sábado, 13 de maio de 2017

Pastorzinhos de Fátima, Francisco e Jacinta, são Santos


Papa Francisco canonizou os pequenos pastores Jacinta e Francisco Marto, que cem anos atrás, tiveram as visões e receberam a mensagem de Nossa Senhora. São as primeiras crianças não-mártires santificadas pela Igreja.


Foi também a primeira vez que uma canonização foi celebrada em Portugal e cerca de meio milhão de fiéis de todas as partes do mundo tomaram conta da esplanada diante do Santuário. Muitos já estavam lá desde a noite de sexta-feira para garantir seu lugar na missa.


Ao chegar à Basílica de Nossa Senhora do Rosário, o Papa cumprimentou o sacerdote mais idoso de Portugal, de 104 anos, que viveu toda a história do Santuário, e rezou diante do túmulo dos pequenos irmãos, que morreram aos 9 e 10 anos.

No exterior, Francisco incensou a imagem de Nossa Senhora, em cuja coroa está encastrada a bala que atingiu o Papa João Paulo II no atentado sofrido na Praça São Pedro, em 13 de maio de 1981.


A missa, da qual participou também o menino brasileiro Lucas Batista, 9 anos, curado graças à intercessão dos pastorzinhos, teve início com o rito da canonização. O bispo de Leiria-Fátima, Dom Antonio Marto, pediu ao Papa que procedesse à canonização dos meninos e leu as suas biografias. 

Em sua homilia, proferida em português, o Papa começou relatando a primeira visão dos dois irmãos e da prima, Lúcia, naquela manhã de cem anos atrás e “a Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora e envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera”.


Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus». Queridos peregrinos, temos Mãe”.

Hoje, prosseguiu Francisco, “nos reunimos aqui para agradecer as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra”.


“Dos braços da Virgem”, disse o Papa, “virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irmãos, rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus”.

Concluindo, Francisco exortou os fiéis: “Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”.

Fonte: http://br.radiovaticana.va/

A biografia dos dois pequenos santos

Fátima (RV) – Durante a missa de canonização dos dois pequenos pastores, na manhã de sábado (13/05), o bispo de Fátima, Dom Antônio Marto, leu a biografia dos irmãos pastores Francisco e Jacinta Marto, pedindo “a Santa Mãe Igreja que o Papa inscrevesse os pequenos Beatos no Catálogo dos Santos para serem invocados por todos os cristãos”.
“Os irmãos Francisco Marto e Jacinta Marto são os mais novos dos sete filhos de Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus, naturais do lugar de Aljustrel, paróquia de Fátima, da diocese de Leiria-Fátima.

Francisco nasceu em 11 de junho de 1908 e foi batizado no dia 20 desse mês, na igreja paroquial de Fátima. Jacinta Marto nasceu em 5 de março de 1910, tendo sido batizada no dia 19 desse mês, também na igreja paroquial de Fátima.

Cresceram num ambiente familiar e social modesto, profundamente cristão.

A sua educação cristã simples, mas sólida, teve como principais agentes seus pais, que foram para eles um exemplo de fé comprometida, de respeito por todos, de caridade para com os pobres e os necessitados. Ainda muito novos, começaram a pastorear o rebanho da família: Francisco tinha 8 anos e Jacinta 6. Passavam grande parte dos dias na tarefa de acompanhar as ovelhas, juntamente com sua prima Lúcia.

Em 1916, na primavera, no verão e no outono, veem o Anjo da Paz. Entre maio e outubro de 1917, em cada dia 13 (em agosto, no dia 19) foram visitados pela Virgem Maria, a Senhora do Rosário. Na primeira aparição, em 13 de maio de 1917, a Santíssima Virgem fez-lhes um convite: «Quereis oferecer-vos a Deus?». Com sua prima, Lúcia, responderam: «Sim, queremos». A partir dessa data viveram as suas vidas entregues a Deus e aos Seus desígnios de misericórdia.

Do perfil de Francisco sobressai o seu jeito pacífico e sereno. A partir das aparições do Anjo e de Nossa Senhora desenvolverá um estilo de vida caracterizado pela adoração e pela contemplação. Sempre que podia, refugiava-se num lugar isolado para rezar. Frequentemente, passava longas horas no silêncio da igreja paroquial, junto ao sacrário, para fazer companhia a «Jesus escondido». Na sua intimidade com Deus, Francisco entrevê um Deus triste face aos sofrimentos do mundo; sofre com Ele e deseja consolá-lo.

Sendo o mais contemplativo dos três videntes, a sua vida de oração alimenta-se da escuta atenta do silêncio em que Deus fala. Deixa-se habitar pela presença indizível de Deus – «Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era!» – e é a partir dessa presença que acolhe os outros na oração.

