quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Quando algum dos nossos termina sua caminhada…




Caminho… Caminhada… É comum, na espiritualidade, lançar-se mão desta metáfora no intuito de ilustrar o dinamismo da história humana. A vida não é estática. É movimento, mudança, percurso, trajeto. Não poucas vezes, na Sagrada Escritura e na vida dos Santos, o caminho se apresenta como rota de conversão, de amadurecimento, de tomada das grandes decisões. Basta recordar a peregrinação do Povo de Israel, 40 anos pelo deserto, retornando do exílio para a terra prometida, das muitas andanças de Jesus Cristo e de Francisco de Assis, quando este volta das Apúlias para sua terra natal, com desejo ardente de atender ao convite do Senhor. Movimento, mudança, questionamento e insegurança quase sempre são elementos constituintes destas caminhadas.

Na vida individual tal fenômeno também é perceptível: cada pessoa experimenta na própria história os efeitos do caminho empreendido. Relações, decisões, alegrias, decepções e dúvidas dão a tônica desta caminhada, até o dia em que, às vezes lenta, às vezes abruptamente, ela chega ao fim. A certeza da finitude funciona como uma espécie de bússola ou, mais modernamente falando, de um GPS que orienta as escolhas e opções de cada um.

Monteiro Lobato, com arte e maestria, dá voz à personagem Emília: “A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre. – E depois que morre?, perguntou o Visconde. – Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

Apesar de ser caminhada individual, a existência humana é uma obra em aberto, principalmente no que diz respeito às relações que permite criar. No paradoxo humano, cada individualidade é fruto de uma relação que tende a expandir suas tramas configuradas pela consanguinidade, pela identificação, pela simpatia, pela amizade, pela necessidade. E é neste aspecto que o tema da finitude ganha força e repercussão, não na história de quem finda sua caminhada, mas se lança como desafio imperativo para quem permanece na estrada. Lidar com a partida daquele que se ama é tarefa inadiável e intransferível, é o preço que se paga por se viver relacionalmente.

E é sobre este nó da trama vital que a presente reflexão deseja se debruçar, principalmente no que diz respeito à abordagem pastoral da questão, revelando o rosto de uma Igreja companheira e solidária com seus filhos e filhas que atravessam este obscuro vale em sua caminhada de vida: a partida de um ente querido. O termo “Igreja” aqui compreendido de forma ampla, na presença dos ministros, ordenados ou instituídos, na atuação de uma pastoral específica, na disponibilidade de uma comunidade capaz de se solidarizar.

Em um primeiro momento, algumas considerações a partir da espiritualidade cristã. Logo após, o texto se ocupará em tecer comentários a partir de situações que a própria prática pastoral apresenta, a saber: A partida como coroamento de uma longa caminhada; a partida de quem atravessa o calvário da doença; a partida repentina. É evidente que a complexidade e a variação quase infinita dos arranjos das inúmeras possibilidades individuais ultrapassam de longe os poucos aspectos aqui descritos. Eles são apenas alguns acenos aproximativos que buscam provocar a reflexão.

1.  ALGUNS OLHARES A PARTIR DA ESPIRITUALIDADE

1.1  A vida do justo e a sabedoria do Antigo Testamento

O Livro da Sabedoria traz reflexões que abordam diferentes situações da vida, mais ou menos agradáveis. “A vida dos justos está nas mãos de Deus” (Sb 3,1) é uma constatação do autor que aborda a última passagem do ser humano, peregrino e viajante por natureza. É a passagem desta vida para a vida eterna.

A justiça é um bem divino e o ser humano que pauta sua vida na busca e no cultivo dela se aproxima cada vez mais de Deus. Não é à toa que, no Livro de Jeremias, Deus aparece designado como “Senhor, nossa justiça” (Jr 23,6).

Na história da Salvação muitos foram denominados justos; todos aqueles que souberam conduzir suas vidas pelos caminhos do Senhor. No Novo Testamento, aparece, por exemplo, o justo José, pai adotivo de Jesus, que se lançou de corpo e alma como colaborador efetivo do projeto de Deus.
Quem vive justamente parte como justo e é acolhido com amor pelo Senhor. Importante é lembrar que viver retamente não significa passar pela existência sem cometer erros. Os tropeços e enganos fazem parte da história humana. Mais importante do que evitá-los a qualquer preço, às vezes às custas de um escrúpulo paralisante, é cultivar, cada um em si, um auto-reconhecimento das próprias limitações e, apesar delas, seguir em frente, com confiança na misericórdia de Deus.

E o justo sabe bem disso. “A vida dos justos, ao contrário, está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos, aqueles pareciam ter morrido, e seu fim foi considerado como desgraça. Os insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora estão na paz. As pessoas pensavam que os justos estavam cumprindo uma pena, mas esperavam a imortalidade. Por uma breve pena receberão grandes benefícios, porque Deus os provou e os encontrou dignos dele. Deus examinou-os como ouro no crisol, e os aceitou como holocausto perfeito. No dia do julgamento, eles resplenderão como fagulhas no meio da palha. Eles governarão as nações, submeterão os povos, e o Senhor reinará para sempre sobre eles. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que lhe são fiéis viverão junto dele, no amor, pois a graça e a misericórdia estão reservadas para seus escolhidos”. (Sb 3,1-9).

1.2  O grão de trigo e as “pequenas mortes” de cada dia

“Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”.(Jo 12,24). Conforme expresso no Evangelho de João, Jesus Cristo lança mão da comparação com o grão de trigo para referir-se a si mesmo. Ele queria desta forma mostrar que sua morte, ainda que sofrida e injusta, seria fonte de vida para o mundo. E a principal garantia de Cristo era sua total fidelidade ao projeto do Reino de Deus. Ele foi fiel até o fim. Outro elemento a ser destacado é que o sangue derramado na cruz foi o coroamento do processo de toda a vida de Cristo. Em cada gesto de acolhida, em cada palavra de estímulo, em cada cura ou ensinamento, o mestre estava se entregando por inteiro, para que todos tivessem vida, e vida em abundância (Cf. Jo 10,10).

O acontecido ao grão de trigo também se aplica à existência do ser humano. Todo sacrifício realizado em benefício do próximo não deixa de ser uma pequena morte, mas é morte que gera a vida. Bom exemplo é o da mãe que, de madrugada, se levanta para acudir seu bebê que está chorando. Naquele momento ela morreu para seu sono, para sua preguiça, para a vontade de ficar dormindo. Foi capaz de se sacrificar porque alguém que ela ama estava precisando de seu socorro. Outra situação de “morte para si mesmo” é o casamento: mais uma vez se morre para gerar vida. Marido e mulher precisam se transformar mutuamente, um se adequando ao outro. Caminhando desta forma são capazes de construir uma união feliz. A vida, portanto, é um constante morrer, mas esta constatação não deve ser motivo de tristeza ou medo. Ela pretende apenas recordar que vida e morte caminham de mãos dadas, uma gerando a outra.

1.3  São Francisco e seu encontro com a irmã morte

Poucos instantes antes de morrer, por volta de 1226, São Francisco pediu a seus irmãos que o despissem e que o colocassem nu sobre a terra. Era o coroamento de uma experiência profunda de Deus, o Deus da vida. Em Cristo, Francisco conseguiu enxergar a beleza e a grandiosidade do amor do Pai e, por isso, transformou sua vida em um perene louvor a Deus, pautado em profundo amor e respeito por todos os seres humanos e pelos bens da criação.

