer.

o Encontraste graça diante de Deus – Não só Maria, mas também nós precisamos ouvir estas palavras, pois todos nós vivemos e morremos sustentados pela graça e pelo amor de Deus. A vida prossegue com suas dificuldades e preocupações. A fé em Deus não é uma receita para resolver os problemas diários. Mas tudo é diferente quando vivemos procurando em Deus luz e força para enfrenta-los” (Pagola, Lucas, p.23-24).

FREI ALMIR GUIMARÃES

Fonte: http://www.franciscanos.org.br
Imagem: Acervo Venerável Ordem Terceira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015