sábado, 31 de dezembro de 2016

Dezembro 2016

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

No mês de dezembro aconteceu na Igreja das Chagas a 2ª Exposição Internacional de Presépios com a organização de Wilson J Silva. A abertura aconteceu no dia 04/12 (1º domingo), contamos com a apresentação do coral infanto juvenil coordenado pela cantora lírica Joana Matera. E a missa foi animada pelo coral MOP (Movimento Pró Idoso). O encerramento da exposição ocorreu no dia 23/12/16. Com mais de 450 visitantes a exposição estava muito bonita.

No terceiro domingo dia 18, na santa missa celebramos o Jubileu de Prata de Profissão dos irmãos José Martiniano Souza e Rosalina Marques dos Santos.  E após todos os professos renovaram o compromisso da Profissão na Ordem Franciscana Secular.

Ao final aconteceu nossa confraternização de natal com o café festivo no refeitório da fraternidade.

Desejamos aos colaboradores na exposição de presépios, especialmente ao Wilson muitas bênçãos e graças de Deus nas dificuldades vivenciadas pela fragilidade de sua saúde nestes tempos difíceis.

Que Deus em sua infinita bondade e misericórdia conceda aos irmãos que renovaram pela 25ª vez a Profissão na Ordem Franciscana Secular e todos os professos da Fraternidade a perseverança na caminhada franciscana no meio do mundo.

Desejamos também aos nossos leitores muitas bênçãos e graças de Deus em suas famílias, trabalhos e ações pela paz e justiça e nos cuidados com a Criação.

Que o ano de 2017 traga a Paz ao mundo inteiro.

Por tudo Deus seja louvado!
Fraternalmente,

Maria Nascimento   



















sábado, 24 de dezembro de 2016

Saborear com Júbilo e alegria a Festa das Festas



Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM

Caríssimos irmãos e irmãs,
Que o Senhor nos dê a Paz e todo o Bem!

As Fontes Franciscanas exaltam a sensibilidade e a ternura com que São Francisco de Assis se prepara para celebrar a Natividade do Senhor. E entre tantas razões que justificam esses preparativos, três me parecem de fundamental importância porque vão ao encontro do seu desejo principal e plano supremo de observar o Santo Evangelho: “Imitar com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo”; “Lembrar a humildade de sua encarnação” (cf. 1Cel 84); “Celebrar com incrível alegria, mais que todas as outras solenidades, o Natal do Menino Jesus, pois afirmava que era a festa das festas, em que Deus, feito um menino pobrezinho, dependeu de peitos humanos” (2Cel 199).

O Mistério do Natal começa com a dedicação que se deve dar ao tempo de preparação para acolher Aquele que está por vir: é o Advento do Senhor! Por isso esse tempo de expectativa e de espera da “festa das festas” exige muita atenção, esforço, dedicação e fervor. Ainda hoje me recordo, quando criança, a tamanha ansiedade com que aguardávamos em família a chegada do Menino Jesus (não do Papai Noel). Era muito natural contar os dias que faltavam para o Natal. E assim, a cada dia que passava e noite que chegava, até bem mais comportados do que qualquer outra época do ano, a ‘fome da festa’ crescia como se quiséssemos sentir em nós a célebre expressão de Cícero, mesmo sem dele nunca ter ouvido falar: “O melhor tempero da comida é a fome”.

Sentir fome, aguardar com ansiedade, preparar-se para acolher, endireitar o que não é reto, justo e virtuoso nos caminhos da paz e da fraternidade, são exigências penitenciais desse Tempo do Advento. As grandes figuras bíblicas, de modo especial o profeta Isaías, São João Batista, São José e a Virgem Maria, ajudam-nos a fazer do nosso tempo do Advento um itinerário espiritual que nos fala de acolhida, alegria, consolação, conversão, esperança, humildade, justiça, libertação, oração, pobreza, respeito e vigilância.

São estes os ingredientes necessários que realmente nos fazem ‘sentir fome’ para o grande dia da “festa das festas” do Menino Jesus, e participar da grandeza e da fartura do banquete que o Senhor Deus nos preparou na gruta de Belém. Felizes os pobres pastores, sedentos e famintos, que naquela noite da “festa das festas” saborearam do banquete da humildade e da pobreza oferecido misericordiosamente por Deus a todos os famintos da terra. Porque a outra festa, a do ‘papai noel’ do consumismo e das exigências dos enfastiados e insensíveis porque nunca experimentaram a fome, se desenrola no palácio de Herodes por personagens que preferem o tempero das essências sofisticadas e que, infelizmente, levou Herodes e comparsas a perder o sabor daquele que nasceu para nós como Pão da vida e sem fermento e a nós se apresentou como Sal da terra e Luz do mundo.

São Francisco de Assis, ao rezar o Evangelho da Encarnação do Filho de Deus, quer imitar a pobreza e a humildade do Filho de Deus na gruta de Belém e compreende que estas duas virtudes são pontos de partida para contemplar a riqueza do Amor divino. Festejar o Natal é celebrar com incrível alegria o Amor que dá sentido e sabor à vida! Por isso, “precisamos recordar com todo respeito e admiração, o que fez no dia do Natal, no povoado de Greccio” e o que lá sucedeu quando “aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação”, quando homens e mulheres do lugar foram chamados, quando a noite foi iluminada com tochas e “Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recordando a humildade” (cf. 1Cel 84-85).

A pobreza e a humildade, tão próximas à visão que teve do “menino exânime no presépio” (1Cel 86), na verdade brilham para São Francisco como “glória de Deus aos homens por ele amados” (Lc 2,14), capaz de saciar plenamente a todos os que se prepararam para ter fome na noite da “festa das festas”. Afinal, a própria Serva da festa maior, Mãe do Senhor recolhida silenciosamente na gruta de Belém, magnificamente preconizou isso no seu Cântico: “Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1,52-53).

Que o tempero da fome, provocado em nós neste tempo do Advento, nos leve a saborear com júbilo e alegria a “festa das festas” e contemplar a apropriada visão retratada por Tomás de Celano: “O menino Jesus tinha sido relegado ao esquecimento nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória deles” (1Cel 86).

Natal, a “festa das festas”, é “o dia que o Senhor fez” e nele Francisco reza: “Pois naquele dia Deus nosso Senhor concedeu a sua misericórdia, e de noite ressoou o seu louvor. Pois foi-nos dado um Menino amável e santíssimo, nascido por nós à beira do caminho e deitado numa manjedoura, porque não havia lugar na estalagem. Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Alegrem-se os céus, rejubile a terra, ressoe o mar com tudo o que contem…” (OfP 15, 3-10). Por isso Francisco queria que naquele dia “os pobres e esfomeados fossem saciados pelos ricos, e que se concedesse uma ração maior e mais feno para os bois e os burros… e que se jogassem pelas ruas trigo e grãos, para que nesse dia solene tenham abundância até os passarinhos, e principalmente as irmãs cotovias” (2Cel 199).
E desde agora desejo a você os melhores votos de um abençoado Natal e todas as bênçãos do Senhor para o Ano Novo.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

GS: A missão da Igreja no mundo de hoje


Cidade do Vaticano (RV) - No nosso Espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II - vamos tratar no programa de hoje do terceiro elemento da Gaudium et Spes, a missão da Igreja no mundo de hoje.

Na Gaudium et Spes elaborou-se uma reflexão sobre a relação entre a história da salvação e a história humana, abandonando definitivamente a tentação da competição com a sociedade civil e respeitando a autonomia da sociedade terrena, enquanto a Igreja realiza sua contribuição de acordo com a sua finalidade religiosa e, por isso, ela não é de ordem política, econômica ou social. Dentro dessa relação com a história é que se pode perceber a relação entre eclesiologia e Doutrina Social Cristã.

