segunda-feira, 28 de março de 2016

Papa no Regina Coeli: “Cristo nos dá força para nos levantarmos”

Cidade do Vaticano (RV) – Na primeira recitação do Regina Coeli deste ano, a oração mariana que substitui o Angelus até a Festa de Pentecostes, o Papa disse que “nossos corações ainda estão repletos da alegria pascal” nesta segunda-feira depois da Páscoa, chamada “Segunda-feira do Anjo”.

“A vida venceu a morte. A Misericórdia e o amor venceram o pecado! Há necessidade de fé e de esperança para se abrir a este novo e maravilhoso horizonte. E nós sabemos que a fé e a esperança são um dom de Deus, e devemos pedir a Ele: 'Senhor, doai-me a fé, doai-me a esperança! Precisamos tanto!' Deixemo-nos invadir pelas emoções que ressoam na sequência pascal: ‘Sim, estamos certos: Cristo ressuscitou verdadeiramente. Ele está vivo no meio de nós’”, recordou Francisco.

Cristo, força para se reerguer

“Esta verdade marcou indelevelmente as vidas dos Apóstolos – continuou o Pontífice – que, depois da ressurreição, sentiram novamente a necessidade de seguir o seu Mestre e, recebido o Espírito Santo, saíram sem medo para anunciar a todos o que tinham visto com seus próprios olhos e experimentado pessoalmente”.

“Se Cristo ressuscitou, podemos olhar com olhos e corações novos a todos os eventos da nossa vida, até mesmo aqueles mais negativos. Os momentos de escuridão, de fracasso e pecado podem se transformar e anunciar um caminho novo. Quando chegamos ao fundo da nossa miséria e da nossa fraqueza, Cristo ressuscitado nos dá a força para levantarmos”, encorajou o Papa.

O silêncio de Maria

“O Senhor crucificado e ressuscitado é a plena revelação da misericórdia – afirmou ainda o Papa – presente e ativa na história. Esta é a mensagem pascal que ainda ressoa hoje e que vai ressoar em todo o tempo da Páscoa até Pentecostes”.

Ao falar novamente do silêncio e da espera de Maria pela ressurreição, que permaneceu aos pés da Cruz e não se dobrou diante da dor, ao contrário, a fé de Nossa Senhora a tornou ainda mais forte, Francisco disse:

“No seu coração dilacerado de mãe permaneceu sempre acesa a chama da esperança. Peçamos a Ela que também nos ajude a aceitarmos plenamente o anúncio pascal da Ressurreição, para encarná-lo na realidade de nossas vidas diárias”, pediu o Papa, para então concluir:

“Que a Virgem Maria nos dê a certeza da fé que, cada passo sofrido do nosso caminho, iluminado pela luz da Páscoa, se tornará bênção e alegria para nós e para os outros, especialmente para aqueles que sofrem por causa do egoísmo e da indiferença”. (rb/sp)

Fonte: Rádio Vaticano

domingo, 27 de março de 2016

Feliz Páscoa!


O Domingo de Páscoa

O Domingo da Páscoa da Ressurreição constitui uma ressonância da Vigília pascal, centro de todo o Ano Litúrgico.

A partir da Ressurreição de Cristo, a terra transformou-se em céu, pois a pessoa humana, mesmo neste mundo, pode viver em Deus (cf. 2ª leit., Cl 3,1-4). A Páscoa é a festa da vida; da vida de Cristo e da vida nova dos cristãos. Na mensagem da Páscoa podemos realçar três aspectos:

Primeiro: O sepulcro vazio. Maria Madalena vai ao sepulcro de madrugada e vê que a pedra fora retirada do sepulcro (cf. Ev., Jo 20,1-9). Desde que a pedra foi retirada do sepulcro de Jesus, a terra produziu o seu fruto, a vida brotou da terra; todo sepulcro transformou-se em lugar de esperança, de vida.

Segundo: Os gestos de amor. Jesus dá-se a conhecer ressuscitado sobretudo lá onde se realizam gestos concretos de amor, de serviço ao corpo de Cristo. Basta pensarmos nas mulheres que vão ao sepulcro com aromas para ungir Jesus (cf. Mc 16,1). Lembremos Maria Madalena e a outra Maria. Ao raiar do sol do primeiro dia, vão ver o sepulcro (cf. Mt 28,1). João chegou antes, mas, em deferência a Pedro, mais velho, espera por ele. João, o discípulo amado, vê os sinais e acredita. O amor é que faz reconhecer a Jesus Cristo no mistério pascal. O mesmo podemos perceber no evangelho dos discípulos de Emaús, proclamado na Missa vespertina do Domingo da Páscoa (cf. 24,13-35). Jesus dá-se a conhecer na fração do pão.

Terceiro: O testemunho do Cristo ressuscitado. Maria Madalena toma-se a primeira mensageira do sepulcro vazio e do Cristo ressuscitado. Os discípulos de Emaús voltam a Jerusalém, anunciando que Cristo ressuscitou. Os discípulos que experimentaram o convívio de Cristo desde o batismo no Jordão, como Pedro e João, encontraram o sepulcro vazio e tornaram-se testemunhas do Cristo ressuscitado: “E nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na região dos judeus e em Jerusalém: Deus o ressuscitou ao terceiro dia, e fez que se manifestasse a testemunha. E nos ordenou que anunciássemos ao Povo e atestássemos ser ele o juiz dos vivos e dos mortos estabelecido por Deus (cf. 1ª leit., Atos 10,34a.37-43).

Portanto, faz-se Páscoa, surge a vida, onde as pedras são retiradas dos sepulcros, onde se vive a caridade no serviço do próximo. Estes são os sinais de que Jesus Cristo continua ressuscitando hoje. Eles anunciam a sua ressurreição e suscitam nova vida, pois retiram todas as barreiras que atentam contra a vida.

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sábado, 26 de março de 2016

A Páscoa de Cristo e dos Cristãos

Páscoa é a passagem da morte para a vida por obra de Deus. Na solenidade da Páscoa, que se estende por 50 dias, a Igreja celebra a Páscoa de Cristo e dos cristãos, ou a páscoa dos cristãos na páscoa de Cristo. A compreensão disso é de máxima importância para a vida em Cristo, para toda a dimensão pascal da vida dos cristãos. Por sua morte e ressurreição, Jesus vence o pecado e a morte: aquele que os ímpios fizeram perecer, suspendendo-o ao madeiro, Deus o ressuscitou ao terceiro dia (cf. 1ª leit., At 10,34a.37-43). “Ele nos ordenou que anunciássemos ao Povo e atestássemos ser ele o juiz dos vivos e dos mortos estabelecido por Deus.

A ele todos os profetas dão testemunho de que todo aquele que nele crer receberá, por seu nome, a remissão dos pecados” (At 10, 42-43).

Os cristãos já ressuscitaram com Cristo. Já morreram e sua vida está escondida com Cristo em Deus: “Ouando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele em glória” (cf. 2ª leit., Cl 3,1-4).

Por Cristo morto e ressuscitado os cristãos também já morreram ao pecado e vivem uma vida nova. Isso se manifesta na forma em que eram e podem ser batizados. Mergulhados na água, pela fé e a ação do Espírito Santo, são sepultados na morte redentora de Cristo e, saindo novamente da água, ressuscitam para uma vida nova em Cristo ressuscitado.