Em outubro de 1918 adoece, vítima da epidemia bronco-pneumônica. No dia 2 de abril de 1919 confessa-se e no dia 3 de abril recebe o viático. No dia seguinte, em 4 de abril, pelas 22.00 horas, morre serenamente em sua casa, rodeado pelos seus familiares.

Foi sepultado no cemitério de Fátima, em 5 de abril de 1919. Em 13 de março de 1952 os seus restos mortais foram trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima.

Jacinta tinha um caráter carinhoso e expansivo. Tocada pelas aparições do Anjo e da Mãe de Deus deixa-se impressionar, sobretudo, pelo sofrimento dos «pobres pecadores» e pela missão e sofrimento do Santo Padre. De facto, após esses encontros com o Céu, vive completamente esquecida de si, oferecendo orações e sacrifícios para o bem de todos quantos sofrem. A sua espiritualidade é caracterizada pela entrega generosa de si, como um dom para os demais. Expressa frequentemente o desejo de partilhar com todos o amor ardente que sentia pelos corações de Jesus e de Maria. Todos os pequenos gestos do seu dia, inclusive as contrariedades na doença, eram motivo de oferta a Deus pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre. Partilhava a sua merenda com os pobres, oferecendo o jejum em sacrifício como sinal da sua disponibilidade para ser totalmente de Deus. Característica fundamental da sua espiritualidade era a compaixão, especialmente pelos que sofriam e pelos que viviam afastados de Deus.

No final do ano de 1918, Jacinta adoece com a epidemia bronco-pneumônica. Em janeiro de 1920 é levada para Lisboa, para ser tratada no Hospital D. Estefânia. Na noite do dia 20 de fevereiro, às 22h30 morre, sozinha. É sepultada em 24 de fevereiro, no cemitério de Ourém. Em 12 de setembro de 1935 os seus restos mortais são trasladados para o cemitério de Fátima e em 1 de maio de 1951 para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima. Os traços de espiritualidade dos dois irmãos assumem uma vocação inseparavelmente contemplativa e compassiva, que os leva a ser espelho da luz de Deus na prática das boas obras.

Francisco e Jacinta Marto foram beatificados por S. João Paulo II, em Fátima, em 13 de maio de 2000.

Recentemente, Vossa Santidade autorizou que a Congregação para as Causas dos Santos promulgasse o decreto do milagre atribuído à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta. Por fim, no consistório de 20 de abril deste ano, Vossa Santidade estabeleceu a data da Canonização destes mais jovens beatos da história da Igreja para este dia 13 de maio de 2017, durante a peregrinação ao Santuário de Fátima, na celebração do Centenário das Aparições da Santíssima Virgem, Senhora do Rosário”.

A íntegra da homilia na canonização dos pequenos pastores



Fátima (RV) - Confira abaixo a íntegra da homilia pronunciada pelo Papa na canonização dos pequenos Francisco e Jacinta Marto, na manhã de sábado, 13 de maio, em Fátima:

«Apareceu no Céu (…) uma mulher revestida de sol»: atesta o vidente de Patmos no Apocalipse (12, 1), anotando ainda que ela «estava para ser mãe». Depois ouvimos, no Evangelho, Jesus dizer ao discípulo: «Eis a tua Mãe» (Jo 19, 26-27). Temos Mãe! Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia treze de maio de há cem anos atrás. E, à noite, a Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora». Tinham visto a Mãe do Céu. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas… estes não A viram. A Virgem Mãe não veio aqui, para que A víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu.

Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida – tantas vezes proposta e imposta – sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouvíamos na Primeira Leitura, «o filho foi levado para junto de Deus» (Ap 12, 5). E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus».

Queridos peregrinos, temos Mãe. Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus, pois, como ouvíamos na Segunda Leitura, «aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo» (Rm 5, 17). Quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – a nossa humanidade – que tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará. Como uma âncora, fundeemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai (cf. Ef 2, 6). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro.

Com esta esperança, nos congregamos aqui para agradecer as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra. Como exemplo, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-Lo. Daqui lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos. A presença divina tornou-se constante nas suas vidas, como se manifesta claramente na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a «Jesus Escondido» no Sacrário.

Nas suas Memórias (III, n. 6), a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara duma visão: «Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?» Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irmãos, rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus.

Pois Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.

Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor.

Saudação a Mãe de Deus

Paz e bem irmãs e irmãos!
 
Neste mês tão querido, mês de Maria, pedimos a intercessão da Mãe das mães.

Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo santíssimo Pai celestial,
que vos consagrou por seu santíssimo
e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!
Em vós residiu e reside toda a plenitude
da graça e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor! Salve,
ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas, ó santas virtudes
derramadas, pela graça e iluminação
do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis
transformando-os de infiéis
em servos fiéis de Deus!

