sexta-feira, 31 de março de 2017

Jovens se preparam para a Caminhada Franciscana

caminhada830_300317

Neste fim de semana, a cidade de Rodeio (SC), receberá a 6ª edição da Caminhada Franciscana da Juventude. O encontro contará com a participação de 560 jovens, o maior número de inscritos de todos os eventos já realizados pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV), conforme destaca o Coordenador, Frei Diego Melo. “Não imaginávamos que haveria tanta adesão, uma vez que realizamos as Missões Franciscanas da Juventude há pouco menos de 3 meses e sabemos que não é tão simples para os jovens se organizarem para uma viagem como essas. No entanto, eles nos surpreenderam com tamanha adesão, o que nos causa muita alegria e indica que estamos no caminho certo”, afirma.

Com o tema “Eis que Ele vai passar” (1Rs 19,11), os jovens percorrerão aproximadamente 35 km, passando por diversas paróquias e locais significativos da cidade, como a Comunidade Terapêutica Beth Hayôtser e o Eremitério Frei Egídio, uma casa de retiros em estilo medieval e que fica no alto de uma montanha.

A partir da espiritualidade, a Caminhada Franciscana da Juventude deseja oferecer aos jovens a experiência do silêncio e contemplação, para despertar no jovem esta sensibilidade, fortalecendo o encontro com Deus e consigo mesmo.

Os organizadores contam também que para acolher todos os participantes foi necessário um grande envolvimento das famílias locais. “Durante a preparação houve uma grande mobilização na cidade de Rodeio para que as famílias acolhessem a esse tão grande número de jovens em suas casas. Fizemos uma ampla divulgação em rádios, jornais, celebrações, internet etc. Assim, já temos hospedagem nas famílias para todos”, afirma.

Juventude e vocação

A 4ª edição da Caminhada Franciscana da Juventude acontece em uma das casas de formação da Província, o Noviciado São José, e contará com a participação dos noviços. O coordenador do SAV acredita que será também um grande momento de divulgação e promoção vocacional. “Queremos mostrar aos jovens a beleza da vida religiosa franciscana como um caminho que pode ser uma resposta para muitos deles”, acrescenta o frade.

Reflexões para o Sínodo dos Bispos

A Caminhada será marcada também pela apresentação do Sínodo dos Bispos sobre a juventude. Os jovens de Bauru e Agudos, cidades-sede da próxima Missão Franciscana, prepararam todo o material que será apresentado para os participantes da Caminhada. “Serão os próprios jovens que irão refletir sobre a sua própria realidade e poderão, inclusive, sugerir novos caminhos de evangelização. Trata-se, portanto, do protagonismo juvenil nesse processo”, afirma Frei Gabriel Dellandrea, do SAV.

Entre os participantes, estará Washington Lima, do Secretário Nacional da Juventude Franciscana (Jufra). Ele, além de participar da Caminhada, fará um convite para que os jovens conheçam melhor a Jufra. Outra presença a ser destacada é a dos jovens da Paróquia São Pedro, de Gaspar (SC). Serão 136 jovens, entre eles o pároco, Frei Paulijacson de Moura.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quinta-feira, 30 de março de 2017

Nota da OFS pelo falecimento de Frei Alberto Beckhäuser, OFM

A Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil


 Att. Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel


 Goiânia (GO), 29 de Março de 2017


 A Ordem Franciscana Secular do Brasil com muito pesar apresenta suas condolências a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, pelo do falecimento de Frei Alberto Beckhäuser, OFM.

 Frei Alberto dedicou parte de sua caminhada Franciscana no serviço de Assistente Espiritual Nacional da OFS do Brasil, bem como de Fraternidades Regionais e Locais. Todos esses serviços ele exerceu com dedicação e zelo contribuindo de forma significativa para a formação dos nossos irmãos e irmãs, especialmente com a publicação de livros direcionado aos seculares. Com certeza, a história da OFS do Brasil está marcada pela presença de Frei Alberto, para o qual sempre ficarão nossos sinceros agradecimentos.

 A Perda de quem muito amamos sempre é dolorido, mas a confiança na ressurreição preenche esse vazio. Neste momento nos unimos em oração à família dos Frades Menores e aos irmãos da OFS/JUFRA do Regional Sudeste II, Rio de Janeiro/Espírito Santo, para que esta perda possa ser compreendida com a esperança do conforto no Senhor que disse-nos: “Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim ainda que morto viverá, e todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11:25-26) e para Nosso Pai São Francisco “é morrendo, que se vive para a vida eterna!”


Fraternalmente,

 VANDERLEI SUÉLIO GOMES, OFS.
 Ministro Nacional da OFS do Brasil


Fonte: http://www.ofs.org.br/noticias/item/1069-nota-da-ofs-pelo-falecimento-de-frei-alberto-beckhaeuser-ofm

Frei Alberto fala sobre a assistência à OFS:

 Desde 1967 acompanhei todo o processo de renovação da OFS até hoje, na assistência de Fraternidades em nível local, Regional e Nacional.

 Daí surgiram dois livros: Comentário Espiritual à Regra da OFS, adotado como livro base do tempo de formação (noviciado) na OFS do Brasil e Rezar a Vida e Viver a Oração. Pequeno Tratado sobre a Oração Cristã. Este livro brotou do serviço de assistência à OFS, através de artigos publicados na revista Paz e Bem, mas como livro é pensado para todos os cristãos, inclusive, religiosos. Um terceiro livro está para aparecer com o título provável: Felizes os que vivem em penitência. Meu Deus e meu Tudo.Também foi sendo escrito em forma de artigos para a OFS. Trata-se de um comentário da Carta aos Fiéis, de São Francisco, em sua primeira recensão, que consta hoje como Prólogo da Regra Renovada da OFS. Como livro, foi ampliado de modo que possa interessar a toda a Família Franciscana."

Fonte: http://www.ofs.org.br/noticias/item/1066-falece-o-grande-liturgista-frei-alberto-beckhaeuser


quarta-feira, 29 de março de 2017

Falece o grande liturgista Frei Alberto Beckhäuser

freialberto_290317_3

Às 22h00 da noite de 28 de março, faleceu, em Petrópolis, Frei Alberto Beckhäuser. Ele estava internado no Hospital da Beneficência Portuguesa, e sofria de câncer no pâncreas, diagnosticado em janeiro deste ano. Na manhã de ontem, terça-feira, por boletim online, a pedido do guardião Frei Fábio Cesar Gomes, comunicávamos que o estado de Frei Alberto se agravava a cada dia. Mostrava-se extremamente fraco e fazia grande esforço quando deseja dizer algo. Nos últimos dias, quase sempre estava sedado, devido às dores.

O corpo de Frei Alberto Beckhäuser está sendo velado na capela do Instituto Teológico Franciscano, de Petrópolis, e o sepultamento acontecerá após a Missa de Exéquias, às 16h00.

O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanböemmel, deixou a seguinte mensagem no seu perfil do Facebook.

AO MESTRE COM CARINHO! 

Doeu-me a notícia que recebi do guardião da Fraternidade São Francisco, Frei Fábio C. Gomes, de Petrópolis, RJ, na noite desta terça feira: “Frei, nosso Frei Alberto Beckhäuser acabou de descansar”. 