Esta participação do cristão na morte e ressurreição de Cristo chamamos mistério pascal. Eis a sublimidade da vida cristã: viver permanentemente este mistério pascal, procurando as coisas do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. A celebração da Páscoa anual comemora e assim torna presente a páscoa de Cristo acontecida uma vez na história e a páscoa dos cristãos, que tem seu início na fé em Cristo celebrada no batismo.

Esta páscoa dos cristãos em Cristo morto e ressuscitado torna-se novamente presente e se renova em cada festa da Páscoa. Por isso, ela constitui uma comemoração do batismo, como o Pentecostes é uma comemoração da Crisma. Na festa da Páscoa são lançadas na páscoa de Cristo todos os fatos pascais da vida dos cristãos, incluindo as passagens de situações menos humanas para situações mais humanas, as vitórias contra o mal, o testemunho do Cristo ressuscitado, ações de serviço ao corpo de Cristo, presente nas pessoas humanas. Assim, realiza-se o mistério da Páscoa, fonte e manifestação de vida da humanidade por Cristo morto e ressuscitado.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

A Vigília Pascal

A vigília pascal constitui o âmago de todo o Ano Litúrgico. É considerada a mãe de todas as Vigílias. Aliás, toda a Ação pastoral da Quaresma deveria ter como meta a participação na Vigília pascal. Não basta dizê-lo aos fiéis. Será preciso os Pastores irem mostrando sua grande riqueza.

Nesta noite santa, a Igreja não celebra apenas a Páscoa de Jesus Cristo. Celebra também a páscoa dos cristãos, seus membros.

A festa pascal é festa batismal. A Igreja dá à luz novos filhos pela fé e pelo Batismo e, após a penitência quaresmal, renova a própria Aliança batismal, para participar mais intensamente da Ceia pascal do Cordeiro imolado e glorioso. Entre nós, a páscoa é enriquecida pela Campanha da Fraternidade. Por ela se realizou uma experiência pascal da Comunidade eclesial.

Fundamentalmente se trata da celebração da vida renovada em Cristo ressuscitado. Tudo fala de vida e de felicidade. As diversas etapas da vigília fazem com que a vida divina penetre a Comunidade celebrante.

A abertura é feita pela celebração da luz, que brota da pedra virgem, simbolizando Jesus Cristo, Luz do mundo. Ela vai dissipando as trevas para iluminar a todos os presentes. Eleva-se, então, o grande louvor à luz no canto do Exultet.

A Liturgia da Palavra torna presente a Palavra criadora de Deus na criação, na formação de um povo, no Cristo ressuscitado, na Igreja hoje, renovando a Aliança de Deus com a humanidade.

Segue a Liturgia sacramental. Nesta noite, ela abrange os três sacramentos da Iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

Cada sacramento é significado por um símbolo de vida, animado pela ação do Espírito Santo.

A ação de graças sobre a água batismal comemora a ação criadora e libertadora de Deus através da história da Salvação, evocada na celebração da Palavra. O óleo do Crisma, consagrado na Missa da manhã, é usado no sacramento da Confirmação, simbolizando a presença e a ação do Espírito Santo na nova criação, inaugurada na vida da Igreja.

E o ponto alto da celebração é a Eucaristia, ação de graças por excelência, celebração da nova Páscoa de Cristo participada pela Igreja. A vida que nasce no Batismo e é animada pelo Espírito alimenta-se na mesa do Cordeiro pascal. Os cristãos dão testemunho da Morte e Ressurreição do Senhor Jesus e comprometem-se a ser vida, corpo dado e sangue derramado numa vida de ação de graças a Deus e ao próximo. Assim, inaugura-se um novo céu e uma nova terra.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 25 de março de 2016

Paixão do Senhor: homilia do Pregador da Casa Pontifícia



Cidade do Vaticano (RV) - Publicamos a íntegra da homilia do Pregador da Casa Pontífícia, Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap, na celebração da Paixão do Senhor, nesta Sexta-feira Santa, na Basílica de São Pedro. A tradução do italiano para o português foi realizada por Zenit.

***

"DEIXAI-VOS RECONCILIAR COM DEUS"


"Deus nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação [...] Suplicamo-vos em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não tinha conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornássemos justiça de Deus. Posto que somos seus colaboradores, exortamo-vos a não negligenciar a graça de Deus. Ele, com efeito, diz: ‘No tempo favorável te ouvi e no dia da salvação te socorri’. Eis agora o tempo favorável; eis agora o dia da salvação!” (2 Cor 5, 18; 6,2).

Estas são palavras de São Paulo na Segunda Carta aos Coríntios. O apelo do apóstolo a reconciliar-se com Deus não se refere à reconciliação histórica entre Deus e a humanidade (esta, ele acaba de dizer, já se realizou através de Cristo na cruz); tampouco se refere à reconciliação sacramental que acontece no batismo e no sacramento da reconciliação; refere-se a uma reconciliação existencial e pessoal, a ser vivida no presente. O apelo é dirigido aos cristãos de Corinto que são batizados e vivem há tempo na Igreja; é dirigido, por isso, também a nós, aqui e agora. “O tempo favorável, o dia da salvação” é, para nós, o ano da misericórdia que estamos vivendo.

Mas o que significa, em sentido existencial e psicológico, reconciliar-se com Deus? Uma das razões, talvez a principal, da alienação do homem moderno da religião e da fé é a imagem distorcida que ele tem de Deus. Qual é, de fato, a imagem "predefinida" de Deus no inconsciente humano coletivo? Para descobrir, basta fazer-se esta pergunta: "Que associação de ideias, que sentimentos e reações surgem em mim, antes de qualquer reflexão, quando, na oração do pai-nosso, chego às palavras ‘seja feita a vossa vontade’"?

Quem as diz é como se inclinasse interiormente a cabeça em resignação, preparando-se para o pior. Inconscientemente, vincula-se a vontade de Deus com tudo o que é desagradável, doloroso, com aquilo que, de uma forma ou de outra, pode ser visto como mutilação da liberdade e do desenvolvimento individual. É um pouco como se Deus fosse o inimigo de toda festa, alegria, prazer. Um Deus ranzinza e inquisidor.

Deus é visto como o Ser Supremo, o Onipotente, o Senhor do tempo e da história, isto é, como uma entidade que, de fora, se impõe ao indivíduo; nenhum particular da vida humana lhe escapa. A transgressão da Sua lei introduz inexoravelmente uma desordem que exige uma reparação adequada, que o homem sabe ser incapaz de lhe dar. Daí o medo e, às vezes, um surdo rancor contra Deus. É um resquício da ideia pagã de Deus, nunca erradicada de todo, e talvez inerradicável, do coração humano. É nela que se baseia a tragédia grega; Deus é aquele que intervém, através da punição divina, para restaurar a ordem perturbada pelo mal.

É claro que nunca foi ignorada, no cristianismo, a misericórdia de Deus! Mas a ela foi confiada apenas a incumbência de moderar os rigores irrenunciáveis ​​da justiça. A misericórdia era o expoente, não a base; a exceção, não a regra. O ano da misericórdia é a oportunidade de ouro para trazer de volta à luz a verdadeira imagem do Deus bíblico, que não somente tem misericórdia, mas é misericórdia.