Informamos que todo sábado no mês de Maio às 14h na igreja do Convento acontecerá a Coroa Franciscana. Sendo uma devoção toda franciscana.

No dia 13 de maio às 18h acontecerá a procissão luminosa do centenário de Nossa Senhora de Fátima. 
Organizado pela Arquidiocese. 
Todos somos convidados. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

APARIÇÕES DE FÁTIMA

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As Aparições de Fátima, cujo centenário se celebra este ano, estão divididas em dois ciclos: o angélico e o mariano.

O ciclo angélico, assim chamado por se referir a três aparições do Anjo de Portugal, na primavera, no verão e no outono de 1916, é considerado como que uma preparação, um itinerário pedagógico para os encontros com Nossa Senhora, no ano seguinte.

Nelas, o Anjo de Portugal, como se identificou na segunda aparição, pediu aos Três Pastorinhos orações e sacrifícios, temas constantes em todas as aparições.

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O ciclo mariano é constituído por seis aparições de Nossa Senhora, em 1917.

Primeira aparição

Na primeira aparição, a 13 de maio de 1917, Nossa Senhora pede a Lúcia, Jacinta e Francisco que se desloquem àquele local, a Cova da Iria, todos os dias 13, por seis meses seguidos, à mesma hora.

Pede, também, que rezem o Terço todos os dias, para que a guerra (Primeira Guerra Mundial 1914-1918) acabe e o mundo conheça a paz.

Segunda aparição

Um mês depois, já acompanhados por cerca de meia centena de pessoas, os três Pastorinhos recebem de novo o pedido para rezarem o Terço e para que aprendam a ler e a escrever.

Ao mesmo tempo, ficam a saber que Francisco e Jacinta vão ter uma vida curta e que a Lúcia está destinada a missão dar a conhecer Nossa Senhora ao mundo e de estabelecer a devoção ao seu Imaculado Coração.

Terceira aparição

Na terceira aparição, a 13 de julho, com um número impreciso de pessoas presentes (entre 2.000 e 3.000 ou 4.000 e 5.000), a Senhora reafirma o pedido de recitação diária do Terço, «em honra de Nossa Senhora do Rosário», para obter o fim da guerra e a paz no mundo e promete que em outubro fará um milagre e dirá quem é.

É nesta aparição que Lúcia, Jacinta e Francisco têm uma visão do inferno e Nossa Senhora anuncia que a guerra vai acabar, mas que se iniciará um novo conflito, ainda pior, no pontificado de Pio XI (1857-1939), se a humanidade não deixar de ofender a Deus.

Para evitar essa guerra, Nossa Senhora diz às três crianças que virá a Fátima pedir a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, bem como a comunhão reparadora nos primeiros sábados, prometendo a conversão da Rússia.

Recorde-se que em fevereiro de 1917 se iniciara a revolução russa, com o derrube da monarquia do czar Nicolau II, seguindo-se, em outubro, a tomada do poder pelos bolcheviques, instaurando o regime comunista e um radical programa antiteísta.

No dia 13 de agosto, juntam-se, na Cova da Iria, milhares de pessoas (cerca de 15.000 a 18.000 pessoas, embora alguns documentos refiram apenas cerca de 5.000).

Os Pastorinhos não apareceram, por nesse dia terem sido levados para Ourém, onde seriam interrogados e onde permaneceram até ao dia 15.

Quarta aparição

Em 19 de agosto, regressados já os Pastorinhos às suas casas, tem lugar a quarta aparição da Senhora, agora nos Valinhos e apenas na presença das três crianças. Esta aparição é marcada pelo pedido de oração pelos pecadores e pela primeira indicação sobre uma capela a erigir com parte dos donativos deixados na Cova da Iria.

Quinta aparição

Na quinta aparição, de novo na Cova da Iria, a 13 de setembro, além de reforçar o pedido de oração do Terço, Nossa Senhora anuncia que em outubro virão Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo e S. José com o Menino Jesus, para abençoarem o Mundo.

Sexta aparição

Uma multidão, calculada entre 50.000 e 70.000 pessoas, acompanha os três Pastorinhos a 13 de outubro, dia em que a Virgem se dá a conhecer como «a Senhora do Rosário» e anuncia para breve o fim da guerra (1914-1918).

No final, quando se elevava no céu, relata Lúcia, cumpre-se a promessa feita no mês anterior: ao lado do sol, surgem S. José com o Menino Jesus, a abençoar o mundo, e Nossa Senhora, vestida de branco e com um manto azul. Desvanecida esta aparição, surgem Nosso Senhor, novamente com um gesto de bênção, e Nossa Senhora das Dores e, depois, Nossa Senhora do Carmo.

Outra promessa cumprida foi a da realização de um milagre, que ficou conhecido por Milagre do Sol, presenciado pelos milhares de pessoas que acorreram ao local.

