domingo, 27 de dezembro de 2015

Angelus: abrir a porta da família à presença de Deus


Cidade do Vaticano (RV) – Após celebrar a Missa pelas famílias na Basílica Vaticana, o Papa rezou o Angelus com os milhares de fiéis reunidos na Praça S. Pedro.

Antes da oração mariana, o Pontífice dedicou sua alocução à festa da Sagrada Família, que a Igreja celebra no dia 27 de dezembro.

“Penso no grande encontro de Filadélfia, em setembro passado; nas inúmeras famílias que encontrei nas viagens apostólicas; e naquelas de todo o mundo. Gostaria de saudá-las com afeto e reconhecimento, especialmente neste nosso tempo, no qual a família é sujeita a incompreensões e dificuldades de vários gêneros que a enfraquecem.

A cada criança, um novo sorriso


Já o Evangelho deste domingo convida as famílias a acolherem a luz de esperança que provém da casa de Nazaré. “O núcleo familiar de Jesus, Maria e José é para cada fiel, e particularmente para as famílias, uma autêntica escola do Evangelho. Aqui admiramos a realização do desenho divino de fazer da família uma comunidade de vida e de amor especial. Aqui aprendemos que cada núcleo familiar cristão é chamado a ser ‘igreja doméstica’”.

A seguir, Francisco recordou os traços típicos da Sagrada Família: recolhimento e oração, compreensão e respeito mútuos, espírito de sacrifício, trabalho e solidariedade.

“Do exemplo da Sagrada Família, cada família pode receber indicações preciosas para o estilo e as escolhas de vida. Maria e José ensinam a acolher os filhos como dom de Deus", acresentou o Pontífice, recordando que cada criança doa ao mundo um novo sorriso.

Abrir as portas

Em sua reflexão, o Papa se deteve de modo especial na alegria, cuja a base está na presença de Deus. “Se não se abre a porta da família à presença de Deus e ao seu amor, a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e a alegria se apaga. Ao invés, a família que vive a alegria da fé é sal da terra e luz do mundo, fermento para toda a sociedade.”

Francisco então concluiu:

“Que Jesus, Maria e José abençoem e protejam todas as famílias do mundo, para que nelas reinem a serenidade e a alegria, a justiça e a paz que o nascimento de Cristo doou à humanidade.”

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A Mensagem Franciscana do Presépio

Segundo a tradição, a primeira representação visualizada, teatralizada e celebrada de um presépio aconteceu no ano de 1223, num bosque próximo de Greccio, na Úmbria, região italiana. Quem tomou esta iniciativa foi Francisco de Assis, e ,com isso, ele passa a ser o primeiro a organizar de um modo plástico a cena da Encarnação do Filho de Deus.

Não é de se discutir se o fato é verídico ou legendário, pois Francisco de Assis foi um apaixonado pelo modo como Deus fez morada no mundo dos humanos, e certamente, mais do que palavras quis mostrar o maior evento de todos os tempos: na carne de um Menino, Deus está para sempre no meio de nós. Vejamos o texto das Fontes Franciscanas: “A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito dele era observar em tudo e por tudo o Santo Evangelho, seguir perfeitamente a doutrina, imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração.

Recordava-se em assídua meditação das palavras e com penetrante consideração rememorava as obras dele. Principalmente a humildade da encarnação e a caridade da paixão de tal modo ocupavam a sua memória que mal queria pensar outra coisa. Deve-se, por isso, recordar e cultivar em reverente memória o que ele fez no dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio. Havia naquela terra um homem de nome João, de boa fama, mas de vida melhor, a quem o bem-aventurado Francisco amava com especial afeição, porque, como fosse muito nobre e louvável em sua terra, tendo desprezado a nobreza da carne, seguiu a nobreza do espírito. E o bem-aventurado Francisco, como muitas vezes acontecia, quase quinze dias antes do Natal do Senhor, mandou que ele fosse chamado e disse-lhe: ‘Se desejas que celebremos, em Greccio, a presente festividade do Senhor, apressa-te e prepara diligentemente as coisas que te digo. Pois quero celebrar a memória daquele Menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno’. O bom e fiel homem, ouvindo isto, correu mais apressadamente e preparou no predito lugar tudo o que o santo dissera.

E aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e anos. Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. E, de fato, prepara-se o presépio, traz-se o feno, são conduzidos o boi e o burro. Ali se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém. Ilumina-se a noite como o dia e torna-se deliciosa para os homens e animais. As pessoas chegam ao novo mistério e alegram-se com novas alegrias. O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria.” (Cel 30,4).

Sob a inspiração deste fluo, baseando-se nas Fontes Franciscanas, toda a celebração de Natal ganha um novo vigor interpretativo e celebrativo em toda Itália, da Itália para a Europa e da Europa para o mundo. A cidade de Nápoles transforma a cena de Natal num movimento artístico, e a partir dali e dos anos 1700, o presépio é pura arte.

Unindo a Palavra de Deus, a representação artesanal e o folclore, os presépios vão destacando as típicas figuras regionais, e unem fé e beleza estética. As missões franciscanas levam o presépio para o mundo, e assim, cultura local e tradição cristã mostram o maior feito histórico da cristandade.

O presépio tem a forma dos momentos culturais: barroco, colonial, rococó, renascentista, moderno, vanguardista, arte popular, oriental, latino-americano, indiano e africano. O Deus Menino está no campo, na cidade, nas tendas, favelas e arranha-céu; está no centro urbano e na periferia. Une a força do sinal, do sacramental, do sagrado, da teologia da imagem, a fala da fé.

Nos presépios temos a harmonia das diferenças. O mundo do divino encontra-se com o mundo do humano. A grandeza, a onipotência de um Deus revela-se na fragilidade de uma criança. Ali o mundo animal, ovelhas, boi, burro, queda-se contemplativo abraçado pelo silêncio do mundo mineral: pedras e presentes. Há também o toque brilhante daquela Estrela Guia aproximando o mundo sideral.

As plantas formam o colorido arranjo do mundo vegetal. Anjos e pastores, um pai sonhador e uma mãe silente que guarda tudo no coração; afinal todos são conduzidos pelo mesmo mistério. O curioso e controlador mundo do poder representado pelos Reis Magos vem conferir. Fazer presépios é unir mundos! Aquele Menino fez-se Filho do Humano: veio experimentar a nossa cultura, o nosso jeito, a nossa consangüinidade.

Num presépio cabe todos os rostos! É o grande encontro dos simples, dos normais, dos marginais, dos ternos, fraternos, sofridos e excluídos. Quando o diferente se encontra temos a mais bela paisagem do mundo. Tudo se torna transparente na unidade das diferenças. Num presépio não existe preconceito, existe sim aquela silenciosa e calma contemplação da beleza de cada um, de cada uma. Encarnar-se é morar junto e respeitar o diferente! Paz na Terra aos Humanos de vontade boa e bem trabalhada! Isso é que encantou Francisco de Assis!

O presépio nos lembra que Deus não está no mercado das crenças, nem no apelo abusivo do comércio natalino que faz uma profanização deste universo de símbolos: pinheiros e estrelas, animais e pastores, presépios variados. Deus nem sempre está nas igrejas e nem nas bibliotecas; mas Ele está num coração que pulsa de Amor. Esta é a sacralidade inviolável do Natal: Deus está no seu grande projeto, que é Humanizar-se, fazer valer o Amor, Encarnar o Amor!

Deus não está na violência e nem onde se atenta contra a vida. Deus não está no orgulho dos poderosos nem entre os caçadores de privilégios hierárquicos. Mas Ele está na leveza deste Menino, Filho do Pai Eterno, a grande síntese das naturezas humana e divina.

Ele está aqui na mais bela doação do Sim de José e de Maria. Quando há disponibilidade, todo sonho é fecundo. Ele está onde se faz um presépio: lugar do Bem e da Beleza. É o grande momento de refletir este presente que ele nos dá. Isso é que encantou Francisco de Assis!

O Amor tem que ser Amado! A Verdade e a Beleza têm que ser apreciadas. Este é o lugar de Luz no meio das sombras humanas. A luz vale mais do que todas as trevas. Deus está ali com você e com Francisco diante do presépio, e abraçando você com silêncio, paz, harmonia, serenidade; acolhendo você e passando-lhe Onipresença, Onipotência eterna para a fragilidade da criatura. No presépio, Deus olha você, pessoa humana, contemplando a suprema humildade da Pessoa Divina.

Artigo “A Mensagem Franciscana do Presépio, da Revista Franciscana, uma publicação da FFB

Por Frei Vitório Mazzuco Fº

domingo, 20 de dezembro de 2015

Envoltos numa grande Luz


Frei Almir Guimarães

Noite Santa! Noite do Nascimento da luz, Noite de paz, Noite em que nasceu a claridade. Mais uma vez, diante de nós, a singeleza e a beleza da noite do nascimento de Deus na terra dos homens. Festa da iluminação.

“Ó Deus que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz, concedei que tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu de sua plenitude” (Oração da Coleta).

Tudo é claridade e luminosidade. O povo andava com dificuldade, caminhava na escuridão. Para os que habitavam nas trevas da morte uma luz resplandeceu…

A cena é conhecida: um recanto extremamente modesto, uma mulher, um homem, uma criança. Luz e esperança se entrelaçam. Toda criança que nasce é sinal de esperança luminosa. Lucas situa a cena dentro dessa perspectiva da iluminação. “Um anjo do Senhor apareceu aos pastores, a glória do Senhor os envolveu de luz e eles ficaram com muito medo”.