Francisco já partiu há quase 800 anos, mas sua experiência continua a inspirar milhões de homens e mulheres em todo mundo. O Santo de Assis, descobrindo profundamente amado por Deus, o Sumo Bem, Único e Verdadeiro Bem, conseguiu transmitir este amor para além das fronteiras de seu tempo e de seu espaço.

Foi modelo de vida até o fim. Francisco bem sabia que tudo aquilo era e tinha havia recebido como dom gratuito, e por isso não queria tomar posse de nada, nem das coisas, nem da natureza, nem da pessoa. Soube viver em profunda gratuidade e, assim, apesar de todos os sofrimentos (físicos inclusive), conseguiu ser uma pessoa realizada e feliz.

Quando chegou sua hora, Francisco encheu seu coração de esperança e conseguiu chamar a morte de “novo nascimento”. Não se trata de um fim, mas de uma transformação, do ingresso em uma nova maneira de existir. No Cântico das criaturas, Francisco louva e agradece a Deus por todos os benefícios que Ele realizou (e realiza) na criação. E não deixa de fora a “Irmã Morte Corporal”, escrevendo assim: “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. (…) Felizes os que ela achar conformes à tua santíssima vontade, porque a morte segunda não lhes fará mal!”

Francisco de Assis ensina que a vida é dom, presente de Deus. No momento da partida de alguém querido, esta recordação é muito salutar, pois alia à dor e à tristeza um profundo sentimento de gratidão e esperança.

2.  PARTIDA E PARTIDAS

Embora seja um só fenômeno, parte integrante da existência, a maneira como ocorre varia de acordo com uma série incontável de fatores. Tendo em vista este aspecto, também a lida pastoral difere de caso a caso. A presença da Igreja neste delicado momento da vida das famílias assume matizes diferentes segundo as circunstâncias do ocorrido. A seguir, algumas pistas de atuação e também poucas reflexões diante de três configurações distintas

2.1  A partida como coroamento de uma longa caminhada

É o caso da existência que, seguindo seu curso natural, chega ao fim, à semelhança de uma vela acesa que, consumida, se apaga. Vêm à lembrança aqueles que partem aos 80, 90 anos, levados pelas limitações da própria idade. Em sua existência, é claro, tiveram momentos de dor, sofrimento e aridez. Porém, com sabedoria, tiveram a capacidade de promover uma síntese positiva de sua história. Evidente que deixam saudades. Cônjuges, filhos, netos, bisnetos e amigos lamentam a partida, choram ao despedir-se daquele ser humano que tanto marcou a história deles. No entanto, parece que nestes casos a própria existência oferece os elementos capazes de auxiliar quem fica na busca de um sentido para o fato: “Papai descansou, cumpriu sua missão!” – Não é incomum, nestes casos, ouvir de filhos e filhas, por exemplo, este tipo de afirmação.

Permanece a saudade como sentimento profundo, que pode inclusive gerar poesia e canção, como no caso do músico Sérgio Bittencourt. Ao expressar a saudade que sentia de se pai (Jacó do Bandolim), Sérgio compôs a bela peça musical “Naquela mesa”: “Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor / Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor / Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que fez de manhã / E nos seus olhos era tanto brilho / Que mais que seu filho / Eu fiquei seu fã / Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim / Se eu soubesse o quanto dói a vida / Essa dor tão doída, não doía assim / Agora resta uma mesa na sala / E hoje ninguém mais fala do seu bandolim / Naquela mesa tá faltando ele / E a saudade dele tá doendo em mim”.

Nestas situações, a presença de uma Igreja que reza junto à família e aos amigos, que se apresenta com palavras de gratidão a Deus e como semeadora de esperança, se torna útil e oportuna. A celebração no velório, com a presença do ministro, a posterior visitação à família para além da missa de sétimo dia, a comunidade que se une em oração são ações que conferem corpo e consistência à presença eclesial. Soma-se aqui a atuação dos serviços pastorais voltados aos idosos e doentes, em especial o trabalho de visitação constante, da comunhão aos enfermos e outras atuações do gênero.

Há os casos ainda – e não são poucos – em que a família, ou o próprio falecido, não tem ligação direta com qualquer comunidade de fé. Aí também cabe uma presença da Igreja, não de caráter proselitista, mas fundada principalmente na lógica do testemunho, da presença amiga e companheira, da especialista no trato humano, oferecendo, como São Pedro à porta do templo, aquilo que ela tem para dar: “Nem ouro, nem prata, mas Jesus Cristo, o Nazareno” (At 3,6). Quem sabe tal testemunho não desperte no coração de algum dos presentes a vontade viva de se aproximar desta Igreja que traz a Boa-Nova de um Cristo amigo e servidor?

2.2  A partida de quem atravessa o calvário da doença

“O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e exatamente por isso aquelas chagas tornam-se o sinal da nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai; tornam-se, contudo, também um banco de prova para a fé dos discípulos e para a nossa fé: todas as vezes que o Senhor fala da sua paixão e morte, eles não compreendem, rejeitam, opõem-se. Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre carregado de mistério, difícil de aceitar e suportar.” (Papa Bento XVI, na Mensagem para o XIX Dia Mundial do Doente – 2011).

Encontrar nas chagas de Cristo e nas próprias chagas um sinal de redenção não é exercício dos mais fáceis, conforme aponta o Papa Bento XVI. O mistério do sofrimento, quando vivido na própria história, ou na vida daqueles que estão próximos, traz em si um caminhão de questionamentos e muito pouco – ou às vezes nada – de resposta. Muitas vezes são anos a fio de limitação, dor e luta vivenciados pelo enfermo e por aqueles que estão a seu redor, especialmente os mais próximos. Não são poucos os que, ao contemplar tamanha provação, sentem profunda dificuldade em enxergar um sentido para vida que seja capaz de ir além daquele sofrimento macerante, a molde do personagem bíblico Jó, quando diz: .”Pereça o dia em que nasci, e a noite que disse: ‘Foi concebido um menino’”. (Jó 3,3).

A partida de alguém depois de um período de enfermidade, principalmente se esta se estende por muito tempo, provoca em quem fica um misto de sentimentos. Aos mais próximos geralmente surge certo sentimento de alívio, aliado à saudade e à dor da perda, é óbvio. Basta pensar, por exemplo, na figura da filha solteira, já de certa idade, que cuidou anos a fio da mãe octogenária acamada. Nos últimos anos o nível de comunicação se reduzira a alguns olhares esporádicos com certa aparência de consciência. Certamente, para esta filha, dentre o turbilhão de emoções que brotam em seu coração, está o suspiro aliviado de quem acompanhou todo o ciclo de sofrimento ocasionado pela doença.

Além de oferecer o conforto aos que sofrem com esta realidade e iluminá-los a partir da perspectiva da fé, o esforço pastoral deve também identificar os fermentos da ação evangélica de quem se dispõe a acompanhar pessoas que atravessam este tipo de situação-limite. Se a enfermidade é, de acordo com a Igreja, oportunidade para o fiel conformar sua cruz à cruz de Cristo, a presença dos “cireneus” que acompanham estes dramas é também fermento fecundo de amor-doação. É um grito silencioso e eloquente de profecia diante da mentalidade vigente de exaltação do lucro, do sucesso e do prazer a qualquer custo. Eis aí uma grande chance para exemplificar na prática a riqueza e a beleza da proposta cristã. Não se trata de exaltação pessoal de quem se dispôs a doar a própria vida ao cuidado de alguém, mas de iluminar a grandeza deste gesto generoso que tende fortemente ao Evangelho.