A relação entre a história da salvação e a história humana, foi o segundo elemento da Constituição Gaudium et Spes abordado pelo Padre Gerson Schmidt, que no programa de hoje, nos fala sobre um terceiro elemento: a missão da Igreja no mundo de hoje:

"Estamos pontamos os três elementos na Gaudium et Spes, relacionados com a Lumen Gentium. O primeiro elemento é a concepção de Igreja, que situa o documento no âmbito doutrinal; o segundo elemento é a relação entre a história da salvação e a história humana; o terceiro elemento é a missão da Igreja no mundo de hoje.

Já aqui aprofundamos os dois primeiros pontos. Comentemos aqui hoje esse terceiro elemento - a missão da Igreja no mundo de hoje – objetivo propriamente dito da Constituição Pastoral Gaudium et Spes. Tal é o título do documento, que, por sua vez, lhe dá o tom e traça o percurso da Igreja no mundo de hoje.

A segunda parte do Constituição Gaudium et Spes propõe um diálogo com o mundo contemporâneo sobre problemas concretos vividos pelos homens e pelas mulheres da época, sob o prisma, é verdade, de uma nova concepção de Igreja. Ela própria é a propiciadora dessa abertura, que a capacita a ouvir – como são as palavras iniciais do documento - “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as alegrias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem” (Palavras de abertura da Gaudium et Spes, do número 1 da Constituição). 

Ou como são as palavras conclusivas da Gaudium et Spes: “Em virtude de sua missão de iluminar o mundo inteiro com a mensagem de Cristo e de reunir em um só espírito todos os homens, de qualquer nação, raça ou cultura, a Igreja constitui um sinal daquela fraternidade que torna possível e fortalece o diálogo sincero” (Gaudium et Spes, 91). Ou ainda como diz claro no número 40 dessa constituição que define a missão da Igreja: “Deste modo, a Igreja, simultaneamente ‘agrupamento visível e comunidade espiritual’, caminha juntamente com toda a humanidade, participa da mesma sorte terrena do mundo e é como que o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus”.

Portanto, a Igreja dever ser fermento e alma da sociedade humana – essa sua missão, essa sua tarefa, como é intitulado o quarto capítulo: O PAPEL DA IGREJA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. Não é alma da sociedade humana para legitimar simplesmente a sociedade como está, mas a frase se completa na GS: o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus. Ou seja: não podemos nos contentar com a sociedade humana como tal, mas transformá-la em família de Deus por Cristo.

O hino de São Paulo aos Efésios é aqui importante ser lembrado Canta o hino que Deus nos “deu a conhecer o mistério de seu plano e sua vontade que propusera em seu querer benevolente na plenitude dos tempos realizar: o desígnio de em Cristo reunir todas as coisas: as da terra e as do céu” (cf Ef.1,9-10). A tradução atual, rezada na Liturgia das Horas, na impressão brasileira, é muito pobre, quando usa o verbo “reunir”, quando no texto original a tradução mais correta é “recapitular”. É muito diferente dizer que o desígnio de em Cristo é capitular todas as coisas, as da terra e as do céu. Recapitular é fazer com que Cristo-cabeça recomponha, refaça, renove, reconfigure tudo nele, a partir dele, sem o qual nada foi feito, sem o qual nada será redimido.

O papel da Igreja no mundo é recapitular tudo em Cristo, toda a história humana, transformando e renovando tudo em Cristo, transformando as relações e realidades humanas não simplesmente em sociedade qualquer, mas numa família de Deus, numa grande fraternidade e solidariedade universal. Só em Cristo que a Igreja encontra sua missão. É na sua páscoa que a humanidade encontrará sua vocação e seu destino último. A humanidade caminha para Deus, para a renovação e recapitulação de tudo em Cristo".

Fonte: http://br.radiovaticana.va/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Falece Dom Paulo, o Cardeal da Esperança


Aos 95 anos, faleceu nesta quarta-feira (14/12, Festa de São João da Cruz) o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo. Ele estava internado no Hospital Santa Catarina em decorrência de uma broncopneumonia.

“Comunico, com imenso pesar, que no dia 14 de dezembro de 2016 às 11h45, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo, entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”, informou o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em nota divulgada hoje às 13 horas. “Louvemos e agradeçamos ao “Altíssimo, onipotente e bom Senhor” pelos 95 anos de vida de Dom Paulo, seus 76 anos de consagração religiosa, 71 anos de sacerdócio ministerial, 50 de episcopado e 43 anos de cardinalato. Glorifiquemos a Deus pelos dons concedidos a Dom Paulo, e que ele soube partilhar com os irmãos. Louvemos a Deus pelo testemunho de vida franciscana de Dom Paulo e pelo seu engajamento corajoso na defesa da dignidade humana e dos direitos inalienáveis de cada pessoa. Agradeçamos a Deus por seu exemplo de Pastor zeloso do povo de Deus e por sua atenção especial aos pequenos, pobres e aflitos. Dom Paulo, agora, se alegre no céu e obtenha o fruto da sua esperança junto de Deus!”, acrescentou D. Odilo, convidando a todos a elevarem preces de louvor e gratidão a Deus e de sufrágio em favor do falecido Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e  também a participarem do velório e dos ritos fúnebres, que serão realizados na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Em nota, a Arquidiocese informou que o FUNERAL terá início às 19h desta quarta-feira (14), e o SEPULTAMENTO ocorrerá na sexta-feira (16), após a missa das 15h, presidida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. Durante o funeral, acontecerão missas a cada 2 horas. 

MISSA DOS FRANCISCANOS

A Missa dos Franciscanos pela alma de Dom Paulo será às 10 horas, de sexta-feira (16), na Catedral da Sé. 

A história deste franciscano se confunde com a história da cidade de São Paulo e com a história do país. Foi o 5º Arcebispo e 3º Cardeal de São Paulo, permanecendo 32 anos como bispo na Arquidiocese de São Paulo e 43 anos como Cardeal. No dia 2 de julho de 2016 celebrou na Catedral da Sé os 50 anos de sua Ordenação Episcopal.

Estudou na Universidade Sorbonne de Paris, onde formou-se em Patrística e Línguas clássicas. Foi professor e mestre dos clérigos, diretor do CIC e jornalista profissional. Trabalhou como vigário nos subúrbios de Petrópolis, onde era amigo das crianças e dos pobres dos morros, quando foi indicado bispo auxiliar de Dom Agnelo Rossi, no dia 02/05/1966 e sagrado em 03/07/1966, como bispo titular de Respecta.


Atuou intensamente na Região Norte de São Paulo. Foi nomeado Arcebispo de São Paulo no dia 22/10/1970, tomando posse dia 01/11/1970.
Perante o núncio apostólico, 28 bispos e arcebispos, diante do governador, do prefeito e cerca de cinco mil fiéis, Dom Paulo tendo a mãe presente, Sra. Helena Steiner Arns, com 76 anos, e seus quatorze irmãos, fez comovente exortação:

“Venho do meio do povo desta Arquidiocese a que já pertencia, do clero a quem amo e de quem sou irmão, dos religiosos que comigo se esforçam para serem sinal e esperança dos bens que estão para chegar, dos leigos que entendem o serviço aos irmãos como tarefa essencial de sua existência.”

Ao longo de sua trajetória, trabalhou como jornalista, professor e escritor, tendo publicado 57 livros. Durante a Ditadura Militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já.

Ganhou projeção na militância em janeiro de 1971, logo após tornar-se arcebispo de São Paulo, e denunciar a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini.

No mesmo ano, apoiou Dom Hélder Câmara e Dom Waldyr Calheiros que estavam sendo pressionados pelo regime militar.

Em 1972 criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e, como presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderou a publicação do “Testemunho de paz”, documento com fortes críticas ao regime militar que ganhou ampla repercussão à época.