Luz do começo da criação, quando o Senhor separou as trevas da luz e vieram o primeiro dia e a primeira noite. Luz no semblante de Moisés quando ia ter com Deus no alto da montanha. Moisés precisava mesmo colocar um véu cobrindo-lhe a face tão forte o brilho da claridade. A luz de Deus é forte demais. Quando Clara de Assis saía da oração, as irmãs tinham a impressão que seu rosto estava iluminado. A grandeza e majestade, a luz de Deus em confronto com a pequenas e trevas do coração humano provocam medo. O anjo adverte aos pastores: “Não tenhais medo!” O Deus que se apresenta como luz do mundo na cena do presépio se mostra com tanta simplicidade que sua luz na pode atemorizar. É uma criança, um Deus que se torna criança, um Deus que estende as mãozinhas pedindo amor, esse que vem viver a nossa vida para iluminar nossos passos…

Luzes na árvore do Natal, luzes nos festões, nos umbrais das portas, lâmpadas multicoloridas em todos os cantos. Velas acesas na coroa do advento, luzes para os pastores que passavam a noite nos campos cuidando dos rebanhos.

Em poucas e singelas palavras, Lucas descreve a cena do Natal: “ “Enquanto estavam em Belém, completaram-se os dias para o parto e Maria deu à luz o seu filho primogênito e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para ele na hospedaria”.

Participamos da solene liturgia envoltos pela luz do candelabros. Ceamos com nossos irmãos e amigos num ambiente de luz. Deixamos o mundo das trevas, da mentira, da impiedade e das paixões mundanas. Neste tempo santo do Natal, pregustamos a festa da luz que será a glória, imaginamos a luminosidade do banquete do céu onde não haverá nas necessidade de luz porque o Cordeiro ilumina a todos.

Festejar o Natal é tomar a decisão de deixar o mundo das trevas, é acolher a luz, é acender todas as lâmpadas e lamparinas da face da terra para simbolizar a chegada da Luz que não conhece o acaso.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Exposição de Presépios



Não perca nossa 1ª Exposição de Presépios na Chagas!

Dia 18/12/15 às 13 horas - Apresentação de Joana Matera e o Trio Cantique

Dia 19/12/15 às 13 horas - Terá apresentação de Sarau e Coral

São Francisco e o Natal

Para São Francisco, o Natal é a festa das festas, porque o Filho de Deus se revestiu da verdadeira carne da nossa frágil humanidade, para a nossa salvação; e por isso quer que seja celebrado com alegria e generosidade para com os pobres e mesmo para com todos os animais. Numa singular intuição une e funde o mistério da encarnação, na pobreza e humildade, com a eucaristia.

Por isso quer “ver”, com os próprios olhos do corpo, o Natal da celebração eucarística, e criar um ambiente sugestivo para um encontro real com Jesus eucarístico, acolhido na humildade de uma gruta. Assim é o presépio de Greccio, no Natal de 1223. Aquilo que Francisco quer ver e fazer entender é a pobreza-humilhação do Filho de Deus na sua vinda ao mundo, tal qual acontece diariamente na eucaristia. O binômio Belém-eucaristia é de tradição bem mais antiga, que vê o altar como presépio.

Francisco tem a originalidade de atualizá-lo em formas plásticas e simples, ao vivo. Seu desejo era o de fazer nascer Jesus menino e as suas virtudes nos corações de todos e o de fazer “ver” o momento da salvação no Natal-eucaristia.

O mérito de São Francisco não foi o de ter inventado uma cena que todos poderiam reproduzir, mas o de ter mostrado com que sentimentos de coração devemos nos acercar do Menino Jesus.

Cesarius Van Hulst

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Abertura da 1ª Exposição de Presépios na Igreja das Chagas

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu no dia 06/12/15 (domingo) na Igreja da Ordem Terceira, na missa das 9 horas, a abertura da 1ª Exposição de Presépios na Igreja das Chagas do Seráphico Pai São Francisco.

Com o Tema: ”Eu vim para que todos tenham Vida”.

A exposição faz homenagem aos imigrantes que habitam a Cidade de São Paulo.

Organização: Wilson de Jesus Silva.

Contamos com a presença de dois corais:

MOP (Movimento Pró–Idoso).

E o da GCM (Guarda Civil Metropolitana de São Paulo).

Foi muito bom!

Ao final da celebração, o Frei Gustavo Medella, OFM, nosso Assistente deu a bênção e abertura solene da Exposição.

E todos participaram conosco do café franciscano servido em nosso refeitório.

Com muita alegria e fraternidade saboreamos um delicioso café e lanches num ambiente bem enfeitado com motivos natalinos.

A exposição permanecerá até o dia 06/01/16 no horário de funcionamento da igreja.

E aos sábados dias 12 e 19/12/15 teremos sarau e apresentação de coral, bem como no dia 18/12/15 (sexta-feira) sempre às 13 horas.

Vale a pena apreciar! Sejam bem-vindos!

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento












quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Audiência: a alegria de Deus é perdoar

Cidade do Vaticano (RV) – Por que um Jubileu da Misericórdia? Esta pergunta guiou a catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (09/12), na Praça S. Pedro.

Um dia depois da abertura da Porta Santa da Basílica de S. Pedro, o Pontífice voltou a se reunir com milhares de fiéis e motivou a convocação deste Ano Jubilar afirmando que a Igreja necessita deste momento extraordinário, enfatizando a palavra "necessidade".

“Na nossa época de profundas mudanças, a Igreja é chamada a oferecer a sua contribuição peculiar, tornando visíveis os sinais da presença e da proximidade de Deus. E o Jubileu é um tempo favorável para todos nós, porque contemplando a Misericórdia Divina, que ultrapassa todo e qualquer limite humano, podemos nos tornar testemunhas mais convictas e eficazes.

Toque suave e doce

Dirigir o olhar a Deus, explicou o Papa, significa concentrar a atenção no conteúdo essencial do Evangelho, isto é, Jesus Cristo. Ele é a misericórdia feita carne. “Este Ano Santo nos é oferecido para experimentar na nossa vida o toque doce e suave do perdão de Deus, a sua presença ao nosso lado e sua proximidade sobretudo nos momentos de maior necessidade.”

Para Francisco, este Jubileu é uma momento privilegiado para que a Igreja aprenda a escolher unicamente “aquilo que mais agrada a Deus”.

E o que é que mais agrada a Deus é perdoar os seus filhos, usar de misericórdia para com eles, a fim de que possam, por sua vez, usar de misericórdia e perdoar os seus irmãos.

Citando Sto. Ambrósio, o Papa disse que Deus ficou ainda mais satisfeito por ter criado o homem e a mulher porque, assim, tinha a quem perdoar. “A alegria de Deus é perdoar. A essência de Deus é a misericórdia.”

Inclusive a obra de renovação das instituições e das estruturas da Igreja é um meio de experimentar a misericórdia de Deus, afirmou o Papa.

Misericórdia para um mundo mais humano

A misericórdia, acrescentou, pode realmente contribuir para a edificação de um mundo mais humano, especialmente neste nosso tempo, em que o perdão é um hóspede raro nos âmbitos da vida humana.

A quem objeta que haveria coisas mais urgentes do que contemplar a misericórdia de Deus, o Papa responde que na raiz do esquecimento da misericórdia, sempre está o amor próprio, o egoísmo.

No mundo, isso toma a forma de busca exclusiva dos próprios interesses, prazeres e honras, juntamente com a acumulação de riquezas, enquanto na vida dos cristãos aparece muitas vezes sob a forma de hipocrisia e mundanidade.

Estas investidas do amor próprio, que alienam a misericórdia do mundo, são tais e tantas que frequentemente nem sequer somos capazes de as reconhecer como limite e como pecado. Este é o motivo pelo qual é preciso reconhecer que somos pecadores para reforçar em nós a certeza da misericórdia divina. E ensinou aos fiéis uma “oração fácil”, ao reconhecer diariamente nossa condição de pecadores, devemos implorar a Deus: “Senhor, vem com a tua misericórdia”.

E concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, faço votos de que, neste Ano Santo, cada um de nós faça experiência da misericórdia de Deus. É ingênuo acreditar que isso possa mudar o mundo? Sim, humanamente falando é loucura, mas “o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”

Francisco inaugura o 29º Jubileu da história da Igreja


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco inaugurou o 29º Jubileu da história da Igreja Católica – um Ano Santo extraordinário centrado no tema da Misericórdia que decorre até 20 de novembro de 2016.

O Jubileu da Misericórdia teve início com a abertura da Porta Santa na Catedral de Bangui, na República Centro-Africana, no dia 29 de novembro.

Neste dia 8 de dezembro, foi a vez da abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, algo que não acontecia desde 2000.

Esta porta é aberta apenas durante o Ano Santo, permanecendo fechada no restante do tempo, e existem portas santas nas quatro basílicas papais: São Pedro, São João de Latrão, São Paulo fora de muros e Santa Maria Maior.

O anúncio solene do Ano Santo teve lugar com a leitura e publicação da bula pontifícia (Misericordiae Vultus), junto da porta de São Pedro, no Domingo da Divina Misericórdia (12 de abril).

Tradição

A Igreja Católica iniciou a tradição do Ano Santo com o Papa Bonifácio VIII, em 1300, e a partir de 1475 determinou-se um jubileu ordinário a cada 25 anos.

Até hoje, houve 26 Anos Santos ordinários e dois extraordinários (anos santos da Reden­ção): em 1933 (Pio IX) e 1983 (João Paulo II).

