terça-feira, 29 de setembro de 2015

A devoção de São Francisco a São Miguel Arcanjo




São Francisco nutria uma grande devoção por São Miguel Arcanjo. Tanto nos escritos deixados por ele quanto nas biografias escritas após sua morte, os traços desta religiosidade estão presentes.

A Exortação ao Louvor de Deus, escrita pelo próprio São Francisco em uma tábua que servia de piso do altar em seu eremitério, termina bendizendo a Santíssima Trindade e pedindo a proteção do Príncipe da Milícia Celeste com a jaculatória “São Miguel arcanjo, defendei-nos no combate!”. A antífona do Oficio da Paixão também expressa esta devoção especial: “Santa Virgem Maria… roga por nós, com São Miguel Arcanjo, e com todas as virtudes celestes e com todos os santos…”.

A Festa de São Miguel era tão particular para São Francisco que, em preparação a esta data, dedicava uma “quaresma”, isto é, quarenta dias de retiro. Conta Tomás de Celano, um de seus primeiros biógrafos, que o santo “muitas vezes dizia que devemos honrar de maneira toda especial o bem-aventurado Miguel, porque é o encarregado de representar as almas. Pois em honra de São Miguel, fazia uma quaresma de jejuns desde a festa da Assunção até o seu dia. E dizia que, “em honra de tão importante príncipe, dever-se-ia oferecer a Deus algum louvor ou algum dom especial””(2Cel 27).

Foi exatamente numa destas quaresmas em honra do Arcanjo, precisamente no ano de 1224, que São Francisco recebeu as estimas no Monte Alverne. Narra a Legenda Maior (XIII,5) que, “tendo chegado também a festa de São Miguel Arcanjo, Francisco, o homem angélico, desceu do monte. Trazia consigo a imagem do Crucificado, não gravada à mão em tábuas de pedra ou de madeira, com artifícios, mas escrita nos membros da carne pelo dedo de Deus vivo”.

O Anônimo Perusino, outra biografia de São Francisco ligada mais aos seus primeiros companheiros, refere-se ainda a outro evento marcante que São Francisco associava à Festa de São Miguel. Conta que, depois da aprovação da Regra pelo Papa, quando contava ainda com poucos irmãos, o bem-aventurado Francisco mandou que duas vezes por ano houvesse capítulo, em Pentecostes e na festa de São Miguel, no mês de setembro.

A devoção de São Francisco a São Miguel Arcanjo nasce no contexto da idade Média. O principal ponto de difusão desta devoção era o Santuário de Monte Sant’Angelo de Gargano, situado a leste da Península Itálica. Ali, segundo a tradição, São Miguel teria aparecido em uma gruta pedindo que o local fosse consagrado ao culto cristão.

Acredita-se que São Francisco tenha visitado este santuário em 1216, mas, conforme a tradição, o Santo de Assis não teria entrado na gruta por não se sentir digno. Teria rezado somente na entrada da Igreja, beijado o chão e traçado o sinal da cruz em uma pedra em forma de “T” (Tau). Ainda hoje, ao lado esquerdo da entrada da caverna, existe um altar erguido em honra a São Francisco e em memória desta peregrinação.

Missa 20.09.2015

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu no dia 20/09/15 ás 9 horas na Igreja das Chagas do Seráphico Pai São Francisco a santa missa presidida pelo Dom Frei Cláudio Hummes e concelebrada pelo Frei Gustavo W Medella, OFM. A bonita celebração muito bem preparada em ação de graças pelo Rito de Iniciação à OFS de 03 candidatos, sendo 02 seminaristas do Seminário Eclesial Mather. Bem como pela Profissão Definitiva à OFS das irmãs Darcy e Linocy e do envio da Imagem e Relíquia de São Francisco de Assis.

A imagem foi um presente da Cúria Geral dos Frades Menores Capuchinhos e a Relíquia, um fragmento de osso, foi ofertada pela Cúria Geral dos Frades Menores Conventuais. Ambas vieram de Assis.

