sábado, 31 de dezembro de 2016

Dezembro 2016

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

No mês de dezembro aconteceu na Igreja das Chagas a 2ª Exposição Internacional de Presépios com a organização de Wilson J Silva. A abertura aconteceu no dia 04/12 (1º domingo), contamos com a apresentação do coral infanto juvenil coordenado pela cantora lírica Joana Matera. E a missa foi animada pelo coral MOP (Movimento Pró Idoso). O encerramento da exposição ocorreu no dia 23/12/16. Com mais de 450 visitantes a exposição estava muito bonita.

No terceiro domingo dia 18, na santa missa celebramos o Jubileu de Prata de Profissão dos irmãos José Martiniano Souza e Rosalina Marques dos Santos.  E após todos os professos renovaram o compromisso da Profissão na Ordem Franciscana Secular.

Ao final aconteceu nossa confraternização de natal com o café festivo no refeitório da fraternidade.

Desejamos aos colaboradores na exposição de presépios, especialmente ao Wilson muitas bênçãos e graças de Deus nas dificuldades vivenciadas pela fragilidade de sua saúde nestes tempos difíceis.

Que Deus em sua infinita bondade e misericórdia conceda aos irmãos que renovaram pela 25ª vez a Profissão na Ordem Franciscana Secular e todos os professos da Fraternidade a perseverança na caminhada franciscana no meio do mundo.

Desejamos também aos nossos leitores muitas bênçãos e graças de Deus em suas famílias, trabalhos e ações pela paz e justiça e nos cuidados com a Criação.

Que o ano de 2017 traga a Paz ao mundo inteiro.

Por tudo Deus seja louvado!
Fraternalmente,

Maria Nascimento   



















sábado, 24 de dezembro de 2016

Saborear com Júbilo e alegria a Festa das Festas



Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM

Caríssimos irmãos e irmãs,
Que o Senhor nos dê a Paz e todo o Bem!

As Fontes Franciscanas exaltam a sensibilidade e a ternura com que São Francisco de Assis se prepara para celebrar a Natividade do Senhor. E entre tantas razões que justificam esses preparativos, três me parecem de fundamental importância porque vão ao encontro do seu desejo principal e plano supremo de observar o Santo Evangelho: “Imitar com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo”; “Lembrar a humildade de sua encarnação” (cf. 1Cel 84); “Celebrar com incrível alegria, mais que todas as outras solenidades, o Natal do Menino Jesus, pois afirmava que era a festa das festas, em que Deus, feito um menino pobrezinho, dependeu de peitos humanos” (2Cel 199).

O Mistério do Natal começa com a dedicação que se deve dar ao tempo de preparação para acolher Aquele que está por vir: é o Advento do Senhor! Por isso esse tempo de expectativa e de espera da “festa das festas” exige muita atenção, esforço, dedicação e fervor. Ainda hoje me recordo, quando criança, a tamanha ansiedade com que aguardávamos em família a chegada do Menino Jesus (não do Papai Noel). Era muito natural contar os dias que faltavam para o Natal. E assim, a cada dia que passava e noite que chegava, até bem mais comportados do que qualquer outra época do ano, a ‘fome da festa’ crescia como se quiséssemos sentir em nós a célebre expressão de Cícero, mesmo sem dele nunca ter ouvido falar: “O melhor tempero da comida é a fome”.

Sentir fome, aguardar com ansiedade, preparar-se para acolher, endireitar o que não é reto, justo e virtuoso nos caminhos da paz e da fraternidade, são exigências penitenciais desse Tempo do Advento. As grandes figuras bíblicas, de modo especial o profeta Isaías, São João Batista, São José e a Virgem Maria, ajudam-nos a fazer do nosso tempo do Advento um itinerário espiritual que nos fala de acolhida, alegria, consolação, conversão, esperança, humildade, justiça, libertação, oração, pobreza, respeito e vigilância.

São estes os ingredientes necessários que realmente nos fazem ‘sentir fome’ para o grande dia da “festa das festas” do Menino Jesus, e participar da grandeza e da fartura do banquete que o Senhor Deus nos preparou na gruta de Belém. Felizes os pobres pastores, sedentos e famintos, que naquela noite da “festa das festas” saborearam do banquete da humildade e da pobreza oferecido misericordiosamente por Deus a todos os famintos da terra. Porque a outra festa, a do ‘papai noel’ do consumismo e das exigências dos enfastiados e insensíveis porque nunca experimentaram a fome, se desenrola no palácio de Herodes por personagens que preferem o tempero das essências sofisticadas e que, infelizmente, levou Herodes e comparsas a perder o sabor daquele que nasceu para nós como Pão da vida e sem fermento e a nós se apresentou como Sal da terra e Luz do mundo.