O jubileu consiste num perdão geral, uma indulgência aberta a todos, e na possibilidade de renovar a relação com Deus e o próximo. Esta indulgência implica obras penitenciais, como peregrinações e visitas a igrejas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

8 de dezembro: Imaculada Conceição de Maria


Imaculada Conceição da Virgem Maria

8 de dezembro de 2015
Gênesis 3, 9-15. 20; Efésios 1, 3-6.11-12; Lucas 1, 26-38
IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA
O sonho de Deus


Introduzindo

• Quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore de cujo fruto te proibi comer? (Gn 3, 11)
• Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade, para o louvor de sua glória e da graça com que ele nos cumulou o seu bem-amado” (Ef 1, 5-6).
• Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)

O ensinamento da Igreja

Figuras femininas do AT prepararam Maria

“Ao longo de toda a Antiga Aliança, a missão de Maria foi preparada pela missão das santas mulheres. No princípio está Eva: a despeito de sua desobediência, ela recebe a promessa de uma descendência que será vitoriosa sobre o Maligno e a de ser a mãe de todos os viventes. Em virtude dessa promessa, Sara concebe um filho, apesar de sua idade avançada. Contra toda expectativa humana, Deus escolheu o que era tido como impotente e fraco para mostrar sua fidelidade à sua promessa: Ana, a mãe de Samuel, Débora, Rute, Judite e Ester e muitas outras mulheres. Maria sobressai entre esses humildes e pobres do Senhor, que dele esperam e recebem com confiança a Salvação. Com ela, Filha de Sião, por excelência, depois de demorada espera da promessa, completam-se os tempos e se instaura a nova economia” (Catecismo da Igreja Católica, n. 489).

Texto seleto

O canto de Maria calou o pranto de Eva

Chegou para nós, caríssimos, o dia esperado da venerável e bem-aventurada sempre Virgem Maria; que nossa terra se alegre com grande exultação, iluminada pela solenidade de uma tal Virgem. Pois ela é a flor dos campos, da qual saiu o precioso lírio dos vales, por cujo parto a natureza é transformada e apagada a falta de nossos primeiros pais. Nela foi abolida a sentença da maldição pronunciada contra Eva: Na dor darás à luz filhos (Gn 3,16), pois foi na alegria que ela deu à luz o Senhor. Eva chorou, Maria exultou; Eva carregou em seu seio um fruto de lágrimas, Maria um fruto de alegria; a primeira trouxe ao mundo um pecador, a segunda um inocente.
Gerou permanecendo virgem, porque virgem concebeu; deu à luz sem ferir sua pureza, porque não houve concupiscência na concepção. Foi um milagre nos dois sentidos: a jovem mãe engravidara sem corrupção, e permanecendo virgem no parto. Um anjo desceu do céu, enviado por Deus Pai, no primeiro instante de nossa redenção, para saudar a bem-aventurada Maria: Ave, disse ele, cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1,28). Maria foi, portanto, cumulada de graça, e Eva aliviada de seu culpa. A maldição de Eva se converte em bênção para Maria: Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. O Senhor está contigo em teu coração, em teu ventre, em teu seio, está contigo para vir em teu auxílio.
Alegra-te, Virgem santa: o Cristo rei vem do céu ao teu seio, digna-se descer do seio do Pai ao de sua mãe. Bendita és tu entre as mulheres (Lc 1, 42), tu que geraste vida para os homens e mulheres. A mãe de nossa raça introduziu o castigo no mundo. Eva foi a autora do pecado; Maria a autora do mérito. Eva foi nociva dando-nos a morte; Maria foi útil vivificando-nos. Aquela nos abateu, esta nos curou. Pois a desobediência é mudada em obediência, a fé compensa a incredulidade.
Portanto, é na alegria que Maria carrega seu filho, exultante o abraça e leva aquele por quem era levada. Que Maria faça agora soar os instrumentos de harmonia, e que dos dedos ágeis da jovem mãe façam retinir os tamborins. Que nossos coros lhe respondam com alegria e o nosso canto suave alterne com suas melodias: Minha alma engrandece o Senhor (Lc 1,46). A causa de tão grande júbilo foi também novo milagre. A nova geração de Maria resgatou a geração de Eva, e o canto de Maria calou o pranto de Eva.
Santo Ambrósio Autperto, abade – Lecionário Monástico I, p. 564-565

Imaculada em sua Conceição

“Para ser a Mãe do Salvador, Maria foi enriquecida por Deus com os dons para tamanha função. No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como cheia de graça. Efetivamente, para poder dar assentimento livre de sua fé ao anúncio de sua vocação era preciso que ela estivesse totalmente sob a moção da graça de Deus, foi redimida desde a concepção. É isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX: A beatíssima Virgem Maria, no primeiro momento de sua conceição, por singular e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original. Esta “santidade resplandecente e absolutamente única” da qual Maria é enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição lhe vem inteiramente de Cristo: Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime. Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo (Ef 1,3). Ele a escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor (Ef 1, 4)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 490-492). 

A figura de Maria 

• Estamos vivendo os tempos belos de preparação para o Natal e para as festas que comemoram a encarnação do Verbo. Percorremos as trilhas do Advento. Os profetas dos tempos passados haviam falado dos desígnios de Deus, do sonho que Deus tinha de se fazer companheiro da caminhada dos homens. Um dos nomes que o Senhor queria ter era precisamente esse de Emanuel, Deus conosco. Esse sonho começa a se concretizar de maneira clara com a resposta de uma mulher de Nazaré chamada Maria. “Aqui estou. Faça-se em mim segundo teus insondáveis desígnios.

• Maria era uma judia piedosa que esperava a vinda do Messias. Pertencia ao resto fiel do povo. Havia se acostumado a contemplar as nuvens dos céus, esperando sinais da manifestação do Messias. Certamente conhecia os salmos que alimentavam seu relacionamento com o Senhor e, a julgar pelo seu cântico de ação de graças, o Magnificat, tinha traços da espiritualidade de Abraão. Caminhava confiante para uma terra que Deus lhe haveria de mostrar.

• Quando pensamos em Deus, nesse ser de todas as grandezas e de toda plenitude não sabemos como descrevê-lo. A fé nos ensina que ele é uma fornalha de amor. O Pai, eternamente Pai, gera eternamente o Verbo, sua expressão. O Verbo, a Palavra se volta para o Pai. Entre o Pai e o Verbo há um liame, um laço, um sopro que é o Espírito. Esse Deus uno e trino é fornalha de amor. O sonho de Deus é criar o mundo e o homem e fazer com esses homens todos pudessem mergulhar no abismo de amor da Trindade. Por isso, na intenção de Deus a primeira realidade em seu pensamento foi a natureza humana de Jesus. Seu projeto era tomar carne e assim levar a carne para o mistério do Amor trinitário. A humanidade de Jesus é o primeira pensamento de Deus. Para tanto era preciso um seio de mulher, a aquiescência de uma descendente de Eva que pudesse ser coberta com sombra do Espírito. E assim Maria de Nazaré fica sendo a segunda no pensamento de Deus. A partir de sua aquiescência começa a se realizar o sonho de Deus. E o Senhor inventa a Imaculada.

• Tudo começa com a criação. Esse Deus adorável cria os espaços, os oceanos, as estrelas, o sol, o verde, o ar. Tudo sai de suas mãos e de seu desejo de partilhar o bem, o amor. Tudo começara bem. Homem e mulher foram colocados num jardim. Ele e ela vieram da terra. O sopro divino fez dele e dela seres viventes. Deus mesmo costumava passear pelas alamedas do paraíso ao cair da terra, na hora da brisa fresca. Harmonia e paz nesse mundo que ia brotando do amor e da força de Deus. O coração do homem, no entanto, não foi fiel ao Senhor. Adão foge do olhar do Senhor. “Adão, onde estás?” Tudo era ordem e beleza. De repente, Adão experimenta medo devido à desordem de seu coração. “Ouvi a tua voz no jardim e fiquei com medo; porque estava nu e me escondi”. Medo e vergonha se entrelaçam. O pecado quebra a paz e a harmonia. Aparece a serpente como atriz do drama. E o Senhor disse à serpente: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Ela te ferirá a cabeça e a tu lhe ferirás o calcanhar”. Uma mulher haveria de esmagar aquela que havia feito o convite a desordem e inspirado. Esta seria Maria, a Imaculada.

• “Aqui estou com minha história e minha trajetória. Sou filha de um povo de fé. Que em mim se faça a vontade do Altíssimo. O que nascer de mim vem de mim e vem da vontade amorosa do Altíssimo. O Senhor fez maravilhas em mim. Não tenho outro desejo senão o de ser a serva do Senhor. O que se opera em mim é obra do amor sem limites daquele que sempre olha para a humildade de seus servos”.