Esta afirmação ousada se baseia no fato de que "Deus é amor" (1 Jo 4, 8.16). Só na Trindade Deus é amor sem ser misericórdia. Que o Pai ame o Filho não é graça ou concessão; é necessidade: Ele precisa amar para existir como Pai. Que o Filho ame o Pai não é misericórdia ou graça; é necessidade, mesmo queliberíssima: Ele precisa ser amado e amar para ser Filho. O mesmo deve ser dito do Espírito Santo, que é o amor feito pessoa.

É quando cria o mundo e, nele, as criaturas livres que o amor de Deus deixa de ser natureza e se torna graça. Este amor é uma livre concessão: poderia não existir; é hesed, graça e misericórdia. O pecado do homem não muda a natureza deste amor, mas provoca nele um salto de qualidade: da misericórdia como dom se passa à misericórdia como perdão. Do amor de simples doação se passa para um amor de sofrimento, porque Deus sofre diante da rejeição ao seu amor. "Eu nutri e criei filhos, diz o Senhor, mas eles se rebelaram contra mim" (Is 1, 2). Perguntemos aos muitos pais e mães que tiveram essa experiência se isto não é sofrimento, e dos mais amargos da vida.

* * *

E o que é da justiça de Deus? É esquecida ou desvalorizada? A esta pergunta quem respondeu de uma vez por todas foi São Paulo. Ele começa a sua exposição, na Carta aos Romanos, com uma notícia: "Manifestou-se a justiça de Deus" (Rm 3, 21). Nós nos perguntamos: qual justiça? Aquela que dá "unicuique suum", a cada um o que é seu, distribuindo prêmios e castigos de acordo com o mérito? Haverá, é verdade, um tempo em que se manifestará também essa justiça de Deus, que consiste em dar a cada um segundo os seus méritos. Deus, de fato, como escreveu pouco antes o Apóstolo,

"retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando nas obras de bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; ira e indignação contra aqueles que, por rebelião, desobedecem à verdade e obedecem à injustiça" (Rom 2, 6-8).

Mas não é desta justiça que fala o Apóstolo quando escreve que "se manifestou a justiça de Deus". O primeiro é um evento futuro; este, um evento em ato, que acontece "agora". Se assim não fosse, a afirmação de Paulo seria absurda, negada pelos fatos. Do ponto de vista da justiça retributiva, nada mudou no mundo com a vinda de Cristo. Continuam, disseBossuet, a ver-se muitas vezes no trono os culpados e no patíbulo os inocentes[1]; mas para que não se creia que há no mundo alguma justiça e ordem fixa, ainda que invertida, eis que às vezes se vê o contrário, ou seja, o inocente no trono e o culpado no cadafalso. Não é nisto, portanto, que consiste a novidade trazida por Cristo. Ouçamos o que diz o Apóstolo:

"Todos pecaram e foram privados da glória de Deus, mas são justificados gratuitamente pela sua graça, em virtude da redenção realizada por Cristo Jesus. Deus o estabeleceu como instrumento de expiação por meio da fé, no seu sangue, a fim de manifestar a sua justiça, depois da tolerância usada para com os pecados passados no tempo da divina paciência. Ele manifesta a sua justiça no tempo presente, para ser justo e justificar quem tem fé em Jesus" (Rm 3, 23-26).


Deus faz justiça a si mesmo ao ter misericórdia! Eis a grande revelação. O Apóstolo diz que Deus é "justo e justificador": justo consigo mesmo quando justifica o homem; Ele, de fato, é amor e misericórdia; por isso faz justiça a si mesmo – demonstrando-se verdadeiramente como o que é – quando tem misericórdia.

Mas nada disto se entende quando não se compreende o que quer dizer, exatamente, a expressão "justiça de Deus". Existe o perigo de se ouvir falar de justiça de Deus e, ignorando o seu significado, ficar-se com medo em vez de encorajado. Santo Agostinho já tinha deixado claro: "A 'justiça de Deus' é aquela pela qual, por sua graça, nós nos tornamos justos, assim como a salvação do Senhor (Sl 3,9) é aquela pela qual Deus nos salva"[2]. Em outras palavras, a justiça de Deus é o ato pelo qual Deus faz justos, agradáveis a Si, aqueles que creem no Seu Filho. Não é um fazer-se justiça, mas um fazer justos.

Lutero teve o mérito de trazer de volta à luz esta verdade depois que, durante séculos, pelo menos na pregação cristã, o seu sentido tinha se perdido, e é isto, principalmente, que a Cristandade deve à Reforma, cujo quinto centenário ocorre no próximo ano. “Quando descobri isto, eu me senti renascer, e pareceu-me que se escancaravam para mim as portas do paraíso”[3], escreveu mais tarde o reformador. Mas não foram nem Agostinho nem Lutero os que assim explicaram o conceito de "justiça de Deus"; foi a Escritura que o fez antes deles:

"Quando se manifestaram a bondade de Deus e o seu amor pelos homens, Ele nos salvou, não por causa de obras de justiça por nós praticadas, mas por causa da sua misericórdia" (Tt 3, 4-5). "Deus, rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, fez-nos, de mortos que estávamos pelo pecado, reviver com Cristo. Pela graça fostes salvos" (cf. Ef 2, 4).

Dizer que "se manifestou a justiça de Deus", portanto, é como dizer que se manifestou a bondade de Deus, o seu amor, a sua misericórdia. A justiça de Deus não só não contradiz a sua misericórdia como consiste precisamente nela!

* * *

O que aconteceu na cruz de tão importante a ponto de justificar esta mudança radical nos destinos da humanidade? Em seu livro sobre Jesus de Nazaré, Bento XVI escreveu:

"A injustiça, o mal como realidade, não pode ser simplesmente ignorada, deixada acontecer. Deve ser eliminada, derrotada. Esta é a verdadeira misericórdia. E que o faça Deus mesmo, já que os homens não são capazes – esta é a bondade incondicional de Deus"[4].

Deus não se contentou em perdoar os pecados do homem; Ele fez infinitamente mais: Ele os tomou sobre si mesmo. O Filho de Deus, diz São Paulo, "se fez pecado por nós". Palavra terrível! Já na Idade Média havia quem achasse difícil acreditar que Deus exigira a morte do Filho para reconciliar consigo o mundo. São Bernardo lhe respondia: "Não foi a morte do Filho que aprouve a Deus, mas a sua vontade de morrer espontaneamente por nós": "non mors placuit sed voluntas sponte morientis"[5]. Não foi a morte, portanto, mas o amor que nos salvou! O amor de Deus alcançou o homem no ponto mais distante a que ele tinha se expulsado ao fugir de Deus, ou seja, a morte.

A morte de Cristo devia ser para todos a prova suprema da misericórdia de Deus para com os pecadores. É por isso que ela não tem sequer a majestade de certa solidão, mas é enquadrada, antes, entre dois ladrões. Jesus quis ser amigo dos pecadores até o fim: por isso morreu como eles e com eles. O ódio e a ferocidade dos ataques terroristas desta semana em Bruxelas nos ajudam a entender a força divina contida nas últimas palavras de Cristo: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc 23, 34). Não importa quão grande o ódio dos homens, o amor de Deus tem sido, e será, cada vez maior. Para nós, é dirigida, nas atuais circunstancias, a exortação do Apóstolo Paulo: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem"(Rm 12, 21).