Presidiu celebrações históricas na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em memória de vítimas da Ditadura Militar. Dentre eles, do estudante universitário Alexandre Vannucchi Leme, assassinado em 1973, e o ato ecumênico em honra do jornalista Vladimir Herzog, assassinado no DOI-CODI, em São Paulo, em 75.

Atuou contra a invasão da PUC em 1977, em São Paulo, comandada pelo coronel Erasmo Dias, à época secretário de Segurança, e a operação para entregar ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, uma lista com os nomes de desaparecidos políticos.

Também teve papel importante em favor das vítimas da ditadura na Argentina, em 1976. O ativista de direitos humanos argentino Adolfo Perez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, disse que foi “salvo duas vezes” por Dom Paulo Evaristo Arns durante a ditadura no Brasil.

Em 1980, acompanhou a primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Em São Paulo, João Paulo II falou no estádio do Morumbi para 200 mil operários.

Em 1985, criou a Pastoral da Infância, com o apoio de sua irmã, Zilda Arns, que morreu no terremoto de 2010 no Haiti, onde realizava trabalhos humanitários.

Em 28 anos de arcebispado, criou 43 paróquias, construiu 1200 centros comunitários, incentivou e apoiou o surgimento de mais de 2000 Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na capital paulista.

Por seus feitos, recebeu inúmeros prêmios e homenagens no Brasil e no exterior. Dentre eles, o Prêmio Nansen do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Prêmio Niwano da Paz (Japão), e o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos (EUA), além de 38 títulos de cidadania.

Sua biografia foi relatada em dez livros, sendo o mais recente lançado em outubro deste ano, no Tuca, teatro da PUC, na Zona Oeste de São Paulo, durante uma homenagem pelos 95 anos de Dom Paulo.

Passou os últimos anos de sua vida entre orações, leituras e assistência aos idosos, recebendo ainda inúmeras homenagens, entre as quais a da presidente Dilma Roussef que, em 18 de maio de 2012, foi visitá-lo na Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, da Congregação das Irmãs da Ação Pastoral, que cuidaram de Dom Paulo desde que se tornou cardeal emérito. Dom Paulo residia em Taboa da Serra (SP).

Frei Diego Melo, coordenador do SAV (Serviço de Animação Vocacional), esteve com Dom Paulo na última semana e partilhou um pouco deste momento em seu perfil no Facebook:


“Há dois dias atrás visitei a Dom Paulo na UTI do hospital. Embora já não demonstrasse consciência, chamou-nos atenção que no momento em que Frei Mário e eu rezamos e demos a benção, ele mostrou uma certa reação, fazendo-nos entender a sua participação naquela hora. Mas o que realmente mais me marcou, foi vê-lo segurando fortemente a sua cruz peitoral. Fiquei por uns instantes segurando a sua mão que abraçava aquele Cristo que por tantos anos ele carregou não só peito, mas principalmente nas suas atitudes e no seu coração, agradecendo a Deus e a Dom Paulo pelo testemunho de amor e doação como frade menor. Tenho certeza de que esse mesmo Cristo a quem ele tanto amou durante a sua vida, a quem ele tanto serviu na pessoa dos mais pobres, e a quem ele se agarrou até o último instante de sua vida terrena, já o acolheu no seu abraço caloroso e misericordioso. Descanse em paz, Dom Frei Paulo Evaristo Arns.”

odilo



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Imaculada Conceição da Virgem Maria


A presente festa celebra a fé da Igreja, de que Maria não conheceu o pecado original, para que fosse digna Mãe do Filho de Deus. Esta intuição, porém, não é apenas mariológica, mas também eclesiológica e escatológica, no sentido de que Maria antecipa, assim, o estado de inocência ao qual todos somos chamados (2ª leitura); ela é a primícia da Igreja, que, como ela, deve realizar a figura da “esposa sem ruga nem mancha” do esposo escatológico – embora seus membros, na atualidade terrestre, não sejam bem assim.

Maria é, portanto, a única exceção da participação universal do pecado, que reina desde o pecado de Adão, o “pecado das origens” (pecado original). Nela e em sua prole, a Igreja viu a plenitude daquilo que está prefigurado em Gn 3,9-15 (1ª leitura): a mulher e sua descendência, pisando aos pés a cabeça da serpente, encarnação da tentação pecaminosa. Assim, Maria é a nova Eva, conforme a exegese alegórica dos Santos Padres: “Ave, Eva”.

O importante, porém, é interpretarmos o dogma da Imaculada Conceição como uma realidade teológica e soteriológica. “Achaste graças diante de Deus” (Evangelho). Quem quis Maria sem pecado foi Deus. Assim como a nossa participação no pecado da humanidade não é algo que queremos, propriamente, assim também a liberdade de Maria com relação ao pecado não é obra sua, mas de Deus, ainda que ex praevisis meritis. Ou, em outros termos, na indescritível variedade de situações humanas, realizou-se também – assim acreditamos – a realidade de uma existência não manchada pela solidariedade pecaminosa do pecado original, situação realizada por Deus e vivida por Maria como vocação específica de dar ao mundo o Filho de Deus. A graça que Maria recebeu é, ao mesmo tempo, sua missão. E conhecemos a resposta de Maria: “Eis a serva do Senhor” (evangelho). Torna-se assim intimamente solidária com aquele que será o Servo por excelência.

O mistério da Imaculada Conceição é o mistério da perfeita pertença à santidade de Deus, que é o núcleo também da santidade da Igreja e o futuro ao qual todos nós somos chamados. Em Maria, este futuro já é passado. Por isso, o prefácio de hoje a chama de “primícias da Igreja”.

Observemos ainda que ninguém se pode deixar confundir pela mensagem principal do evangelho de hoje, escolhido por causa das frases acima destacadas. Na realidade, este evangelho não narra a Imaculada Conceição de Maria, que não vem afirmada tal qual na Bíblia, mas é uma intuição da fé da Igreja. O evangelho narra a vocação de Maria para ser mãe do filho de Deus, pela força do Espírito Santo (e em vista disso, acreditamos, ela mesma foi concebida e nasceu sem a mancha que acompanha toda a humanidade). Há pessoas que confundem Imaculada Conceição com Maternidade Virginal. São duas coisas bem distintas, e a confusão talvez provenha de um (inconsciente) sentimento de culpabilidade do ato procriador humano. Colocam na mesma linha Maria permanecer virgem na concepção de Jesus e ela mesma ser sem pecado, como se fosse pecado conceber um filho sem permanecer virgem … Será útil esclarecer ao povo que a concepção de Maria mesma (por sua mãe Ana) não foi virginal, mas, ao ser concebida por Ana, Maria não ficou marcada pelo pecado de Adão. (Virginal, sim, foi a concepção de Jesus por Maria.)

Os cantos insistem no misterioso júbilo (canto da entrada) e no agir gracioso e gratuito de Deus (salmo responsorial). Este último tema merece atenção especial. Uma das razões por que certas pessoas se sentem constrangi das diante do dogma da Imaculada Conceição é o fato de Maria se tomar assim uma exceção. Não aguentam outra pessoa ser melhor e mais inocente do que elas próprias. Todos nós incorremos facilmente no perigo de tal inveja. Não aceitamos que Deus faça exceções, nem mesmo para o bem de todos. Não aceitamos que Deus saia da regra, que ele faça algo realmente gratuito, que não precisava ser assim, conforme a regra geral. E, contudo, é na graça – naquilo que é gratuito, não obrigatório – que Deus se manifesta. Aceitar que Maria, desde o início, foi melhor do que nós, talvez nos ajude a aceitar que também outras pessoas possam ser melhores do que nós mesmos.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Carta Advento 2017

São Paulo, 27 de novembro de 2016.



Caríssimos irmãos,


Advento! É ir ao encontro do Deus que vem!