• Ao lado do quadro da descrição da criação e do pecado dos primeiros pais encontramos o da anunciação do anjo a Maria. A mulher de Nazaré diante da palavras do mensageiro divino sente-se perturbada. Maria experimenta medo diante da proposta de ser participante na realização do sonho de Deus. O mensageiro divino afirma: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça, diante de Deus”. Segundo José Antonio Pagola através das palavras do anjo compreendemos o mistério e vislumbramos a beleza da Imaculada. O que a ela é dirigido e dito convém acolhamos também nos em nossa vida diária:

o Alegra-te – É a primeira coisa que Maria ouve, é a primeira coisa que devemos ouvir também nós. Alegra-te: essa é a primeira palavra de Deus a toda criatura. Nestes tempos, que a nós nos parecem de incerteza e escuridão, cheios de problemas e dificuldades, a primeira coisa que se nos pede é não perder a alegria. Sem alegria a vida se torna mais difícil e dura.

o O Senhor está contigo – A alegria a que estamos convidados não é um otimismo forçado nem um autoengano fácil. É a alegria interior que nasce em quem enfrenta a vida com a convicção de que não está só. Uma alegria que nasce da fé. Deus nos acompanha, nos defende e busca sempre o nosso bem. Podemos queixar-nos de muitas coisas, mas nunca poderemos dizer que estamos sós, porque não é verdade. Dentro de cada um, no mais profundo de nosso ser, está Deus, nosso Salvador.

o Não temas. São muitos os medos que podem despertar em nós. Medo do futuro, da doença, da morte. Coisas que nos causam medo: sofrer, sentir-se só, não ser amado. Podemos ter medo de nossas contradições e incoerências. O medo é mau, causa dano. O medo sufoca a vida, paralisa as forças, nos impede de caminhar. Precisamos de confiança, segurança e luz. Adão teve medo. O anjo afirma que Maria nada tem a temer.

o Encontraste graça diante de Deus – Não só Maria, mas também nós precisamos ouvir estas palavras, pois todos nós vivemos e morremos sustentados pela graça e pelo amor de Deus. A vida prossegue com suas dificuldades e preocupações. A fé em Deus não é uma receita para resolver os problemas diários. Mas tudo é diferente quando vivemos procurando em Deus luz e força para enfrenta-los” (Pagola, Lucas, p.23-24).

FREI ALMIR GUIMARÃES

Fonte: http://www.franciscanos.org.br
Imagem: Acervo Venerável Ordem Terceira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Papa: escola deve ensinar valores, não só conceitos



Cidade do Vaticano – Milhares de educadores e estudantes de todo o mundo se reuniram com o Papa Francisco na manhã de sábado (21/11) na Sala Paulo VI, no Vaticano, no encerramento do Congresso Mundial promovido pela Congregação para a Educação Católica.

A modalidade do encontro foi de testemunhos e perguntas feitas por estudantes e professores e respostas por parte do Pontífice, que não tinha um discurso pronto. Para Francisco, não se pode falar de educação católica sem falar de humanisno.

“Educar de modo cristão não é fazer uma catequese, proselitismo, é levar avante os jovens e as criaças nos valores humanos em toda a realidade. E uma dessas realidades é a transcendência”, disse o Papa, que considera o fechamento à transcendência a maior crise educacional.

O Pontífice lamentou a educação seletiva e elitista. “Parece que têm direito à educação os povos que tem certo nível, certa capacidade. Mas certamente não têm direito à educação todas as crianças. Esta é uma realidade mundial que nos envergonha, que nos leva rumo a uma seletividade humana que, ao invés de aproximar os povos, os afasta. Afasta os ricos dos pobres, uma cultura de outra.”

O Papa falou ainda do fenômeno da exclusão, que leva à ruptura do pacto educativo entre a família e a escola, entre a família e o Estado. “Os trabalhadores mais mal pagos são os educadores. Isso significa que o Estado não tem interesse”, criticou.

Um grande pensador brasileiro

Para ele, o trabalho do educador é buscar novos caminhos na educação informal, como as artes e os desportos. E o Papa chamou em causa os brasileiros, citando implicitamente Paulo Freire: “Um grande educador brasileiro dizia que na escola formal devia-se evitar cair somente num ensino de conceitos. A verdadeira escola deve ensinar conceitos, hábitos e valores. Quando uma escola não é capaz de fazer isso, esta escola é seletiva, exclusiva e para poucos”, disse Francisco, acrescentando que o critério de seleção puramente racional tem como base “o fantasma do dinheiro”.

Quanto à figura do educador, o Pontífice considera que este deve saber arriscar; caso contrário, não pode educar. “Arriscar significa ensinar a caminhar, ensinar que uma perna deve estar firme e, a outra, deve tentar avançar. Educar é isto. O verdadeiro educador deve ser mestre de risco, mas de risco consciente.”

Periferias

Francisco falou ainda da necessidade de ir às periferias. No campo educativo, afirmou, significa acompanhar os alunos no crescimento, não somente fazer beneficência e dar de comer e ensinar a ler. Significa segurar pelas mãos e caminhar juntos, fazer com que os jovens de periferia, feridos em sua humanidade, “cresçam em humanidade, em inteligência, em valores e em hábitos”.

“A maior falência de um educador é educar ‘dentro dos muros’: muros de uma cultura seletiva, muros de uma cultura de segurança, os muros de um setor social elevado.”

Por fim, o Papa deu como “lição de casa” aos presentes que repensem as obras de misericórdia na educação. “Como posso fazer para que este Amor do Pai, que é especialmente ressaltado neste Ano da Misericórdia, chegue às nossas obras educativas?”

O Pontífice concluiu agradecendo aos educadores “mal pagos” por tudo o que fazem, encorajando-os a prosseguirem. “Devemos reeducar tantas civilizações!”

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Um Rei que morre de amor



Frei Almir Guimarães

Desde a nossa mais tenra idade fomos sendo levados a conhecer e amar a Cristo. Muitos, ao longo do tempo da vida, vão entrando em relação com o Cristo Ressuscitado na Igreja e fazem-se discípulos do Senhor, são súditos do Cristo Rei.

Jesus, o Filho de Maria, foi o primeiro na intenção de Deus. Desde toda a eternidade, no seio da Trindade, o Pai queria exteriorizar seu amor desmedido pelos homens através da encarnação do Filho. Antes que a criação existisse a humanidade de Jesus já estava no pensamento de Deus. O amor sem limites da Trindade se concretiza na encarnação do Verbo. Cristo Jesus é o primeiro no pensamento divino. Tudo para ele existe. Tudo para ele é criado. Esse Jesus encarnado, o Verbo feito carne, toma essa carne no seio de Maria. Ele é o primeiro na intenção de Deus. Ele é rei e centro de tudo. Para ele foram criados os espaços siderais, as plantas e as flores, os rios e os mares, a lua e o sol, o ancião que caminha curvado e a criança que agora vem à luz no meio da selva ou numa maternidade da cidade. Tudo é dele. Para ele tudo foi criado e tudo se sustenta em vista dele. Cristo é rei.

Temos a ideia de que os reis da terra sejam poderosos e potentes. Vestem-se com luxo e se cobrem com joias. Contam com soldados e vivem em fortalezas. Cristo é rei de maneira diferente. Nasce na singeleza e na pobreza. Vive no meio dos simples. Tem mesmo gosto de circular entre os sem vez e sem voz. Diz-se pobre e pobre é. Não tem mesmo uma pedra para reclinar a cabeça. Um rei com os pés empoeirados e o corpo cansado.

Pilatos interrogando a Jesus quer saber se ele é rei ouve a resposta: “Tu o dizes, eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto; para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

No alto da cruz ele é o rei que morre de amor. Vemo-lo preso, amarrado, pregado, esse que era um missionário andarilho. Mal pode falar, aquele que era a Palavra. Aquele que é adorado pelos anjos se torna na cruz objeto de chacotas e brincadeiras de soldados. Sim, desde toda a eternidade ele foi o primeiro no pensamento de Deus e na cruz ganha toda credibilidade porque é um rei que morre de amor.

Testemunhas da verdade



José Antonio Pagola

O julgamento de Jesus teve lugar no palácio em que reside o prefeito romano quando vem a Jerusalém. Acaba de amanhecer. Pilatos ocupa o trono do qual dita suas sentenças. Jesus comparece de mãos atadas como um delinquente. Ali estão, frente a frente, o representante do império mais poderoso e o profeta do reino de Deus.

Pilatos acha incrível que aquele homem tente desafiar Roma. “Então, tu és rei?” Jesus é bem claro: “Meu reino não é deste mundo': Não pertence a nenhum sistema injusto deste mundo. Jesus não pretende ocupar nenhum trono. Não busca poder nem riqueza.

Mas não lhe oculta a verdade: “Sou rei': Vim a este mundo para intraduzir a verdade. Se seu reino fosse desse mundo, teria “guardas” que lutariam por Ele com armas. Mas seus seguidores não são “legionários”, mas “discípulos” que escutam sua mensagem e se dedicam a implantar verdade, justiça e amor no mundo.

O reino de Jesus não é o de Pilatos. O prefeito vive para extrair as riquezas dos povos e levá-las para Roma. Jesus vive “para ser testemunha da verdade': Sua vida é todo um desafio: “Todo aquele que é da verdade escuta minha voz': Pilatos não é da verdade. Não escuta a voz de Jesus. Dentro de algumas horas tentará apagá-la para sempre.

O seguidor de Jesus não é “guardião” da verdade, mas “testemunha”. Sua tarefa não é disputar, combater e derrotar os adversários, mas viver a verdade do Evangelho e comunicar a experiência de Jesus que está mudando sua vida.

O cristão também não é “proprietário” da verdade, mas testemunha. Não impõe sua doutrina, não controla a fé dos outros, não pretende ter razão em tudo. Vive convertendo-se a Jesus, transmite a atração que sente por Ele, ajuda a olhar para o Evangelho, introduz em toda parte a verdade de Jesus. A Igreja atrairá as pessoas quando elas puderem ver que nosso rosto se parece com o de Jesus e que nossa vida lembra a de Jesus.

Trecho extraído do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.

Solenidade Cristo Rei: Os critérios da verdadeira verdade



Frei Gustavo Medella

“Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). É difícil se tocar no tema da verdade. Com frequência se pode cair em extremos perigosos: ou num fanatismo cego de quem busca numa série de enunciados a segurança diante da precariedade da existência ou num total absolutismo do relativo, onde a desconexão entre as pessoas as leva à construção de uma verdade pautada em conveniências próprias, pessoais e individuais. No primeiro caso, quem coloca em cheque esta ilusória segurança tende a ser extirpado, excluído, morto, descartado. No segundo, onde impera a lógica do cada um por si, prevalece a verdade de quem pode mais.