São Francisco de Assis, ao rezar o Evangelho da Encarnação do Filho de Deus, quer imitar a pobreza e a humildade do Filho de Deus na gruta de Belém e compreende que estas duas virtudes são pontos de partida para contemplar a riqueza do Amor divino. Festejar o Natal é celebrar com incrível alegria o Amor que dá sentido e sabor à vida! Por isso, “precisamos recordar com todo respeito e admiração, o que fez no dia do Natal, no povoado de Greccio” e o que lá sucedeu quando “aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação”, quando homens e mulheres do lugar foram chamados, quando a noite foi iluminada com tochas e “Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recordando a humildade” (cf. 1Cel 84-85).

A pobreza e a humildade, tão próximas à visão que teve do “menino exânime no presépio” (1Cel 86), na verdade brilham para São Francisco como “glória de Deus aos homens por ele amados” (Lc 2,14), capaz de saciar plenamente a todos os que se prepararam para ter fome na noite da “festa das festas”. Afinal, a própria Serva da festa maior, Mãe do Senhor recolhida silenciosamente na gruta de Belém, magnificamente preconizou isso no seu Cântico: “Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1,52-53).

Que o tempero da fome, provocado em nós neste tempo do Advento, nos leve a saborear com júbilo e alegria a “festa das festas” e contemplar a apropriada visão retratada por Tomás de Celano: “O menino Jesus tinha sido relegado ao esquecimento nos corações de muitos, mas neles ele ressuscitou, agindo a sua graça por meio de seu servo São Francisco, e ficou impresso na diligente memória deles” (1Cel 86).

Natal, a “festa das festas”, é “o dia que o Senhor fez” e nele Francisco reza: “Pois naquele dia Deus nosso Senhor concedeu a sua misericórdia, e de noite ressoou o seu louvor. Pois foi-nos dado um Menino amável e santíssimo, nascido por nós à beira do caminho e deitado numa manjedoura, porque não havia lugar na estalagem. Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Alegrem-se os céus, rejubile a terra, ressoe o mar com tudo o que contem…” (OfP 15, 3-10). Por isso Francisco queria que naquele dia “os pobres e esfomeados fossem saciados pelos ricos, e que se concedesse uma ração maior e mais feno para os bois e os burros… e que se jogassem pelas ruas trigo e grãos, para que nesse dia solene tenham abundância até os passarinhos, e principalmente as irmãs cotovias” (2Cel 199).
E desde agora desejo a você os melhores votos de um abençoado Natal e todas as bênçãos do Senhor para o Ano Novo.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

GS: A missão da Igreja no mundo de hoje


Cidade do Vaticano (RV) - No nosso Espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II - vamos tratar no programa de hoje do terceiro elemento da Gaudium et Spes, a missão da Igreja no mundo de hoje.

Na Gaudium et Spes elaborou-se uma reflexão sobre a relação entre a história da salvação e a história humana, abandonando definitivamente a tentação da competição com a sociedade civil e respeitando a autonomia da sociedade terrena, enquanto a Igreja realiza sua contribuição de acordo com a sua finalidade religiosa e, por isso, ela não é de ordem política, econômica ou social. Dentro dessa relação com a história é que se pode perceber a relação entre eclesiologia e Doutrina Social Cristã.

A relação entre a história da salvação e a história humana, foi o segundo elemento da Constituição Gaudium et Spes abordado pelo Padre Gerson Schmidt, que no programa de hoje, nos fala sobre um terceiro elemento: a missão da Igreja no mundo de hoje:

"Estamos pontamos os três elementos na Gaudium et Spes, relacionados com a Lumen Gentium. O primeiro elemento é a concepção de Igreja, que situa o documento no âmbito doutrinal; o segundo elemento é a relação entre a história da salvação e a história humana; o terceiro elemento é a missão da Igreja no mundo de hoje.

Já aqui aprofundamos os dois primeiros pontos. Comentemos aqui hoje esse terceiro elemento - a missão da Igreja no mundo de hoje – objetivo propriamente dito da Constituição Pastoral Gaudium et Spes. Tal é o título do documento, que, por sua vez, lhe dá o tom e traça o percurso da Igreja no mundo de hoje.