Natal é a origem da luz! Na fragilidade de uma criança temos a força da salvação e a luz que se irradia para percorremos o caminho. Quem se encontra com Deus, usufrui dessa luz, quem tem a luz, não tem mais medo! Deus vem em nossa direção através do outro cujo rosto não conhecemos.

Advento é tempo de vigilância. Tempo de se comprometer com a vida, com a nossa vocação. É tempo de decidirmos agora, qual o caminho que queremos seguir, para que alcancemos nosso objetivo que está lá adiante, pois no fim será ratificado o que fizemos neste mundo.

Vamos examinar nossas consciências, sairmos da rotina, buscarmos o silêncio, a quietude para nos esvaziarmos de tantas inutilidade em nossas mentes e corações e darmos espaço para o Menino Deus que vem nos iluminar com sua luz.

E para melhor refletir, transcrevo a crônica de Frei Isidro Pereira Lamelas, ofm, que numa linguagem leve e divertida nos ajudará na preparação deste Advento.

Que o menino das Palhas os abençoe.



Antonio Julio Martins
Ministro Regional



Primeira Conferência dos Animais do Presépio

Os animais do presépio resolveram reunir-se, para celebrar 2016 anos de serviço assíduo como figurantes no cenário da noite de Belém.

Depois de terem acertado que seria o galo a moderar o encontro, este começou por saudar todos os presentes, recordando a singular hora que era para todos, o fato de o Rei dos Reis ter nascido entre os animais que, mais uma vez, se reuniam no presépio, para celebrar a noite mais importante das suas vidas. Logo em seguida, exortou a que cada um falasse da sua experiência naquela noite e do que resta desse acontecimento em nossos dias.

Teve então início o seguinte colóquio de que tomou nota o próprio galo que, com pena fiel, ia redigindo tudo o que se passava e dizia.

- Para ti, cachorro, o que foi e o que significa o natal? Perguntou o galo àquele que dizem ser “o melhor amigo do homem”.

- Lembro-me como se fosse hoje, daquela noite mágica em que tudo parou para contemplar uma estrela especialmente luminosa. Nessa noite nem eu nem as ovelhas do rebanho que estavam a meu cuidado sentimos frio; pressentíamos, isso sim, que algo de extraordinário estava para acontecer e que tudo ia mudar para melhor. Mas passaram os anos e os séculos, e o natal continua a ser para muitos uma noite fria em que muitas “ovelhas sem pastor” continuam a dormir ao relento, por não haver teto nem lugar para elas. Fico triste ao ver que o lobo continua a aterrorizar o cordeiro e a onça não deixa dormir sossegados, os cabritos. E aqueles que se consideram animais mais racionais do que nós, continuam a comportar-se pouco razoavelmente: gostam muito que sejamos seus “fiéis amigos”, mas não são amigos fiéis uns dos outros. Organizam conferências para melhorar o clima da terra, mas não se preocupam muito em melhorar o clima humano que em Belém nos foi prometido.

- Estou totalmente de acordo - interrompeu o galo, para evitar que o cachorro, conhecido por gostar de ficar com a língua de fora, se alongasse. E, como nunca gostou de ser o último, logo aproveitou para dar seu testemunho:

- Recordo que eu fui dos que assisti mais de perto a esse acontecimento singular. Coube-me mesmo o privilégio de servir de sentinela no estábulo em que o Salvador nasceu. E foi algo de inenarrável: por toda a parte se ouviam melodias que mais pareciam vir do céu, nesse dia resolvi não dar o habitual sinal de alvorada, para não acordar aquele encantador Menino, mas também porque tanto desejava que aquela noite nunca acabasse e a magia e paz daquele Menino se prolongassem pelos séculos. Mas não foi o que aconteceu. Muitos o ignoraram, alguns negaram-no antes do cantar do galo, outros até reconhecem que “outro galo cantaria” se o natal não fosse um dia. Mas todos querem é o poleiro e estar acima dos demais. Muitos cantam de galo com o papo cheio, enquanto outros passam fome; tantos são vítimas de injustiças que bradam aos céus e nós calamos o bico. E mesmo os que se dizem mais piedosos, confundem frequentemente a Missa do Galo com o galo da mesa. Por isso e lamentavelmente é que o Natal é uma noite como as outras, em que as raposas matreiras continuam a rondar as capoeiras e a ameaçar os mais fracos e inocentes. E o pior é que já ninguém escuta o nosso canto matinal, para não despertarem das trevas em que vivem…

Foi então a vez da ovelha mais velha entrar na conversa.

- Eu não gosto muito de falar, pois, como se diz no rebanho, “ovelha que berra, bocada que perde”. Mas sobre aquela noite não posso realmente calar. Todas as do nosso rebanho nunca mais esqueceremos. Foi tal a emoção que, a certa altura demos conosco a balir a mesma melodia dos anjos e a doces palavras “Menino de Belém”. Foi uma experiência de paz única. Pela primeira vez na nossa vida sentíamos que, afinal, não havia ovelhas “com defeito” nem mais haveria ovelhas perdidas. Mas tenho que confessar que os Natais de hoje estão muito longe daquilo que outrora sonhamos. Continua a haver discriminação entre as ovelhas “negras” e as que se consideram de melhor raça; continua a haver ovelhas que são tosquiadas e levadas ao matadouro sem direito de defesa; cordeiros inocentes que não têm voz nem vez são devorados pelos lobos que atacam sempre os mais fracos; há entre nós muitas feridas e sofrimentos que ninguém cuida nem cura; muitos dos pastores que dizem servir o rebanho, servem-se é dele como ditadores que, em vez de cuidar das suas ovelhas, as exploram quanto podem. Ora isto não tem realmente nada a ver com o que aquela noite prometia.

Foi então que, do meio do rebanho, se ouviu a voz grave do carneiro, que estava ansioso por marcar a sua posição hierárquica:

- Por mim, acho que estamos muito pessimistas. Temos que ser práticos e realistas. Afinal o mundo sempre foi assim: uns são mais fortes, outros mais fracos; uns mandam, outros obedecem; uns dão a lã, outros tosquiam, uns vendem outros compram; uns têm mais, outros menos… O mundo está feito assim e não é uma numa noite especial ou da noite para o dia que isso se vai alterar. Por mais que nos custe, “bodes expiatórios” sempre existiu e continuará a existir. Portanto, desfrutemos a poesia do natal possível já que aquele que os profetas prometeram não é para este mundo nem é para nós.

E tu, camelo, que estás tão calado, tu que és tão viajado, o que é que tens para nos contar sobre o natal? Perguntou o carneiro na esperança de encontrar uma voz concordante com o seu depoimento.

- Estava mesmo ansioso para entrar na conversa, pois vejo-vos todos muito pessimistas.

- Para mim, o Natal é uma época muito legal: grandes viagens, carregar presentes daqui para ali, caravanas e filas nas estradas e nas lojas dos presentes. É um stress e cansaço danado, mas ajuda a esquecer os maus momentos da vida. É verdade que ultimamente querem nos substituir por umas renas incompetentes ao serviço de um intrometido velho barbudo. Mas é, como se diz agora, a concorrência da globalização. A nós camelos, ninguém nos tira o privilégio exclusivo de ter levado os Magos ao curral de Belém com os mais valiosos presentes do mundo. Só lamento que muitos continuem a não perceber que estamos todos fazendo a mesma viagem, independentemente da cor, raça ou cultura que transportamos conosco. Mas, com paciência, lá chegaremos!

Por falar em curral - moderou o galo – há aqui alguém que, de certeza, terá muito que contar: refiro-me aos nossos amigos burro e vaca que assistiram a tudo muito de perto. Ninguém como vós, com certeza, nos pode falar do Natal!