Jesus vem ao mundo para testemunhar a verdade. A legitimidade de seu reinado é este compromisso, do qual Ele jamais abre mão. E, ao percorrer este caminho de testemunho, o Mestre revela a seus discípulos que a “verdadeira verdade” liberta e não aprisiona (Jo 8,32), promove a vida e não a mata (Jo 10,10), opera o milagre da partilha e não o egoísmo (Cf. Mc 14,13-21), acolhe e jamais exclui (Lc 7,48), carrega os próprios fardos e não os impõe aos outros (Mt 23,4), abre os abraços para abraçar e não estende o dedo para condenar (Mt 7,5).

É a verdade dinâmica e sempre provocadora de quem acredita que o Reino inaugurado por Jesus é o da transformação da injustiça em justiça, do ódio em amor, do egoísmo em partilha, do “cada por si” em todos para todos, do ser servido em servir, do “ter todos à disposição” em estar à “disposição de todos”. Trabalho imenso, projeto de uma vida toda. Nesta sucessão de tempos litúrgicos é que o cristão encontra a chance e progredir e crescer na construção de um mundo melhor. Que, neste advento, eu, você, todos nós sejamos melhores ainda que apenas “um pouco”, do que éramos no advento passado. E vamos em frente… Sem parar… Viva Cristo Rei!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Testemunho de caridade de Santa Isabel da Hungria



O testemunho de caridade da jovem Santa Isabel da Hungria mantém toda sua atualidade para seus compatriotas, para os europeus e para os fiéis do mundo inteiro, reconhece o Papa.

As celebrações especiais pelo VIII centenário do nascimento dessa grande figura da Igreja universal deram ocasião a Bento XVI para relançá-la, em uma carta enviada por esta ocasião ao cardeal Peter Erdo — arcebispo de Estergom-Budapeste –, primaz da Hungria e presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

Para o Papa, as festas por este centenário — às quais se une espiritualmente — serão uma oportunidade «para propor a todo o Povo de Deus, e especialmente à Europa, o esplêndido testemunho dessa santa «européia», cuja fama ultrapassou os confins de sua pátria, envolvendo muitíssimas pessoas também não cristãs em todo o continente».

Nascida em 1207 na nova Hungria cristã, Isabel fez seu o programa de Jesus Cristo, Filho de Deus que, fazendo-se homem — aponta o Papa — «se despojou de si mesmo assumindo a condição de servo» (Flp 2,7); com a ajuda de «ótimos mestres», «seguiu os passos de São Francisco de Assis, propondo-se como pessoal e último objetivo conformar sua existência à de Cristo».

Chamada ao matrimônio com o príncipe Luis VI da Turíngia, Isabel «não cessou de dedicar-se à atenção dos pobres, em quem reconhecia o semblante do Divino Mestre», recorda Bento XVI.

Ela viveu de tal forma que «soube unir os dotes de esposa e mãe exemplar — afirma o Papa — ao serviço das virtudes evangélicas, aprendidas na escola do santo de Assis»; «revelou-se verdadeira filha da Igreja, oferecendo um testemunho concreto, visível e significativo da caridade de Cristo».

São inúmeras as pessoas que, ao longo dos séculos, «seguiram seu exemplo, contemplando-a como um modelo de virtudes cristãs, vividas de maneira radical no matrimônio, na família e também na viuvez», constata o Santo Padre em sua carta, difundida no sábado — em italiano, húngaro e alemão — pela Sala de Informação da Santa Sé.

Em Santa Isabel da Hungria — falecida aos 24 anos — também «se inspiraram personalidades políticas, tirando de sua figura impulso para trabalhar na reconciliação dos povos», sublinha Bento XVI.

Em 17 de novembro passado, teve início, em Roma, o ano internacional dedicado a Isabel da Hungria, uma iniciativa — reconhece o Santo Padre — «que está dando novos estímulos para compreender melhor a espiritualidade» da santa «que recorda ainda hoje a seus compatriotas e aos habitantes do continente europeu a importância dos valores imperecíveis do Evangelho».

O Papa confia em que o conhecimento mais profundo da personalidade e obra de Santa Isabel da Hungria e Turíngia «ajude a redescobrir cada vez com consciência mais viva as raízes cristãs da Hungria e da própria Europa, impulsionando os responsáveis a desenvolver de forma harmônica e respeitosa o diálogo entre Igreja e sociedade civil, para construir um mundo realmente livre e solidário».

O Santo Padre expressa igualmente seu desejo de que este ano internacional constitua «para húngaros, alemães e para todos os europeus uma ocasião propícia para evidenciar a herança cristã recebida de seus pais», para continuar «tirando daquelas raízes a seiva necessária para uma frutificação abundante no novo milênio, há pouco iniciado».

Papa Bento 16

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Isabel da Hungria, a princesa entre os pobres



Queridos irmãos e irmãs:

Santa Isabel da Hungria, chamada também de Isabel de Turíngia, nasceu em 1207, na Hungria. Os historiadores discutem onde. Seu pai era André II, rico e poderoso rei da Hungria, o qual, para reforçar seus vínculos políticos, havia se casado com a condessa alemã Gertrudes de Andechs-Merania, irmã de Santa Edwirges, que era esposa do duque de Silésia. Isabel viveu na corte húngara somente nos primeiros quatro anos da sua infância, junto a uma irmã e três irmãos. Ela gostava de música, dança e jogos; recitava com fidelidade suas orações e mostrava atenção particular aos pobres, a quem ajudava com uma boa palavra ou com um gesto afetuoso.

Sua infância feliz foi bruscamente interrompida quando, da distante Turíngia, chegaram alguns cavaleiros para levá-la à sua nova sede na Alemanha central. Segundo os costumes daquele tempo, de fato, seu pai havia estabelecido que Isabel se convertesse em princesa de Turíngia. O landgrave ou conde daquela região era um dos soberanos mais ricos e influentes da Europa no começo do século XIII e seu castelo era centro de magnificência e de cultura. Mas, por trás das festas e da glória, escondiam-se as ambições dos príncipes feudais, geralmente em guerra entre eles e em conflito com as autoridades reais e imperiais. Neste contexto, o conde Hermann acolheu com boa vontade o noivado entre seu filho Ludovico e a princesa húngara. Isabel partiu de sua pátria com um rico dote e um grande séquito, incluindo suas donzelas pessoais, duas das quais permaneceriam amigas fiéis até o final. São elas que deixaram preciosas informações sobre a infância e sobre a vida da santa.

Após uma longa viagem, chegaram a Eisenach, para subir depois à fortaleza de Wartburg, o maciço castelo sobre a cidade. Lá se celebrou o compromisso entre Ludovico e Isabel. Nos anos seguintes, enquanto Ludovico aprendia o ofício de cavaleiro, Isabel e suas companheiras estudavam alemão, francês, latim, música, literatura e bordado. Apesar do fato do compromisso ter sido decidido por razões políticas, entre os dois jovens nasceu um amor sincero, motivado pela fé e pelo desejo de fazer a vontade de Deus. Aos 18 anos, Ludovico, após a morte do seu pai, começou a reinar sobre Turíngia. Mas Isabel se converteu em objeto de silenciosas críticas, porque seu comportamento não correspondia à vida da corte. Assim também a celebração do matrimônio não foi fastuosa e os gastos do banquete foram distribuídos em parte aos pobres. Em sua profunda sensibilidade, Isabel via as contradições entre a fé professada e a prática cristã. Não suportava os compromissos. Uma vez, entrando na igreja na festa da Assunção, ela tirou a coroa, colocou-a aos pés da cruz e permaneceu prostrada no chão, com o rosto coberto. Quando uma freira a desaprovou por este gesto, ela respondeu: “Como posso eu, criatura miserável, continuar usando uma coroa de dignidade terrena quando vejo o meu Rei Jesus Cristo coroado de espinhos?”. Ela se comportava diante dos seus súditos da mesma forma que se comportava diante de Deus. Entre os escritos das quatro donzelas, encontramos este testemunho: “Não consumia alimentos sem antes estar certa de que procediam das propriedades e dos bens legítimos do seu marido. Enquanto se abstinha dos bens adquiridos ilicitamente, preocupava-se também por ressarcir àqueles que tivessem sofrido violência” (nn. 25 e 37). Um verdadeiro exemplo para todos aqueles que desempenham cargos: o exercício da autoridade, em todos os níveis, deve ser vivido como serviço à justiça e à caridade, na busca constante do bem comum.

Isabel praticava assiduamente as obras de misericórdia: dava de beber e de comer a quem batia à sua porta, distribuía roupas, pagava as dívidas, cuidava dos doentes e sepultava os mortos. Descendo do seu castelo, dirigia-se frequentemente com suas donzelas às casas dos pobres, levando pão, carne, farinha e outros alimentos. Entregava os alimentos pessoalmente e cuidava com atenção do vestuário e dos leitos dos pobres. Este comportamento foi informado ao seu marido, a quem isso não apenas não desagradou, senão que respondeu aos seus acusadores: “Enquanto ela não vender o castelo, estou feliz!”. Neste contexto se coloca o milagre do pão transformado em rosas: enquanto Isabel ia pela rua com seu avental cheio de pão para os pobres, encontrou-se com o marido, que lhe perguntou o que estava carregando. Ela abriu o avental e, no lugar dos pães, apareceram magníficas rosas. Este símbolo de caridade está presente muitas vezes nas representações de Santa Isabel.