Ele me telefonou na noite da virada do ano. Relatou-me sua situação, consciente da gravidade da sua doença (câncer), e escreveu a seguinte mensagem no dia 1º de janeiro deste ano depois de tê-la escrito a partir do mistério da Encarnação do Senhor:

Francisco e os irmãos enfermos:

“Peço ao irmão enfermo
dê por tudo graças ao Criador, e seu próprio desejo
seja de ser
assim como Deus quiser,
são ou doente”(São Francisco, RnB, cap. 10).
Desde o noviciado, como Mestre, procurei passar aos noviços tal atitude. E há anos procuro viver na oração e no canto tal atitude, compondo o canto: “Em tudo dou-vos graças, ó Pai, por Cristo, no Espírito Santo” e “Fazei-me um convosco, ó Pai, por Cristo no Espírito”.

Peço suas orações para que nesta enfermidade possa em tudo dar graças ao Criador. Em tudo!

Petrópolis, Natal do Senhor de 2016. Frei Alberto Beckhäuser, OFM

Caro Frei Alberto, mestre no Noviciado e grande professor em Liturgia, muito obrigado pela sua dedicação, seriedade acadêmica no cuidado de ensinar a sagrada Liturgia com paixão, espírito e vida! 

Descanse em Paz, meu mestre!

Dados pessoais, formação e atividades

– Nasceu aos 20 de maio de 1935 (81 anos de idade), na Freguesia deSanta do Coqueiro Baixo, hoje também chamada Santa Teresinha, então, município de Criciúma, um tempo, pertencente ao Mun. de Nova Veneza e, hoje, Forquilhinha, SC.

– Frei Alberto era o quinto de 12 filhos do casal Ernesto Beckhäuser e Helena Hoepers. Seus pais são netos de imigrantes europeus. Apenas a avó paterna era nascida na Europa, mais precisamente, na Letônia, de religião batista. Por causa deste pormenor, seu pai Ernesto foi batizado na religião católica pelos 20 anos de idade.

- Seminário: – Nas Missões populares de 1947, foi convidado por Frei João Bosco Erdrich a ir com ele para ser missionário. O menino topou e, em 1948 entrou no Seminário de Rodeio, seguindo todo o percurso de formação na Província, passando por Rio Negro (1950-1952), Agudos (1953-1956), Noviciado em Rodeio (1957) (59 anos de Vida Franciscana), Filosofia em Curitiba (1958-1959) e Teologia em Petrópolis (1960-1963), onde fez a Profissão solene aos 23.12.1960 e foi ordenado presbítero aos 15 de dezembro de 1962 (54 anos de Sacerdócio).

- Roma: – De 1963-1967 fez a Licença e o Doutorado em Teologia com Especialização em Sagrada Liturgia no Pontifício Ateneu Anselmiano, em Roma, com a graça de acompanhar e viver de perto vários anos do Concílio Vaticano II (1963-1965).

- Petrópolis: – De 1967-1973 foi Professor de Liturgia no Instituto Teológico Franciscano em Petrópolis, tendo sido também Assistente da Ordem III local como era chamada então, e da Fraternidade Regional. Foi algum tempo Vigário da Casa e Diretor do Instituto. Foi também Assistente de uma Equipe de Nossa Senhora. Foi Professor de Liturgia no CEFEPAL e Membro da Comissão de Tradutores dos Textos Litúrgicos da CNBB, que funcionava no Rio de Janeiro.

- Rodeio: – De 1974-1979, Mestre de Noviços, continuando a lecionar Liturgia em Petrópolis, no Instituto e no CEFEPAL, com cursos intensivos. Vigário da Casa.

- São Paulo: – De 1980-1982 viveu em São Paulo como Secretário da Província. Foi Assistente Espiritual da Fraternidade Regional da OFS, então VIII Região, abrangendo São Paulo e Mato Grosso.

- Petrópolis: – De 1983-1985, integrou a Equipe de Mestres em Petrópolis, sendo nomeado, em 1984, Assistente Espiritual e Pastoral da OFS Nacional pela OFM.

- Brasília: – De 1986-1991, Assessor de Liturgia da CNBB, sendo locado no Convento de Petrópolis, morando com os Frades em Brasília.

- Rio de Janeiro: – De 1992-1994, Convento de Santo Antônio no Rio de Janeiro como Diretor “virtual” do Santuário, Secretário Provincial da Evangelização Missionária e Coordenador de Traduções e Edições de Textos Litúrgicos da CNBB. Foi Vigário da Casa. Retomou também aulas de Liturgia em Petrópolis.

- Petrópolis: – A partir de 1995, Membro da Fraternidade São Francisco, junto ao futuro Instituto Teológico Franciscano: Professor de Liturgia no nosso Instituto, Secretário da Evangelização Missionária (1995-1997), Coordenador de Traduções e Edições de Textos Litúrgicos da CNBB, Assistente das Irmãs Clarissas na Gávea, Rio de Janeiro. De 2000 a 2003 foi assistente nacional da OFS, assistente das Clarissas do Rio de Janeiro, e assistente litúrgico dos Coral dos Canarinhos. Em 2004, foi nomeado novamente assistente espiritual das Irmãs Clarissas do Rio de Janeiro.

Da ficha autobiográfica de Frei Alberto (atualizada em 2014)

Tenho queda para música, mas nunca cheguei a dominar um instrumento, talvez por falta de empenho. Gostava, porém, da regência coral. Já no Seminário de Agudos regia o coro da turma, atividade que continuei a exercer no Noviciado, no Tempo da Filosofia, inclusive junto ao Coral do Josephsverein e nos anos da Teologia em Petrópolis. Neste período, com outros confrades, tive o privilégio de fazer o Curso de Canto Gregoriano no Instituto Pio X, no Rio de Janeiro. Frei Leto Bienias apreciava minha regência. Substituí-o na Regência dos Carinhos em suas férias na Alemanha, creio que em 1961. Frei Leto sonhava comigo para a Direção dos Canarinhos, chegando mesmo a custear um Professor de piano.

Em 1963, fui designado para estudar Liturgia e Música Sacra em Roma, para ser Professor de Liturgia e de Música na formação teológica dos frades. Visto ser impossível fazer as duas coisas, que exigiam tempo integral, pedi ao Ministro Provincial Frei Walter Kempf que definisse por qual matéria optar. Frei Walter mandou que me formasse em Liturgia e, na medida do possível, cursasse Música sacra. Frequentei um curso de História da Música, mas logo restringi-me à Liturgia.

Minha vida de frade foi dedicada praticamente à formação. São mais de  48 anos de aulas de Liturgia. A formação litúrgica dos frades; cursos, encontros nacionais e internacionais de Liturgia. Os estudos em Roma despertaram em mim a inclinação para a pesquisa e transmissão de uma compreensão teológica da Liturgia e sua espiritualidade, com interesse pastoral. Interessam-me questões como a natureza da participação ativa e frutuosa, a linguagem mítica, simbólica dos mistérios celebrados. Hoje leciono Liturgia no nosso Instituto Teológico em Petrópolis, no Seminário Diocesano de Petrópolis, no Pós-graduação de Liturgia em São Paulo. Fui convidado neste ano para dar Curso de Liturgia no ITEPAL, em Bogotá, na Colômbia e recebi convite para lecionar Liturgia na PUC do Rio a partir de 2002. São 35 anos de magistério, e de animação da vida litúrgica, enfrentando os altos e baixos da reforma e da renovação litúrgicas desejadas pelo Concílio Vaticano II e promovidas a partir dele. Voltando dos estudos em Roma, trouxe comigo um tríplice propósito: muita fé, muita coragem e muita paciência. Propósito este hoje mais atual do que nunca. Mas, uma coisa posso dizer: Em meio aos raios e tempestades do tradicionalismo legalista e do progressismo irresponsável e caótico, a partir dos anos 90, entro com grande prazer e entusiasmo em sala de aula para lecionar Liturgia.