* * *
É hora de perceber que o oposto da misericórdia não é a justiça, mas a vingança. Jesus não opôs a misericórdia à justiça, mas à lei de talião: "olho por olho, dente por dente". Perdoando os pecados, Deus não renuncia à justiça, mas à vingança; Ele não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cf. Ez 18, 23). Jesus Cristo, na cruz, não pediu ao Pai que vingasse a sua causa; pediu-lhe que perdoasse os seus algozes.

Temos que desmitificar a vingança! Ela se tornou um mito penetrante, que contamina tudo e todos, começando pelas crianças. Grande parte das histórias levadas às tela e aos jogos eletrônicos são histórias de vingança. Metade, se não mais, do sofrimento que há no mundo (quando não se trata de males naturais) vem do desejo de vingança, seja nas relações entre as pessoas, seja nas relações entre países e povos.

Foi dito que "o mundo será salvo pela beleza"[6]; mas a beleza também pode levar à ruína. Há somente uma coisa que realmente pode salvar o mundo: a misericórdia! A misericórdia de Deus pelos homens e dos homens entre si. Ela pode salvar, em particular, a coisa mais preciosa e mais frágil que há no mundo neste momento: o matrimônio e a família.

Acontece no matrimônio algo semelhante ao que aconteceu na relação entre Deus e a humanidade, que a Bíblia descreve, precisamente, com a imagem de um casamento. No início de tudo, dizíamos, está o amor, não a misericórdia. A misericórdia só intervém depois do pecado do homem. Também no casamento, no início não há misericórdia, mas amor. As pessoas não se casam por misericórdia, mas por amor. Depois de anos, ou meses, de vida em comum, revelam-se os limites pessoais, os problemas de saúde, do dinheiro, dos filhos; intervém a rotina, que apaga toda alegria.

O que pode salvar um casamento de escorregar para um poço sem fundo, senão o divórcio, é a misericórdia, entendida no sentido completo da Bíblia, ou seja, não apenas como perdão recíproco, mas como um "revestir-se de sentimentos de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão e de magnanimidade" (Col 3, 12). A misericórdia faz com que ao eros se junte o ágape; ao amor de busca, o de doação e de compaixão. Deus "se apieda" do homem (Sl 102, 13): não deveriam marido e mulher se apiedar um do outro? E não deveríamos, nós que vivemos em comunidade, apiedar-nos uns dos outros em vez de nos julgarmos?

Oremos. Pai Celestial, pelos méritos do teu Filho, que, na cruz, "se fez pecado" por nós, afasta do coração das pessoas, das famílias e dos povos o desejo de vingança e faz-nos enamorar da misericórdia. Faz que a intenção do Santo Padre ao proclamar este ano santo da misericórdia encontre resposta concreta em nosso coração e leve todos a experimentarem a alegria da reconciliação contigo. Assim seja!

[1] Jacques-Bénigne Bossuet, “Sermon sur la Providence” (1662), in Oeuvresde Bossuet, eds. B. Velat and Y. Champailler (Paris: Pléiade, 1961), pág. 1062.

[2] S. Agostinho, O Espírito e a letra, 32,56 (PL 44, 237).

[3] Martinho Lutero, Prefácio às obras em latim, ed . Weimar, 54, pág.186.

[4] Cf. J. Ratzinger - Bento XVI, Jesus de Nazaré, II Parte, Libreria Editrice Vaticana 2011, pág. 151.

[5] S. Bernardo de Claraval, Contra os erros de Abelardo, 8, 21-22 (PL 182, 1070).

[6] F. Dostoiévski, O Idiota, parte III, cap.5.

Sexta-feira Santa – Celebração da Paixão do Senhor

Enquanto o Esposo dorme, a esposa se cala. Assim, na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo, a igreja não celebra os Sacramentos. Debruça-se totalmente sobre o sacrifício da Cruz por meio de uma Celebração da Palavra de Deus. Neste dia, a Liturgia deseja beber diretamente da fonte. Abre a celebração num gesto de humildade. Os ministros prostram-se em silêncio diante do altar e, em seguida, o Presidente, sem mais, diz a oração do dia.

Segue-se a Liturgia da Palavra, onde se destaca a proclamação da Paixão de Jesus Cristo segundo João (Jo 18,1-19,42). Nela aparece o Cristo Senhor, o Cristo Rei, o Cristo vitorioso que vai comandando os diversos passos da Paixão. Entrega-se livremente, faz os guardas caírem por terra e, depois de tudo consumado, entrega o espírito ao Pai. Na morte ele é glorificado. Submete-se à morte para deixar-nos o exemplo de reconhecimento de nossa condição humana de criaturas mortais. Na Liturgia da Palavra, a Igreja curva-se sobre o mistério da Cruz.

A resposta é dada em três momentos. Temos, primeiramente, a Oração universal, realmente ecumênica. A Igreja pede que a fonte de graças que jorra da Cruz atinja a todos, Vai, então, alargando suas intenções. Reza pelo Papa, os bispos e todo o clero, os leigos e os catecúmenos; pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos que não crêem em Cristo, pelos que não crêem em Deus, mas manifestam boa vontade, pelos poderes públicos, por todos que sofrem provações.

Tendo acolhido a todos no amor reconciliador de Cristo, a Igreja enaltece a árvore da vida, que floriu e deu fruto, restituindo o paraíso à humanidade. É o ritoo da glorificação e adoração da Cruz, seguido do ósculo.

Finalmente, ela se atreve a comer do fruto da árvore, o Pão vivo descido do céu, a sagrada Comunhão como prolongamento da Missa da Ceia do Senhor.

Neste dia não há rito de bênção e envio. Cada participante é convidado a permanecer com Maria junto ao sepulcro, meditando a Paixão e Morte do Senhor até que, após a solene Vigília em que espera a ressurreição, se entregue às alegrias da Páscoa, que transbordarão por cinqüenta dias.

Na Liturgia das Horas e na piedade popular tem início a comemoração da Sepultura do Senhor. Temos o Descendimento da Cruz, seguido da Procissão do Senhor morto, na esperança da ressurreição. Na Liturgia das Horas, merece especial atenção a leitura patrística, em que se narra o enternecedor diálogo entre Cristo, que desceu à mansão dos mortos, e Adão.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

quinta-feira, 24 de março de 2016

Encontro 20.03.2016

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

No dia 20/03/16 na santa missa das 9 horas iniciamos a Semana Santa com a celebração do Domingo de Ramos. O Rito de entrada aconteceu na praça em frente ao Santuário São Francisco. Frei Mario  Luiz Tagliari, OFM, deu a bênção dos ramos e entramos em procissão  cantando Hosana ao Filho de Davi na Igreja das Chagas para dar continuidade á santa missa.

Com a realização de uma única missa das 9 horas no largo São Francisco, a casa ficou cheia.

Após seguimos para o refeitório e saboreamos nosso tradicional café com direito a bolo. Cantamos com alegria os parabéns aos aniversariantes do mês de março.

Após os avisos seguimos para a capela e fizemos uma Hora Santa em adoração a Jesus Eucarístico ao em preparação á Semana Santa.

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento










sábado, 19 de março de 2016

São José: aquele que guarda os mistérios de Deus

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Solenidade de São José, Esposo da Virgem Maria

2Sm 7, 4-5.12-14.16;
Rm 4, 13.16-18.22;
Mt 1, 16.18-21.24


Não conseguimos, mesmo com toda iluminação do alto, penetrar nos amoráveis e santos desígnios do Pai. Estamos acostumados demais com as afirmações da fé e nem sempre conseguimos conservar o espirito de encantamento e de surpresa diante da obra do Senhor. Penso aqui na encarnação do Verbo.