Nesse dia, depois de uma chuva torrencial, o sol irrompeu no firmamento, girando no céu, em movimentos de ziguezague, com luzes multicolores. Os relatos da época referem várias curas milagrosas entre os presentes.

Nesta última aparição aos três videntes, Nossa Senhora manifesta o desejo de que seja construída naquele lugar uma capela em sua honra.

Fonte: http://www.papa2017.fatima.pt/pt/pages/aparicoes

Papa Francisco oferece terceira Rosa de Ouro

11 de maio, 2017
O Papa Francisco vai oferecer a terceira Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, num gesto à chegada à Capelinha das Aparições a 12 de maio, primeira paragem da sua Peregrinação à Cova da Iria, para celebrar o Centenário das Aparições e canonizar os beatos Francisco e Jacinta Marto.

A oferta da Rosa de Ouro vai ser feita logo depois da oração que o Papa vai rezar à sua chegada à Capelinha das Aparições.

Na vídeomensagem que dirigiu na quarta-feira aos portugueses, a propósito da sua viagem a Fátima, o Santo Padre anunciou esse gesto, referindo:

"Preciso de vos ter comigo. Preciso da vossa união - física ou espiritual, importante é que seja do coração -, para o meu bouquet de flores, a minha Rosa de Ouro, formando um só coração e uma só alma. Entregar-vos-ei todos a Nossa Senhora, pedindo-lhe para segredar a cada um: O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio, o caminho que te conduzirá até Deus".

A Rosa de Ouro é uma distinção que os Papas atribuem a personalidades ou santuários, igrejas ou cidades, em reconhecimento e recompensa por assinalados serviços prestados à Igreja ou a bem da sociedade.

A tradição desta distinção está documentada desde o pontificado de Leão IX (1049-1054) mas acredita-se remontar aos finais do século VI ou princípios do século VII. A bênção das Rosas de Ouro decorre, habitualmente, no Domingo da Alegria, no final da Quaresma.

Esta é a segunda vez que um Papa faz a entrega, pessoalmente, em território português desta distinção. Este gesto já tinha sido feito por Bento XVI, a 12 de maio de 2010.

A primeira Rosa de Ouro oferecida ao Santuário de Fátima foi concedida pelo Papa Paulo VI, em 21 de novembro de 1964, no fim da terceira sessão do Concílio Vaticano II, tendo sido benzida pelo Sumo Pontífice em 28 de março de 1965.

A entrega ao Santuário foi feita a 13 de maio de 1965 pelo cardeal Fernando Cento, legado do Papa.

Na cerimónia de bênção, Paulo VI recordou a simbologia das Rosas de Ouro, que, no seu «significado místico, representam a alegria da dupla Jerusalém – Igreja Triunfante e Igreja Militante – e a belíssima Flor de Jericó – a Virgem Imaculada – que é também a vossa Padroeira e é a alegria e a coroa de todos os Santos».

«[A Rosa de Ouro] é o testemunho do Nosso paternal afeto que mantemos pela nobre Nação Portuguesa; é penhor da Nossa devoção que temos ao insigne Santuário, onde foi levantado à Mãe de Deus um Seu altar», sublinhou na altura Paulo VI.

O Papa acrescentou que a rosa é o símbolo da penitência, recordando a mensagem de Nossa Senhora aos Pastorinhos, nas Aparições de maio a outubro de 1917: «Vindo a Virgem a Fátima para recordar ao mundo a mensagem evangélica da penitência e da oração, então por ele tão esquecida, deveis ser vós, amados filhos, a dar o exemplo no cumprimento desta mensagem».

Em 12 de maio de 2010, em peregrinação a Fátima, o Papa Bento XVI entregou a segunda Rosa de Ouro ao Santuário, no que foi a primeira vez que um Papa teve este gesto, pessoalmente, em território português.

Ajoelhado diante da imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Capelinha das Aparições, o agora Papa emérito, em oração à Virgem, entregou a Rosa de Ouro «como homenagem de gratidão» pelas maravilhas que, por Ela, Deus tem realizado no coração dos peregrinos.

«Estou certo que os Pastorinhos de Fátima, os Beatos Francisco e Jacinta e a Serva de Deus Lúcia de Jesus nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo», acrescentou.


O Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, também recebeu, em 8 de dezembro de 2004, uma Rosa de Ouro, atribuída pelo Papa João Paulo II, por ocasião do centenário da coroação da imagem de Nossa Senhora, e entregue pelo cardeal Eugénio Sales, legado do Papa.