Não foi fácil. Quando estudava Liturgia em Roma, os Rituais antigos praticamente tinham caído em desuso. Os novos ainda não tinham surgido. Importava pesquisar as fontes bíblicas, patrísticas e litúrgicas. Daí a insistência no aspecto teológico da Liturgia.

Para conciliar Liturgia e religiosidade/piedade popular surgiram pesquisas sobre devoções populares, particularmente sobre o fenômeno dos Santuários. Da preocupação teológica e espiritual da Liturgia surgiu a dezena de livros sobre a matéria e numerosos artigos, (cerca de 70) nas revistas, sobretudo na REB e no Grande Sinal. Quanto aos Santuários, participei do Primeiro Congresso Mundial da Pastoral dos Santuários em Roma e do Primeiro Congresso Latino-americano da Pastoral dos Santuários em Quito, no Equador. Assessorei vários Encontros de Pastoral dos Santuários no Brasil. Quando Reitor “virtual” do Santuário de Santo Antônio do Rio de Janeiro, escrevi o livro “Santo Antônio através de suas Imagens”, onde trato da questão do culto dos santos e do sentido dos Santuários.

Outra atividade a que a obediência me levou foi a assistência à OFS. Desde 1967 acompanhei todo o processo de renovação da OFS até hoje, na assistência de Fraternidades em nível local, Regional e Nacional.

Daí surgiram dois livros: Comentário Espiritual à Regra da OFS, adotado como livro base do tempo de formação (noviciado) na OFS do Brasil e Rezar a Vida e Viver a Oração. Pequeno Tratado sobre a Oração Cristã. Este livro brotou do serviço de assistência à OFS, através de artigos publicados na revista Paz e Bem, mas como livro é pensado para todos os cristãos, inclusive, religiosos. Um terceiro livro está para aparecer com o título provável: Felizes os que vivem em penitência. Meu Deus e meu Tudo.Também foi sendo escrito em forma de artigos para a OFS. Trata-se de um comentário da Carta aos Fiéis, de São Francisco, em sua primeira recensão, que consta hoje como Prólogo da Regra Renovada da OFS. Como livro, foi ampliado de modo que possa interessar a toda a Família Franciscana.

Outra área que gostaria de lembrar é a colaboração com a CNBB na Tradução e Edição dos Livros Litúrgicos, que considero um apostolado oculto que, ainda hoje, me toma mais da metade do tempo. Colaborei na tradução de todos os Livros Litúrgicos. A partir de 1991, quando deixei a assessoria da CNBB, foi-me confiada a Coordenação da Tradução e Edição dos Textos e Livros Litúrgicos. Tratava-se da revisão e publicação atualizada de todos os Livros litúrgicos com a inserção dos textos bíblicos aprovados por Roma para uso litúrgico. Primeiro, a revisão e publicação da 2ª edição típica do Missal Romano. Depois, a montagem dos Quatro Volumes da Liturgia das Horas (o resultado do trabalho nos três anos no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro); a Oração das Horas em volume único para os que não têm obrigação do Ofício das Leituras; a nova edição atualizada de todos os Rituais dos Sacramentos, a montagem e edição dos Lecionários; a edição do Pontifical Romano em volume único, com Lecionário do Pontifical em separado. Acrescento a este trabalho a tradução e acompanhamento de sua diagramação e edição dos Suplementos Franciscanos do Missal Romano e da Liturgia das Horas e os Rituais de Profissão religiosa franciscana.

Outras atividades que me deram muita alegria: Cursos e Encontros de Liturgia para o Clero, Religiosos, Religiosas e Leigos; pregação de retiros; assistência a religiosas, acompanhando noviciados, particularmente, de Congregações Franciscanas. Assessorias diversas no campo da Liturgia à CNBB, mesmo depois dos anos de Assessoria em Brasília, sobre questões como Pastoral dos Santuários, Missas por e de Televisão, o uso de Folhetos na Missa.

O exercício do ministério ordenado. A chama missionária da origem de minha vocação sempre me acompanhou. Mas até hoje não tive a satisfação de participar de uma Missão popular. O desejo da missão de certa maneira se realizou no exercício de Secretário da Evangelização missionária por seis anos e na permanência de dois meses em nossa missão de Angola. A obediência levou-me a priorizar o apostolado de Frade Menor, no serviço à Ordem e à Igreja, no campo do magistério e da Pastoral litúrgica, da formação, e da assistência à OFS. Compreendi esse serviço como ação multiplicadora de agentes de pastoral, de missionários. O pastoreio direto ficou em segundo plano. O serviço do ministério ordenado restringiu-se a colaborar nas celebrações nas Fraternidades onde passei, no ministério da Penitência e na animação das celebrações junto aos Grupos a que servi pelo Brasil a fora. Além disso, procurei exercer com entusiasmo o apostolado da comunicação escrita. Procuro ver como apostolado oculto mesmo a colaboração na tradução, montagem e publicação dos livros litúrgicos, o que exige, ao menos de mim, muita disciplina e ascese.

Missionário e mestre da Sagrada Liturgia

(por ocasião do aniversário de 75 anos de Frei Alberto, Frei José Ariovaldo da Silva fez-lhe homenagem, em parte aqui transcrita)

“Não lhe bastava só traduzir os livros litúrgicos! E a formação litúrgica?! Levar o clero (bispos, padres e diáconos) e o povo em geral a entender e assimilar a teologia e o espírito da Liturgia que o Concílio Vaticano II resgatava para toda a Igreja! E, coerentemente com este espírito, celebrar a Liturgia de maneira digna, adaptada e participativa! Imenso desafio para uma Igreja secularmente fossilizada numa forma de liturgia excessivamente devocional e pouco mistérica! Imenso desafio, num tempo em que o quadro de especialistas em Liturgia era reduzidíssimo. Na década de 60, tínhamos aqui um só doutor nesta especialidade, na pessoa de Frei Alberto. Só em meados da década de 70 é que começa a despontar em nível nacional outro reconhecido doutor em Liturgia, na pessoa do Pe. Gregório Lutz CSSp. Assim sendo, com toda a escassez inicial de qualificados formadores, no serviço de implantação da reforma litúrgica no Brasil, admiramos o imenso volume de trabalho de Frei Alberto e sua intensa colaboração através de seus escritos (livros e artigos), cursos, assessorias na CNBB, em dioceses, paróquias, Seminários, Faculdades e Institutos Teológicos. Assim, apaixonado pelo mistério do culto e da Igreja, Frei Alberto legou a uma multidão de admiradores, leitores, alunos, discípulos e ouvintes seus, a certeza de que a Liturgia, por ser divina, isto é, expressão máxima do amor de Deus, merece ser muito bem celebrada: com convicção, piedade, de forma orante e verdadeira, fiel às orientações da Igreja, com muito amor e gratidão a Deus e, consequentemente, com dedicado compromisso comunitário. (…)

E hoje, já próximos do cinquentenário da “Sacrosanctum Concilium”, louvando e agradecendo o Altíssimo Senhor Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo Paráclito, sinto uma vontade louca de proclamar – e o proclamo, sim, com a permissão de todos! – Frei Alberto Beckhäuser, grande missionário e mestre franciscano da Sagrada Liturgia renovada do Concílio Vaticano II para o Brasil, para a América Latina e Caribe, para a Igreja; referência para a Liturgia do Povo de Deus nesta terra de Santa Cruz. Parabéns, Frei Alberto, e “ad multos annos”!”

Que o Senhor acolha o Frei Alberto na Liturgia perene do Céu, no culto daqueles que, nesta terra, procuraram a Ele servir e adorar.

R.I.P.                