Ao ouvir, a vaca despertou do seu ar meditativo para proferir a opinião que ia ruminando à medida que escutava a conversa dos outros animais:

- Para mim o Natal é uma noite muito especial e cheia de memórias muito alegres: Nunca poderei esquecer a beleza e bondade daquele Menino que, ao nascer no nosso estábulo, nos veio ensinar que para todos deve haver um lugar digno neste mundo. Ele nasceu na nossa manjedoura para ser alimento para todas as vidas e para que a nenhum ser vivo falte o alimento. Porém, ao mesmo tempo, também ando muitas vezes com este ar triste por lembrar que continua a haver quem passe fome, quem não tenha um teto, quem não encontre amigos dispostos a aquecer suas noites frias… e ainda por cima nos chamam a nós “vacas loucas”! Mas logo me alegro ao pensar que tão ilustre Menino nasceu realmente entre nós, na nossa manjedoura, no coração da nossa vida. É pena que nem todos o reconheçam como nós o conhecemos, o nosso dono; lamento que em vez de arados se continuem a fabricar armas; é triste que o bezerro e o leão não possam conviver em paz e que a vitela e a ursa não possam pastar juntas. Tantas vezes dou comigo a ruminar porque é que, se aqui no Presépio todos convivemos em harmonia e respeito, ainda se constroem muros de separação entre nós, porque não sabemos conviver em paz. De qualquer modo, sinto-me muito feliz por poder partilhar o meu feno com o burro, e aquecer com minha companhia as noites frias dos que nos batem à porta.

Chegou então a vez do burro que, mantendo o seu ar meditativo, sussurrou:

- Eu só tenho dizer bem do Natal e não me importo nada de passar por “burro” todo o ano só para ter este lugar de destaque no Presépio e na bela história do Natal. Não compreendo porque tantos se lamentam pelo “peso” da vida, pelos trabalhos e cargas que ela implica. Eu, que não me considero mais inteligente que os outros, há muito percebi que o verdadeiro significado do Natal é o Menino que nasceu na manjedoura e não me venham dizer que é “burrice” saber distinguir a palha do grão ou os embrulhos do presente de Deus que é esse Menino, que assim nasceu para nos dar uma grande lição: Se depois de tantos séculos o Presépio continua a ser a mais bela representação da vida e da criação, então esse Menino deve estar não apenas nas Igrejas, mas nas mesas e nos altares de todas as criaturas de boa vontade.

E como a hora se ia adiantando, o galo retomou a sua tarefa de moderador para concluir, com o seguinte comunicado final para enviar a todo o reino animal:


- Parece realmente verdade que o Natal não é bem como Jesus quis, ou como todos nós desejávamos. Talvez por isso, o Filho muito amado do nosso Criador quis nascer entre nós suas criaturas, ainda que dotadas de pouca razão. Afinal que adianta ter razão quando não se usa! Seja como for, para o ano e todos os anos aqui estaremos de novo nesta quadra de Natal para mostrarmos aos outros animais que se julgam mais racionais: Primeiro, que o Menino que vimos nascer em Belém não gosta muito de vitrines nem de presentes que não sejam naturais; segundo, que Ele não está à venda no mercado das religiões, nem é marca registrada de ninguém. Na verdade, Ele é o “Deus entre nós”, que se dá de graça a todos e mormente: a quantos O acolhem com a alegria das aves e dos anjos; aos que O buscam com a fidelidade e o afeto dos cachorros e dos pastores de rebanhos e de sonhos; a quantos O imitam com a mansidão dos cordeiros e dos servos de Javé; aos que O seguem com a bondade laboriosa dos jumentos e dos que carregam os fardos do próximo; e aos que O anunciam com a paciência e itinerância dos camelos e peregrinos de longos caminhos.

domingo, 27 de novembro de 2016

Advento, tempo de desacelerar

Frei Gustavo Medella

Já é Natal na… (não vou dizer o nome da loja para não fazer merchandising gratuito). E assim começam as propagandas no rádio, TV, internet, outdoors, cartazes, com lâmpadas, bolas, árvores e bonecos de neve que não derretem sob os 40ºC do verão brasileiro. É hora de pensar em presentes, compras, 13º (menos para quem é funcionário do Estado do Rio), viagens, festas, cardápios, sobremesas, roupas. As pessoas ficam em polvorosa, sentem-se ansiosas, têm a impressão de sempre estarem atrasadas, correm, suam e se cansam porque em toda parte as cores e os sons anunciam insistentemente que “Já é Natal”.

Calma… Não precisamos necessariamente entrar neste frenesi, que faz lembrar o dilúvio do tempo de Noé, ao qual Jesus faz referência no Evangelho deste 1º Domingo do Advento (Mt 24,37-44). Aliás, quando nos deixamos levar por esta roda viva da publicidade e do mercado corremos o grave risco de não perceber que o Senhor vem, mas vem discreto, simples e de mansinho, afinal ele vem Menino, vem Criança.

É por isso que há este privilegiado tempo do Advento: para que as pessoas se desfaçam de expectativas ilusórias, para que retomem o essencial de suas vidas, repensem as escolhas e prioridades. É um tempo bonito de silêncio, espera e serenidade. De treinar os sentidos a partir do coração, para se perceber as manifestações sutis do Verbo que não podem ser notadas no tumulto e na correria. Advento, tempo de desaceleração, de encontrar a beleza do simples e a grandeza do Pequeno.

Portanto, não precisa correr tanto. Você tem quatro semanas para se preparar, mas com calma e docilidade. Mesmo que a ceia seja simples, os presentes, poucos, sem pompas ou badalações, o mais importante é enfeitar bem o coração, atendo-se no que é essencial. Ainda não é Natal, mas com certeza será, tanto mais cada um conseguir se preparar.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Nossa Senhora das Graças


Maria concebida sem pecado

Um dos mais valiosos presentes da Santíssima Virgem para a humanidade, foi dado no dia 27 de novembro de 1830, por meio de Santa Catarina Labouré, humilde freira da Congregação das Filhas da Caridade. Isto foi na Rua De Lubac, no centro de Paris, na Capela da Medalha Milagrosa.

Nesse dia, segundo relata a Vidente, Nossa Senhora apareceu-lhe mostrando nos dedos anéis incrustados de belíssimas pedras preciosas, “lançando raios para todos os lados, cada qual mais belo que o outro”.

Em seguida, formou-se em torno da Virgem uma moldura ovalada no alto da qual estavam escritas em letras de ouro as seguintes palavras, a bela jaculatória:

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Esta foi uma prova do céu de que Nossa Senhora é Imaculada, concebida sem pecado original; vinte e quatro anos depois o Papa Pio IX proclamava solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria no dia 8 de dezembro de 1854; e quatro anos após Nossa Senhora aparece em Lourdes e diz a Santa Bernadete: “Eu Sou a Imaculada Conceição”. Quantas provas de sua Imaculada Conceição!

A Virgem apareceu sobre um Globo, a Terra, pisando a cabeça da Serpente e segurando nas mãos um globo menor, oferecendo-o a Deus, num gesto de súplica. E diz a Santa Catarina: “Este globo representa o mundo inteiro e cada pessoa em particular”. De repente, o globo desapareceu  e suas mãos se estenderam suavemente, derramando sobre o globo brilhantes raios de luz. E Santa Catarina ouviu uma voz que lhe dizia:

“Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança.” Em 1832, uma violenta epidemia de cólera assolou a cidade de Paris. Foram, então, cunhados os primeiros exemplares da medalha, logo distribuídos aos doentes. À vista das graças extraordinárias e numerosas obtidas por meio dessa medalha, o povo p´-passou a chamá-la de Medalha Milagrosa. Em pouco tempo, essa devoção difundiu-se pelo mundo inteiro, e foi enriquecida com a composição de uma Novena.

Nossa Senhora foi a única criatura que nunca ofendeu a Deus, por isso o Anjo a chama de “cheia de Graça”; assim, ela encanta o coração de Deus e Este lhe atende todas as súplicas como nos mostra as Bodas de Caná da Galiléia. Se os nossos pecados dificultam a nossa comunhão com Deus e nos impedem de obter suas graças, isto não ocorre com Nossa Senhora, então, como boa Mãe, ela se põe como nossa magnífica intercessora.