Seu casamento foi profundamente feliz: Isabel ajudava seu esposo a elevar suas qualidades humanas ao nível espiritual e ele, por outro lado, protegia sua esposa em sua generosidade com os pobres e em suas práticas religiosas. Cada vez mais admirado pela grande fé de sua esposa, Ludovico, referindo-se à sua atenção aos pobres, disse-lhe: “Querida Isabel, é Cristo quem você lavou, alimentou e cuidou” – um claro testemunho de como a fé e o amor a Deus e ao próximo reforçam e tornam ainda mais profunda a união matrimonial.

O jovem casal encontrou apoio espiritual nos Frades Menores, que, desde 1222, difundiram-se em Turíngia. Entre eles, Isabel escolheu o Frei Rüdiger como diretor espiritual. Quando ele lhe narrou as circunstâncias da conversão do jovem e rico comerciante Francisco de Assis, Isabel se entusiasmou ainda mais em seu caminho de vida cristã. Desde aquele momento, dedicou-se ainda mais a seguir Cristo pobre e crucificado, presente nos pobres. Inclusive quando nasceu seu primeiro filho, seguido de outros dois, nossa santa não descuidou jamais das suas obras de caridade. Além disso, ajudou os Frades Menores a construir um convento em Halberstadt, do qual o Frei Rüdiger se tornou superior. A direção espiritual de Isabel passou, assim, a Conrado de Marburgo.

Uma dura prova foi o adeus ao marido, no final de junho de 1227, quando Ludovico IV se associou à cruzada do imperador Frederico II, recordando à sua esposa que esta era uma tradição para os soberanos de Turíngia. Isabel respondeu: “Não o impedirei. Eu me entreguei totalmente a Deus e agora devo entregar você também”. No entanto, a febre dizimou as tropas e o próprio Ludovico ficou doente e morreu em Otranto, antes de embarcar, em setembro de 1227, aos 26 anos. Isabel, ao saber da notícia, sentiu tal dor, que se retirou em solidão, mas depois, fortificada pela oração e consolada pela esperança de voltar a vê-lo no céu, interessou-se novamente pelos assuntos do reino. Outra prova, porém, a esperava: seu cunhado usurpou o governo de Turinga, declarando-se verdadeiro herdeiro de Ludovico e acusando Isabel de ser uma mulher piedosa incompetente para governar. A jovem viúva, com seus três filhos, foi expulsa do castelo de Wartburg e começou a procurar um lugar para refugiar-se. Somente duas de suas donzelas permaneceram junto dela, acompanharam-na e confiaram os três filhos aos cuidados de amigos de Ludovico. Peregrinando pelos povoados, Isabel trabalhava onde era acolhida, assistia os doentes, fiava e costurava. Durante este calvário, suportado com grande fé, paciência e dedicação a Deus, alguns parentes, que haviam permanecido fiéis a ela e consideravam ilegítimo o governo do seu cunhado, reabilitaram seu nome. Assim, Isabel, no início de 1228, pôde receber uma renda apropriada para retirar-se ao castelo familiar em Marburgo, onde vivia também seu diretor espiritual, Frei Conrado. Foi ele quem contou ao Papa Gregório IX o seguinte fato: “Na Sexta-Feira Santa de 1228, com as mãos sobre o altar da capela da sua cidade, Eisenach, onde havia acolhido os Frades Menores, na presença de alguns frades e familiares, Isabel renunciou à sua própria vontade e a todas as vaidades do mundo. Ela queria renunciar a todas as suas possessões, mas eu a dissuadi por amor aos pobres. Pouco depois, construiu um hospital, recolheu doentes e inválidos e serviu em sua própria mesa os mais miseráveis e abandonados. Tendo eu a repreendido por estas coisas, Isabel respondeu que dos pobres recebia uma especial graça e humildade” (Epistula magistri Conradi, 14-17).

Podemos ver nesta afirmação certa experiência mística parecida com a vivida por São Francisco: de fato, o Pobrezinho de Assis declarou em seu testamento que, servindo os leprosos, o que antes era amargo se transformou em doçura da alma e do corpo (Testamentum, 1-3). Isabel transcorreu seus últimos 3 anos no hospital fundado por ela, servindo os doentes, velando com os moribundos. Tentava sempre levar a cabo os serviços mais humildes e os trabalhos repugnantes. Ela se converteu no que poderíamos chamar de mulher consagrada no meio do mundo (soror in saeculo) e formou, com outras amigas suas, vestidas com um hábito cinza, uma comunidade religiosa. Não é por acaso que ela é padroeira da Terceira Ordem Regular de São Francisco e da Ordem Franciscana Secular.

Em novembro de 1231, foi vítima de fortes febres. Quando a notícia da sua doença se propagou, muitas pessoas foram visitá-la. Após cerca de 10 dias, ela pediu que fechassem as portas, para ficar a sós com Deus. Na noite de 17 de novembro, descansou docemente no Senhor. Os testemunhos sobre sua santidade foram tantos, que apenas quatro anos mais tarde, o Papa Gregório IX a proclamou santa e, no mesmo ano, consagrou-se a bela igreja construída em sua honra, em Marburgo.

Queridos irmãos e irmãs, na figura de Santa Isabel, vemos como a fé e a amizade com Cristo criam o sentido da justiça, da igualdade de todos, dos direitos dos demais e criam o amor, a caridade. E dessa caridade nasce a esperança, a certeza de que somos amados por Cristo e de que o amor de Cristo nos espera e nos torna, assim, capazes de imitá-lo e vê-lo nos demais. Santa Isabel nos convida a redescobrir Cristo, a amá-lo, a ter fé e, assim, encontrar a verdadeira justiça e o amor, como também a alegria de que um dia estaremos submersos no amor divino, no gozo da eternidade com Deus. Obrigado.

Benedictus PP XVI


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Um modelo de zelo para salvar o mundo



“Eles nos oferecem, Irmãos Menores, um modelo de zelo, em sentido evangélico, para salvar o mundo. Mostram-nos que precisamos realmente manter-nos fiéis à nossa vocação franciscana. Quanto mais nos comprometermos com os franciscanos seculares, tanto mais nos inseriremos nos interesses que Francisco teve para com o povo em sua situação vital. Estamos lado a lado e reciprocamente nos necessitamos. Mesmo quando os irmãos têm certo sentido da tradição franciscana e também têm o tempo e a possibilidade de chegar a determinadas áreas, também aí necessitamos dos franciscanos seculares para apoiar-nos e completar-nos.

“Porém também eles precisam de nós, porque querem compartilhar o carisma e a tradição franciscanas que estamos obrigados a comunicar-lhes. Isto não significa que eles não nos possam comunicar, mas que nós tenhamos algo de especial para oferecer-lhes. Eles necessitam deste apoio de nossa parte, necessitam da orientação que provém da condição de serem membros de uma Ordem espalhada pelo mundo inteiro. Os franciscanos seculares necessitam também que lhes demos uma visão mais ampla da vocação franciscana, assim como nós também necessitamos deles para conseguirmos uma visão mais ampla dos acontecimentos específicos de sua vida”.

John Vaughn, O.F.M, ex-Ministro Geral

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Regra da Ordem Franciscana Secular


CAPÍTULO I – A Ordem Franciscana Secular (OFS) ou Terceira Ordem Franciscana

1. Entre as famílias espirituais, suscitadas na Igreja pelo Espírito Santo, a Família Franciscana reúne todos aqueles membros do Povo de Deus, leigos, religiosos e sacerdotes, que se sentem chamados ao seguimento do Cristo, na trilha de São Francisco de Assis.
Por modos e formas diversas, mas em recíproca comunhão vital, esses procuram tornar presente o carisma do comum Pai Seráfico na vida e na missão da Igreja.

2. No seio da dita família ocupa unia colocação específica a Ordem Franciscana Secular. Esta se configura como uma união orgânica de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo e abertas a todos os grupos de fiéis. Nelas os irmãos e as irmãs, impulsionados pelo Espírito a conseguir a perfeição da caridade no próprio estado secular, comprometem-se pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra, confirmada pela Igreja.5

3. A presente Regra, após o “Memoriale Propositi”(1221) e após as Regras aprovadas pelos Sumos Pontífices Nicolau IV e Leão XII, adapta a Ordem Franciscana Secular às exigências e expectativas da Santa Igreja nas novas condições dos tempos. A sua interpretação compete à Santa Sé, porém a aplicação será feita pelas Constituições Gerais e por Estatutos particulares.


CAPÍTULO II: A forma de vida

4. A Regra e a vida dos franciscanos seculares é esta: observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o exemplo de São Francisco de Assis que fez do Cristo o inspirador e o centro da sua vida com Deus e com os homens. Cristo, dom de Amor do Pai, é o caminho para Ele, é a verdade na qual o Espírito Santo nos introduz, é a vida que Ele veio dar em superabundância. Os franciscanos seculares se empenhem, além disso, na leitura assídua do Evangelho, passando do Evangelho à vida e da vida ao Evangelho.

5. Os franciscanos seculares, portanto, procurem a pessoa vivente e operante do Cristo nos irmãos, na Sagrada Escritura, na Igreja e nas ações litúrgicas. A fé de Francisco, que ditou estas palavras: “Nada vejo corporalmente neste mundo do altíssimo Filho de Deus se não o seu santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue”, seja para eles inspiração e orientação da sua vida eucarística.

6. Sepultados e ressuscitados com Cristo no Batismo, que os torna membros vivos da Igreja, e a ela mais fortemente ligados pela Profissão, tornem-se testemunhas e instrumentos de sua missão entre os homens, anunciando Cristo pela vida e pela palavra.

Inspirados por São Francisco e com ele chamados a reconstruir a Igreja, empenhem-se em viver em plena comunhão com o Papa, os Bispos e os sacerdotes num confiante e aberto diálogo de criatividade apostólica.