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

segunda-feira, 27 de março de 2017

medita_270317


Frase para refletir:

“Antes que o sol se ponha, pense em algum ato que leve à conversão de alguma pessoa e execute-o com todas as suas forças” (C. H. Spurgeon).

A conversão não é um processo suave e fácil como algumas pessoas imaginam; é um processo que causa dor, a dor do arrependimento, a dor de não mais suportar o mal… a dor da alma de querer o caminho de Deus, da luz! E, nessa busca, faz-se necessário um coração aberto a Deus, à Palavra de Jesus Cristo no Evangelho…

Faz-se necessário um trabalho árduo, uma busca intensa da alma. É um desejo que modifica a mente, transcende o ego, vai além das aparências… É um desejo da essência, daquilo que não muda, daquilo que tem sabor de eternidade. Se você estiver nessa disposição o caminho estará aberto…

Tenha um ótimo dia e uma abençoada semana!

Frei Paulo Sérgio

sábado, 25 de março de 2017

Papa: Deus continua a procurar aliados para cooperar com a criatividade do Espírito


Milão (RV) – Diante de um público estimado em 1 milhão de pessoas, o Papa Francisco presidiu na tarde deste sábado, no Parque de Monza, a Santa Missa na Solenidade da Anunciação. Francisco destacou que como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de sentir-se parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito".

“Acabamos de ouvir o anúncio mais importante de nossa história: a anunciação a Maria (cfr. Lc 1, 26-38). Uma passagem densa, cheia de vida, e que gosto de ler à luz de outro anúncio:  o do nascimento de João Batista (cfr Lc 1, 5-20). Dois anúncios que se seguem e que estão unidos; dois anúncios que, comparados entre eles, nos mostram o que Deus dá a nós em seu Filho.

A anunciação de João Batista ocorre quando Zacarias, sacerdote, pronto para dar início à ação litúrgica, entra no Santuário do Templo, enquanto toda a assembleia está do lado de fora, à espera. A anunciação de Jesus, ao invés disto, realiza-se em um lugar perdido da Galileia, em uma cidade periférica e com uma fama não particularmente boa (cfr Jo 1,46), no anonimato da casa de uma jovem chamada Maria.

Um contraste não sem pouca importância, que nos indica que o novo Templo de Deus, o novo encontro de Deus com o seu povo, terá lugar em locais onde normalmente não se espera, às margens, na periferia. Lá se marcarão os encontros, lá se encontrarão; lá Deus se fará carne para caminhar junto a nós desde o seio de sua Mãe. Já não será mais um lugar reservado a poucos, enquanto a maioria permanece fora, à espera. Nada e ninguém lhe será indiferente, nenhuma situação será privada da sua presença: a alegria da salvação tem início na vida cotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.

Deus mesmo é Aquele que toma a iniciativa e escolhe inserir-se, como fez com Maria, em nossas casas, nas nossas lutas cotidianas, cheias de ansiedades e desejos. E é precisamente dentro das nossas cidades, das nossas escolas e universidades, das praças e dos hospitais que se cumpre o anúncio mais belo que podemos ouvir: “Alegra-te, o Senhor é contigo!”. Uma alegria que gera vida, que gera esperança, que se faz carne no modo em que olhamos ao amanhã, na postura com que olharmos para os outros. Uma alegria que se torna solidariedade, hospitalidade, misericórdia para com todos.

Como Maria, também nós podemos ser tomados pela dúvida. “Como acontecerá  isto?” em tempos assim com tanta especulação? Se especula sobre a vida, o trabalho, a família. Se especula sobre os pobres e os migrantes; se especula sobre os jovens e sobre seu futuro. Tudo parece reduzir-se a cifras, deixando por outro lado, que a vida cotidiana de tantas famílias se tinja de precariedade e de insegurança. Enquanto a dor bate em muitas portas, enquanto em tantos jovens cresce a insatisfação pela falta de oportunidades reais, a especulação é abundante por tudo.

Certamente, o ritmo vertiginoso a que somos submetidos parece nos roubar a esperança e a alegria. As pressões e a impotência diante de tantas situações pareceriam quase nos tirar o ânimo e tornar-nos insensíveis diante de inúmeros desafios. E paradoxalmente quando tudo se acelera para construir – em teoria – uma sociedade melhor, no final não se tem tempo para nada e para ninguém. Perdemos o tempo para a família, o tempo para a comunidade, perdemos o tempo para a amizade, para a solidariedade e para a memória.

Nos fará bem perguntarmo-nos: Como é possível viver a alegria do Evangelho hoje nas nossas cidades? É possível a esperança cristã nesta situação, aqui e agora?

Estas duas perguntas dizem respeito à nossa identidade, a vida das nossas famílias, dos nossos países e das nossas cidades. Dizem respeito à vida de nossos filhos, de nossos jovens e exigem de nossa parte um novo modo de situar-nos na história. Se a alegria e a esperança cristã continuam a ser possíveis, não podemos, não queremos permanecer diante de tantas situações dolorosas como meros expectadores que olham para o céu esperando que “pare de chover”. Tudo aquilo que acontece exige de nós que olhemos para o presente com audácia, com a audácia de quem sabe que a alegria da salvação toma forma na vida cotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.

Diante da dúvida de Maria, diante de nossas dúvidas, três são as chaves que o Anjo nos oferece para ajudar-nos a aceitar a missão que nos é confiada:

1.    Evocar a Memória

A primeira coisa que o Anjo faz é evocar a memória, abrindo assim o presente de Maria a toda história da salvação. Evoca a promessa feita a Davi como fruto da aliança com Jacó. Maria é filha da Aliança. Também nós hoje somos convidados a fazer memória, a olhar para o nosso passado para não esquecer de onde viemos. Para não nos esquecermos dos nossos antepassados, dos nossos avós e de tudo aquilo que passaram para chegarmos onde estamos hoje. Esta terra e a sua gente conheceram a dor de duas guerras mundiais; e às vezes viram a sua merecida fama de trabalhadores e de civilidade manchada por desregradas ambições. A memória nos ajuda a não permanecer prisioneiros de discursos que semeiam fraturas e divisões como único modo para resolver os conflitos. Evocar a memória é o melhor antídoto a nossa disposição diante das soluções mágicas da divisão e do afastamento.

2.    A pertença ao Povo de Deus

A memória permite a Maria de apropriar-se de sua pertença ao Povo de Deus. Nos faz bem recordar que somos membros do Povo de Deus! Milaneses, sim, ambrosianos, certo, mas parte do grande Povo de Deus. Um povo formado por mil rostos, histórias e proveniências, um povo multicultural e multiétnico. Esta é uma das nossas riquezas. É um povo chamado a acolher as diferenças, a integrá-las com respeito e criatividade e a celebrar a novidade que provém dos outros; é um povo que não tem medo de abraçar as fronteiras; é um povo que não tem medo de dar acolhida a quem tem necessidade porque sabe que ali está presente o seu Senhor.

3.    A possibilidade do impossível

“Nada é impossível para Deus” (Lc 1,37): assim termina a resposta do Anjo a Maria. Quando acreditamos que tudo depende exclusivamente de nós, permanecemos prisioneiros das nossas capacidades, das nossas forças, dos nossos míopes horizontes. Quando, pelo contrário, nos dispomos a deixar-nos ajudar, a deixar-nos aconselhar, quando nos abrimos à graça, parece que o impossível começa a se tornar realidade. Sabem bem estas terras que, no decorrer de sua história, geraram tantos carismas, tantos missionários, tanta riqueza para a vida da igreja! Tantos rostos que, superando o pessimismo estéril e divisor, abriram-se à iniciativa de Deus e tornaram-se sinal do quão fecunda possa ser uma terra que não se deixa fechar nas próprias ideias, nos próprios limites e nas próprias capacidades e se abrem aos outros.