A segunda parte do Constituição Gaudium et Spes propõe um diálogo com o mundo contemporâneo sobre problemas concretos vividos pelos homens e pelas mulheres da época, sob o prisma, é verdade, de uma nova concepção de Igreja. Ela própria é a propiciadora dessa abertura, que a capacita a ouvir – como são as palavras iniciais do documento - “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as alegrias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem” (Palavras de abertura da Gaudium et Spes, do número 1 da Constituição). 

Ou como são as palavras conclusivas da Gaudium et Spes: “Em virtude de sua missão de iluminar o mundo inteiro com a mensagem de Cristo e de reunir em um só espírito todos os homens, de qualquer nação, raça ou cultura, a Igreja constitui um sinal daquela fraternidade que torna possível e fortalece o diálogo sincero” (Gaudium et Spes, 91). Ou ainda como diz claro no número 40 dessa constituição que define a missão da Igreja: “Deste modo, a Igreja, simultaneamente ‘agrupamento visível e comunidade espiritual’, caminha juntamente com toda a humanidade, participa da mesma sorte terrena do mundo e é como que o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus”.

Portanto, a Igreja dever ser fermento e alma da sociedade humana – essa sua missão, essa sua tarefa, como é intitulado o quarto capítulo: O PAPEL DA IGREJA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. Não é alma da sociedade humana para legitimar simplesmente a sociedade como está, mas a frase se completa na GS: o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus. Ou seja: não podemos nos contentar com a sociedade humana como tal, mas transformá-la em família de Deus por Cristo.

O hino de São Paulo aos Efésios é aqui importante ser lembrado Canta o hino que Deus nos “deu a conhecer o mistério de seu plano e sua vontade que propusera em seu querer benevolente na plenitude dos tempos realizar: o desígnio de em Cristo reunir todas as coisas: as da terra e as do céu” (cf Ef.1,9-10). A tradução atual, rezada na Liturgia das Horas, na impressão brasileira, é muito pobre, quando usa o verbo “reunir”, quando no texto original a tradução mais correta é “recapitular”. É muito diferente dizer que o desígnio de em Cristo é capitular todas as coisas, as da terra e as do céu. Recapitular é fazer com que Cristo-cabeça recomponha, refaça, renove, reconfigure tudo nele, a partir dele, sem o qual nada foi feito, sem o qual nada será redimido.

O papel da Igreja no mundo é recapitular tudo em Cristo, toda a história humana, transformando e renovando tudo em Cristo, transformando as relações e realidades humanas não simplesmente em sociedade qualquer, mas numa família de Deus, numa grande fraternidade e solidariedade universal. Só em Cristo que a Igreja encontra sua missão. É na sua páscoa que a humanidade encontrará sua vocação e seu destino último. A humanidade caminha para Deus, para a renovação e recapitulação de tudo em Cristo".

Fonte: http://br.radiovaticana.va/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Falece Dom Paulo, o Cardeal da Esperança


Aos 95 anos, faleceu nesta quarta-feira (14/12, Festa de São João da Cruz) o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo. Ele estava internado no Hospital Santa Catarina em decorrência de uma broncopneumonia.

“Comunico, com imenso pesar, que no dia 14 de dezembro de 2016 às 11h45, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo, entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmãos neste mundo”, informou o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, em nota divulgada hoje às 13 horas. “Louvemos e agradeçamos ao “Altíssimo, onipotente e bom Senhor” pelos 95 anos de vida de Dom Paulo, seus 76 anos de consagração religiosa, 71 anos de sacerdócio ministerial, 50 de episcopado e 43 anos de cardinalato. Glorifiquemos a Deus pelos dons concedidos a Dom Paulo, e que ele soube partilhar com os irmãos. Louvemos a Deus pelo testemunho de vida franciscana de Dom Paulo e pelo seu engajamento corajoso na defesa da dignidade humana e dos direitos inalienáveis de cada pessoa. Agradeçamos a Deus por seu exemplo de Pastor zeloso do povo de Deus e por sua atenção especial aos pequenos, pobres e aflitos. Dom Paulo, agora, se alegre no céu e obtenha o fruto da sua esperança junto de Deus!”, acrescentou D. Odilo, convidando a todos a elevarem preces de louvor e gratidão a Deus e de sufrágio em favor do falecido Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e  também a participarem do velório e dos ritos fúnebres, que serão realizados na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Em nota, a Arquidiocese informou que o FUNERAL terá início às 19h desta quarta-feira (14), e o SEPULTAMENTO ocorrerá na sexta-feira (16), após a missa das 15h, presidida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. Durante o funeral, acontecerão missas a cada 2 horas. 