À medida que o momento da partida se aproxima, no interior de quem sofre ocorre uma verdadeira batalha de sentimentos, conforme escreve J.B Libanio: “No momento em que o enfermo se depara com a proximidade certa da morte, corta-lhe o coração terrível dor. Sou eu mesmo e por quê? Não, não pode ser verdade. Tempo da negação, do isolamento. Momento difícil para acompanhar o enfermo. Rói-lhe o interior o sentimento de injustiça. Por que ele está nesse estado terminal? Tal percepção vem-lhe de uma intuição que nasce do próprio corpo e das circunstâncias. Embora não se fale da gravidade da doença e ele mesmo conscientemente a silencie, no fundo tudo em volta respira tal situação de fatalidade. Trava-se-lhe dentro a batalha da verdade e da aceitação da verdade a respeito da própria situação. Ele corre atrás de algum médico que lhe diga palavra, ainda que não verdadeira, do consolo da cura. Visita os lugares de milagres. Pessoas que estavam longe da religião, entregam-se a devoções na esperança de vencer a doença. E com a atual abundância de pastores e de grupos carismáticos pregando e semeando curas, o paciente corre atrás deles. Mas o verdadeiro cuidado não nasce de promessas que nos escapam. Porque da desilusão de não se curar brota a revolta. Em vez de bem espiritual, ao acenar aos doentes impossíveis curas, quando o caso já chega ao fim, geramos, não raro, ressentimento. Toca-nos ajudar a pessoa a aceitar a morte na esperança da vida eterna. Aí está a grande mensagem do cristianismo!” [Cuidadores de doentes terminais – Disponível em http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=40].

2.3  A partida repentina

Nos dois casos descritos até agora, o momento da partida é precedido por um processo mais ou menos longo. No entanto, há situações em que, tragicamente, vidas são ceifadas de repente. São acidentes, assassinatos, suicídios, males súbitos que trazem espanto, desconsolo e até mesmo desespero. São pais que perdem filhos repentinamente, cônjuges que, de uma hora para outra, se veem desamparados e muitos outros dramas humanos.

O cantor e compositor britânico Eric Clapton passou por um terrível momento quando um grave acidente ceifou a vida de seu filho, Conor Clapton, então com quatro anos, em 1991. O menino caiu da janela de um andar altíssimo de um prédio em Nova York.

A partida precoce do menino inspirou Clapton a compor Tears in heaven, o que ajudou o compositor a lidar com a dor da perda. A publicação da música não foi planejada, mas ocorreu mesmo assim, e ela se transformou em um sucesso conhecido em diferentes partes do mundo.

É uma espécie de diálogo de Clapton com o filho e também uma série de perguntas que o autor lança na esperança de um dia contemplar o céu. Certamente a arte é importante aliada nestes momentos de separação. Ela ajuda a pessoa a dar um passo além, a descobrir-se ligada a algo maior do que ela, a Deus. E a dimensão deste Deus infinito, que abraça a toda a criação, faz a pessoa perceber-se parte de uma obra maravilhosa, integrada com todos os seres humanos, inclusive aqueles que já partiram, e com toda a criação.

No caso de Clapton, cantar a partida do filho (uma das dores que mais castiga qualquer ser humano) foi a forma que ele encontrou de se perceber ligado ao menino mesmo depois do ocorrido. A versão em português que segue é uma tradução livre: “Você saberia meu nome / se eu o visse no céu? / Você seria o mesmo, / se eu o visse no céu? / Eu tenho que ser forte, / e seguir em frente. / Porque eu sei que não pertenço ao céu. // Você apertaria minha mão / se eu o visse no céu? / Você me ajudaria a me levantar / se eu o visse no céu? / Encontrarei o meu caminho / atravessando noite e dia. / Porque eu sei que não posso ficar no céu. // O tempo pode trazer você para baixo. / O tempo pode fazer você dobrar os joelhos./ O tempo pode partir seu coração, / fazer você implorar por favor / Implorar por favor. // Atrás da porta / há paz. / Eu tenho certeza / e sei que não haverá mais / lágrimas no céu.

Diante deste tipo de acontecimento, na grande maioria das vezes, a celebração dos velórios conta com participação maciça de elevado número de pessoas e o clima que se espalha no ambiente é de profunda comoção, de nervos à flor da pele. Eis um cenário desafiador para o ministro que, em nome da Igreja, irá rezar junto a uma assembleia atônita e desestruturada humanamente. O que dizer para este povo? Que palavras de conforto podem ser proferidas diante de tal tragédia? Seguem algumas preocupações especiais do ministro nestas ocasiões:

● Fazer-se ouvir. Parentes, amigos e conhecidos se encontram transtornados.
Qualquer mensagem ou palavra proferida parece não penetrar seus corações sobressaltados. Com calma, prudência e confiança na força que vem de Deus, é conveniente que o ministro, aos poucos, tente criar na assembleia um ambiente de escuta, de concentração, de oração. Colocar-se na humildade, como companheiro(a) nesta hora difícil é uma postura que pode ajudar. Ao perceberem este calor humano e esta solidariedade imediata de quem está próximo, certamente os atingidos mais diretamente pela perda terão maior possibilidade de contemplar em Cristo o companheiro por excelência neste momento de profunda dor.
● Manter-se calmo. Jesus Cristo se compadeceu em diversas situações de dor e perda com a qual se deparou. Exemplo mais conhecido foi no episódio da morte de Lázaro, quando, segundo o relato do Evangelho de João (Jo 11,35), veio às lágrimas diante da partida de seu amigo querido. Comover-se significa “mover-se junto”, sentir-se movido pelo que move o outro. É natural que, neste contexto, o ministro também se sinta comovido, que se emocione, que tenha certa dificuldade em conduzir a assembleia em oração. Manter-se calmo, com os “pés no chão”, no entanto, é uma necessidade nesta hora. Ele será um ponto de referência, de apoio àquelas pessoas que “perderam seu chão”. Elas precisam se firmar e a fé na Ressurreição, por causa de Cristo, é o suporte principal de todo o cristão. Cabe ao ministro, portanto, oferecer elementos que levem as pessoas a se confiarem a esta força divina.
● Encontrar as palavras certas. O ponto de partida é sempre a Sagrada Escritura. O ministro deseja, como a inspiração do Espírito Santo, fazer brotar no coração dos presentes uma esperança fundada na fé. Não pretende apontar possíveis explicações para o fato e, muito menos, associar o acontecido à “vontade de Deus”. Busca, com todas as forças, lançar luzes sobre o drama, sempre evocando o amor
e a misericórdia que provêm do Senhor. Informações prévias sobre as circunstâncias do acontecido, sobre a história de vida de quem partiu, costumam ser importante auxílio, embora a tônica da mensagem deva ser a esperança.

● Falar para todos. Este é um item que demanda muita sensibilidade e perspicácia por parte do ministro. Diferente da missa, ou da celebração da Palavra, onde se presume que todos, ou a imensa maioria, sejam cristãos católicos, estes ambientes geralmente são marcados pele heterogeneidade de pessoas. Há católicos praticantes, outros batizados que nunca mais estiveram ligados à Igreja, cristãos de diferentes denominações, membros de outras religiões, agnósticos, ateus. Daí a preocupação em oferecer uma mensagem fiel ao Evangelho e também capaz de vir carregada de sentido para diferentes públicos.