Como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de sentir-se parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito. Deus continua a percorrer os nossos bairros e as nossas ruas, vai em cada lugar em busca de corações capazes de escutar o seu convite e de fazê-lo tornar carne aqui e agora. Parafraseando Santo Ambrósio em sua comentário a esta passagem podemos dizer: Deus continua a buscar corações como o de Maria, dispostos a acreditar até mesmo em condições  extraordinárias (cfr. Esposizione del Vangelo sec. Luca II, 17: PL 15, 1559). Que o senhor faça crescer em nós esta fé e esta esperança. (JE)

Fonte: Rádio Vaticano

“Eis aqui a serva do Senhor”

Tempo da Quaresma

sabor_250317

Lc 1,26-38

Solenidade da Anunciação do Senhor

Hoje a Igreja celebra a mãe do Redentor, liturgicamente a Anunciação do Senhor. Maria, com seu jeito simples de ser e agir, fez de sua vida uma total doação, pois deu seu “sim” ao anjo Gabriel. “Tu conceberás, darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus”. (Lc 1,31). Sem dúvidas, essa foi uma maternidade divina, e seu filho será chamado Filho do Altíssimo.

Nós, como bons filhos de Deus, devemos ser anunciadores da boa notícia a esse mundo. A exemplo de Maria, assumimos o compromisso de levar luz a onde há trevas, semear o bem onde há ódio. Não precisamos ter boa retórica, basta nosso sim e a coragem de Maria que nos oferece seu filho como guia e irmão.

Como verdadeiros filhos deste Deus que nos ama, a ponto de enviar-nos seu Filho único, somos convidados a tomar nossa cruz de cada dia e seguir o exemplo da mulher que nunca disse não, mas soube enfrentar tudo por amor a Deus, todos os conflitos e dificuldades.

Pois como está escrito “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo”

Reflexão feita pelos noviços.

quinta-feira, 16 de março de 2017

OFS: Uma formação que motive e acenda a chama

ofs_090317

Ordem Franciscana Secular
Capítulo Ordinário Avaliativo
Campo Largo, PR
17 a 19 de março de 2017
Tema: “Franciscano secular: revisitar o seu interior em vista da missão”
Lema: “Uma formação que motive e acenda a chama”

FORMAÇÃO NA ORDEM FRANCISCANA SECULAR
O que é, objetivos e desafios

Os franciscanos seculares do Brasil se reúnem em Campo Limpo (PR) para a realização de capitulo avaliativo. O lema escolhido propõe que aos seculares seja oferecida uma formação que motivadora do ser gente, ser cristão, ser franciscano. Sugere que tal formação acenda uma chama nova.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM, Assistente nacional pelos Menores

 A pessoa necessita de um solo vital sobre o qual possa construir com coerência seu próprio relato, assentar suas fidelidades e compromissos pessoais. Sem isso sua biografia se resume num somatório de acontecimentos pessoais desconexos e soltos. Fundar a pessoa, ajudá-la a conseguir esse solo pessoal, deve ser o grande objetivo dos processos educativos.

Patxi Álvares de los Mozos, SJ

1. Em sua origem a palavra “formar” significa dar uma forma, esculpir alguma coisa segundo um modelo preestabelecido. Os objetos copiados de um mesmo modelo são iguais uns aos outros. As coisas se passam diferentemente quando se trata de pessoas. Não fazemos clones. Cada pessoa é única em seu patrimônio genético, em sua história, a partir das experiências vividas ao longo da vida, história única aos olhos de Deus. Formar uma pessoa significa, antes de tudo, acompanhar seu crescimento humano e, em nosso caso, cristão e franciscano. A formação demanda tempo. Se queimamos etapas o fruto não amadurece. A formação propõe ao formando instrumentos que permitam seu crescimento. Evidentemente a formação é transmissão de conhecimentos, mas ela passa também pela vida. Trata-se de partilhar experiências e viver ou vivenciar encontros. Uma iniciação na oração será fundamental para que tudo seja interiorizado, assimilado. Assim, o processo formativo da pessoa, do cristão e do franciscano é complexo e leva tempo para atingir seu objetivo. Não se resume às tinturas apenas na formação inicial. Deus continua agindo nas pessoas ao longo de sua vida e será preciso vigilância. Daí a importância de uma formação ininterrupta.

2. Será que se pode definir a formação cristã? Trata-se do conjunto de elementos usados para que a pessoas façam aflorar as riquezas pessoais que a vida lhes deu, que venham a fazer um encontro pessoal com o Deus vivo e seu Cristo, que entrem num processo de conversão e de adesão ao espírito do Evangelho. Formação tem a ver com evangelização da pessoa, catequese, acompanhamento espiritual, convite à leitura, iniciação na meditação, capacidade de superar o negativo da vida e respirar, no dia a dia, o espírito do Evangelho. A formação faz com que a pessoa viva o presente com os olhos fitos naquilo que ainda não conseguiu. Leva a tornar a pessoa madura e o cristão, um santo.

3. A formação é um processo que dura a vida toda. É obra que precisa sempre ser retomada. Tem tudo a ver com uma educação permanente. Leva a pessoa a se confrontar com sua verdade pessoal, detectar entraves e curar feridas do passado. Mostra caminhos que levam a uma plena realização do educando como pessoa, dono de sua história, como discípulo do Ressuscitado, como seguidor do jeito de viver de Francisco e suscita o desejo ou a urgência de ser sal da terra, luz do mundo e fermento na massa. A formação nada tem a ver com o incentivo de devocionalismos laterais. Ela será marcadamente cristocêntrica. Formar uma pessoa, no caso de um franciscano secular, é acompanhá-la em seu crescimento humano, espiritual e franciscano. A formação comporta ensino, partilha e oração.

4. Lembramos alguns dos agentes de formação. O primeiro deles é o próprio formando. Os irmãos precisarão ficar atentos à ação do Espírito em sua vida pessoal, na Igreja e na fraternidade. Cada irmão é o primeiro formador de si mesmo. Trata-se de tomar a decisão de caminhar na trilha cristã-franciscana. Leitura, fidelidade aos encontros da fraternidade, busca de orientação pessoal e mesmo de uma direção espiritual. Há o formador e sua equipe. Não é aqui o lugar de traçar demoradamente do perfil do formador: seriedade, competência, vigilância, saber escutar, corrigir fraternalmente… Formadora é a fraternidade com o conjunto dos irmãos que dão o testemunho de busca da santidade. O formando haverá de fazer constantes revisões de vida para ter a certeza de não perder tempo. Formador ainda é o assistente espiritual.

5. Busca-se a formação cristã, segundo as orientações do Documento de Aparecida. Ali, com efeito, se insiste na formação do discípulo missionário: encontro pessoal e profundo com o Cristo ressuscitado; enveredar pela trilha da conversão (caminho penitencial franciscano); ter senso de Igreja; sair em missão. Os formadores franciscanos haverão de fazer de sorte que esses ensinamentos penetrem os irmãos. Não se trata apenas de um empenho a ser feito na formação inicial, mas em todo o tempo da vida (cf. Documento de Aparecida: O processo da formação do discípulo missionário, 276-285, particularmente 278).