Mais do que em outros dias, hoje é dia de Graças; peça tudo o que desejar a Nossa Senhora das Graças e já comece a agradecer; pois, se for para o seu bem, Deus lhe concederá pelas mãos benditas de Sua Mãe querida. Afinal, ela é a Filha predileta do Pai, a Esposa bendita do Espírito Santo e a Mãe Santa do Filho de Deus. O que ela não consegue de Deus?

Prof. Felipe Aquino

Fonte: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2012/11/27/nossa-senhora-das-gracas/

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Isabel da Hungria, a princesa entre os pobres


Queridos irmãos e irmãs:

Santa Isabel da Hungria, chamada também de Isabel de Turíngia, nasceu em 1207, na Hungria. Os historiadores discutem onde. Seu pai era André II, rico e poderoso rei da Hungria, o qual, para reforçar seus vínculos políticos, havia se casado com a condessa alemã Gertrudes de Andechs-Merania, irmã de Santa Edwirges, que era esposa do duque de Silésia. Isabel viveu na corte húngara somente nos primeiros quatro anos da sua infância, junto a uma irmã e três irmãos. Ela gostava de música, dança e jogos; recitava com fidelidade suas orações e mostrava atenção particular aos pobres, a quem ajudava com uma boa palavra ou com um gesto afetuoso.

Sua infância feliz foi bruscamente interrompida quando, da distante Turíngia, chegaram alguns cavaleiros para levá-la à sua nova sede na Alemanha central. Segundo os costumes daquele tempo, de fato, seu pai havia estabelecido que Isabel se convertesse em princesa de Turíngia. O landgrave ou conde daquela região era um dos soberanos mais ricos e influentes da Europa no começo do século XIII e seu castelo era centro de magnificência e de cultura. Mas, por trás das festas e da glória, escondiam-se as ambições dos príncipes feudais, geralmente em guerra entre eles e em conflito com as autoridades reais e imperiais. Neste contexto, o conde Hermann acolheu com boa vontade o noivado entre seu filho Ludovico e a princesa húngara. Isabel partiu de sua pátria com um rico dote e um grande séquito, incluindo suas donzelas pessoais, duas das quais permaneceriam amigas fiéis até o final. São elas que deixaram preciosas informações sobre a infância e sobre a vida da santa.

Após uma longa viagem, chegaram a Eisenach, para subir depois à fortaleza de Wartburg, o maciço castelo sobre a cidade. Lá se celebrou o compromisso entre Ludovico e Isabel. Nos anos seguintes, enquanto Ludovico aprendia o ofício de cavaleiro, Isabel e suas companheiras estudavam alemão, francês, latim, música, literatura e bordado. Apesar do fato do compromisso ter sido decidido por razões políticas, entre os dois jovens nasceu um amor sincero, motivado pela fé e pelo desejo de fazer a vontade de Deus. Aos 18 anos, Ludovico, após a morte do seu pai, começou a reinar sobre Turíngia. Mas Isabel se converteu em objeto de silenciosas críticas, porque seu comportamento não correspondia à vida da corte. Assim também a celebração do matrimônio não foi fastuosa e os gastos do banquete foram distribuídos em parte aos pobres. Em sua profunda sensibilidade, Isabel via as contradições entre a fé professada e a prática cristã. Não suportava os compromissos. Uma vez, entrando na igreja na festa da Assunção, ela tirou a coroa, colocou-a aos pés da cruz e permaneceu prostrada no chão, com o rosto coberto. Quando uma freira a desaprovou por este gesto, ela respondeu: “Como posso eu, criatura miserável, continuar usando uma coroa de dignidade terrena quando vejo o meu Rei Jesus Cristo coroado de espinhos?”. Ela se comportava diante dos seus súditos da mesma forma que se comportava diante de Deus. Entre os escritos das quatro donzelas, encontramos este testemunho: “Não consumia alimentos sem antes estar certa de que procediam das propriedades e dos bens legítimos do seu marido. Enquanto se abstinha dos bens adquiridos ilicitamente, preocupava-se também por ressarcir àqueles que tivessem sofrido violência” (nn. 25 e 37). Um verdadeiro exemplo para todos aqueles que desempenham cargos: o exercício da autoridade, em todos os níveis, deve ser vivido como serviço à justiça e à caridade, na busca constante do bem comum.

Isabel praticava assiduamente as obras de misericórdia: dava de beber e de comer a quem batia à sua porta, distribuía roupas, pagava as dívidas, cuidava dos doentes e sepultava os mortos. Descendo do seu castelo, dirigia-se frequentemente com suas donzelas às casas dos pobres, levando pão, carne, farinha e outros alimentos. Entregava os alimentos pessoalmente e cuidava com atenção do vestuário e dos leitos dos pobres. Este comportamento foi informado ao seu marido, a quem isso não apenas não desagradou, senão que respondeu aos seus acusadores: “Enquanto ela não vender o castelo, estou feliz!”. Neste contexto se coloca o milagre do pão transformado em rosas: enquanto Isabel ia pela rua com seu avental cheio de pão para os pobres, encontrou-se com o marido, que lhe perguntou o que estava carregando. Ela abriu o avental e, no lugar dos pães, apareceram magníficas rosas. Este símbolo de caridade está presente muitas vezes nas representações de Santa Isabel.

Seu casamento foi profundamente feliz: Isabel ajudava seu esposo a elevar suas qualidades humanas ao nível espiritual e ele, por outro lado, protegia sua esposa em sua generosidade com os pobres e em suas práticas religiosas. Cada vez mais admirado pela grande fé de sua esposa, Ludovico, referindo-se à sua atenção aos pobres, disse-lhe: “Querida Isabel, é Cristo quem você lavou, alimentou e cuidou” – um claro testemunho de como a fé e o amor a Deus e ao próximo reforçam e tornam ainda mais profunda a união matrimonial.

O jovem casal encontrou apoio espiritual nos Frades Menores, que, desde 1222, difundiram-se em Turíngia. Entre eles, Isabel escolheu o Frei Rüdiger como diretor espiritual. Quando ele lhe narrou as circunstâncias da conversão do jovem e rico comerciante Francisco de Assis, Isabel se entusiasmou ainda mais em seu caminho de vida cristã. Desde aquele momento, dedicou-se ainda mais a seguir Cristo pobre e crucificado, presente nos pobres. Inclusive quando nasceu seu primeiro filho, seguido de outros dois, nossa santa não descuidou jamais das suas obras de caridade. Além disso, ajudou os Frades Menores a construir um convento em Halberstadt, do qual o Frei Rüdiger se tornou superior. A direção espiritual de Isabel passou, assim, a Conrado de Marburgo.