Desde toda a eternidade esse Deus Uno e Trino projetou ser o Emanuel, o Deus conosco. Por seus insondáveis desígnios, por um amor sem outro igual, quis ser companheiro da caminhada dos homens que havia criado à sua imagem e semelhante e para os quais imaginara a comunhão eterna no seio da Trindade, numa ventura amorosa sem comparação a nada.

Nos seus desígnios o Senhor busca uma mulher. Pede o assentimento de Maria que estava prometida em casamento a José. Comunica-lhe que a força do Alto a cobrirá com sua sombra e ela será a Mãe da Esperança de Israel. A menina de Nazaré não compreende claramente o que lhe é proposto, mas aceita. Começa a se dar conta de que o Poderoso faz nela maravilhas.

Num determinado momento do tempo do noivado Deus, em sonhos, faz com que José vislumbre o inusitado que acontece com Maria. Então ele, acolhe aquela que já está grávida do mistério de Deus. E a partir desse momento ele, esse José, da descendência de Davi, será o guardião dos mistérios de Deus. Será efetivamente o esposo de Maria. Estará perto dela quando o menino cresce em idade, graça e sabedoria diante de Deus e dos homens. Leva-os para o Egito. Contempla com seus olhos esse que é prometido e o desejado das colinas eternas.

Terminamos estas reflexões sobre o mistério de José com um texto de Karl Rahner sobre São José: “Temos um padroeiro que nos convém admiravelmente. Convém a todos nós. José não é o padroeiro dos pobres, dos trabalhadores, dos exilados; modelo da oração e da santa disciplina do coração; modelo dos pais de família porque através de seus filho quem lhe foi confiado foi o Filho do Pai eterno? Os moribundos também se consideram seus protegidos, por esse que fica à sua cabeceira, ele que conheceu a morte e a aceitou. Nossos antepassados fizeram bem ao se colocarem sob a proteção de São José. Seremos nós dignos desta tradição que nos foi transmitida? Que fizemos para conservar e intensificar esse como que parentesco, ao mesmo tempo desejado e secreto que existe entre o povo de Deus e seu intercessor celeste? São José está bem vivo e bem perto de nós pela comunhão do santos. Temos que afastar de nossa mente essa ideia de que os santos ficariam como que anestesiados na ofuscante luz eterna de Deus na qual penetraram ou submersos numa torrente que os tornam presentes lá nos séculos passados. Deus não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos, do que longe de viver de maneira neutra sua vida eterna, conservam de sua existência terrena a substância profunda que os define para sempre e que os integrou para sempre na fonte real da vida, precisamente ali onde se alimenta essa vida dos séculos a virem. Desta maneira haveremos de conceber a maneira como São José vive. Ele é nosso padroeiro. Somente poderemos experimentar os benefícios de sua proteção, evidentemente alimentados pela graça divina, se tivermos o cuidado de abrir nosso coração e nossa vida ao seu espírito e à força silenciosa de sua intercessão”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 16 de março de 2016

Teresa de Calcutá, santa do Ano da Misericórdia

Cidade do Vaticano – Madre Teresa de Calcutá será inscrita no álbum dos Santos no domingo, 4 de setembro. Foi o que anunciou o Papa na manhã desta terça-feira, (15/03), durante um Consistório. Francisco dispôs ainda as datas para a canonização de outros novos quatro futuros santos: Em 5 de junho: Estanislau de Jesus Maria (João Papczynski) e Maria Elisabeth Hesselblad. Em 16 de outubro: José Sánchez Del Río e José Gabriel Del Rosario Brochero.

Anjezë Gonxhe Bojaxhiu nasceu em 1910, em Skopje, atual capital da República da Macedônia (situada na antiga Iugoslávia), e faleceu em setembro de 1997. João Paulo II a beatificou em 19 de outubro de 2003.

O milagre que abriu caminho para a canonização de Madre Teresa de Calcutá – atestado pela Congregação das Causas dos Santos – é atribuído à intercessão da Beata no caso de um homem brasileiro de 35 anos, natural de Santos (SP), curado de oito abscessos no cérebro. Ele é um engenheiro paulista Marcilio Haddad Andrino. Hoje, com 42 anos, vive com a família no Rio de Janeiro e trabalha como funcionário público federal, algo que não pensou que pudesse ser possível.

Outro milagre em sua vida aconteceu quando o médico disse que não tinham possibilidade de ter filhos porque os medicamentos que ele tomou interfeririam nisso. Mas eles pediram a Madre Teresa e têm dois filhos perfeitos.


O Padre Caetano Rizzi, promotor de Justiça no processo diocesano que avaliou o caso do miraculado por intercessão de Madre Teresa, afirmou que o homem está bem de saúde, leva uma vida normal, tem dois filhos e até passou em 1º lugar num concurso público. “O miraculado estava nesta época do ano, em 2008, passando lua de mel em Gramado (RS), que é a minha cidade natal. Lá em Gramado, ele se sentiu mal e foi levado às pressas a Santos, a sua cidade, onde foi internado praticamente em coma, com morfina porque sentia muitas dores. O médico levou-o imediatamente ao centro cirúrgico porque a tomografia acusava oito abcessos no cérebro. Enquanto ele estava na mesa cirúrgica, o médico constatou a falta de um dreno para retirar o líquido que estava se acumulando. Enquanto o médico buscava o dreno, o paciente voltou a si e perguntou: “o que estou fazendo aqui?”. Porque antes de ser internado, a sua esposa, que é catequista da paróquia e que é muito católica, chamou o pároco para administrar o sacramento da Unção. O Padre Almiran foi até o hospital, administrou o Sacramento e deu a eles uma medalhinha de Madre Teresa e disse: rezem a Madre Teresa que ela vai alcançar a graça para vocês. Eles imediatamente rezaram e colocaram a medalhinha embaixo do travesseiro do paciente, do miraculado. No dia seguinte, ele foi embora: quem deveria sair de lá morto… Porque o médico disse à esposa: vá para a sua casa, traga os documentos e as roupas porque infelizmente não temos mais o que fazer. E o médico, constatado tudo, no Tribunal, disse: eu não sei explicar. A ciência não tem uma palavra para explicar o que aconteceu. De 17 pacientes que eu tratei nesta área, 16 morreram. Somente este sobreviveu. E o médico não é cristão”, contou o padre.

A Fundadora das Missionárias da Caridade absorveu o estilo de vida bengali e se dedicou aos pobres e doentes de hanseníase trabalhando nas ruas de Calcutá sempre com seu sari branco debruado de azul, a imagem com que o mundo se habituou a vê-la.

A Congregação cresceu rapidamente e hoje conta cerca de 4,5 mil religiosas em mais de 130 países, nos quais mantém cerca de 700 casas dedicadas a ajudar os mais desfavorecidos.

Após o assassinato das quatro missionárias em Áden, no Iêmen, na sexta-feira (04/03), as Missionárias da Caridade comunicaram na segunda-feira que não abandonarão sua obra no país do Oriente Médio, e continuarão a servir os pobres e necessitados. Além das quatro irmãs, outros 10 colaboradores locais da comunidade foram mortos. Duas das missionárias mortas eram de Ruanda, outra da Índia e a quarta do Quênia. A superiora do convento conseguiu escapar com vida, como também todos os idosos e deficientes que eram hospedados e atendidos na comunidade.