6. Desnecessário dizer que vivemos um tempo de instabilidade e de mudanças profundas na sociedade, na Igreja e em nossa Ordem. Ninguém se forma de uma vez por todas. Estamos em estado de mudança e de permanente revisão da formação. Quais as configurações da Fraternidade Franciscana Secular amanhã? Hoje as coisas parecem ter o gosto do provisório. Precisamos aprender a viver na intempérie. José Arregui, OFM refletindo sobre a problemática da vida consagrada aponta para situações que também vivem os seculares. Nosso destino nestes tempos fragilizados de transição e de incerteza é aprender a viver a espiritualidade do êxodo e da intempérie. Nossa atitude de base é de sofrer a incerteza, perseverar na insegurança. Sinal de maturidade é que aprendamos a suportar a perplexidade, sem adotarmos posição de defesa, nem incorrer na resignação e na amargura. É sadio aprender a viver na intempérie, na incerteza sem ceticismo ou desespero. É sinal de maturidade desaprender muitas coisas, deixar cair o que não tem futuro e não ficar aferrados ao passado. É sadio viver abertos e orientados para o futuro de Deus no mundo, na Igreja, na vida consagrada. É sadio, sobretudo, reaprender a simplicidade da confiança simples, a esperança desnudada (cf. José Arregui, OFM, Ante el futuro de la vida religiosa, in Lumen (Espanha), 2001, p. 201-202. Não existe festa de formatura nem diploma para aqueles que fizeram parte da caminhada da formação. Tudo precisa ser refeito. Necessário seguir em frente. Uma palavra forte: coragem. Uma preocupação: procurar águas mais profundas. Nada de mediocridade e superficialidade. Quais as características da Ordem nos próximos anos? Para onde os ventos sopram?

7. Vivemos numa sociedade movediça, que duvida de tudo e de si mesma, que tem visão “desencantada” do mundo, exprimindo muitas vezes indiferença para todos e para com tudo. Vale tudo. As pessoas empurram as coisas para frente sem muita convicção do que estão fazendo. Será preciso ter confiança no futuro. Os cristãos se contentam com certo verniz de religiosidade. Será fundamental descobrir a própria intimidade. As pessoas estão por demais derramadas no exterior. Há perguntas que precisam ser respondidas: Quem sou eu? A quem pertenço? A quem devo satisfações? O que devo ‘perseguir’ em minha vida? O que significa, efetivamente, ser franciscano secular? Fala-se de uma desorientação identitária. Não existimos para sustentar instituições. Um autor escreve: A busca da própria identidade se converteu em nossos dias, talvez, na tarefa vitalmente mais relevante para a qual, no entanto, não nos sentimos preparados. A palavra é personalização. Levar as convicções ao interior. Na formação se busca levar a processos de interiorização que permitam entrar dentro da própria pessoa e extrair dali o fonte de seu ser. Por meio da interiorização se gera e se robustece a pessoa em bases próprias. Esse processo exige ferramentas básicas imprescindíveis: conhecimento e manejo dos próprios sentimentos, certo grau de contemplação, capacidade de conviver consigo mesmo, cultivo da dimensão do silêncio. A fundação da pessoa é feita de pequenos compromissos que devem desembocar num compromisso vital que leva a uma projeto de vida que, por sua vez, leva à identidade. O primeiro e fundamental dos compromissos é ser cristão.

8. Faz parte da formação uma vivência e prática da oração pessoal de intimidade com o Senhor e uma consciente prática da vida litúrgica. Nutriremos uma paixão esponsal pelo Senhor: oração sólida e suculenta, contato carinhoso com a Palavra do Senhor, sentir a presença do Senhor quando dois ou três estão reunidos em seu nome, descoberta de mestres de oração, retiros que sejam acontecimentos espirituais, familiaridade com os salmos, descoberta da meditação. Necessário que os formandos instaurem o costume da leitura espiritual da vida e de um regular exame de consciência. Até que ponto podemos ajudar os formandos a fazerem uma verdadeira experiência de Deus? Neste contexto de iniciação à oração se deveria destacar elementos da vida e da caminhada de Clara. No final da formação inicial os formandos deveriam ter adquirido gosto pela vivência do tempo litúrgico.

9. Tentemos aqui fazer um elenco sumário de valores humanos: maturidade, coragem, clara noção do que vem a ser assumir um compromisso, superar o universo dos melindres e susceptibilidades, capacidade de conviver com o diferente, capacidade de olhar o que se passa à sua volta, senso de admiração diante das coisas e das pessoas.

10. A formação franciscana vai na linha da impregnação dos valores que marcaram Francisco e Clara:

• postura de simplicidade;
• vida despojada;
• sensibilidade para com o fraterno: amar o irmão como uma mãe ama seu filho;
• não querer sobrepor-se aos outros;
• não apagar a ação do Espírito;
• trabalhar e agir sem perder o espírito da santa oração;
• ir pelo mundo e, ao mesmo tempo, ter saudade do eremo;
• exercitar-se na práxis da desapropriação;
• saber extasiar-se diante de coisas simples: a beleza da natureza, a graça de uma criança;
• saber levar as coisas até o fundo do coração;
• saber que estamos convidados a restaurar a Igreja.

11. Queremos aprender a ser irmãos. “A vocação franciscana é um chamamento para se viver o Evangelho na Fraternidade e no mundo (…). A vida fraterna é resultado de um testemunho humilde e simples; depende da disponibilidade pessoal de morrer como o grão de trigo; é a protelação nunca definitivamente atingida, de um constante heroísmo cotidiano. A vida fraterna se realiza quando deixamos de ser indivíduos e passamos a ser pessoas, ou seja, quando se entra em relação, porque a pessoa nasce e se desenvolve nos relacionamentos, na consciência do próprio valor e no valor dos outros, na reciprocidade do dar e receber, no ter cuidados e no confiar-se, na partilha e na gratidão. A identidade pessoal se adquire nos relacionamentos fraternos. À luz destas perspectivas fundamentais se compreende como, para quem quer fazer parte da Ordem Franciscana Secular, a Fraternidade é um dom que deriva da Profissão, de viver com particular atenção, porque os recíprocos relacionamentos de comunhão tornam-se lugar da própria santificação e do testemunho do amor de Deus que revelado e dado em Cristo. Assim, a Fraternidade se torna indiscutível missão. Portanto, como profissionais da paz e do bem, os Irmãos e Irmãs da Penitência vivem no mundo como fermento evangélico, de modo que os homens, vendo sua vida fraterna vivida no espírito das bem-aventuranças tomem consciência de que já começou em seu meio o Reino de Deus” (Manual para Assistência à Ordem Franciscana Secular e Juventude Franciscana, p. 89-92).

12. A formação, desde o começo, insistirá na formação do candidato na linha de um leigo maduro capaz de dar sua contribuição à missão da Igreja. Os franciscanos seculares são leigos com os quais a Igreja pode contar. Na medida do possível precisam organizar seu tempo que possam atuar, ir pelo mundo, ser Igreja em saída. Há tarefas nas paróquias: catequese, preparação dos moços para a crisma e para o casamento, assistência aos doentes e pastoral da esperança. Tem-se a impressão que há certos campos mais aptos para ação de leigos maduros: a própria família e a evangelização da família, educação, desenvolvimento da consciência política. Já no tempo da iniciação e da formação os candidatos são chamados, de alguma forma, a fazerem a experiências do leproso: visitas e certo convívio com os mais pobres, os doente, os presidiários, os rejeitados. Sem a experiência do leproso a formação ficava deficiente.

13. Nossas fraternidades viverão um clima de profunda alegria. A alegria forma: passa confiança, espanta o desânimo. Esta se manifestará na criação de um espaço de beleza-alegria para a realização de nossos encontros ( imagens e estampas, toalhas, tudo que serve ao altar). Haverá a alegria de jovens, de música, dos filhos e netos. Não haverá de esquecer o ensinamento da perfeita alegria.