Além da celebração no velório, o quanto possível, as pessoas que sofreram este tipo de perda necessitam de um acompanhamento próximo. A missa de sétimo dia também é momento de extrema comoção. Geralmente são celebrações lotadas. Há famílias que confeccionam camisetas com a foto da pessoa falecida, preparam homenagens, inúmeros parentes, amigos, colegas e conhecidos marcam presença. Um grande desafio para quem preside a missa de sétimo dia nestes casos é introduzir toda a comunidade, inclusive aqueles fiéis que não têm ligação direta com o fato, em uma oração comum em torno do mistério celebrado: a conformação da ressurreição daquele que partiu à Ressurreição do Senhor.

Em artigo recente, o teólogo J. B. Libanio, já citado anteriormente, descreve a forma pela qual a Ressurreição de Cristo confere luz e sentido à dor, ao sofrimento, ao fracasso: “Os cristãos ressignificam a Páscoa para a ressurreição de Jesus. Misturam-se também a desolação e a festa, a alegria e a terrível tristeza. O destino final de Jesus abateu-se sobre os seus seguidores. Morte pior não poderia ter acontecido. Rejeitado pelo povo, excomungado pela religião judaica, abandonado por Javé, traído por um apóstolo, cercado por dois condenados criminosos, nu, morre pregado numa cruz. Nada a celebrar. Tudo a esquecer. Mas ele ressuscita. Pura vida. No entanto, carrega consigo essa morte para dentro da eternidade. Não a rejeita. Aí estão as chagas para simbolizar a continuidade da cruz no corpo glorioso. Lentamente a comunidade primitiva assimila o trauma da morte de Jesus à medida que o experimenta vivo e senhor de todas as coisas. Milhões e milhões depois dele se entregarão à morte para testemunhar a verdade de sua morte e ressurreição. E bilhões e bilhões o fizeram centro de sua vida até o dia de hoje” [A ressurreição mais além da fé – Disponível em http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=561].

APONTAMENTOS CONCLUSIVOS

O tema da partida é, por sua natureza, desafiante, amplo e complexo. As breves contribuições aqui apresentadas tomam forma de algumas poucas agulhas encontradas em um imenso palheiro. De qualquer forma, fica a provocação dirigida a quem busca se aprofundar no tema, seja por necessidade pastoral, curiosidade existencial ou pela proximidade, no espaço ou no tempo, com a referida temática. Para concluir, seguem alguns pontos já tratados na reflexão, apenas como meio de reforço:
● Elemento constituinte da existência humana, a morte com freqüência se apresenta como desafio principalmente quando diz respeito a alguém de convívio próximo.
● Na perspectiva cristã, não obstante o sofrimento, os questionamentos e a saudade, a Ressurreição de Cristo é o grande alento de força e esperança que enche de luz e dá sentido à partida deste mundo.
● Como momento crucial da história individual da pessoa e do grupo humano à qual ela pertence, a morte demanda, por parte da Igreja, um olhar pastoral repleto de carinho e atenção, que leve em conta as diferentes circunstâncias e situações em que tal fenômeno ocorre.
●  A atuação pastoral nestes casos requer sensibilidade, disposição e testemunho. Mais do que a presença institucional, na condução de cerimônias, faz-se mister uma presença próxima, amiga, companheira e solidária, um verdadeiro ministério de vida e esperança.
●  A presença ministerial nestas ocasiões não se refere somente à figura do ministro ordenado – embora este deva ser o primeiro a nutrir em si e na comunidade esta postura de companheirismo –, mas de toda a comunidade, que, sob iluminação do Espírito Santo, se organiza inteligentemente para dar uma resposta viva, ativa e eficaz a todos que atravessam estes difíceis momentos.
●  Jesus Cristo conferiu sentido à morte por sua ressurreição. Seguindo seus passos, a comunidade cristã busca e sonha contemplar a partida deste mundo como um novo nascimento para a existência plena e definitiva junto ao Senhor.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM, é coordenador da Frente de Comunicação da Província da Imaculada e autor do livro “Há vida após o luto”.

Fonte: www.franciscanos.org.br


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Flores da Noite

Falamos mais da lua e das estrelas, das luzes e mistérios da noite, mas e a presença das flores da noite?

A escuridão pode esconder formas e cores, mas não consegue esconder o seu perfume.


A camélia,  o jasmim, a dama da noite, enfim tantas flores espalham muito mais seus odores quando não são vistas. No anonimato da escuridão, protegidas pelas sombras, regadas pelo frescor do orvalho, banhadas pela luz da lua, energizadas pelas estrelas, revelam uma presença sutil, perene, atraente. Elas lembram o mistério encontro entre Deus e os seres humanos, uma união invisível, mas real, algo que não se vê, porem se sente, uma beleza, um perfume que ocultam mistérios, mas que entram em nossos sentidos e dizem: aqui estou!!!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Frei Galvão

Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, OFM, mais conhecido como Frei Galvão, foi um frade católico e Dirigente Espiritual em tempos passados em nossa Fraternidade das Chagas.



Aos 21 anos, em 15 de abril de 1760, Galvão desistiu do futuro promissor – visto a influência de sua família na sociedade – e se tornou um noviçp no Convento de São Boaventura de Macacu, em Rio de Janeiro Lá, ele adotou o nome religioso de Antônio de Sant'Ana Galvão em homenagem à devoção de sua família a Santa Ana.



Em 1770, foi convidado para fazer parte da Academia Paulista de Letras, chamada de "Academia dos Felizes". Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, Galvão declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Santa Ana. Declamou também dois hinos, uma ode, um ritmo e doze epigramas. Suas composições são bem metrificadas e dotadas de profundo sentimento religioso e patriótico.





BEATIFICAÇÃO - Em 25 de outubro de 1998, Frei Galvão foi beatificado pelo Papa João Paulo II, dele recebendo os títulos de Homem da Paz e da Caridade e de Patrono da Construção Civil no  Brasil.

      Aconteceu em 1990 em São Paulo, com a menina Daniela, que aos 4 anos de idade teve complicações bronco-pulmonares e crises convulsivas. Foi então internada na UTI do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, com diagnóstico de encefalopatia hepática por consequência da hepatite causada pelo vírus A, insuficiência hepática grave, insuficiência renal aguda, intoxicação por causa de metocloropramida e hipertensão. Os sintomas acima a levaram a uma parada cardio-respiratória que evoluiu com epistaxe, sangramento gengival, hematúria, ascite, broncopneumonia, parotidite bilateral, faringite, e mais duas infecções hospitalares.
      Após 13 dias de UTI, os familiares, amigos, vizinhos e religiosas do Mosteiro da Luz rezaram e deram a menina as pílulas de Frei Galvão. Em 13 de junho de 1990, a menina Daniela deixou a UTI e, em 21 de junho teve alta do hospital considerada curada. 
O pediatra que a acompanhou atestou perante o Tribunal Eclesiástico que: "atribuo à intervenção divina, não só a cura da doença, mas a recuperação total dela".
    






CANONIZAÇÃO - Frei Galvão foi Canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de maio de 2007, durante a visita do pontífice ao Brasil. A comprovação oficial e o anúncio foi feito em 16 de dezembro de 2006.