MISSA DOS FRANCISCANOS

A Missa dos Franciscanos pela alma de Dom Paulo será às 10 horas, de sexta-feira (16), na Catedral da Sé. 

A história deste franciscano se confunde com a história da cidade de São Paulo e com a história do país. Foi o 5º Arcebispo e 3º Cardeal de São Paulo, permanecendo 32 anos como bispo na Arquidiocese de São Paulo e 43 anos como Cardeal. No dia 2 de julho de 2016 celebrou na Catedral da Sé os 50 anos de sua Ordenação Episcopal.

Estudou na Universidade Sorbonne de Paris, onde formou-se em Patrística e Línguas clássicas. Foi professor e mestre dos clérigos, diretor do CIC e jornalista profissional. Trabalhou como vigário nos subúrbios de Petrópolis, onde era amigo das crianças e dos pobres dos morros, quando foi indicado bispo auxiliar de Dom Agnelo Rossi, no dia 02/05/1966 e sagrado em 03/07/1966, como bispo titular de Respecta.


Atuou intensamente na Região Norte de São Paulo. Foi nomeado Arcebispo de São Paulo no dia 22/10/1970, tomando posse dia 01/11/1970.
Perante o núncio apostólico, 28 bispos e arcebispos, diante do governador, do prefeito e cerca de cinco mil fiéis, Dom Paulo tendo a mãe presente, Sra. Helena Steiner Arns, com 76 anos, e seus quatorze irmãos, fez comovente exortação:

“Venho do meio do povo desta Arquidiocese a que já pertencia, do clero a quem amo e de quem sou irmão, dos religiosos que comigo se esforçam para serem sinal e esperança dos bens que estão para chegar, dos leigos que entendem o serviço aos irmãos como tarefa essencial de sua existência.”

Ao longo de sua trajetória, trabalhou como jornalista, professor e escritor, tendo publicado 57 livros. Durante a Ditadura Militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já.

Ganhou projeção na militância em janeiro de 1971, logo após tornar-se arcebispo de São Paulo, e denunciar a prisão e tortura de dois agentes de pastoral, o padre Giulio Vicini e a assistente social Yara Spadini.

No mesmo ano, apoiou Dom Hélder Câmara e Dom Waldyr Calheiros que estavam sendo pressionados pelo regime militar.

Em 1972 criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo e, como presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), liderou a publicação do “Testemunho de paz”, documento com fortes críticas ao regime militar que ganhou ampla repercussão à época.

Presidiu celebrações históricas na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em memória de vítimas da Ditadura Militar. Dentre eles, do estudante universitário Alexandre Vannucchi Leme, assassinado em 1973, e o ato ecumênico em honra do jornalista Vladimir Herzog, assassinado no DOI-CODI, em São Paulo, em 75.

Atuou contra a invasão da PUC em 1977, em São Paulo, comandada pelo coronel Erasmo Dias, à época secretário de Segurança, e a operação para entregar ao presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, uma lista com os nomes de desaparecidos políticos.

Também teve papel importante em favor das vítimas da ditadura na Argentina, em 1976. O ativista de direitos humanos argentino Adolfo Perez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, disse que foi “salvo duas vezes” por Dom Paulo Evaristo Arns durante a ditadura no Brasil.

Em 1980, acompanhou a primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Em São Paulo, João Paulo II falou no estádio do Morumbi para 200 mil operários.

Em 1985, criou a Pastoral da Infância, com o apoio de sua irmã, Zilda Arns, que morreu no terremoto de 2010 no Haiti, onde realizava trabalhos humanitários.

Em 28 anos de arcebispado, criou 43 paróquias, construiu 1200 centros comunitários, incentivou e apoiou o surgimento de mais de 2000 Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na capital paulista.

Por seus feitos, recebeu inúmeros prêmios e homenagens no Brasil e no exterior. Dentre eles, o Prêmio Nansen do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Prêmio Niwano da Paz (Japão), e o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos (EUA), além de 38 títulos de cidadania.

Sua biografia foi relatada em dez livros, sendo o mais recente lançado em outubro deste ano, no Tuca, teatro da PUC, na Zona Oeste de São Paulo, durante uma homenagem pelos 95 anos de Dom Paulo.