14. Benedeto Lino: A formação que realiza um formador é transmissão viva de fé, da descoberta pessoal de Deus que nos transformou em novas criaturas, das verdades que nos abriram os olhos e deram sentido à nossa vida, experiência de viver com Cristo e de Cristo, a beleza de nossa vocação comum, ardor de querer realizar o projeto de Deus a nosso respeito. Ela não é de estilo acadêmico; não é cultura, mas cria. Não é constituída de conferências mais ou menos bem elaboradas, mas impessoais. Não consiste no papel de um manual nem nas luzes e movimentos de um audiovisual, nem é catequese embora a suponha.

15. Perfil do formador segundo um documento Potissimum institutioni (Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica): “Bom conhecimento da doutrina católica no que se refere à fé e aos costumes; capacidade humana de intuição e acolhida; experiência de Deus e da oração; sabedoria que seja resultado de atenta e prolongada escuta da Palavra de Deus; amor pela Liturgia e compreensão de seu papel na educação espiritual e eclesial; competência cultural necessária; disponibilidade de tempo e boa vontade para dedicar-se ao cuidado pessoal de cada candidato”.

Conclusão

Formador, equipe de formação, a própria fraternidade vivem estado de formação. José Antonio Merino fala de desafios que franciscanos e franciscanas deverão enfrentar:

• retorno a um Evangelho mais puro, levando em conta suas exigências, vivenciar a mensagem de Jesus Cristo, com coragem e alegria;
• estabelecer diálogo entre ateísmo e religião a partir da perspectiva franciscana;
• oferecer pressupostos para a justiça e paz sociais;
• relançar uma cultura e uma mística ecológicas;
• promover valores humanos que levem à ética da frugalidade.

Bibliografia de apoio:

• O que é a formação cristã, e em particular a formação para nós franciscanos seculares – Benedetto Lino, OFS, CIOFS
• Vocazione specifica per uma missione particolare, Benedetto Lino, OFS, CIOFS
• Qu’est-ce que la formation? Anne Mulqueen OFS e Marie-Odile Blanty, OFS, Curso do CIOFS

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

Capítulo Avaliativo da OFS do Brasil


Em sintonia com a OFS do Brasil coloquemos em oração esse momento especial de avaliação para nossa ordem que será no próximo fim de semana.
 
 
ORAÇÃO DO XXXVI CAPÍTULO NACIONAL AVALIATIVO DA OFS
 
Ó Deus Altíssimo,
Que és o Sumo bem e a plenitude do bem.
Eterna beleza que encantou Francisco, Clara e tantos irmãos e irmã
Dai-nos a graça de reavivar a chama de nossa vocação em nossas 
fraternidades!
Ilumina as trevas de nosso coração, nestes tempos tão desafiadores!
Dai-nos fé verdadeira e comprometida;
Esperança firme e alegre;
Caridade perfeita e misericordiosa;
Para que possamos testemunhar a beleza do amor do Cristo pobre e 
crucificado
Realizando a missão que brota de nossa vocação!
Abra nosso coração para que possamos sempre buscar formar nosso coração
No coração pobre e humilde do Cristo Jesus,
que abrasadoramente tocou e formou o coração de Francisco!
Que assim tocados em nosso interior pelo Espirito e pela beleza do amor 
divino,
Possamos transbordar este amor gratuito, no diálogo e no serviço,
semeando a paz e o bem.



terça-feira, 14 de março de 2017

Papa: aprender a fazer o bem com ações concretas, não com palavras


Cidade do Vaticano (RV) - Depois do retiro de Quaresma, o Papa retomou esta terça-feira (14/03) a celebração da missa na capela da Casa Santa Marta.

Na sua homilia, Francisco indicou o caminho da conversão quaresmal, inspirando-se na primeira Leitura: fazer o bem com ações concretas, não com palavras.

O Profeta Isaías exorta a afastar-se do mal e a aprender a fazer o bem, um binômio inseparável neste percurso. “Cada um de nós, todos os dias, faz algo de mau”, disse o Papa. De fato, a Bíblia diz que “o mais santo peca sete vezes ao dia”. O problema, porém, está em “não se acostumar em viver nas coisas feias” e afastar-se daquilo que “envenena a alma”, a torna pequena. E, portanto, aprender a fazer o bem:

“Não é fácil fazer o bem: devemos aprendê-lo, sempre. E Ele nos ensina. Mas: aprendam. Como as crianças. No caminho da vida, da vida cristã se aprende todos os dias. Deve-se aprender todos os dias a fazer algo, a ser melhores do que o dia anterior. Aprender. Afastar-se do mal e aprender a fazer o bem: esta é a regra da conversão. Porque converter-se não é consultar uma fada que com a varinha de condão nos converte: não! É um caminho. É um caminho de afastar-se e de aprender”.

Portanto, necessita-se coragem para afastar-se e humildade para aprender a fazer o bem que se explicita em fatos concretos:

“Ele, o Senhor, aqui diz três ações concretas, mas existem muitas outras: busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva... mas, ações concretas. Aprende-se a fazer o bem com ações concretas, não com palavras. Com fatos… Por isso, Jesus, no Evangelho que ouvimos,  repreende esta classe dirigente do povo de Israel, porque ‘diz e não faz’, não conhecem a concretude. E se não há concretude, não pode haver a conversão”.


Depois, a primeira leitura prossegue com o convite do Senhor: “Vinde, debatamos”. “Vinde”: uma bela palavra, diz Francisco, uma palavra que Jesus dirigiu aos paralíticos, à filha de Jairo, assim como ao filho da viúva de Naim. E Deus nos dá uma mão para “ir”. E é humilde, se abaixa muito para dizer: “Vinde, debatamos”. O Papa ressalta o modo como Deus nos ajuda: “caminhando juntos para ajudar-nos, para nos explicar as coisas, para nos tomar pela mão”. O Senhor é capaz de “fazer este milagre”, isto é de “nos transformar”, não de um dia para outro, mas no caminho:

“Convite à conversão, afastem-se do mal, aprendam a fazer o bem … ‘Vinde, debatamos, vinde a mim, debatamos e prossigamos’. ‘Mas tenho muitos pecados …’ – ‘Mas não se preocupe: se os seus pecados são como escarlate, se tornarão brancos como a neve’. E este é o caminho da conversão quaresmal. Simples. É um Pai que fala, é um Pai que nos quer bem, nos quer bem, bem. E nos acompanha neste caminho de conversão. Ele nos pede somente que sejamos humildes. Jesus diz aos dirigentes: ‘Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilha será exaltado’”.


Este é, portanto, “o caminho da conversão quaresmal”: afastar-se do mal, aprender a fazer o bem”, levantar-se e ir com Ele. Então, “os nossos pecados serão todos perdoados”.

Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 7 de março de 2017

S. Francisco e as mulheres que marcaram sua vida

dia_070317

Para o Dia da Mulher, umas palavras a partir da experiência de São Francisco. Ele tem uma aguçada sensibilidade muito própria da sua personalidade e espiritualidade. Colocou em sua vida, numa medida exata, o equilíbrio necessário da incessante busca de ser um humano forte. Nele, o masculino e o feminino fraternizam-se. Há a presença histórica de mulheres em sua vida.