      Trata-se do caso da Sra. Sandra Grossi de Almeida e de seu filho Enzo de Almeida Gallafassi, da cidade de São Paulo-SP, hoje residentes em Brasília-DF, Brasil.
      A Sra. Sandra já havia sofrido três outros abortos espontâneos, devido a malformação do seu útero, que tornara impossível levar a termo qualquer gravidez.
      Em maio de 1999, Sandra ficou novamente grávida e sabia que a qualquer momento poderia ter uma hemorragia e morrer.
      Apesar do prognóstico médico ser de provável interrupção da gravidez ou de que esta chegasse, no máximo, ao quinto mês, a gestação evoluiu normalmente até a trigésima segunda semana da gestação.
      Por ser caso alto risco, foi decidido parto por cesariana em 11/12/1999, pois exames comprovavam problemas ma, o parto não teve nenhuma complicação.
      A criança nasceu pesando 1.995 gr. e medindo 0,42 cm, mas apresentou problemas respiratórios gravíssimos. Foi "entubada", porém teve uma evolução positiva muito rápida e foi "extubada" no dia seguinte. Recebeu alta hospitalar dia 19/12/1999.
O êxito favorável deste caso raro foi atribuído a intercessão do Beato Frei Antônio de Sant'Ana Galvão, que foi desde o início e durante toda a gravidez invocado pela família com muita oração e por Sandra, que além das novenas contínuas que fez, tomou também as "Pílulas de Frei Galvão" com fé e com a certeza de sua ajuda


Frei Galvão viajava constantemente pela capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajetos sempre a pé, não usava cavalos nem a liteira levada por escravos. Vilas distantes sessenta quilômetros ou mais, municípios do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico. Por onde passava as multidões acorriam. Ele era alto e forte, de trato muito amável, recebendo a todos com grande caridade.

Diz uma carta do "Senado da Câmara de São Paulo" ao Provincial (superior) de Frei Galvão: "Este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lho; é homem da paz e da caridade". 

Especial: Frei Galvão - Assistente Espiritual - OFS




SANTO ANTONIO DE SANTANA GALVÃO, ASSISTENTE ESPIRITUAL
DA ATUAL ORDEM FRANCISCANA SECULAR - OFS

Num contexto cultural e religioso completamente diferente dos dias de hoje, de 1.777 a 1819 (até três anos antes de sua morte), Frei Antonio de Santana Galvão ocupou-se em diversos períodos com o serviço da assistência espiritual à então chamada Terceira Ordem Franciscana, TOF, do Largo São Francisco em São Paulo.

Naquele tempo a ‘Mesa Diretora’ da TOF apresentava três nomes de Frades ao Provincial que nomeava o Comissário. Em 18 de outubro de 1776, consta que ele exerceu a função de ‘Comissário Visitador’ da TOF de São Francisco. No ano seguinte foi nomeado ‘Comissário’.

A Capital de São Paulo era centro de partida dos bandeirantes – descobridores de minas de pedras preciosas e muitos deles se tornaram membros da Fraternidade, cujos corpos ainda hoje estão abrigados no Jazigo das dependências que atualmente estão em fase de restauro.

A população crescia em torno das atividades religiosas que se desenvolviam, mas em 1816, São Paulo tinha apenas 15.382 habitantes.

A florescente Ordem Terceira Franciscana de São Paulo era formada por pessoas de influência e de autoridade na cidade. Consta na história da antiga Capela da Ordem Terceira que D. Manuel da Ressurreição, então Bispo Diocesano, recebeu a patente de Irmão da Ordem das mãos de Frei Antonio de Santana Galvão, “em atenção aos grandes benefícios que o Excelentíssimo Senhor tinha feito e diariamente fazia a esta nossa Venerável Ordem”.

Como Frei Galvão coordenava a assistência espiritual, bem como de modo geral o “Recolhimento da Luz”, consta do arquivo da TOF que muitas irmãs foram nomeadas por ele como membros da TOF.

Apesar do crescimento de membros, também naquela época já havia momentos difíceis na gestão financeira e Frei Antonio com sua inteligência privilegiada orientava aos membros da Mesa Diretora, como melhor agir nas dificuldades. “A transformação do capital da Ordem Terceira em bens imóveis – uma das determinações dadas por Frei Galvão – ‘seus principais se reduzam a bens de raiz por serem os juros proibidos’, foi sem dúvida uma media sábia e de alto valor, que permitiu à Ordem fazer frente à reedificação de  sua Igreja e conquistar uma posição sólida e estável nos últimos decênios do século XVIII, escreve Ortmann (História da Antiga Capela).

O calçamento das ruas da cidade começou apenas em 1781 e em 1788 a reconstrução da ponte do Anhangabaú. Verificou-se o aumento das rendas públicas pelo desenvolvimento do comércio e produção do açúcar.

Os traços do catolicismo implantado no Brasil apresentavam “traços próprios entre os quais se destaca o seu caráter leigo, social e familiar”. Leigos porque é marcante a presença e atuação do leigo nos organismos eclesiásticos, bem como nas ...Associações religiosas que se distinguiram por grande atuação na Igreja e na sociedade do longo da história...

Havia uma interpenetração notada e sentida entre o catolicismo e a vida social e familiar. Os fatos familiares tinham sua celebração religiosa, que por sua vez era motivo de festas. A ... Igreja era o centro do povoado... e daí partia toda a orientação familiar e social.,,, As procissões e festas religiosas quebravam a monotonia e a rotina da vida diária, sendo muitas vezes uma das poucas oportunidades para o povo se distrair...

No serviço de assistência à Ordem deu particular atenção à observância dos sufrágios, dos membros falecidos, determinando aos seus membros que fossem fiéis à observância dos estatutos e primitivas determinações...

Notável foi a devoção de Frei Antonio à Imaculada Conceição de Maria a quem foi fiel ao juramento de servi-la como sua mãe e senhora e certamente ele a transmitia a todos os membros da Ordem.

Frei Galvão tinha sólida formação religiosa e espiritual, tendo iniciado seus estudos com os Jesuítas e depois aprimorou sua formação na Ordem Franciscana. Por isso, além de Assistente Espiritual da TOF exerceu muitos cargos importantes na cidade. Foi um religioso de muita capacidade, extraordinária virtude, grande zelo apostólico e notável saúde, merecedor da confiança dos superiores religiosos e eclesiásticos e querido por toda a população de São Paulo.

Por tudo, Deus seja louvado!

Fonte: Frei Antonio de Sant’Anna Galvão

Volume II – Biografia documentada – Roma – 1993.

Trechos organizados por Maria Aparecida Crepaldi, OFS.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Especial: Frei Galvão - Aspectos da Espiritualidade e do Apostolado

 
Dom Frei Caetano Ferrari

1 – Místico e Contemplativo: Homem de oração e devoto de Nossa Senhora

Frei Galvão distingue-se, primeiramente, por uma rica “espiritualidade franciscana e mariana”. Um verdadeiro filho de São Francisco: homem de oração, de vida simples e penitente. Um devoto apaixonado de Nossa Senhora: no dia em que professou na Ordem, fez “juramento de defesa à Imaculada Conceição” como era costume naquele tempo. Os Frades eram defensores do privilégio da Conceição Imaculada, cujo dogma só foi proclamado em 1854. Mas, 4 anos depois da ordenação, aprofundou aquele compromisso, assinando com o próprio sangue uma “Cédula irrevogável de filial entrega a Maria Santíssima, minha Senhora, digna Mãe e Advogada”, pela qual consagrava-se “como filho e perpétuo escravo” da Mãe de Deus.