Passou os últimos anos de sua vida entre orações, leituras e assistência aos idosos, recebendo ainda inúmeras homenagens, entre as quais a da presidente Dilma Roussef que, em 18 de maio de 2012, foi visitá-lo na Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, da Congregação das Irmãs da Ação Pastoral, que cuidaram de Dom Paulo desde que se tornou cardeal emérito. Dom Paulo residia em Taboa da Serra (SP).

Frei Diego Melo, coordenador do SAV (Serviço de Animação Vocacional), esteve com Dom Paulo na última semana e partilhou um pouco deste momento em seu perfil no Facebook:


“Há dois dias atrás visitei a Dom Paulo na UTI do hospital. Embora já não demonstrasse consciência, chamou-nos atenção que no momento em que Frei Mário e eu rezamos e demos a benção, ele mostrou uma certa reação, fazendo-nos entender a sua participação naquela hora. Mas o que realmente mais me marcou, foi vê-lo segurando fortemente a sua cruz peitoral. Fiquei por uns instantes segurando a sua mão que abraçava aquele Cristo que por tantos anos ele carregou não só peito, mas principalmente nas suas atitudes e no seu coração, agradecendo a Deus e a Dom Paulo pelo testemunho de amor e doação como frade menor. Tenho certeza de que esse mesmo Cristo a quem ele tanto amou durante a sua vida, a quem ele tanto serviu na pessoa dos mais pobres, e a quem ele se agarrou até o último instante de sua vida terrena, já o acolheu no seu abraço caloroso e misericordioso. Descanse em paz, Dom Frei Paulo Evaristo Arns.”

odilo



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Imaculada Conceição da Virgem Maria


A presente festa celebra a fé da Igreja, de que Maria não conheceu o pecado original, para que fosse digna Mãe do Filho de Deus. Esta intuição, porém, não é apenas mariológica, mas também eclesiológica e escatológica, no sentido de que Maria antecipa, assim, o estado de inocência ao qual todos somos chamados (2ª leitura); ela é a primícia da Igreja, que, como ela, deve realizar a figura da “esposa sem ruga nem mancha” do esposo escatológico – embora seus membros, na atualidade terrestre, não sejam bem assim.

Maria é, portanto, a única exceção da participação universal do pecado, que reina desde o pecado de Adão, o “pecado das origens” (pecado original). Nela e em sua prole, a Igreja viu a plenitude daquilo que está prefigurado em Gn 3,9-15 (1ª leitura): a mulher e sua descendência, pisando aos pés a cabeça da serpente, encarnação da tentação pecaminosa. Assim, Maria é a nova Eva, conforme a exegese alegórica dos Santos Padres: “Ave, Eva”.

O importante, porém, é interpretarmos o dogma da Imaculada Conceição como uma realidade teológica e soteriológica. “Achaste graças diante de Deus” (Evangelho). Quem quis Maria sem pecado foi Deus. Assim como a nossa participação no pecado da humanidade não é algo que queremos, propriamente, assim também a liberdade de Maria com relação ao pecado não é obra sua, mas de Deus, ainda que ex praevisis meritis. Ou, em outros termos, na indescritível variedade de situações humanas, realizou-se também – assim acreditamos – a realidade de uma existência não manchada pela solidariedade pecaminosa do pecado original, situação realizada por Deus e vivida por Maria como vocação específica de dar ao mundo o Filho de Deus. A graça que Maria recebeu é, ao mesmo tempo, sua missão. E conhecemos a resposta de Maria: “Eis a serva do Senhor” (evangelho). Torna-se assim intimamente solidária com aquele que será o Servo por excelência.

O mistério da Imaculada Conceição é o mistério da perfeita pertença à santidade de Deus, que é o núcleo também da santidade da Igreja e o futuro ao qual todos nós somos chamados. Em Maria, este futuro já é passado. Por isso, o prefácio de hoje a chama de “primícias da Igreja”.