Falemos de sua mãe, Jeanne de Boulermont, a mulher que veio da região francesa da Picardia, por isso mesmo conhecida em Assis como Dona Picà, a mulher que veio da distante região dos nobres e cavaleiros. Nela Francisco viveu a intensidade do Amor de Mãe. O amor do cuidado, da compreensão, da prece, da preocupação, das canções ensinadas, da língua francesa, da cortesia, da fineza, da ternura e das múltiplas virtudes. O seu pai era homem de negócios e saiu para trazer para a família a sobrevivência. Sua mãe, mulher da educação e da casa, moldou nele a convivência. Deixou no filho as marcas da nobreza, da fé em Deus, do amor ao próximo, da generosidade, da pureza e mansidão, uma qualificada consanguinidade biológica.

Falemos de Clara de Assis, sua seguidora a partir do Esposo Amado, sua companheira e fundadora do jeito terno e claustral, contemplativo e  acolhedor mosteiro clariano franciscano, raiz de uma exuberante floração. Com ela, Francisco aprendeu a forte presença da busca da perfeição. Entre os dois há troca de projetos comuns, encontros para falar do coração em chama, santa intenção e o cuidado eterno para com a Cruz de São Damião, o lugar da inspiração. Entre os dois um sagrado Amor de contemplação, esponsalício místico, expressão feminina e masculina do Evangelho, oração contínua, comunhão perene, uma transformadora consanguinidade espiritual.

Falemos de sua amiga, Jacoba de Settesoli, com quem viveu a relação da profunda amizade. Jacoba era nobre, rica e caridosa. Dividia virtudes e bens. A grande amizade nas horas da vida esteve presente na hora do Trânsito de Francisco para a eternidade. Na celebração deste maravilhoso rito de passagem não podia faltar a figura desta mulher que trouxe seu doce preferido, o “mostaciolli”, que providenciou também a túnica e os panos que prepararam o sepultamento do amigo. Viu suas chagas e o aconchegou em seus braços na agonia. Uma leiga que viu de perto o mistério e maravilhas realizados pelo Senhor naquele Poverello e depois em sua Ordem. Entre eles, uma fecunda consanguinidade afetiva.

A mãe, Clara e Jacoba deram a sua sonhada Fraternidade o jeito materno de ser, a irmandade e a amizade. São virtudes encarnadas, nascidas de personagens reais. No Dia da Mulher, aprendamos com Francisco que o ser humano masculino e feminino vive na mãe, na esposa, na irmã, e no sonho de colocar sob as asas da proteção e do amoroso cuidado todos os que formavam e formam a sua bela família, a consanguinidade fraterna. Que São Francisco e Santa Clara abençoem todas as Mulheres em seu merecido e celebrativo dia!

francisco_clara_070317_g
Francisco e Clara no filme “Irmão Sol Irmã Lua”, de Zeffirelli


FREI VITORIO MAZZUCO FILHO

segunda-feira, 6 de março de 2017

Feliz dia do Jufrista


Ser jufrista significa ser exemplo de vida para o mundo, ser filho e servo de Deus, ser cristão com todas as forças. 
A Jufra é uma escola de espiritualidade para os jovens e para o mundo; ela prepara seus integrantes para a vida fora da Igreja, segundo a palavra de Jesus Cristo e o exemplo de Francisco de Assis.
Como em toda a família franciscana, o jufrista recebe o nome de irmão e cumprimenta aos outros membros da família com a saudação "PAZ E BEM".

Santa Rosa de Viterbo


Rosa viveu numa época de grandes confrontos, entre os poderes do pontificado e do imperador, somados aos conflitos civis provocados por duas famílias que disputavam o governo da cidade de Viterbo. Ela nasceu nesta cidade num dia incerto do ano de 1234. Os pais, João e Catarina, eram cristãos fervorosos. A família possuía uma boa propriedade na vizinha Santa Maria de Poggio, vivendo com conforto da agricultura.

Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana, ainda muito pequena. Ela era uma criança carismática, possuía dons especiais e um amor incondicional ao Senhor e a Virgem Maria. Dizem que com apenas três anos de idade transformava pães em rosas e aos sete, pregava nas praças, convertendo multidões. Aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, por causa de uma visão em que Nossa Senhora assim lhe determinava.

No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, um herege, que negava a autoridade do Papa e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé, e vários hereges se converteram. Com suas palavras confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais.

Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu.

No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois desta cerimônia a Santa só foi “canonizada” pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada.. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi “canonizada” pelo povo.

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana . No Brasil ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

“O que aconteceria se usássemos a Bíblia como nosso celular?

papa_050317

Cidade do Vaticano – “Durante os quarenta dias da Quaresma, nós cristãos somos convidados a usar a força da Palavra de Deus na batalha espiritual contra o Mal”: esta foi a recomendação feita pelo Papa aos fiéis neste I Domingo de Quaresma, 5 de março.

Antes de rezar a oração mariana do Angelus neste final de inverno chuvoso na Praça de São Pedro, Francisco comentou a passagem do Evangelho de Mateus que narra como Jesus venceu as tentações e artimanhas sugeridas pelo Diabo: com a Palavra de Deus.

Naquela ocasião, Jesus enfrentou o diabo ‘corpo a corpo’. Às três tentações de Satanás para tentar impedi-lo de cumprir a sua missão, Ele respondeu com a Palavra e, com a força do Espírito Santo, saiu vitorioso do deserto.

“Por isso – disse o Pontífice – é preciso conhecer bem, ler, meditar e assimilar a Bíblia, pois a Palavra de Deus é sempre ‘atual e eficaz’.

A Bíblia como o celular

“O que aconteceria se usássemos a Bíblia como usamos o nosso celular? Se a levássemos sempre conosco (ou pelo menos um Evangelho de bolso), o que aconteceria? Se voltássemos quando a esquecemos, se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens em nosso celular, o que aconteceria?. É uma comparação paradoxal, mas faz pensar…”

“Com efeito, concluiu, se tivéssemos a Palavra de Deus sempre no coração, nenhuma tentação poderia nos afastar de Deus e nenhum obstáculo poderia nos desviar no caminho do bem; saberíamos vencer as propostas do Mal que está dentro e fora de nós; e seríamos mais capazes de viver uma vida ressuscitada segundo o Espírito, acolhendo e amando nossos irmãos, especialmente os mais frágeis e carentes, inclusive nossos inimigos”.

Tempo de conversão

Depois de rezar o Angelus e abençoar os fiéis, o Papa lembrou que o caminho de conversão da Quaresma requer de nós muita oração, jejum e obras de caridade. E concluindo, pediu a todos que rezem por ele e seus colaboradores, que durante esta semana estarão em Ariccia, (localidade fora de Roma) fazendo exercícios espirituais. O tema este ano é “Paixão, morte e ressurreição de Jesus segundo São Mateus”.

Ariccia fica a cerca de 30 km a sudeste de Roma. Ariccia é uma pequena localidade situada entre os lagos Albano e Nemi, de pouco mais de 18.000 habitantes e que, assentada entre colinas e afastada da rumorosa capital italiana e da Santa Sé, constitui um lugar propício para a meditação.

Às 16h, o micro-ônibus do Vaticano deixou a Casa Santa Marta com o Pontífice e seus colaboradores com os quais, a partir desta segunda-feira (06/03), seguirá uma rotina marcada pela oração na Casa dos Paulinos Divino Amor.

Até sexta-feira (10/03), o grupo fará nove meditações, missas de manhã cedo, adorações e oração das vésperas, no final da tarde.

Segundo o Frei Giulio Michelini, pregador dos exercícios, haverá ‘muita atualidade’ em suas meditações, como temas ligados à família, aos pobres, às pessoas que vivem na provação. Entrevistado pelo jornal L’Osservatore Romano, o frade revelou que seus textos não serão limitados a reflexões evangélicas, mas conterão referências a obras de Amos Oz, Franz Kafka e outros.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/