Era uma espiritualidade que nasceu e se alimentava de uma forte experiência de Deus. E se manifestava em convicções e atitudes muito claras e firmes: absoluta confiança na Providência Divina e submissão total à vontade de Deus.

A partir dessa base, dá para entender bastante bem de seu comportamento e ações. Era de obediência irrestrita. Nomeações e transferências: logo as assumia e se punha a cumprir. Decisões de autoridades a seu respeito: obedecia sem pestanejar. Vejam-se, por exemplo, a nomeação e transferência para o Noviciado de Macacu, a ordem do Governador quanto ao fechamento do Mosteiro e quanto a sua expulsão da cidade, etc. O que entendia ser vontade de Deus, como as inspirações da Irmã Helena, corria para pôr em prática. Por traz havia sempre a serenidade de quem confia em Deus.

Podem ser vistas como expressões fortes da mística e contemplação de Frei Galvão sua luta e empenho, por mais de 40 anos, em favor da fundação do Recolhimento da Luz e da formação e direção espiritual das Irmãs para a vida contemplativa, e sua fidelidade, por 60 anos, ao juramento de servir à causa da Conceição Imaculada e propagar sua devoção.

2 – Pregador e Missionário itinerante: Apóstolo de São Paulo

 Impulsionado pelo amor de Deus, que trazia no coração, Frei Galvão foi o grande pregador e anunciador da Palavra de Deus, tendo como centro de sua ação evangelizadora a cidade de Paulo. Logo que terminou os estudos, foi eleito em Capítulo Provincial “Pregador, Confessor e Porteiro” no Convento São Francisco. A sua pregação estava sempre aliada com o contato direto com o povo: a acolhida no Confessionário e Portaria, sua bondade e compreensão, seus conselhos e orientações, seu socorro e ajuda aos necessitados, enfermos e sofredores. Pouco a pouco sua fama atravessou fronteiras.

Sempre a pé, andou a pregar por muitas localidades fora da cidade: Sorocaba, Porto Feliz, Itu, Taubaté, Parnaiba, Indaiatuba, Mogi das Cruzes, Paraitinga, Pindamonhangaba, Guaratinguetá. A serviço da Província, viajou para mais longe: ao Rio de Janeiro, mais de uma vez, e chegou até Castro, Paraná, como Visitador da Ordem. As viagens, feitas a pé, se transformavam em roteiros missionários de pregação às diversas localidades. Em todos os lugares anunciava o Evangelho e a devoção à Imaculada. Ao passar por Piraí do Sul, indo para Castro, deixou a estampa de Nossa Senhora das Brotas, que lá se encontra na Capela das Brotas, e é venerada até os dias de hoje. Não seria exagerado dizer que a devoção à Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida, a partir de seu Santuário na pequena cidade do Vale do Paraíba e ao lado de Guaratinguetá, tivesse sido alimentada pelo trabalho de difusão desta devoção por parte de Frei Galvão.

Frei Galvão foi chamado “Apóstolo de São Paulo”. Sua pregação tocava as pessoas e era acolhida pelo povo de todos os lugares, que para ouvi-lo se reunia em multidão.

Como Comissário da Ordem Terceira de São Francisco, eleito por duas vezes, cuidou de formar os Irmãos na vivência do ideal franciscano como caminho de santificação e de verdadeiro apostolado leigo.

3 – Confessor e Conselheiro: Missionário da paz e da caridade

O maior bem que Frei Galvão trazia no coração era Deus. Este bem ele distribuía a quem o procurava. As pessoas da cidade e de longe vinham a procura de Frei Galvão para se confessar, para buscar seu conselho e orientação de vida. Ele se destacou como confessor e conselheiro do povo. Portador da bênção e do perdão de Deus, só podia mesmo trazer a paz: a paz da reconciliação com Deus, a paz da pessoa com outra pessoa, a paz na família, a paz na sociedade. Em Itu, deu-se o caso de pacificação de uma família que se costuma contar. Ele era um conselheiro sábio, prudente, maduro, mais do que isso, cheio de Deus. Por isso mesmo era considerado “Homem virtuosíssimo” e foi chamado “Homem da paz”.

Além de Confessor do povo, dedicou parte importante de sua vida, primeiro como Confessor e Atendente das Irmãs Carmelitas, no Recolhimento Santa Teresa, depois, até o fim da vida, como Confessor e Diretor espiritual das Irmãs Concepcionistas do Recolhimento da Luz. Para o Recolhimento da Luz foi tudo: co-fundador com a Irmã Helena, construtor, arquiteto, pedreiro, esmoler, sustentador, Confessor, Capelão e Orientador espiritual.

Embora sendo pacífico e pacificador, era defensor da justiça. Basta lembrar o caso da condenação à morte do soldado conhecido pelo nome de “Caetaninho”. Frei Galvão não hesitou em pôr-se declaradamente em sua defesa, não obstante o confronto inevitável com o Governador da Capitania que ordenara a condenação, uma condenação injusta e arbitrária.

Se era todo amor para Deus, era-o também para os necessitados. Aprendera em família a dar esmolas. Conta-se que, em criança, dera uma toalha de crivo e bordado da Mãe a um pobre que pedia esmolas. Acostumara a ser generoso, sobretudo com os pobres e necessitados. Conta-se também que ao tempo da construção do Mosteiro da Luz passava toda semana pelos bares das proximidades e pagava as dívidas dos serventes da obra, que eram negros escravos.

O povo o amava e o defendia. Assim aconteceu quando o Governador por vingança decretara o desterro de Frei Galvão. O povo cercou a casa do Governador que se viu obrigado a revogar a sentença. Com razão o povo distinguiu Frei Galvão com o nome de “Homem da caridade”.

Por todos estes títulos, o povo considerava Frei Galvão um santo, e sendo assim, ainda em vida, todos o chamavam “Padre Santo”. Fama esta que não se extinguiu depois da morte, mas perdurou por todo o tempo e o está levando, finalmente, à Beatificação.

Para a glória da Ssma. Trindade, o louvor da Imaculada Conceição, a honra de São Francisco e o bem de todos nós franciscanos e franciscanas e de todo o povo de Deus. Assim Seja!

Fonte: www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Especial: Frei Galvão - Uma vida no Convento São Francisco (SP)

 

Desde que foi transferido para o Convento São Francisco de São Paulo, para fazer os estudos de Filosofia e Teologia, em 24 de junho de 1762, Frei Galvão não deixou mais a capital paulista.
Até a sua morte, em 1822, ele viveu como frade do Convento. Mesmo residindo no Recolhimento da Luz, a partir de 1819, ele não deixou de ser frade com residência no Convento dos franciscanos. Para residir no recolhimento, teve autorização dos superiores franciscanos e do Bispo.

Portanto, durante 60 anos, Frei Galvão construiu uma história no Convento São Francisco. O Convento São Francisco foi uma das grandes casas de formação para religiosos e candidatos ao clero secular. Os frades que lá moravam dedicavam-se a todos os tipos de trabalhos apostólicos, como também à pregação de missões populares pelo interior da Capitania.