“Madre Teresa sempre esteve nos rincões mais remotos do mundo, independentemente da situação”, recordaram em Calcutá, na Casa-mãe da Congregação, onde as religiosas celebraram uma Eucaristia em sufrágio de suas 4 irmãs mortas no ataque dos fundamentalistas islâmicos.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Convite Coral Sexta-feira Santa - 2016


quinta-feira, 10 de março de 2016

Encontro 06.03.2016

Irmãos e irmãs,
Paz e bem!

A liturgia deste domingo marcou uma novidade no largo São Francisco: as duas fraternidades franciscanas, vizinhas de parede, como lembrava Frei Gustavo Medella, no início da celebração, a  primeira (OFM) e a terceira (OFS) ordens franciscanas, vão se encontrar na missa das 9 horas aos primeiros e terceiros domingos de cada mês. 

A animação da celebração ficou por conta da Jufra das Chagas, quem além de celebrar o seu dia, estava vivendo uma visita fraterna do Regional da Jufra de São Paulo (Sudeste III) por ocasião da assembleia eletiva da fraternidade. 

Concelebraram a missa os assistentes espirituais da Jufra: Frei Alvaci Mendes da Luz, que se despedia do serviço, e Frei Edvaldo Batista Soares, recém nomeado para assistir esta fraternidade. A mística do pai misericordioso trouxe alegria e esperança na caminhada da JUFRA que deseja seguir.

Após o café os irmãos da OFS se dirigiram para o salão e a formação permanente ficou por conta da Irmã Inés Camargo, Franciscana da Terceira Ordem Seráfica que tratou sobre a campanha da Fraternidade 2016 com o tema: Casa Comum, nossa responsabilidade e o lema: Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça, qual riacho que não seca (Am 5,24). 

De maneira alegre e descontraída, os irmãos davam os testemunhos e cuidados com a nossa casa comum. Foi muito bom! Agradecemos á irmã Inês pela oportunidade de encontro e estudo.

E os irmãos da jufra  se dirigiram ao espaço que estava preparado para a celebração do capítulo: a assembleia da fraternidade. 

Presidida pelo Regional da Jufra de São Paulo, representada pelo vice-secretário regional, Danilo José Sampaio, e pelo assistente espiritual, Frei Caetano (OFMCap), a reunião foi recheada de momentos de oração, espiritualidade e partilha.

Encontramo-nos todos na hora do almoço.

À tarde participei com os jufristas na eleição do novo Conselho.

Após a foto oficial do novo conselho todos seguiram para a capela, onde já se encontravam os irmãos professos da OFS para a oração da tarde. Este momento orante foi conduzido pelo assistente espiritual, Frei Edvaldo.

 Os irmãos do secretariado e o irmão visitador do regional renovaram o compromisso franciscano de vida, com a celebração do rito, por ocasião do dia da padroeira Santa Rosa de Viterbo, franciscana secular que é padroeira da juventude franciscana.

E ao final partilhamos um delicioso bolo preparado com muito carinho pelas irmãs da jufra. Que delícia! Todos aprovaram.

E assim nosso dia de encontro e formação transcorreu na paz e no bem!

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento

                                     












quarta-feira, 9 de março de 2016

“Ele que tanto defendeu a vida, não pôde se defender de um ato violento”





São Paulo (SP) – A morte de Frei Antônio Moser pegou a todos de surpresa. O Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei Michael Perry, lamentou a morte inesperada de Frei Antônio Moser, nesta quarta-feira, ao ser baleado e morto quando foi abordado por assaltantes na Rodovia Washington Luiz, na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em nota, o representante de São Francisco de Assis manifestou a sua convicção em que o empenho de Frei Antônio foi sempre para construir a paz e a boa convivência entre as pessoas. “Infelizmente, a humanidade não está convencida de que é preciso investir na construção da paz e no respeito pela vida. Ele, que defendeu a vida humana desde a concepção e fez com que milhares de teólogos e leigos entendessem que de fato é preciso defendê-la desde a concepção, não pôde se defender de um ato violento causado por pessoas armadas”.

Frei Michael citou o trabalho social de Frei Moser no Projeto Terra Santa. “Sinto muito que um confrade que trabalhou tanto evangelizando na Baixada Fluminense e no Centro Educacional Terra Santa, formando as crianças e jovens para não serem violentos, tenha sido vítima de violência nestas circunstâncias”, disse, enviando saudações de condolências e orações pelo nosso Frei Antônio, pelos confrades da Província e pelos seus familiares.

O corpo do Frei Antônio Moser chegou ao Instituto Médico Legal (IML) de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no começo da tarde desta quarta-feira (9). Imagens registradas por câmeras de segurança instaladas próximo ao local do crime mostram que Frei Moser se assustou com a abordagem e perdeu o controle do carro, colidindo com um ônibus e, em seguida, com a mureta que separa as pistas da rodovia. “Nesse ínterim, ele foi atingido por um tiro, que atravessou seu ombro esquerdo e ocasionou sua morte”, descreveu o delegado Brenno Carnevale.

De acordo com a necropsia, a causa da morte foi a transfixação do projétil, que entrou pelas costas do lado esquerdo e atingiu o pulmão e o coração. Um exame de balística ainda deverá definir qual o calibre da arma usada pelos criminosos para atingir o religioso. Nenhum pertence foi roubado.

O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, pediu orações e lamentou a morte trágica de Frei Moser: “A dura realidade que povoa com frequência os nossos noticiários bate à nossa porta. Com susto e tristeza recebemos a notícia da partida repentina de um irmão, vítima da violência que infelizmente tem se tornado cada vez mais comum. Frei Antônio Moser sempre teve como marcas o entusiasmo e a determinação. Atuou em muitas frentes simultaneamente, desde o estudo e a pesquisa, o trabalho pastoral, as aulas, conferências, o trabalho na comunicação, a dedicação a obras sociais. Especialmente nas décadas de 1970 e 1980, dedicou-se de corpo e alma ao pastoreio de comunidades da Baixada Fluminense, atuando na formação do povo e na construção de igrejas. Hoje, infelizmente, devolvemos a Deus a vida deste irmão, vítima de assassinato na mesma Baixada que tanto amou. Que sua partida leve toda a sociedade a buscar caminhos alternativos, que vençam a violência e a dor, que suplantem a injustiça e a morte, que abram para o mundo um horizonte de esperança. Para nossa Província fica um vazio e aumenta nossa responsabilidade em levar adiante o legado por ele deixado”.


O Vigário Provincial, Frei Evaristo Spengler, esteve ainda ontem com Frei Moser em Petrópolis. “Eu cheguei a perguntar a ele se ficaria mais tempo em São Paulo. Ele disse: ‘não, meu tempo é curto e tenho que voltar ainda hoje'”, contou Frei Evaristo, que lamentou muito muito a sua morte. “Além de ser meu confrade, meu professor de Teologia, ele é primo de minha mãe. É uma perda muito grande para a Província e para a Igreja. Ele foi uma referência na Teologia Moral do Brasil. Prova disso foi a sua nomeação para o Sínodo da Família”, lembrou o Vigário Provincial. Para Frei Evaristo, aos 76 anos, Frei Moser estava no auge de sua vida religiosa e de seu trabalho de evangelização.