Observemos ainda que ninguém se pode deixar confundir pela mensagem principal do evangelho de hoje, escolhido por causa das frases acima destacadas. Na realidade, este evangelho não narra a Imaculada Conceição de Maria, que não vem afirmada tal qual na Bíblia, mas é uma intuição da fé da Igreja. O evangelho narra a vocação de Maria para ser mãe do filho de Deus, pela força do Espírito Santo (e em vista disso, acreditamos, ela mesma foi concebida e nasceu sem a mancha que acompanha toda a humanidade). Há pessoas que confundem Imaculada Conceição com Maternidade Virginal. São duas coisas bem distintas, e a confusão talvez provenha de um (inconsciente) sentimento de culpabilidade do ato procriador humano. Colocam na mesma linha Maria permanecer virgem na concepção de Jesus e ela mesma ser sem pecado, como se fosse pecado conceber um filho sem permanecer virgem … Será útil esclarecer ao povo que a concepção de Maria mesma (por sua mãe Ana) não foi virginal, mas, ao ser concebida por Ana, Maria não ficou marcada pelo pecado de Adão. (Virginal, sim, foi a concepção de Jesus por Maria.)

Os cantos insistem no misterioso júbilo (canto da entrada) e no agir gracioso e gratuito de Deus (salmo responsorial). Este último tema merece atenção especial. Uma das razões por que certas pessoas se sentem constrangi das diante do dogma da Imaculada Conceição é o fato de Maria se tomar assim uma exceção. Não aguentam outra pessoa ser melhor e mais inocente do que elas próprias. Todos nós incorremos facilmente no perigo de tal inveja. Não aceitamos que Deus faça exceções, nem mesmo para o bem de todos. Não aceitamos que Deus saia da regra, que ele faça algo realmente gratuito, que não precisava ser assim, conforme a regra geral. E, contudo, é na graça – naquilo que é gratuito, não obrigatório – que Deus se manifesta. Aceitar que Maria, desde o início, foi melhor do que nós, talvez nos ajude a aceitar que também outras pessoas possam ser melhores do que nós mesmos.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Carta Advento 2017

São Paulo, 27 de novembro de 2016.



Caríssimos irmãos,


Advento! É ir ao encontro do Deus que vem!

Natal é a origem da luz! Na fragilidade de uma criança temos a força da salvação e a luz que se irradia para percorremos o caminho. Quem se encontra com Deus, usufrui dessa luz, quem tem a luz, não tem mais medo! Deus vem em nossa direção através do outro cujo rosto não conhecemos.

Advento é tempo de vigilância. Tempo de se comprometer com a vida, com a nossa vocação. É tempo de decidirmos agora, qual o caminho que queremos seguir, para que alcancemos nosso objetivo que está lá adiante, pois no fim será ratificado o que fizemos neste mundo.

Vamos examinar nossas consciências, sairmos da rotina, buscarmos o silêncio, a quietude para nos esvaziarmos de tantas inutilidade em nossas mentes e corações e darmos espaço para o Menino Deus que vem nos iluminar com sua luz.

E para melhor refletir, transcrevo a crônica de Frei Isidro Pereira Lamelas, ofm, que numa linguagem leve e divertida nos ajudará na preparação deste Advento.

Que o menino das Palhas os abençoe.



Antonio Julio Martins
Ministro Regional



Primeira Conferência dos Animais do Presépio

Os animais do presépio resolveram reunir-se, para celebrar 2016 anos de serviço assíduo como figurantes no cenário da noite de Belém.

Depois de terem acertado que seria o galo a moderar o encontro, este começou por saudar todos os presentes, recordando a singular hora que era para todos, o fato de o Rei dos Reis ter nascido entre os animais que, mais uma vez, se reuniam no presépio, para celebrar a noite mais importante das suas vidas. Logo em seguida, exortou a que cada um falasse da sua experiência naquela noite e do que resta desse acontecimento em nossos dias.

Teve então início o seguinte colóquio de que tomou nota o próprio galo que, com pena fiel, ia redigindo tudo o que se passava e dizia.

- Para ti, cachorro, o que foi e o que significa o natal? Perguntou o galo àquele que dizem ser “o melhor amigo do homem”.

- Lembro-me como se fosse hoje, daquela noite mágica em que tudo parou para contemplar uma estrela especialmente luminosa. Nessa noite nem eu nem as ovelhas do rebanho que estavam a meu cuidado sentimos frio; pressentíamos, isso sim, que algo de extraordinário estava para acontecer e que tudo ia mudar para melhor. Mas passaram os anos e os séculos, e o natal continua a ser para muitos uma noite fria em que muitas “ovelhas sem pastor” continuam a dormir ao relento, por não haver teto nem lugar para elas. Fico triste ao ver que o lobo continua a aterrorizar o cordeiro e a onça não deixa dormir sossegados, os cabritos. E aqueles que se consideram animais mais racionais do que nós, continuam a comportar-se pouco razoavelmente: gostam muito que sejamos seus “fiéis amigos”, mas não são amigos fiéis uns dos outros. Organizam conferências para melhorar o clima da terra, mas não se preocupam muito em melhorar o clima humano que em Belém nos foi prometido.