7. Como “irmãos e irmãs de penitência”, em virtude de sua vocação, impulsionados pela dinâmica do Evangelho, conforme o seu modo de pensar e de agir ao de Cristo, mediante uma radical transformação interior que o próprio Evangelho designa pelo nome de “conversão” a qual, devido à fragilidade humana, deve ser realizada todos os dias. Neste caminho de renovação, o sacramento da Reconciliação é sinal privilegiado da misericórdia do Pai e fonte de graça.

8. Assim como Jesus foi o verdadeiro adorador do Pai, façam da oração e da contemplação a alma do próprio ser e do próprio agir.

Participem da vida sacramental da Igreja, principalmente da Eucaristia, e se associem à oração litúrgica em uma das formas propostas pela mesma Igreja, revivendo assim os mistérios da vida de Cristo.

9. A Virgem Maria, humilde serva do Senhor, disponível à sua palavra e a todos os seus apelos, foi cercada por Francisco de indizível amor e foi por ele designada Protetora e Advogada da sua família. Que os franciscanos seculares testemunhem a Ela seu ardente amor pela imitação de sua incondicionada disponibilidade e pela efusão de sua confiante e consciente oração.

10. Unindo-se à obediência redentora de Jesus, que submeteu sua vontade à do Pai, cumpram fielmente as obrigações próprias da condição de cada um nas diversas situações da vida, e sigam o Cristo, pobre e crucificado, testemunhando-o, mesmo nas dificuldades e perseguições.

11. Cristo, confiado no Pai, embora apreciasse atenta e amorosamente as realidades criadas, escolheu para Si e para sua Mãe uma vida pobre e humilde. Assim, os franciscanos seculares procurem no desapego um justo relacionamento com os bens temporais, simplificando suas próprias exigências materiais. Estejam conscientes, pois, de que, segundo o Evangelho, são administradores dos bens recebidos em favor dos filhos de Deus.

Assim, no espírito das “Bem-aventuranças”, se esforcem para purificar o coração de toda a inclinação e cobiça de posse e de dominação como “peregrinos e forasteiros” a caminho da casa do Pai.

12.Testemunhas dos bens futuros e comprometidos pela vocação abraçada à aquisição da pureza do coração, desse modo se tornarão livres para o amor a Deus e aos irmãos.

13. Assim como o Pai vê em qualquer homem os traços do seu filho, Primogênito entre muitos irmãos, os franciscanos seculares acolham todos os homens com humilde e benevolente disposição, como um dom do Senhor e imagem de Cristo.

O senso de fraternidade os tornará alegres e dispostos a identificar-se com todos os homens, especialmente com os mais pequeninos, para os quais procurarão criar condições de vida dignas de criaturas remidas por Cristo.

14. Chamados, juntamente com todos os homens de boa vontade, a fim de construir um mundo mais fraterno e evangélico para a realização do Reino de Deus, cônscios de que “cada um que segue o Cristo, Homem perfeito, também se torna ele próprio mais homem”, exerçam com competência as próprias responsabilidades no espírito cristão de serviço.

15. Estejam presentes pelo testemunho da própria vida humana, e ainda por iniciativas corajosas, individuais e comunitárias, na promoção da justiça, em particular, no âmbito da vida pública, comprometendo-se em opções concretas e coerentes com sua fé.

16. Estimem o trabalho como um dom e como uma participação na criação, redenção e serviço da comunidade humana.

17. Em sua família vivam o espírito franciscano da paz, da fidelidade e do respeito à vida, esforçando-se para fazer dela o sinal de um mundo já renovado em Cristo.
Os esposos, em particular, vivendo as graças do matrimônio, testemunhem no mundo o amor de Cristo à sua Igreja. Por uma educação cristã simples e aberta, atentos à vocação de cada um, caminhem alegremente com os filhos em seu itinerário humano e espiritual.

18. Tenham, além disso, respeito pelas criaturas, animadas e inanimadas, que “do Altíssimo recebem significação” e procurem com afinco passar da tentação do aproveitamento para o conceito franciscano da Fraternização universal.

19. Como portadores de paz e conscientes de que ela deve ser construída incessantemente, procurem os caminhos da unidade e dos entendimentos fraternos mediante o diálogo, confiando na presença do germe divino que existe no homem e na força transformadora do amor e do perdão.

Mensageiros da perfeita alegria, em qualquer situação, procurem levar aos outros a alegria e a esperança. Inseridos na Ressurreição de Cristo, que dão verdadeiro sentido à Irmã Morte, encaminhem-se serenamente ao encontro definitivo com o Pai.

CAPÍTULO III: A vida em fraternidade

20. A Ordem Franciscana Secular se divide em fraternidade de vários níveis: local, regional, nacional e internacional. Cada qual delas tem sua própria personalidade moral na Igreja. Essas fraternidades dos diversos níveis estão coordenadas e ligadas entre si segundo a norma desta Regra e das Constituições.

21. Nos diversos níveis, cada fraternidade é animada e dirigida por um Conselho e um Ministro (ou Presidente), que são eleitos pelos Professos de acordo com as Constituições. Seu serviço, que é temporário, é um cargo de disponibilidade e de responsabilidade em favor de cada indivíduo e dos grupos.

As fraternidades, internamente, se estruturam de acordo com as Constituições, de modo diverso, segundo as variadas necessidades dos seus membros e das suas regiões, sob a direção do respectivo Conselho.

22. A fraternidade local tem necessidade de ser erigida canonicamente, e assim se torna a célula primeira de toda a Ordem e um sinal visível da Igreja, que é uma comunidade de amor. Ela deverá ser o ambiente privilegiado para desenvolver o senso eclesial e a vocação franciscana e também para animar a vida apostólica de seus membros.

23. Os pedidos de admissão à Ordem Franciscana Secular são apresentados a uma fraternidade local, cujo Conselho decide sobre a aceitação dos novos lrmãos.

A incorporação na fraternidade se realiza mediante um tempo de iniciação, um tempo de formação de, ao menos, um ano e pela Profissão da Regra. Em tal itinerário gradual está empenhada toda a fraternidade, também no seu modo de viver. Quanto à idade para a Profissão
e ao distintivo franciscano, é assunto a ser regulado pelos Estatutos. A profissão, por sua natureza, é um compromisso perpétuo.

Os membros que se encontram em dificuldades particulares cuidarão de tratar dos seus problemas com o Conselho num diálogo fraterno. A separação ou demissão definitiva da Ordem, se realmente necessária, é ato de competência do Conselho da Fraternidade, de acordo com a norma das Constituições.

24. Para estimular a comunhão entre os membros, o Conselho organize reuniões periódicas e encontros freqüentes, também com outros grupos franciscanos, especialmente de jovens, adotando os meios mais apropriados para um crescimento na vida franciscana e eclesial, estimulando cada um para a vida de fraternidade. Uma tal comunhão é continuada com os irmãos falecidos pelo oferecimento de sufrágios por suas almas.

25. Para as despesas que ocorrem na vida da fraternidade e para as necessárias obras do culto, do apostolado e da caridade, todos os irmãos e irmãs oferecem uma contribuição na medida de suas próprias possibilidades. Seja um cuidado das fraternidades locais contribuir para o pagamento das despesas dos Conselhos das Fraternidades de grau superior.

26. Em sinal concreto de comunhão e de co-responsabilidade, os Conselhos, nos diversos níveis, de acordo com as Constituições, solicitarão aos Superiores das quatro Famílias Religiosas Franciscanas, às quais, desde séculos, a Fraternidade Secular está ligada, religiosos idôneos e preparados para a assistência espiritual. Para favorecer a fidelidade ao carisma e a observância da Regra e para se terem maiores auxílios na vida da fraternidade, o Ministro (ou Presidente), de acordo com seu Conselho, seja solícito em pedir periodicamente a visita pastoral aos competentes Superiores religiosos e a visita fraterna aos responsáveis de nível superior, segundo as Constituições.

“E todo aquele que isto observar, seja repleto no céu da bênção do altíssimo Pai, e seja na terra cumulado com a bênção do seu dileto Filho, juntamente com o Santíssimo Espírito Paráclito”.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

domingo, 15 de novembro de 2015

Santa Isabel, padroeira da Ordem Terceira Secular


Diz a lenda que Isabel foi invocada mesmo antes de nascer. Um vidente anunciou seu glorioso nascimento como estrela que nasceria na Hungria, passaria a brilhar na Alemanha e se irradiaria para o mundo. Citou-lhe o nome, como filha do rei da Hungria e futura esposa do soberano de Eisenach (Alemanha).

De fato, como previsto, a filha do rei André, da Hungria, e da rainha Gertrudes, nasceu em 1207. O batismo da criança foi uma festa digna de reis. E a criança recebeu o nome de Isabel, que significa repleta de Deus.

Ela encantou o reino e trouxe paz e prosperidade para o governo de seu pai. Desde pequenina se mostrou de fato repleta de Deus pela graça, pela beleza, pelo precoce espírito de oração e pela profunda compaixão para com os sofredores.

Tinha apenas quatro aninhos quando foi levada para a longínqua Alemanha como prometida esposa do príncipe Luís, nascido em 1200, filho de Hermano, soberano da Turíngia. Hermano se orientava pela profecia e desejava assegurar um matrimônio feliz para seu filho.

Dada a sua vida simples, piedosa e desligada das pompas da corte, concluíram que a menina não seria companheira para Luis. E a perseguiam e maltratavam, dentro e fora do palácio.