Segundo o livro “História e Vida de Frei Galvão”, de Frei Paulo Back, durante esse tempo de estudos, em São Paulo, o jovem sacerdote Frei Antônio de Sant’Ana Galvão começou a chamar a atenção dos confrades franciscanos e dos fiéis, tanto pela sua piedade como pelas demonstração de qualidades excepcionais de seu caráter. Tornou-se, assim, uma pessoa muito querida.

Em 23 de julho de 1768, o Capítulo Provincial atribui a Frei Galvão as tarefas de pregador, confessor e porteiro do Convento São Francisco. Nos capítulos de 1770 e 1773, Frei Galvão foi mantido por seus superiores nessas tarefas e funções.

Mais tarde ele foi nomeado para ser confessor do Recolhimento de Santa Teresa, primeira casa religiosa de vida contemplativa em São Paulo.

Foi eleito guardião do Convento São Francisco em 1798 e reeleito em 1801. Enquanto construía o novo Recolhimento da Luz, foi nomeado Definidor e Visitador dos Conventos do Sul, funções mais altas na hierarquia da Província franciscana.

Fonte: www.franciscanos.org.br

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Santo Antônio de Sant’Ana Galvão

 

Muito mais do que “milagreiros”, os santos são para nós um exemplo de amor a Jesus e ao próximo. Em Santo Antônio de Sant’Ana Galvão podemos ver isso bem claramente.

Tanto é, que ele não é conhecido apenas por seus milagres, mas especialmente por causa da sua atividade apostólica na região Sudeste e Paraná, que o fez conhecido como Defensor da Justiça, Paz e Caridade, Padroeiro da Construção Civil, “Doçura de Deus”, como definiu João Paulo II.

Frei Galvão foi canonizado no dia 11 de maio de 2007, pelo Papa Bento XVI, em uma grande celebração no Campo de Marte, em São Paulo. Mas liturgicamente, o dia de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão é comemorado em 25 de outubro, a data da sua beatificação pelo saudoso Papa João Paulo II.

Frei Galvão morreu em 23 de dezembro de 1822 e está sepultado no Mosteiro da Luz, em São Paulo. Contudo, este santo brasileiro, que era frade desta Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, viveu 60 anos no Convento São Francisco, no Largo São Francisco, em São Paulo.

Segundo Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, ter um santo que viveu entre nós tem um significado muito especial. “Significa, antes de tudo, que os santos não são mitos inventados pela fantasia humana, nem caíram do céu, como seres superiores, que não fazem parte da nossa experiência histórica. São pessoas reais, com endereço e história pessoal, com familiares e parentes, e que também lutaram pela vida e sofreram. Os nossos santos são membros da família humana, irmãos de caminhada da comunidade eclesial.Mas foram grandes cristãos, que viveram um intenso amor a Deus e aos irmãos, deixaram um testemunho de fé e caridade, que serviu e serve ainda como referência: muitas outras pessoas, olhando para eles ou aproximando-se deles, sentiram-se encorajadas a imitar seus exemplos e a viver como eles. Os santos são grandes amigos de Deus, que já alcançaram a “casa do Pai”e agora vivem na companhia de Deus; e também são nossos amigos, totalmente interessados em que nós alcancemos igualmente a vida eterna e estejamos, um dia, em sua companhia. Por isso nós podemos recorrer à sua intercessão e eles pedem a Deus por nós”.

Fonte: www.franciscanos.org.br

Visita Fraterna Pastoral


Nos dias 19 e 20 de outubro a Fraternidade das Chagas recebeu a visita fraterna pastoral do regional.

No sábado o encontro foi com os membros do Conselho. Colocamos nossas atividades, prestação de contas e dificuldades na caminhada. Contamos com as presenças de Frei Anacleto, OFM, irmã Denize, ministra regional e irmão Deivid (conselheiro do 3º distrito). Contamos também durante todo o tempo com a presença do Frei Gustavo Medella, OFM, nosso Assistente Espiritual.

À tarde fomos visitar as irmãs Helena e Yvone, no Centro de promoção Humana Lar Vicentino. Elas estão bem. Tiramos fotos, conversamos. Foi muito bom!

No domingo após a Celebração Eucarística o Irmão Deivid conduziu os trabalhos com todos os irmãos da Fraternidade. Dividimos em 05 grupos para reflexão dos pontos positivos e negativos na caminhada da Fraternidade no decorrer desse ano de 2013.

Ao final  os irmãos colocaram de maneira simples o parecer de cada grupo, ao que o visitador já fazia uma reflexão com propostas, acerca das respostas.

Depois do almoço ele se reuniu com os irmãos no período de formação. Enquanto os professos rezaram a coroa franciscana.

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento














 





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

São Lucas

 

Lucas é um dos quatro evangelistas. O seu Evangelho é reconhecido como o do amor e da misericórdia. Foi escrito sob o signo da fé, nos tempos em que isso podia custar a própria vida. Mas falou em nascimento e ressurreição, perdão e conversão, na salvação de toda a humanidade.

Além do terceiro evangelho, escreveu os Atos dos Apóstolos, onde registrou o desenvolvimento da Igreja na comunidade primitiva, relatando os acontecimentos de Jerusalém, Antioquia e Damasco, deixando-nos o testemunho do Cristo da bondade, da doçura e da paz.

Lucas nasceu na Antioquia, Síria. Era médico e pintor, muito culto, e foi convertido e batizado por São Paulo. No ano 43, já viajava ao lado do apóstolo, sendo considerado seu filho espiritual.

Escreveu o seu Evangelho em grego puro, quando São Paulo quis pregar a Boa-Nova aos povos que falavam aquele idioma. Os dois sabiam que mostrar-lhes o caminho na própria língua facilitaria a missão apostólica. Assim, através de seus escritos, Lucas tornou-se o relator do nascimento de Jesus, o principal biógrafo da Virgem Maria e o primeiro a expressá-la através da pintura.

Quando das prisões de São Paulo, Lucas acompanhou o mestre, tanto no cárcere como nas audiências. Presença que o confortou nas masmorras e deu-lhe ânimo no enfrentamento do tribunal do imperador.

Na segunda e derradeira vez, Paulo escreveu a Timóteo que agora todos o haviam abandonado. Menos um. “Só Lucas está comigo” E essa foi a última notícia certa do evangelista.

A tradição cristã diz-nos que depois do martírio de São Paulo o discípulo, médico e amigo Lucas continuou a pregação. Ele teria seguido pela Itália, Gálias, Dalmácia e Macedônia. E um documento traduzido por São Jerônimo trouxe a informação que o evangelista teria vivido até os oitenta e quatro anos de idade.

A sua morte pelo martírio em Patras, na Grécia, foi apenas um legado dessa antiga tradição. Todavia, por sua participação nos primeiros tempos, ao lado dos apóstolos escolhidos por Jesus, somada à vida de missionário, escritor, médico e pintor, transformou-se num dos pilares da Igreja.

Na suas obras, Lucas dirigia-se a um certo Teófilo, amigo de Deus, que tanto poderia ser um discípulo como uma comunidade, ou todo aquele que entrava em contato com a mensagem da Boa-Nova através dessa leitura. Com tal recurso literário, tornou seu Evangelho uma porta de entrada à salvação para todos os povos, concedendo o compartilhamento do Reino de Deus por todas as pessoas que antes eram excluídas pela antiga lei.