- Estou totalmente de acordo - interrompeu o galo, para evitar que o cachorro, conhecido por gostar de ficar com a língua de fora, se alongasse. E, como nunca gostou de ser o último, logo aproveitou para dar seu testemunho:

- Recordo que eu fui dos que assisti mais de perto a esse acontecimento singular. Coube-me mesmo o privilégio de servir de sentinela no estábulo em que o Salvador nasceu. E foi algo de inenarrável: por toda a parte se ouviam melodias que mais pareciam vir do céu, nesse dia resolvi não dar o habitual sinal de alvorada, para não acordar aquele encantador Menino, mas também porque tanto desejava que aquela noite nunca acabasse e a magia e paz daquele Menino se prolongassem pelos séculos. Mas não foi o que aconteceu. Muitos o ignoraram, alguns negaram-no antes do cantar do galo, outros até reconhecem que “outro galo cantaria” se o natal não fosse um dia. Mas todos querem é o poleiro e estar acima dos demais. Muitos cantam de galo com o papo cheio, enquanto outros passam fome; tantos são vítimas de injustiças que bradam aos céus e nós calamos o bico. E mesmo os que se dizem mais piedosos, confundem frequentemente a Missa do Galo com o galo da mesa. Por isso e lamentavelmente é que o Natal é uma noite como as outras, em que as raposas matreiras continuam a rondar as capoeiras e a ameaçar os mais fracos e inocentes. E o pior é que já ninguém escuta o nosso canto matinal, para não despertarem das trevas em que vivem…

Foi então a vez da ovelha mais velha entrar na conversa.

- Eu não gosto muito de falar, pois, como se diz no rebanho, “ovelha que berra, bocada que perde”. Mas sobre aquela noite não posso realmente calar. Todas as do nosso rebanho nunca mais esqueceremos. Foi tal a emoção que, a certa altura demos conosco a balir a mesma melodia dos anjos e a doces palavras “Menino de Belém”. Foi uma experiência de paz única. Pela primeira vez na nossa vida sentíamos que, afinal, não havia ovelhas “com defeito” nem mais haveria ovelhas perdidas. Mas tenho que confessar que os Natais de hoje estão muito longe daquilo que outrora sonhamos. Continua a haver discriminação entre as ovelhas “negras” e as que se consideram de melhor raça; continua a haver ovelhas que são tosquiadas e levadas ao matadouro sem direito de defesa; cordeiros inocentes que não têm voz nem vez são devorados pelos lobos que atacam sempre os mais fracos; há entre nós muitas feridas e sofrimentos que ninguém cuida nem cura; muitos dos pastores que dizem servir o rebanho, servem-se é dele como ditadores que, em vez de cuidar das suas ovelhas, as exploram quanto podem. Ora isto não tem realmente nada a ver com o que aquela noite prometia.

Foi então que, do meio do rebanho, se ouviu a voz grave do carneiro, que estava ansioso por marcar a sua posição hierárquica:

- Por mim, acho que estamos muito pessimistas. Temos que ser práticos e realistas. Afinal o mundo sempre foi assim: uns são mais fortes, outros mais fracos; uns mandam, outros obedecem; uns dão a lã, outros tosquiam, uns vendem outros compram; uns têm mais, outros menos… O mundo está feito assim e não é uma numa noite especial ou da noite para o dia que isso se vai alterar. Por mais que nos custe, “bodes expiatórios” sempre existiu e continuará a existir. Portanto, desfrutemos a poesia do natal possível já que aquele que os profetas prometeram não é para este mundo nem é para nós.

E tu, camelo, que estás tão calado, tu que és tão viajado, o que é que tens para nos contar sobre o natal? Perguntou o carneiro na esperança de encontrar uma voz concordante com o seu depoimento.

- Estava mesmo ansioso para entrar na conversa, pois vejo-vos todos muito pessimistas.