A peregrinação que terá início no nosso Regional de São Paulo deverá terminar em 2021, Ano Jubilar, depois de ter visitado todas as Fraternidades do Brasil.

A entrada solene da imagem e relíquia ocorreu logo após a saudação do presidente trazida pela Ministra Regional, Irmã Denize Ap Marum Gusmão e acompanhadas pela ministra local, com o estandarte, o vice-ministro com a bandeira da Ordem  e uma irmã professa com a vela.

Após a homilia de Dom Claudio, procedemos aos Ritos de Iniciação e Profissão.

Depois da comunhão houve a entrega solene da imagem e relíquia pela Ministra Regional á ministra local.  Que graça! Que bênção!

E procedemos aos agradecimentos e entrega de presentes.

Logo em seguida nos dirigimos ao refeitório (muito bem enfeitado) para a nossa confraternização.

A imagem e relíquia permaneceram na Igreja das Chagas do dia 20 a 23/09/15 para visitação e orações dos irmãos e fiéis. A próxima fraternidade a receber a relíquia foi a Imaculada Conceição que fica na Avenida Brigadeiro Luís Antonio.  

Abaixo transcrevemos a homilia de Dom Cláudio Hummes.

Foi um momento único na história da Igreja e da Fraternidade das Chagas.

Por tudo Deus seja louvado!
Maria Nascimento

Homilia de Dom Cláudio Hummes na Igreja das Chagas

Em sua homilia, D. Claudio mostrou-se alegre em estar conosco, principalmente porque a relíquia traz Francisco presente mais vivamente entre nós. “Que ele nos inspire e nos una na fraternidade, mas também vá conosco em missão, já que ele foi um grande missionário que percorreu as terras da Itália e nos convoca como o Papa também o faz, a não ficar em casa. São Francisco é aquele que saiu, que não quis ficar no mosteiro, foi para as periferias. Salientou ser este um dia especial, porque a OFS está iniciando um a caminhada para o ano de 2021 e espera que todos nós cheguemos até lá, em que a OFS, a terceira ordem que São Francisco fundou para os leigos do mundo, celebrará  os 800 anos, que é um grande jubileu de existência. São Francisco atravessou os tempos, de caminhos de misericórdia, de visionário, além de ser um homem que nos faz amar a natureza. Estamos começando uma peregrinação da imagem e relíquia por este Brasil afora e por isso somos privilegiados por darmos esse passo inicial. O papa viu em São Francisco aquele que o podia inspirar no seu pastoreio supremo de fato, nos dias de hoje.  São Francisco apenas ajuda o papa a ver e seguir Jesus Cristo. O Papa fala de um mundo extremamente excludente que se torna indiferente diante de tudo aquilo que nós vemos. O Papa vê São Francisco como alguém que ama os pobres, que vai até eles, que se solidariza. Não apenas um belo discurso, uma indignação elegante, de longe, diante da pobreza do mundo. É preciso que vamos lá junto aos pobres abraçar os pobres, encorajá-los, dar-lhes as mãos, dar-lhes dignidade, solidarizar-se com as suas lutas para sair da pobreza. Isso ele chama de misericórdia. A Igreja hoje deve ser misericordiosa, fazer a diferença num mundo que na verdade ficou extremamente frio, da cultura da indiferença. A Igreja deve ser aquela capaz de realmente ir às pessoas, não apenas olhar na televisão as  misérias do mundo, mas ser capaz de se comover de se emocionar, tenha coração, não apenas cabeça e memória, mas coração diante dos pobres. Deus tem um coração para com as nossas misérias, por isso seu filho veio a esse mundo e morreu por nós. São Francisco nos  mostra isso e um dos elementos mais fortes da sua conversão foi  sua ida aos leprosos. E no seu testamento ele diz que foi aí que ele se converteu. Ele tinha horror aos leprosos. Naquela época os leprosos ficavam fora da cidade e tinham que tocar a campainha e fazer barulho para que as pessoas não chegassem perto, porque era uma doença contagiosa e as pessoas tinham muito medo. Colocavam a comida e eles ficavam longe e  só depois vinham pegar o alimento. São Francisco era jovem e tinha horror de leprosos, no entanto, depois que ele ficou diante do bispo de Assis e se livrou das riquezas desse mundo, toma coragem, quer viver pobre. Vai aos últimos, aos mais pobres, que eram os leprosos. São Francisco disse que fez misericórdia com os leprosos.  O coração dele se abriu. Ele abraçou e ficou morando um tempo com eles, a serviço deles, ajudando-os. Foi daí que ele saiu transformado: “ o que antes parecia tão horroroso, agora ele  passa a ter amor e alegria por aqueles que são os  mais sofridos. O Papa diz que devemos ter proximidade com a pobreza, temos que ver a pobreza da favela, dos cortiços, mas devemos ir perto, visitar famílias assim. Nós franciscanos devemos fazer isso. Aí o papa entra em outro aspecto da vida de São Francisco, que não quis entrar num mosteiro, nem quis que sua ordem morasse num como os beneditinos que tinham  sua cultura,  sua agricultura... Era um convívio muito bonito, mas São Francisco não quis ficar preso. Ele não esperou que as pessoas viessem a ele: ele quis ir às pessoas. Ele tomou a iniciativa.
O Papa diz que devemos ter como primeira atitude, tomar a iniciativa, não esperar que os outros venham, nem mesmo os pobres: nós devemos ir até eles, à periferia. Jesus caminhava, abraçava as pessoas, curava-as. São Francisco nos ensina que devemos nos aproximar das pessoas. E não só os franciscanos. A Igreja tem que dar o exemplo. Os franciscanos que não puderem ir, ao menos apoiem e encorajem as pessoas que vão aos outros, rezem por aqueles que estão ali sofrendo. O papa diz: “ são multidões, milhões de pessoas sofridas por este mundo afora. Somos acostumados a não ouvir”. A televisão mostra tudo rápido e logo passa para outra notícia e amanhã terão outras, algumas igualmente ruins e a gente só vai ouvindo e passando a página.
 O  papa foi a Lampedusa ver de perto o que estava acontecendo com aquela pobre gente. Somos indiferentes e é a pior coisa que existe. Nós franciscanos não podemos deixar de nos  inspirar, não podemos ficar indiferentes. Além disso  o papa nos coloca toda a questão da natureza e a necessidade que temos de salvar o planeta. A Encíclica Laudato si cita São Francisco desde o começo e vai mostrar como São Francisco nos inspira nesse grande desafio de salvar o planeta, as águas, as florestas, toda a questão da mudança do clima, as águas contaminadas por agrotóxicos, tudo isso que está destruindo nossa fé, nosso planeta e o papa diz que isso reflete em primeiro lugar nos pobres.