Uma dura prova foi o adeus ao marido, no final de junho de 1227, quando Ludovico IV se associou à cruzada do imperador Frederico II, recordando à sua esposa que esta era uma tradição para os soberanos de Turíngia. Isabel respondeu: “Não o impedirei. Eu me entreguei totalmente a Deus e agora devo entregar você também”. No entanto, a febre dizimou as tropas e o próprio Ludovico ficou doente e morreu em Otranto, antes de embarcar, em setembro de 1227, aos 26 anos. Isabel, ao saber da notícia, sentiu tal dor, que se retirou em solidão, mas depois, fortificada pela oração e consolada pela esperança de voltar a vê-lo no céu, interessou-se novamente pelos assuntos do reino. Outra prova, porém, a esperava: seu cunhado usurpou o governo de Turinga, declarando-se verdadeiro herdeiro de Ludovico e acusando Isabel de ser uma mulher piedosa incompetente para governar. A jovem viúva, com seus três filhos, foi expulsa do castelo de Wartburg e começou a procurar um lugar para refugiar-se. Somente duas de suas donzelas permaneceram junto dela, acompanharam-na e confiaram os três filhos aos cuidados de amigos de Ludovico. Peregrinando pelos povoados, Isabel trabalhava onde era acolhida, assistia os doentes, fiava e costurava. Durante este calvário, suportado com grande fé, paciência e dedicação a Deus, alguns parentes, que haviam permanecido fiéis a ela e consideravam ilegítimo o governo do seu cunhado, reabilitaram seu nome. Assim, Isabel, no início de 1228, pôde receber uma renda apropriada para retirar-se ao castelo familiar em Marburgo, onde vivia também seu diretor espiritual, Frei Conrado. Foi ele quem contou ao Papa Gregório IX o seguinte fato: “Na Sexta-Feira Santa de 1228, com as mãos sobre o altar da capela da sua cidade, Eisenach, onde havia acolhido os Frades Menores, na presença de alguns frades e familiares, Isabel renunciou à sua própria vontade e a todas as vaidades do mundo. Ela queria renunciar a todas as suas possessões, mas eu a dissuadi por amor aos pobres. Pouco depois, construiu um hospital, recolheu doentes e inválidos e serviu em sua própria mesa os mais miseráveis e abandonados. Tendo eu a repreendido por estas coisas, Isabel respondeu que dos pobres recebia uma especial graça e humildade” (Epistula magistri Conradi, 14-17).

Podemos ver nesta afirmação certa experiência mística parecida com a vivida por São Francisco: de fato, o Pobrezinho de Assis declarou em seu testamento que, servindo os leprosos, o que antes era amargo se transformou em doçura da alma e do corpo (Testamentum, 1-3). Isabel transcorreu seus últimos 3 anos no hospital fundado por ela, servindo os doentes, velando com os moribundos. Tentava sempre levar a cabo os serviços mais humildes e os trabalhos repugnantes. Ela se converteu no que poderíamos chamar de mulher consagrada no meio do mundo (soror in saeculo) e formou, com outras amigas suas, vestidas com um hábito cinza, uma comunidade religiosa. Não é por acaso que ela é padroeira da Terceira Ordem Regular de São Francisco e da Ordem Franciscana Secular.

Em novembro de 1231, foi vítima de fortes febres. Quando a notícia da sua doença se propagou, muitas pessoas foram visitá-la. Após cerca de 10 dias, ela pediu que fechassem as portas, para ficar a sós com Deus. Na noite de 17 de novembro, descansou docemente no Senhor. Os testemunhos sobre sua santidade foram tantos, que apenas quatro anos mais tarde, o Papa Gregório IX a proclamou santa e, no mesmo ano, consagrou-se a bela igreja construída em sua honra, em Marburgo.

Queridos irmãos e irmãs, na figura de Santa Isabel, vemos como a fé e a amizade com Cristo criam o sentido da justiça, da igualdade de todos, dos direitos dos demais e criam o amor, a caridade. E dessa caridade nasce a esperança, a certeza de que somos amados por Cristo e de que o amor de Cristo nos espera e nos torna, assim, capazes de imitá-lo e vê-lo nos demais. Santa Isabel nos convida a redescobrir Cristo, a amá-lo, a ter fé e, assim, encontrar a verdadeira justiça e o amor, como também a alegria de que um dia estaremos submersos no amor divino, no gozo da eternidade com Deus. Obrigado.

Benedictus PP XVI

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Um modelo de zelo para salvar o mundo


“Eles nos oferecem, Irmãos Menores, um modelo de zelo, em sentido evangélico, para salvar o mundo. Mostram-nos que precisamos realmente manter-nos fiéis à nossa vocação franciscana. Quanto mais nos comprometermos com os franciscanos seculares, tanto mais nos inseriremos nos interesses que Francisco teve para com o povo em sua situação vital. Estamos lado a lado e reciprocamente nos necessitamos. Mesmo quando os irmãos têm certo sentido da tradição franciscana e também têm o tempo e a possibilidade de chegar a determinadas áreas, também aí necessitamos dos franciscanos seculares para apoiar-nos e completar-nos.

“Porém também eles precisam de nós, porque querem compartilhar o carisma e a tradição franciscanas que estamos obrigados a comunicar-lhes. Isto não significa que eles não nos possam comunicar, mas que nós tenhamos algo de especial para oferecer-lhes. Eles necessitam deste apoio de nossa parte, necessitam da orientação que provém da condição de serem membros de uma Ordem espalhada pelo mundo inteiro. Os franciscanos seculares necessitam também que lhes demos uma visão mais ampla da vocação franciscana, assim como nós também necessitamos deles para conseguirmos uma visão mais ampla dos acontecimentos específicos de sua vida”.

John Vaughn, O.F.M, ex-Ministro Geral

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Regra da Ordem Franciscana Secular


CAPÍTULO I – A Ordem Franciscana Secular (OFS) ou Terceira Ordem Franciscana

1. Entre as famílias espirituais, suscitadas na Igreja pelo Espírito Santo, a Família Franciscana reúne todos aqueles membros do Povo de Deus, leigos, religiosos e sacerdotes, que se sentem chamados ao seguimento do Cristo, na trilha de São Francisco de Assis.
Por modos e formas diversas, mas em recíproca comunhão vital, esses procuram tornar presente o carisma do comum Pai Seráfico na vida e na missão da Igreja.

2. No seio da dita família ocupa unia colocação específica a Ordem Franciscana Secular. Esta se configura como uma união orgânica de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo e abertas a todos os grupos de fiéis. Nelas os irmãos e as irmãs, impulsionados pelo Espírito a conseguir a perfeição da caridade no próprio estado secular, comprometem-se pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra, confirmada pela Igreja.5

3. A presente Regra, após o “Memoriale Propositi”(1221) e após as Regras aprovadas pelos Sumos Pontífices Nicolau IV e Leão XII, adapta a Ordem Franciscana Secular às exigências e expectativas da Santa Igreja nas novas condições dos tempos. A sua interpretação compete à Santa Sé, porém a aplicação será feita pelas Constituições Gerais e por Estatutos particulares.

CAPÍTULO II: A forma de vida

4. A Regra e a vida dos franciscanos seculares é esta: observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o exemplo de São Francisco de Assis que fez do Cristo o inspirador e o centro da sua vida com Deus e com os homens. Cristo, dom de Amor do Pai, é o caminho para Ele, é a verdade na qual o Espírito Santo nos introduz, é a vida que Ele veio dar em superabundância. Os franciscanos seculares se empenhem, além disso, na leitura assídua do Evangelho, passando do Evangelho à vida e da vida ao Evangelho.

5. Os franciscanos seculares, portanto, procurem a pessoa vivente e operante do Cristo nos irmãos, na Sagrada Escritura, na Igreja e nas ações litúrgicas. A fé de Francisco, que ditou estas palavras: “Nada vejo corporalmente neste mundo do altíssimo Filho de Deus se não o seu santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue”, seja para eles inspiração e orientação da sua vida eucarística.

6. Sepultados e ressuscitados com Cristo no Batismo, que os torna membros vivos da Igreja, e a ela mais fortemente ligados pela Profissão, tornem-se testemunhas e instrumentos de sua missão entre os homens, anunciando Cristo pela vida e pela palavra.

Inspirados por São Francisco e com ele chamados a reconstruir a Igreja, empenhem-se em viver em plena comunhão com o Papa, os Bispos e os sacerdotes num confiante e aberto diálogo de criatividade apostólica.

7. Como “irmãos e irmãs de penitência”, em virtude de sua vocação, impulsionados pela dinâmica do Evangelho, conforme o seu modo de pensar e de agir ao de Cristo, mediante uma radical transformação interior que o próprio Evangelho designa pelo nome de “conversão” a qual, devido à fragilidade humana, deve ser realizada todos os dias. Neste caminho de renovação, o sacramento da Reconciliação é sinal privilegiado da misericórdia do Pai e fonte de graça.