Fonte: http://www.papa2017.fatima.pt/pt/news/papa-francisco-oferece-terceira-rosa-de-ouro

terça-feira, 9 de maio de 2017

Papa Francisco: caridade e bondade, estilo cristão



Cidade do Vaticano (RV) - Não resistir ao Espírito Santo, mas acolher a Palavra com docilidade: è a exortação do Papa Francisco na homilia pronunciada na manhã de terça-feira (09/05) na Casa Santa Marta. Bondade, paz e domínio de si são frutos daqueles que acolhem a Palavra, a conhecem e têm familiaridade com ela. Antes de iniciar, o Papa ofereceu a missa às irmãs da Casa Santa Marta, “que celebram o dia de sua fundadora, Santa Luisa de Marillac”.  

Depois de refletir nos últimos dias sobre a resistência do Espírito Santo, as Leituras do dia falam de um comportamento contrário, característico dos cristãos, que é “a docilidade ao Espírito Santo”. E esta atitude foi o fulcro da homilia do Papa.

Depois do martírio de Estêvão, começou uma grande perseguição em Jerusalém. Somente os Apóstolos permaneceram, enquanto os ‘crentes’, os ‘leigos’, se dispersaram em Chipre, na Fenícia e em Antioquia, anunciando a Palavra apenas aos judeus. Mas em Antioquia, alguns começaram a anunciar Jesus Cristo também aos gregos, ‘pagãos’, porque sentiam que o Espírito Santo os impulsionava a fazer isto. “Foram dóceis”, explicou Francisco.  

O Apóstolo Tiago, em sua carta, exorta a “acolher com docilidade a Palavra”. É preciso ser abertos e não “rígidos”. O primeiro passo no caminho da docilidade è, portanto, “acolher a Palavra”, ou seja, abrir o coração. O segundo é “conhecer a Palavra”, conhecer Jesus, que diz: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Conhecem porque são dóceis ao Espírito.
E depois existe o terceiro passo: a “familiaridade com a Palavra”:

“Levar sempre conosco a Palavra; lê-la, abrir o coração à Palavra e ao Espírito, que è quem nos faz entender a Palavra. E o fruto de receber a Palavra, de conhecê-la, de levá-la conosco, desta familiaridade com a Palavra, è grande… o comportamento de uma pessoa que age assim é de bondade, benevolência, alegria, paz, domínio de si, mansidão”.

Este é o estilo que dá a docilidade ao Espírito, prossegue Francisco:

“Mas eu devo receber o Espírito que me traz a Palavra com docilidade, e essa docilidade, não resistir ao Espírito vai me levar a este modo de vida, a este modo de agir. Receber com docilidade a Palavra, conhecer a Palavra e pedir ao Espírito Santo a graça de torná-la conhecida e, em seguida, dar espaço, para que esta semente germine e cresça nas atitudes de bondade, benignidade, benevolência, paz, caridade, domínio de si: tudo isso faz parte do estilo cristão”.

Na Primeira Leitura se narra que, quando em Jerusalém chega a notícia de que pessoas provenientes de Chipre e Cirene proclamavam a Palavra aos gentios em Antioquia, se assustaram um pouco e enviaram para lá Barnabé, perguntando-se - observou o Papa - como era possível que se pregasse a Palavra aos não circuncisos e como era possível que quem pregava não eram os Apóstolos, mas “essas pessoas que nós não conhecemos”. E “é bonito”, disse o Papa que quando Barnabé chegou a Antioquia e viu “a graça de Deus”, se alegra e exorta-os a “permanecerem com o coração resoluto, fiel ao Senhor”, porque ele era um homem “cheio do Espírito Santo”:

“Há o Espírito que nos guia para não cometermos erros, a aceitar com docilidade o Espírito, conhecer o Espírito na Palavra e viver segundo o Espírito. E isso é o oposto às resistências que Estevão criticava aos líderes, aos doutores da Lei: 'Vocês sempre resistiram ao Espírito Santo'. Resistimos ao Espírito, fazemos resistência a Ele? Ou o acolhemos? Com docilidade: essa é a palavra de Tiago. 'Acolher com docilidade'. Resistência contra docilidade. Vamos pedir essa graça”.

E o Papa conclui observando, “um pouco fora da homilia”, que “foi precisamente na cidade de Antioquia, onde nos foi dado o sobrenome”. Em Antioquia, na verdade, pela primeira vez os discípulos foram chamados cristãos. (CM-SP)

Fonte: http://br.radiovaticana.va

domingo, 7 de maio de 2017

Procissão Luminosa no centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima

Encaminho-lhes a carta e o cartaz de divulgação da Procissão Luminosa no centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, a realizar-se no dia 13 de maio, sábado, com concentração às 18h, na Igreja da Consolação (Rua da Consolação, 585), seguida de Procissão Luminosa pelas ruas do centro histórico até a Praça da Sé, onde, às 19h30, haverá Missa Campal presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, concelebrada pelos bispos auxiliares, padres, diáconos e leigos.