Luis, porém, era um cristão da fibra do pai. Logo percebeu o grande valor de Isabel. Não se impressionava com a pressão dos príncipes e tratou de casar-se quanto antes. O que aconteceu em 1221.

A Santa não recuava diante de nenhuma obra de caridade, por mais penosas que fossem as situações, e isso em grau heróico! Certa vez, Luis a surpreendeu com o avental repleto de alimentos para os pobres. Ela tentou esconder… Mas ele, delicadamente, insistiu e… milagre! Viu somente rosas brancas e vermelhas, em pleno inverno. Feliz, guardou uma delas.

Sua vida de soberana não era fácil e freqüentemente tinha que acompanhar o marido em longas e duras cavalgadas. Além disso, os filhos, Hermano, de 1222; Sofia, de 1224 e Gertrudes, de 1227.

Estava grávida de Gertrudes, quando descobriu que o duque Luis se comprometera com o Imperador Frederico II a seguir para a guerra das Cruzadas para libertar Jerusalém. Nova renúncia duríssima! E mais: antes mesmo de sair da Itália, o duque morre de febre, em 1227! Ela recebe a notícia ao dar à luz a menina.

Quando Luis ainda vivia, ele e Isabel receberam em Eisenach alguns dos primeiros franciscanos a chegar na Alemanha por ordem do próprio São Francisco. Foi-lhes dado um conventinho. Assim, a Santa passou a conhecer o Poverello de Assis e este a ter freqüentes notícias dela. Tornou-se mesmo membro da Familia Franciscana, ingressando na Ordem Terceira que Francisco fundara para leigos solteiros e casados. Era, pois, mais que amiga dos frades. Chegou a receber de presente o manto do próprio São Francisco!

Morto o marido, os cunhados tramaram cruéis calúnias contra ela e a expulsaram do castelo de Wartburgo. E de tal forma apavoraram os habitantes da região, que ninguém teve coragem de acolher a pobre, com os pequeninos, em pleno inverno. Duas servas fiéis a acompanharam, Isentrudes e Guda.

De volta ao Palácio quando chegaram os restos mortais de Luís, Isabel passou a morar no castelo, mas vestida simplesmente e de preto, totalmente afastada das festas da corte. Com toda naturalidade, voltou a dedicar-se aos pobres. Todavia, Lá dentro dela o Senhor a chamava para doar-se ainda mais. Mandou construir um conventinho para os franciscanos em Marburgo e lá foi morar com suas servas fiéis. Compreendeu que tinha de resguardar os direitos dos filhos. Com grande dor, confiou os dois mais velhos para a vida da corte. Hermano era o herdeiro legitimo de Luis. A mais novinha foi entregue a um Mosteiro de Contemplativas, e acabou sendo Santa Gertrudes! Assim, livre de tudo e de todos, Isabel e suas companheiras professaram publicamente na Ordem Franciscana Secular e, revestidas de grosseira veste, passaram a viver em comunidade religiosa. O rei André mandou chamá-las, mas ela respondeu que estava de fato feliz. Por ordem do confessor, conservou alguma renda, toda revertida para os pobres e sofredores.

Construiu abrigo para as crianças órfãs, sobretudo defeituosas, como também hospícios para os mais pobres e abandonados. Naquele meio, ela se sentia de fato rainha, mãe, irmã. Isso no mais puro amor a Cristo. No atendimento aos pobres, procurava ser criteriosa. Houve época, ainda no palácio, em que preferia distribuir alimentos para 900 pobres diariamente, em vez de dar-lhes maior quantia mensalmente. É que eles não sabiam administrar. Recomendava sempre que trabalhassem e procurava criar condições para isso. Esforçava-se para que despertassem para a dignidade pessoal, como convém a cristãos. E são inúmeros os seus milagres em favor dos pobres!

De há muito que Isabel, repleta de Deus, era mais do céu do que da terra. A oração a arrebatava cada vez mais. Suas servas atestam que, nos últimos meses de vida, frequentemente uma luz celestial a envolvia. Assim chegou serena e plena de esperança à hora decisiva da passagem para o Pai. Recebeu com grande piedade os sacramentos dos enfermos. Quando seu confessor lhe perguntou se tinha algo a dispor sobre herança, respondeu tranqüila: “Minha herança é Jesus Cristo !” E assim nasceu para o céu! Era 17 de novembro de 1231.

Sete anos depois, o Papa Gregório IX, de acordo com o Conselho dos Cardeais, canonizou solenemente Isabel. Foi em Perusa, no mesmo lugar da canonização de São Francisco, a 26 de maio de 1235, Pentecostes. Mais tarde foi declarada Padroeira da Ordem Franciscana Secular.

FREI CARMELO SURIAN, O.F.M.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Papa: caminho da violência e do ódio não resolve problemas da humanidade

Cidade do Vaticano (RV) - “Desejo expressar minha profunda dor pelos ataques terroristas que na noite de sexta-feira ensanguentaram a França, causando numerosas vítimas.”

No Angelus deste domingo, ao meio-dia, o Papa Francisco expressou seu profundo pesar pelos atentados em Paris, externando seus sentimentos ao presidente da República Francesa e a todos os cidadãos, manifestando proximidade particular aos familiares daqueles que perderam a vida e aos feridos.

“Diante de tais atos, não se pode deixar de condenar a inqualificável afronta à dignidade da pessoa humana. Quero reafirmar com veemência que o caminho da violência e do ódio não resolve os problemas da humanidade e que utilizar o nome de Deus para justificar esse caminho é uma blasfêmia!”

Francisco convidou todos a se unirem a sua oração, confiando as vítimas indefesas dessa tragédia à misericórdia de Deus. “A Virgem Maria, Mãe de misericórdia, suscite nos corações de todos pensamentos de sabedoria e propósitos de paz”, acrescentou.

Após pedir a proteção a Nossa Senhora para a querida nação francesa, a Europa e o mundo inteiro, rezou em silêncio com os presentes na Praça São Pedro, e depois uma Ave-Maria.

Ainda nas saudações, o Pontífice lembrou que este sábado, na cidade mineira de Três Pontas, Pe. Francisco de Paula Victor (sacerdote diocesano que viveu de 1827 a 1905) foi proclamado Beato. De origem africana, era filho de uma escrava.

“Pároco generoso e zeloso na catequese e na administração dos sacramentos, distinguiu-se sobretudo por sua grande humildade. Possa seu extraordinário testemunho servir de modelo para muitos sacerdotes, chamados a ser humildes servidores do povo de Deus.”

Na alocução que precedeu a oração mariana, o Santo Padre ressaltou que o Evangelho deste penúltimo domingo do ano litúrgico propõe uma parte do discurso de Jesus sobre os eventos últimos da história humana, voltada para o cumprimento do reino de Deus. “Trata-se de um discurso que Jesus fez em Jerusalém antes de sua última Páscoa”, observou o Papa.

Francisco frisou que este discurso de Jesus contém alguns elementos apocalípticos, como guerras, penúrias, catástrofes cósmicas, todavia, estes elementos não são a coisa essencial da mensagem.

“O núcleo central em torno do qual gira o discurso de Jesus é Ele mesmo, o mistério da sua pessoa e da sua morte e ressurreição, e o seu retorno no fim dos tempos. A nossa meta final é o encontro com o Senhor ressuscitado”, lembrou Francisco prosseguindo com uma interpelação:

“Gostaria de perguntar-lhes: quantos de vocês pensam nisso? Haverá um dia em que eu encontrarei o Senhor face a face. Esta é a nossa meta: esse encontro. Não esperamos um tempo ou um lugar, mas caminhamos ao encontro de uma pessoa: Jesus.”

Portanto, explicou, “o problema não é ‘quando’ acontecerão esses sinais premonitórios dos últimos tempos, mas o fazer-se encontrar preparados para o encontro. E não se trata nem mesmo de saber ‘como’ se darão essas coisas, mas ‘como’ devemos comportar-nos, hoje, à espera desse encontro”.

Somos chamados a viver o presente, construindo o nosso futuro com serenidade e confiança em Deus. A perspectiva do fim não distrai a nossa atenção da vida presente, mas nos faz olhar para nossos dias numa ótica de esperança.

“É aquela virtude tão difícil de ser vivida: a esperança, a menor das virtudes, mas a mais forte. E a nossa esperança tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado”, acrescentou o Papa.

Francisco observou ainda que o Senhor Jesus não é somente o ponto de chegada da peregrinação terrena, mas é uma presença constante na nossa vida: “sempre está ao nosso lado, sempre nos acompanha; por isso, quando fala do futuro, e nos projeta rumo a ele, é sempre para reconduzir-nos ao presente.

“Ele se coloca contra os falsos profetas, contra os videntes que preveem próximo o fim do mundo, e contra o fatalismo. Jesus está ao nosso lado, caminha conosco, nos quer bem”, reiterou.

Cristo quer subtrair seus discípulos de todos os tempos da curiosidade pelas datas, as previsões, os horóscopos, e concentra a nossa atenção no hoje da história, prosseguiu.

“Gostaria de perguntar-lhes – mas não devem responder, cada um responda a si mesmo –: quantos de vocês leem o horóscopo do dia? Calado! Cada um responda a si mesmo. E quando lhe der vontade de ler o horóscopo, olhe para Jesus, que está com você. É melhor, lhe fará bem.”

Essa presença de Jesus – concluiu o Pontífice – nos chama à espera e à vigilância, que excluem tanto a impaciência quanto a apatia, tanto o agir precipitadamente quanto o permanecer prisioneiros no tempo atual e na mundanidade.”

Por fim, Francisco pediu que não se esquecessem de rezar por ele e desejou um bom domingo a todos. (RL)

Fonte: http://br.radiovaticana.va/