As grandes empresas devastam o planeta. É aí que está o grande motor da devastação e  não apenas o que corta a mata ( também é). Hoje a energia fóssil está mudando completamente    nosso clima.

Como podemos ajudar as pessoas a entender? – não desperdiçando água, energia. A Igreja deve falar e a paróquia existe para isso. Em tudo isso o papa nos mostra como São Francisco é um homem muito atual. Temos a questão da paz:  agora o papa está em Cuba, reconstruindo a paz entre Estados Unidos e Cuba. Entre palestinos e israelenses parece mais difícil ainda. Devemos ser homens da paz; a paz social, que é ir aos pobres e ter misericórdia.

Como é importante o que vocês estão fazendo. Não é apenas uma devoção a São Francisco.

Vocês não estão na OFS para serem devotos de São Francisco, mas é um grande caminho que vale a pena e que tem muito sentido sim, ser franciscanos.

E me pergunto às vezes se estamos fazendo alguma coisa com esse barco, para proclamar ao mundo, aos jovens, o grande desafio que São Francisco nos deixou ou estamos só olhando...

Temos que animar, encorajar, ir pelo mundo afora. Nós dizemos a vocês: bem-vindos e nos ajudem a todos nós a vivermos este grande ideal.

Após a santa missa, a Fraternidade das Chagas ofereceu um lanche aos presentes. E a próxima fraternidade a receber a capelinha será “Imaculada Conceição”.