Fraternalmente,

Padre Tarcisio Mesquita

Coordenador Arquidiocesano de Pastoral


Carta

São Paulo, 3 de abril de 2017 

PÁROCOS, ADMINISTRADORES E VIGÁRIOS PAROQUIAIS, DIÁCONOS, CONGREGAÇÕES RELIGIOSAS MASCULINAS E FEMININAS, PASTORAIS, ASSOCIAÇÕES, MOVIMENTOS, NOVAS COMUNIDADES E DEMAIS ORGANISMOS DA ARQUIDIOCESE 

Prezados irmãos e irmãs, 
No dia 13 de maio, sábado, a Arquidiocese de São Paulo celebrará o Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima. A Celebração constará de dois momentos: 

Procissão Luminosa, com concentração às 18h00 na Igreja da Consolação (Rua da Consolação, 585), seguindo com orações, reflexões e cantos, pela Rua da Consolação, Rua Xavier de Toledo, Viaduto do Chá, breve parada na Igreja Santo Antônio, Praça Patriarca, Rua Libero Badaró, Largo São Francisco, com outra para breve parada em frente à Igreja São Francisco, Rua Benjamin Constant e Praça da Sé; 

Missa na Praça da Sé, com início às 19h30, presidida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo; concelebrada pelos bispos auxiliares, padres, diáconos e leigos. 

Solicitamos o maior empenho na divulgação da celebração e na motivação para que os paroquianos, sobretudo os grupos marianos, participem desse momento em comemoração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima. 

Para os Sacerdotes e os Diáconos haverá lugar reservado, bem em frente do altar. Para facilitar a organização, ao chegarem, dirijam-se, por favor, diretamente a este local. 

Todos os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão estão convidados a participar. O local a eles destinado é atrás dos padres. Também, os coroinhas são convidados a comparecer com sua vestimenta própria, de preferência vermelha. 

A Arquidiocese de São Paulo, desde já, agradece a todos, e que nos esforcemos para realizarmos uma bela procissão para Nossa Senhora. 

Fraternalmente, 
Padre Tarcísio Marques Mesquita 
Coordenador Geral do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Papa no Egito: Somos chamados a desmascarar a violência que se disfarça de suposta sacralidade


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Cairo (Egito) – O Papa Francisco chegou nesta sexta-feira (28) ao Cairo, capital do Egito, onde participou da Conferência Internacional de Paz ao lado de líderes muçulmanos, em uma visita de apenas 27 horas. Em discurso feito durante a conferência, ele pediu aos líderes religiosos que digam “um não forte e claro” a toda violência cometida em nome de Deus e alertou contra a “instrumentalização” da religião por parte do poder.

“Vamos repetir um ‘não’ forte e claro a qualquer forma de violência, vingança e ódio cometido em nome da religião ou em nome de Deus”, disse.

O papa também advertiu que os responsáveis religiosos precisam “desmascarar a violência que se disfarça de suposta sacralidade” e assegurou que a religião não é a causa dos conflitos, e sim sua solução, já que “os populismos demagógicos não ajudam a consolidar a paz”.

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ÍNTEGRA DO DISCURSO DO PAPA

Al Salamò Alaikum (A paz esteja convosco)!

É um grande dom estar aqui e começar neste lugar a minha visita ao Egito, dirigindo-me a vós no âmbito desta Conferência Internacional em prol da Paz. Agradeço ao meu irmão, o Grande Imã, por a ter idealizado e organizado e por me ter gentilmente convidado. Gostaria de vos oferecer alguns pensamentos, tirando-os da gloriosa história desta terra, que ao longo dos séculos se apresentou ao mundo como terra de civilização e terra de alianças.

Terra de civilização. Desde a antiguidade, a cultura surgida nas margens do Nilo foi sinónimo de civilização: no Egito, levantou-se alta a luz do conhecimento, fazendo germinar um património cultural inestimável, feito de sabedoria e talento, de conquistas matemáticas e astronómicas, de formas admiráveis de arquitetura e arte figurativa. A busca do saber e o valor da instrução foram opções fecundas de desenvolvimento empreendidas pelos antigos habitantes desta terra. E constituem opções necessárias também para o futuro, opções de paz e em prol da paz, porque não haverá paz sem uma educação adequada das gerações jovens. Nem haverá uma educação adequada para os jovens de hoje, se a formação que lhes for dada não corresponder bem à natureza do homem, ser aberto e relacional.