A Editora Vozes distribuiu o seguinte comunicado: “Comunicamos com imenso pesar o falecimento de Frei Antônio Moser. Pedimos a todos e todas união e força neste momento inesperado e difícil e que possamos continuar unidos na fé e esperança da ressurreição”, escreveu Frei Volney José Berkenbrock, que dividia com Frei Moser a direção da Vozes.

“A vida de Frei Antônio Moser foi rica e fecunda”, disse o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, a respeito do falecimento do Frei Antônio Moser. Dom Leonardo destacou a atuação do religioso junto à CNBB: “Assessorou a Conferência na elaboração de textos e na reflexão teológica, especialmente, na teologia moral. “A CNBB é grata pela ajuda recebida e pede ao Pai misericordioso que acolha o frade menor no Reino definitivo. Brilhe para ele a luz da eternidade”, acrescentou.

Em nota o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, lamentou a morte do frei. “Surpreendidos com a notícia, me uno em oração pela sua alma e estendo meu abraço a seus familiares, à toda comunidade e ao bispo da diocese de Petrópolis, dom Gregório Paixão, e aos membros superiores da Ordem dos Frades Menores (OFM), na qual ele fazia parte. Apesar da dor, em nome da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, rogo a Deus que o perdoe de suas faltas e o receba em sua infinita misericórdia”, diz a nota.

O arcebispo de Petrópolis, Dom Gregório Paixão, lamentou a morte de Frei Moser. Em nota, ele destacou o trabalho realizado por ele naquele município. “Neste momento de tristeza, a Diocese de Petrópolis lamenta o falecimento de Frei Antônio Moser (OFM), ocorrido na manhã de hoje, e se une em oração aos seus familiares e à Ordem dos Frades Menores (OFM). Frei Antônio Moser, nos últimos anos, como pároco da Paróquia Santa Clara e diretor-presidente da Editora Vozes, foi um grande colaborador da Diocese, apoiando e contribuindo com a Pastoral da Educação. Neste momento de dor para todos, a comunidade Diocesana se une em oração com a Ordem dos Frades Menores e familiares de Frei Moser”.

O prefeito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, Rubens Bomtempo, declarou luto oficial de três dias na manhã desta quarta-feira (9) devido a morte do Frei Antônio Moser. As bandeiras do Palácio Sérgio Fadel, sede da prefeitura de Petrópolis, foram colocadas em meio mastro.

Apesar da família extensa, apenas uma irmã de Frei Antônio Moser ainda é viva, Maria Moser, hoje com 82 anos, freira que reside no município de Itajaí. No entanto, Frei Moser mantinha relação próxima com primos, sobrinhos e amigos que residem no município. “Ele me ligava duas, três vezes por semana para saber se estava tudo bem, como estava a cidade. Era uma pessoa muito boa, de um coração enorme, uma grande perda, é até difícil falar neste momento”, conta o sobrinho Mário Moser.

Frei Moser estava a caminho de São Paulo, onde gravaria o programa “Pelos caminhos da fé” na Canção Nova. Extremamente ativo, Frei Moser conciliava várias funções, como diretor-presidente da Vozes, professor do ITF, pároco de Santa Clara, membro da Comissão de Bioética da CNBB, coordenador do Comitê de Pesquisa em Ética da UCP, conferencista, coordenador do projeto social Terra Santa e escritor. Para ele, contudo, isso não era problema: “Diria que é muito simples. Descobri que o sacerdote, o teólogo, o empresário não devem fazer nada sozinhos. Devem contar com pessoas certas para os lugares certos. Ou seja, você administra pessoas e não uma máquina. Por exemplo, construí uma paróquia e formei 16 comunidades de fé, sendo que algumas igrejas comportam de 300 a 400 pessoas. Então, como se faz? Montei esta paróquia e apareço lá uma vez ou outra durante a semana, além dos domingos, naturalmente. O padre bom é aquele que dá uma diretriz e deixa o povo trabalhar. Você deve ser uma espécie de ícone, referência, mas não é quem vai fazer tudo. Por exemplo, na Editora Vozes – cito ela porque trabalhamos lá – conseguimos montar uma equipe que funciona com ou sem a presença minha e do Frei Volney Berkenbrock. E muito bem. Agora, no Centro Educacional Terra Santa, o Sr. Reinaldo Cruz, e mais uma equipe administrativa me ajudaram a elaborar todo o projeto e agora vão tocando com ou sem a minha presença. No que se refere aos sócios, todos confrades, iremos fazer umas duas reuniões anuais. O segredo é não querer fazer tudo sozinho, mas encaminhar”, dizia numa entrevista ao nosso site.


O carro de Frei Moser, foto da Polícia Federal

Frei Moser, que se doutorou em Teologia, com especialização em Moral, na Academia Alfonsianum – Roma, além de diretor da Vozes, era professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto Teológico Franciscano (ITF), em Petrópolis (RJ); pároco da Igreja de Santa Clara de Petrópolis; diretor do Centro Educacional Terra Santa, além de conferencista no Brasil e no exterior. Tem livros traduzidos para outras línguas (Teologia Moral impasses e alternativas; O enigma da esfinge, a sexualidade; Biotecnologia e Bioética: para onde vamos?; Ecologia: desafios éticos). Durante nove anos participou do programa semanal “Em pauta” na Canção Nova.

No ano passado, em outubro, ele foi o único teólogo brasileiro nomeado para o Sínodo da Família. Ainda nos dias 12 e 13 de dezembro, Frei Moser celebrou na sua cidade natal, Gaspar, o jubileu de 50 anos de vida sacerdotal. Oficialmente, Frei Moser completou 50 anos de vida sacerdotal no dia 15 de dezembro.

O momento solene dessas comemorações foi a Celebração Eucarística no domingo, 10 horas. O então pároco Frei Germano Guesser fez a acolhida e apresentou o seu confrade que nasceu no bairro de Gaspar Grande em 29 de agosto de 1939, fruto da união de Elisabeth e Angelo Moser. “Ele vestiu o hábito franciscano em 19 de dezembro de 1959 e foi ordenado sacerdote no dia 15 de dezembro de 1965, portanto ele está celebrando aqui, conosco, 50 anos de sacerdócio”, frisou. “Frei Moser, hoje, é considerado um dos teólogos mais importantes do mundo, podemos dizer assim, tendo em vista que ele foi o único teólogo brasileiro a ser nomeado pelo Papa Francisco para participar do Sínodo da Família, encerrado em outubro último. Ele participou deste importante acontecimento da Igreja atual ao lado de dois cardeais, 4 bispos e quatro leigos do Brasil. Sem dúvida, um dos momentos que marcará, se já não marcou, a sua vida sacerdotal e religiosa”, elogiava Frei Germano.

“Frei Moser é assim: esbanja vitalidade e, para ele, não tem tempo ruim. Tanto que ele é também pároco da Paróquia de Santa Clara, em Petrópolis, que fica próxima do Instituto Teológico e diretor do Centro Educacional Terra Santa, uma entidade assistencial que atende crianças e jovens carentes em Petrópolis. Ainda sobra tempo para ele ser um conferencista no Brasil e no exterior…”, emendou.

VELÓRIO E MISSA DE EXÉQUIAS

O velório será realizado na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis (rua Montecasseros, 95, Centro). A Missa de Exéquias será celebrada às 15 horas desta quinta-feira (10/03), na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis. O sepultamento acontecerá no Mausoléu dos frades junto ao Convento do Sagrado Coração de Jesus.