8. Assim como Jesus foi o verdadeiro adorador do Pai, façam da oração e da contemplação a alma do próprio ser e do próprio agir.

Participem da vida sacramental da Igreja, principalmente da Eucaristia, e se associem à oração litúrgica em uma das formas propostas pela mesma Igreja, revivendo assim os mistérios da vida de Cristo.

9. A Virgem Maria, humilde serva do Senhor, disponível à sua palavra e a todos os seus apelos, foi cercada por Francisco de indizível amor e foi por ele designada Protetora e Advogada da sua família. Que os franciscanos seculares testemunhem a Ela seu ardente amor pela imitação de sua incondicionada disponibilidade e pela efusão de sua confiante e consciente oração.

10. Unindo-se à obediência redentora de Jesus, que submeteu sua vontade à do Pai, cumpram fielmente as obrigações próprias da condição de cada um nas diversas situações da vida, e sigam o Cristo, pobre e crucificado, testemunhando-o, mesmo nas dificuldades e perseguições.

11. Cristo, confiado no Pai, embora apreciasse atenta e amorosamente as realidades criadas, escolheu para Si e para sua Mãe uma vida pobre e humilde. Assim, os franciscanos seculares procurem no desapego um justo relacionamento com os bens temporais, simplificando suas próprias exigências materiais. Estejam conscientes, pois, de que, segundo o Evangelho, são administradores dos bens recebidos em favor dos filhos de Deus.

Assim, no espírito das “Bem-aventuranças”, se esforcem para purificar o coração de toda a inclinação e cobiça de posse e de dominação como “peregrinos e forasteiros” a caminho da casa do Pai.

12.Testemunhas dos bens futuros e comprometidos pela vocação abraçada à aquisição da pureza do coração, desse modo se tornarão livres para o amor a Deus e aos irmãos.

13. Assim como o Pai vê em qualquer homem os traços do seu filho, Primogênito entre muitos irmãos, os franciscanos seculares acolham todos os homens com humilde e benevolente disposição, como um dom do Senhor e imagem de Cristo.

O senso de fraternidade os tornará alegres e dispostos a identificar-se com todos os homens, especialmente com os mais pequeninos, para os quais procurarão criar condições de vida dignas de criaturas remidas por Cristo.

14. Chamados, juntamente com todos os homens de boa vontade, a fim de construir um mundo mais fraterno e evangélico para a realização do Reino de Deus, cônscios de que “cada um que segue o Cristo, Homem perfeito, também se torna ele próprio mais homem”, exerçam com competência as próprias responsabilidades no espírito cristão de serviço.

15. Estejam presentes pelo testemunho da própria vida humana, e ainda por iniciativas corajosas, individuais e comunitárias, na promoção da justiça, em particular, no âmbito da vida pública, comprometendo-se em opções concretas e coerentes com sua fé.

16. Estimem o trabalho como um dom e como uma participação na criação, redenção e serviço da comunidade humana.

17. Em sua família vivam o espírito franciscano da paz, da fidelidade e do respeito à vida, esforçando-se para fazer dela o sinal de um mundo já renovado em Cristo.
Os esposos, em particular, vivendo as graças do matrimônio, testemunhem no mundo o amor de Cristo à sua Igreja. Por uma educação cristã simples e aberta, atentos à vocação de cada um, caminhem alegremente com os filhos em seu itinerário humano e espiritual.

18. Tenham, além disso, respeito pelas criaturas, animadas e inanimadas, que “do Altíssimo recebem significação” e procurem com afinco passar da tentação do aproveitamento para o conceito franciscano da Fraternização universal.

19. Como portadores de paz e conscientes de que ela deve ser construída incessantemente, procurem os caminhos da unidade e dos entendimentos fraternos mediante o diálogo, confiando na presença do germe divino que existe no homem e na força transformadora do amor e do perdão.

Mensageiros da perfeita alegria, em qualquer situação, procurem levar aos outros a alegria e a esperança. Inseridos na Ressurreição de Cristo, que dão verdadeiro sentido à Irmã Morte, encaminhem-se serenamente ao encontro definitivo com o Pai.

CAPÍTULO III: A vida em fraternidade

20. A Ordem Franciscana Secular se divide em fraternidade de vários níveis: local, regional, nacional e internacional. Cada qual delas tem sua própria personalidade moral na Igreja. Essas fraternidades dos diversos níveis estão coordenadas e ligadas entre si segundo a norma desta Regra e das Constituições.

21. Nos diversos níveis, cada fraternidade é animada e dirigida por um Conselho e um Ministro (ou Presidente), que são eleitos pelos Professos de acordo com as Constituições. Seu serviço, que é temporário, é um cargo de disponibilidade e de responsabilidade em favor de cada indivíduo e dos grupos.

As fraternidades, internamente, se estruturam de acordo com as Constituições, de modo diverso, segundo as variadas necessidades dos seus membros e das suas regiões, sob a direção do respectivo Conselho.

22. A fraternidade local tem necessidade de ser erigida canonicamente, e assim se torna a célula primeira de toda a Ordem e um sinal visível da Igreja, que é uma comunidade de amor. Ela deverá ser o ambiente privilegiado para desenvolver o senso eclesial e a vocação franciscana e também para animar a vida apostólica de seus membros.

23. Os pedidos de admissão à Ordem Franciscana Secular são apresentados a uma fraternidade local, cujo Conselho decide sobre a aceitação dos novos lrmãos.

A incorporação na fraternidade se realiza mediante um tempo de iniciação, um tempo de formação de, ao menos, um ano e pela Profissão da Regra. Em tal itinerário gradual está empenhada toda a fraternidade, também no seu modo de viver. Quanto à idade para a Profissão
e ao distintivo franciscano, é assunto a ser regulado pelos Estatutos. A profissão, por sua natureza, é um compromisso perpétuo.

Os membros que se encontram em dificuldades particulares cuidarão de tratar dos seus problemas com o Conselho num diálogo fraterno. A separação ou demissão definitiva da Ordem, se realmente necessária, é ato de competência do Conselho da Fraternidade, de acordo com a norma das Constituições.

24. Para estimular a comunhão entre os membros, o Conselho organize reuniões periódicas e encontros freqüentes, também com outros grupos franciscanos, especialmente de jovens, adotando os meios mais apropriados para um crescimento na vida franciscana e eclesial, estimulando cada um para a vida de fraternidade. Uma tal comunhão é continuada com os irmãos falecidos pelo oferecimento de sufrágios por suas almas.

25. Para as despesas que ocorrem na vida da fraternidade e para as necessárias obras do culto, do apostolado e da caridade, todos os irmãos e irmãs oferecem uma contribuição na medida de suas próprias possibilidades. Seja um cuidado das fraternidades locais contribuir para o pagamento das despesas dos Conselhos das Fraternidades de grau superior.

26. Em sinal concreto de comunhão e de co-responsabilidade, os Conselhos, nos diversos níveis, de acordo com as Constituições, solicitarão aos Superiores das quatro Famílias Religiosas Franciscanas, às quais, desde séculos, a Fraternidade Secular está ligada, religiosos idôneos e preparados para a assistência espiritual. Para favorecer a fidelidade ao carisma e a observância da Regra e para se terem maiores auxílios na vida da fraternidade, o Ministro (ou Presidente), de acordo com seu Conselho, seja solícito em pedir periodicamente a visita pastoral aos competentes Superiores religiosos e a visita fraterna aos responsáveis de nível superior, segundo as Constituições.

“E todo aquele que isto observar, seja repleto no cëu da bênção do altíssimo Pai, e seja na terra cumulado com a bênção do seu dileto Filho, juntamente com o Santíssimo Espírito Paráclito”.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/