Com efeito, a educação torna-se sabedoria de vida, quando é capaz de tirar do homem, em contacto com Aquele que o transcende e com aquilo que o rodeia, o melhor de si, formando identidades não fechadas em si mesmas. A sabedoria procura o outro, superando a tentação da rigidez e fechamento; aberta e em movimento, humilde e ao mesmo tempo indagadora, sabe valorizar o passado e pô-lo em diálogo com o presente, sem renunciar a uma hermenêutica adequada. Esta sabedoria prepara um futuro em que se visa fazer prevalecer, não a própria parte, mas o outro como parte integrante de si mesmo; aquela não se cansa de individuar, no presente, ocasiões de encontro e partilha; do passado, aprende que do mal brota unicamente mal, e da violência só violência, numa espiral que acaba por nos fazer prisoneiros. Esta sabedoria, rejeitando a avidez de prevaricação, coloca no centro a dignidade do homem, precioso aos olhos de Deus, e uma ética que seja digna do homem, rejeitando o medo do outro e o temor de conhecer mediante os meios de que o dotou o Criador.[1]

Precisamente no campo do diálogo, sobretudo inter-religioso, sempre somos chamados a caminhar juntos, na convicção de que o futuro de todos depende também do encontro entre as religiões e as culturas. Oferece-nos um exemplo concreto e encorajador, neste sentido, o trabalho do Comité Misto para o Diálogo entre o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e o Comité de Al-Azhar para o Diálogo. Há três diretrizes fundamentais que, se forem bem conjugadas, podem ajudar o diálogo: o dever da identidade, a coragem da alteridade e a sinceridade das intenções. O dever da identidade, porque não se pode construir um verdadeiro diálogo sobre a ambiguidade nem sobre o sacrifício do bem para agradar ao outro; a coragem da alteridade, porque quem é cultural ou religiosamente diferente de mim, não deve ser visto e tratado como um inimigo, mas recebido como um companheiro de viagem, na genuína convicção de que o bem de cada um reside no bem de todos; a sinceridade das intenções, porque o diálogo, enquanto expressão autêntica do humano, não é uma estratégia para se conseguir segundos fins, mas um caminho de verdade, que merece ser pacientemente empreendido para transformar a competição em colaboração.

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Educar para a abertura respeitosa e o diálogo sincero com o outro, reconhecendo os seus direitos e liberdades fundamentais, especialmente a religiosa, constitui o melhor caminho para construir juntos o futuro, para ser construtores de civilização. Porque a única alternativa à civilização do encontro é a incivilidade do conflito; não há outra. E, para contrastar verdadeiramente a barbárie de quem sopra sobre o ódio e incita à violência, é preciso acompanhar e fazer amadurecer gerações que, à lógica incendiária do mal, respondam com o crescimento paciente do bem: jovens que, como árvores bem plantadas, estejam enraizadas no terreno da história e, crescendo para o Alto e junto dos outros, transformem dia-a-dia o ar poluído do ódio no oxigénio da fraternidade.

Para este desafio tão urgente e apaixonante de civilização, somos chamados, cristãos, muçulmanos e todos os crentes, a prestar a nossa contribuição: «Vivemos sob o sol de um único Deus misericordioso. (…) Assim, no verdadeiro sentido, podemos chamar-nos, uns aos outros, irmãos e irmãs (…), dado que, sem Deus, a vida do homem seria semelhante ao firmamento sem o sol».[2] Que se levante o sol duma renovada fraternidade em nome de Deus e surja desta terra, beijada pelo sol, o alvorecer duma civilização da paz e do encontro. Interceda por isto mesmo São Francisco de Assis, que, há oito séculos, veio ao Egito e encontrou o Sultão Malik al Kamil.

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Terra de alianças. No Egito, não surgiu apenas o sol da sabedoria; também a luz policromática das religiões iluminou esta terra: aqui, ao longo dos séculos, as diferenças de religião constituíram «uma forma de enriquecimento recíproco ao serviço da única comunidade nacional».[3] Encontraram-se crenças diferentes e misturaram-se várias culturas, sem se confundirem mas reconhecendo a importância de se aliarem para o bem comum. Alianças deste género são ainda mais urgentes hoje. Ao falar disto, gostaria de usar como símbolo o «Monte da Aliança» que se ergue nesta terra. Antes de mais nada, o Sinai lembra-nos que uma autêntica aliança sobre a terra não pode prescindir do Céu, que a humanidade não pode pretender encontrar-se em paz excluindo Deus do horizonte, nem pode subir ao monte para se apoderar de Deus (cf. Ex 19, 12).