Dados pessoais, formação e atividades

Nascimento: 29.081939 (76 anos de idade), em Gaspar – SC;
Admissão ao Noviciado: 19.12.1959, em Rodeio, SC;
Primeira Profissão: 20.12.1960 (55 anos de Vida Franciscana);
Profissão Solene: 01.02.1964;
Ordenação Presbiteral: 15.12.1965 (50 anos de Sacerdócio);
1961-1962 – Curitiba – Estudos de Filosofia;
1963-1966 – Petrópolis – Estudos de Teologia;
02.02.1967 – Luzerna – professor do seminário;
28.01.1968 – Petrópolis;
Agosto 1968 – Lyon, França – mestrado em Teologia;
Setembro 1969 – Roma – doutorou-se em Teologia Moral em dezembro de 1972;
02.12.1972 – volta ao Brasil;
29.11.1972 – Petrópolis – professor de Teologia Moral;
Novembro 1991 – eleito Definidor Provincial;
30.08.1996 – coord. da Fraternidade São Vicente, professor, diretor do IDE, e redator da revista SEDOC.
01.12.1997 – Petrópolis – São Francisco – guardião (no capítulo provincial de 1997 foi mudada a denominação de São Vicente para São Francisco de Assis); nomeado membro do Conselho de Assessoria ao Definitório e às Entidades do Departamento de Educação e Comunicação.
23.12.1998 – diretor presidente da Editora Vozes;
22.11.2000 – coordenador da comissão executiva do novo ITF;
07.11.2003 – deixa de ser guardião;
17.12.2009 – diretor do Centro Educacional Terra Santa;
25.02.2016 – membro do conselho administrativo da Província


O frade menor

Frei Antônio foi professor no Convento do Sagrado por 20 anos, e, por mais 20, no Instituto Teológico Franciscano, junto à Fraternidade São Francisco, de Petrópolis. Tinha muitos talentos. Segundo alguns confrades e outras pessoas conhecidas, Frei Antônio “tocava inúmeros instrumentos”, em diversificadas áreas. Escreveu muitos artigos e 27 livros. Era conferencista, assessor em Teologia Moral, falava em programas de TV, era construtor e administrador.

Na sua ficha autobiográfica lê-se: “Apesar de parecer apressado, na realidade me considero eficiente, incapaz de enrolações. Não gosto de conversa mole. Tenho grande facilidade de escrever, de articular o pensamento, mesmo quando falo livremente ou tenho que escrever um artigo em pouco tempo. Tenho o pensamento aberto às novas ideias, sem contudo perder o fio da meada em relação ao que é doutrinário. No mais, o que não sinto é preguiça… estou sempre em atividade… Sei me impor quando quero, mas, por outro lado não me sinto orgulhoso, pois conheço minhas limitações e atribuo os meus talentos à bondade de Deus”.

Interessante é ouvir o que Frei Antônio fala de sua vida espiritual: “Acho que minha espiritualidade é algo que nem todo mundo percebe. Acho até que a maioria dos meus confrades não percebe que tenho uma espiritualidade intensa, embora seja oculta como um tesouro. Não tenho nada de pietismo. Pareço frio. Não é verdade. Desde adolescente sempre tive e continuo tendo Deus presente em minha vida… em todos os momentos. À vezes, brigo com ele, como Jacó ou como São Paulo…”.

Rezemos em fraternidade por Frei Antônio, pela sua acolhida pelo Senhor, agradecidos por todo o bem que ele fez como frade de nossa Província e pela sua grande contribuição à Igreja do Brasil.

R.I.P. 

domingo, 6 de março de 2016

Santa Rosa de Viterbo



Rosa viveu numa época de grandes confrontos, entre os poderes do pontificado e do imperador, somados aos conflitos civis provocados por duas famílias que disputavam o governo da cidade de Viterbo. Ela nasceu nesta cidade num dia incerto do ano de 1234. Os pais, João e Catarina, eram cristãos fervorosos. A família possuía uma boa propriedade na vizinha Santa Maria de Poggio, vivendo com conforto da agricultura.

Envolta por antigas tradições e sem dados oficiais que comprovem os fatos narrados, a vida de Rosa foi breve e incomum. Como sua mãe, Catarina, trabalhava com as Irmãs Clarissas do mosteiro da cidade, Rosa recebeu a influência da espiritualidade franciscana, ainda muito pequena. Ela era uma criança carismática, possuía dons especiais e um amor incondicional ao Senhor e a Virgem Maria. Dizem que com apenas três anos de idade transformava pães em rosas e aos sete, pregava nas praças, convertendo multidões. Aos doze anos ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, por causa de uma visão em que Nossa Senhora assim lhe determinava.

No ano de 1247 a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II, um herege, que negava a autoridade do Papa e o poder do Sacerdote de perdoar os pecados e consagrar. Rosa teve outra visão, desta vez com Cristo que estava com o coração em chamas. Ela não se conteve, saiu pelas ruas pregando com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos foram estimulados na fé, e vários hereges se converteram. Com suas palavras confundia até os mais preparados. Por isto, representava uma ameaça para as autoridades locais.

Em 1250, o prefeito a condenou ao exílio. Rosa e seus pais foram morar em Soriano onde sua fama já havia chegado. Na noite de 5 de dezembro 1251, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador Frederico II, uma semana depois, morreria. O que de fato aconteceu. Com isto, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo. Toda a região voltou a viver em paz. No dia 6 de março de 1252, sem agonia, ela morreu.

No mesmo ano, o Papa Inocêncio IV, mandou instaurar o processo para a canonização de Rosa. Cinco anos depois o mesmo pontífice mandou exumar o corpo, e para a surpresa de todos, ele foi encontrado intacto. Rosa foi transladada para o convento das Irmãs Clarissas que nesta cerimônia passou a se chamar, convento de Santa Rosa. Depois desta cerimônia a Santa só foi “canonizada” pelo povo, porque curiosamente o processo nunca foi promulgado. A canonização de Rosa ficou assim, nunca foi oficializada.. Mas também nunca foi negada pelo Papa e pela Igreja. Santa Rosa de Viterbo, desde o momento de sua morte, foi “canonizada” pelo povo.

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana . No Brasil ela é A Padroeira dos Jovens Franciscanos Seculares. Santa Rosa de Viterbo é festejada no dia de sua morte, mas também pode ser comemorada no dia 4 de setembro, dia do seu translado para o mosteiro de Clarissas de Santa Rosa, em Viterbo, Itália.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 2 de março de 2016

1ª Vigília de 2016

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu no dia 26/02/16 nossa tradicional noite de Vigília na Igreja das Chagas.

Começamos com a Celebração da Santa Missa às 20 horas presidida pelo Frei Wilson, OFM.

E durante toda a noite estivemos diante de Jesus Eucaristia rezando pelos irmãos e irmãs da Fraternidade. Nossas famílias, nossos trabalhos, nossas dificuldades na caminhada.

Rezamos também pelas grandes dificuldades da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência da Cidade de São Paulo.

Colocamos tudo aos pés do Senhor!

Encerramos ás 05 horas de sábado com o Ofício de Nossa Senhora.

Tomamos café e fomos para casa descansar e outros para o trabalho.

Que Deus abençoe a todos os participantes da vigília com muitas bênçãos e graças.

Fraternalmente,

Maria Nascimento