Fonte: www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Perfeita Alegria



 

DA VERDADEIRA E PERFEITA ALEGRIA

 
Um dia o bem-aventurado Francisco, perto de Santa Maria dos Anjos, chamou a Frei Leão e lhe disse: "Frei Leão, escreve".
 
Este respondeu: "Eis-me pronto".

"Escreve - disse - o que é a verdadeira alegria".

"Vem um mensageiro e diz que todos os mestres de Paris entraram na Ordem”; Escreve: não está aí a verdadeira alegria.

E igualmente que entraram na Ordem todos os prelados de Além-Alpes, arcebispos e bispos, o próprio rei da França e o da Inglaterra;

Escreve: não está ai a verdadeira alegria.

E se receberes a notícia de que todos os meus irmãos foram pregar aos infiéis e converteram a todos para a fé, ou que eu recebi tanta graça de Deus que curo os enfermos e faço muitos milagres: “digo-te que em tudo isso não está a verdadeira alegria".

"Mas, o que é a verdadeira alegria?"

"Eis que volto de Perusa no meio da noite, chego aqui num inverno de muita lama e tão frio que na extremidade da túnica se formaram caramelos de gelo que me batem continuamente nas pernas fazendo sangrar as feridas”.

E todo envolvido na lama, no frio e no gelo, chego à porta, e depois de bater e chamar por muito tempo, vem um irmão e pergunta: 'Quem é?' E eu respondo: 'Frei Francisco'.

E ele diz: 'Vai-te embora; não é hora própria de chegar, não entrarás'.

E ao insistir, ele responde: 'Vai-te daqui, és um ignorante e idiota; agora não poderás entrar; somos tantos e tais que não precisamos de ti'.

E fico sempre diante da porta e digo: 'Por amor de Deus, acolhei-me por esta noite'.

E ele responde: 'Não o farei. Vai aos crucíferos e pede lá’.

“Pois bem, se eu tiver tido paciência e permanecer imperturbável, digo-te que aí está a verdadeira alegria, a verdadeira virtude e salvação da alma".

                                                                                

(Dos Escritos de São Francisco, cap. 8).

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Homenagem ao Dia do Professor!

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

 Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

 E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.
 
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
 
Parabéns, Professor!!
 
Cora Coralina

sábado, 12 de outubro de 2013

Mensagem do Papa Francisco - Aparecida 12/10/2013

 

Amados irmãos e irmãs,


Nesta noite, sinto-me unido a todos vocês na oração do Santo Rosário e da Adoração Eucarística sob o olhar da Virgem Maria.

O olhar! Como é importante! Quantas coisas podem ser ditas com um olhar! Estima, encorajamento, compaixão, amor, mas também censura, inveja, soberba, até mesmo ódio. Muitas vezes o olhar diz mais que as palavras, ou diz aquilo que as palavras não conseguem ou não ousam dizer.

Para quem olha a Virgem Maria? Olha para todos nós, cada um de nós. E como é que nos olha? Olha-nos como Mãe, com ternura, com misericórdia, com amor. Assim olhou para o filho Jesus, em todos os momentos da sua vida, gozosos, luminosos, dolorosos, gloriosos, como contemplamos nos Mistérios do Santo Rosário, simplesmente com amor.

Quando estamos cansados, desanimados, oprimidos pelos problemas, olhemos para Maria, sintamos o seu olhar que diz ao nosso coração: 'Coragem, filho, estou aqui Eu que te sustento!' Nossa Senhora conhece-nos bem, é mãe, sabe bem quais são as nossas alegrias e as nossas dificuldades, as nossas esperanças e as nossas desilusões. Quando sentimos o peso das nossas fraquezas, dos nossos pecados, olhemos para Maria, que diz ao nosso coração: 'Levanta-te, vai ter com meu Filho Jesus, n’Ele encontrarás bom acolhimento, misericórdia e nova força para continuares o caminho'.

O olhar de Maria não se volta só para nós. Aos pés da cruz, quando Jesus lhe confia o apóstolo João e, com ele, todos nós, dizendo: 'Senhora, eis o teu filho' (Jo 19, 26), o olhar de Maria está fixo em Jesus. E Maria diz-nos, como nas bodas de Caná: 'Fazei tudo o que Ele vos disser' (Jo 2, 5). Maria aponta para Jesus, convida-nos a dar testemunho de Jesus, guia-nos sempre para o seu Filho Jesus, porque só n'Ele há salvação, só Ele pode transformar a água da solidão, da dificuldade, do pecado, no vinho do encontro, da alegria, do perdão. Só Ele.

'Bem-aventurada és Tu, porque acreditaste'. Maria é bem-aventurada pela sua fé em Deus, pela sua fé, porque o olhar do seu coração sempre esteve fixo em Deus, no Filho de Deus que trouxe no seu ventre e contemplou na Cruz. Na Adoração do Santíssimo Sacramento, Maria diz-nos: 'Olha para o meu Filho Jesus, mantém o olhar fixo n’Ele, escuta-O, fala com Ele. Ele te olha com amor. Não tenhas medo! Ele ensinar-te-á a segui-Lo para dares testemunho d’Ele nas grandes e pequenas ações da tua vida, nas relações familiares, no teu trabalho, nos momentos de festa; ensinar-te-á a saíres de ti mesmo, de ti mesma, para olhares para os outros com amor, como Aquele que te amou e te ama, não com palavras, mas com obras'.

Ó Maria, fazei-nos sentir o teu olhar Mãe, guiai-nos para o teu Filho, fazei que não sejamos cristãos 'de vitrine', mas saibamos 'meter mãos à obra' para construir com o teu Filho Jesus, o seu Reino de amor, de alegria e de paz.


Fonte: globo.com

Louvor e Súplica a Nossa Senhora Aparecida



Oh! Senhora Imaculada Conceição de Aparecida, como sois Mãe bondosa e amável! Vós nos destes Jesus Cristo, que veio nos salvar das consequências do pecado; vieste-nos ensinar a conquistar a verdadeira felicidade e estais sempre presente na história da humanidade.

O mundo é grande e povoado de gente com hábitos, condutas e costumes os mais diversos. Mas vós apareceis sempre como uma de nós, para nos orientar e nos demonstrar o vosso amor e que é possível realizá-lo.

Assim, vós aparecestes em Lourdes, no Carmelo, em Guadalupe, em Fátima e em outras partes do mundo.

E viestes até nós para se revelar ao povo brasileiro, na simples e pequena imagem da Imaculada Conceição “pescada” no Rio Paraíba e recebendo o nome de “Aparecida”.

E, como sempre, escolhestes pessoas simples, como os pescadores João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, pois os mais simples têm o coração aberto para receber o vosso amor.

Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, vós que salvastes os pobres pescadores, na sua missão de levar peixes para o Conde de Assumar, protegei as nossas crianças de toda maldade que o mundo apresenta nos dias de hoje. Abrigai-as sob vosso manto acolhedor. Que elas cresçam no amor de Deus.

Abençoai também os professores. Que eles se sintam felizes, na missão servidora, em ajudar os pais na educação de crianças e adolescentes.

Ensinai-nos, Mãe querida, a trabalhar pela paz e a promovê-la, bem como em defender a vida desde o feto até a morte natural, nesse Brasil tão grande e tão necessitado de vossa presença, do vosso exemplo, do vosso amor. Assim seja!




Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO 

       ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.