- Para mim, o Natal é uma época muito legal: grandes viagens, carregar presentes daqui para ali, caravanas e filas nas estradas e nas lojas dos presentes. É um stress e cansaço danado, mas ajuda a esquecer os maus momentos da vida. É verdade que ultimamente querem nos substituir por umas renas incompetentes ao serviço de um intrometido velho barbudo. Mas é, como se diz agora, a concorrência da globalização. A nós camelos, ninguém nos tira o privilégio exclusivo de ter levado os Magos ao curral de Belém com os mais valiosos presentes do mundo. Só lamento que muitos continuem a não perceber que estamos todos fazendo a mesma viagem, independentemente da cor, raça ou cultura que transportamos conosco. Mas, com paciência, lá chegaremos!

Por falar em curral - moderou o galo – há aqui alguém que, de certeza, terá muito que contar: refiro-me aos nossos amigos burro e vaca que assistiram a tudo muito de perto. Ninguém como vós, com certeza, nos pode falar do Natal!

Ao ouvir, a vaca despertou do seu ar meditativo para proferir a opinião que ia ruminando à medida que escutava a conversa dos outros animais:

- Para mim o Natal é uma noite muito especial e cheia de memórias muito alegres: Nunca poderei esquecer a beleza e bondade daquele Menino que, ao nascer no nosso estábulo, nos veio ensinar que para todos deve haver um lugar digno neste mundo. Ele nasceu na nossa manjedoura para ser alimento para todas as vidas e para que a nenhum ser vivo falte o alimento. Porém, ao mesmo tempo, também ando muitas vezes com este ar triste por lembrar que continua a haver quem passe fome, quem não tenha um teto, quem não encontre amigos dispostos a aquecer suas noites frias… e ainda por cima nos chamam a nós “vacas loucas”! Mas logo me alegro ao pensar que tão ilustre Menino nasceu realmente entre nós, na nossa manjedoura, no coração da nossa vida. É pena que nem todos o reconheçam como nós o conhecemos, o nosso dono; lamento que em vez de arados se continuem a fabricar armas; é triste que o bezerro e o leão não possam conviver em paz e que a vitela e a ursa não possam pastar juntas. Tantas vezes dou comigo a ruminar porque é que, se aqui no Presépio todos convivemos em harmonia e respeito, ainda se constroem muros de separação entre nós, porque não sabemos conviver em paz. De qualquer modo, sinto-me muito feliz por poder partilhar o meu feno com o burro, e aquecer com minha companhia as noites frias dos que nos batem à porta.

Chegou então a vez do burro que, mantendo o seu ar meditativo, sussurrou:

- Eu só tenho dizer bem do Natal e não me importo nada de passar por “burro” todo o ano só para ter este lugar de destaque no Presépio e na bela história do Natal. Não compreendo porque tantos se lamentam pelo “peso” da vida, pelos trabalhos e cargas que ela implica. Eu, que não me considero mais inteligente que os outros, há muito percebi que o verdadeiro significado do Natal é o Menino que nasceu na manjedoura e não me venham dizer que é “burrice” saber distinguir a palha do grão ou os embrulhos do presente de Deus que é esse Menino, que assim nasceu para nos dar uma grande lição: Se depois de tantos séculos o Presépio continua a ser a mais bela representação da vida e da criação, então esse Menino deve estar não apenas nas Igrejas, mas nas mesas e nos altares de todas as criaturas de boa vontade.

E como a hora se ia adiantando, o galo retomou a sua tarefa de moderador para concluir, com o seguinte comunicado final para enviar a todo o reino animal:


- Parece realmente verdade que o Natal não é bem como Jesus quis, ou como todos nós desejávamos. Talvez por isso, o Filho muito amado do nosso Criador quis nascer entre nós suas criaturas, ainda que dotadas de pouca razão. Afinal que adianta ter razão quando não se usa! Seja como for, para o ano e todos os anos aqui estaremos de novo nesta quadra de Natal para mostrarmos aos outros animais que se julgam mais racionais: Primeiro, que o Menino que vimos nascer em Belém não gosta muito de vitrines nem de presentes que não sejam naturais; segundo, que Ele não está à venda no mercado das religiões, nem é marca registrada de ninguém. Na verdade, Ele é o “Deus entre nós”, que se dá de graça a todos e mormente: a quantos O acolhem com a alegria das aves e dos anjos; aos que O buscam com a fidelidade e o afeto dos cachorros e dos pastores de rebanhos e de sonhos; a quantos O imitam com a mansidão dos cordeiros e dos servos de Javé; aos que O seguem com a bondade laboriosa dos jumentos e dos que carregam os fardos do próximo; e aos que O anunciam com a paciência e itinerância dos camelos e peregrinos de longos caminhos.