Trata-se de uma mensagem atual, visto o perdurar hodierno dum paradoxo perigoso: por um lado, tende-se a relegar a religião para a esfera privada, não a reconhecendo como dimensão constitutiva do ser humano e da sociedade e, por outro, confundem-se, não as distinguindo adequadamente, as esferas religiosa e política. A religião corre o risco de ser absorvida pela gestão de assuntos temporais e tentada pelas adulações de poderes mundanos que, na realidade, a instrumentalizam. Num mundo que globalizou muitos instrumentos técnicos úteis, mas ao mesmo tempo tanta indiferença e negligências, e que corre a uma velocidade frenética, dificilmente sustentável, sente-se a nostalgia das grandes questões de sentido que as religiões fazem aflorar e que suscitam a memória das próprias origens: a vocação do homem, que não foi feito para se exaurir na precariedade dos assuntos terrenos, mas para se encaminhar rumo ao Absoluto para o qual tende. Por estas razões a religião, especialmente hoje, não constitui um problema mas é parte da solução: contra a tentação de se contentar com uma vida superficial em que tudo começa e termina aqui, a religião lembra-nos que é necessário elevar o espírito para o Alto a fim de aprender a construir a cidade dos homens.

Neste sentido e com o olhar da mente fixado ainda no Monte Sinai, gostaria de me referir aos mandamentos lá promulgados, antes de serem gravados na pedra.[4] No centro das «Dez Palavras» ecoa, dirigido aos homens e aos povos de todos os tempos, o mandamento «não matarás» (Ex 20, 13). Deus, amante da vida, não cessa de amar o homem e, por isso, exorta-o a contrastar o caminho da violência como pressuposto fundamental de toda a aliança sobre a terra. Para atuar este imperativo, estão chamadas em primeiro lugar, sobretudo nos dias de hoje, as religiões, porque, encontrando-nos na necessidade urgente do Absoluto, é imprescindível excluir qualquer absolutização que justifique formas de violência. Com efeito, a violência é a negação de toda a religiosidade autêntica.

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Assim, como responsáveis religiosos, somos chamados a desmascarar a violência que se disfarça de suposta sacralidade, apoiando-se na absolutização dos egoísmos, em vez de o fazer na autêntica abertura ao Absoluto. Devemos denunciar as violações contra a dignidade humana e contra os direitos humanos, trazer à luz do dia as tentativas de justificar toda a forma de ódio em nome da religião e condená-las como falsificação idólatra de Deus: o seu nome é Santo, Ele é Deus de paz, Deus salam.[5] Por isso, só a paz é santa; e nenhuma violência pode ser perpetrada em nome de Deus, pois profanaria o seu Nome.

Juntos, a partir deste lugar de encontro entre Céu e terra, de alianças entre as nações e entre os crentes, reiteramos um «não» forte e claro a toda a forma de violência, vingança e ódio cometida em nome da religião ou em nome de Deus. Juntos, afirmamos a incompatibilidade entre violência e fé, entre crer e odiar. Juntos, declaramos a sacralidade de cada vida humana contra qualquer forma de violência física, social, educativa ou psicológica. A fé que não nasce dum coração sincero e dum amor autêntico a Deus Misericordioso é uma forma de adesão convencional ou social que não liberta o homem, mas esmaga-o. Digamos juntos: quanto mais se cresce na fé em Deus, tanto mais se cresce no amor do próximo.

Mas, com certeza, a religião não é chamada apenas a desmascarar o mal; traz em si a vocação de promover a paz, hoje como talvez nunca antes.[6] Sem ceder a sincretismos conciliadores,[7] a nossa tarefa é rezar uns pelos outros pedindo a Deus o dom da paz, encontrar-nos, dialogar e promover a concórdia em espírito de colaboração e amizade. Nós, enquanto cristãos – e eu sou cristão –, «não podemos invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à sua imagem».[8] Irmãos de todos. Além disso, reconhecemos que, imersos numa luta constante contra o mal que ameaça o mundo para deixar de ser «um lugar de verdadeira fraternidade», àqueles que «acreditam no amor de Deus [é-lhes dada por Deus] a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e que o esforço para estabelecer a universal fraternidade não é vão».[9] Antes pelo contrário, são essenciais. Com efeito, de pouco ou nada serve levantar a voz e correr ao rearmamento para se proteger: hoje há necessidade de construtores de paz, não de armas; hoje há necessidade de construtores de paz, não de provocadores de conflitos; de bombeiros e não de incendiários; de pregadores de reconciliação e não de arautos de destruição.

Assiste-se, perplexos, ao facto de, por um lado, se distanciar da realidade dos povos em nome de objetivos que não têm em conta a vida concreta das pessoas, enquanto, por outro lado e como reação, surgem populismos demagógicos, que certamente não ajudam a consolidar a paz e a estabilidade: nenhum incitamento violento garantirá a paz, e toda a ação unilateral que não dê início a processos construtivos e compartilhados, de facto torna-se um brinde para os adeptos dos radicalismos e da violência.

Para evitar os conflitos e construir a paz é fundamental trabalhar por remover as situações de pobreza e exploração, onde mais facilmente criam raízes os extremismos, e bloquear os fluxos de dinheiro e de armas para quem fomenta a violência. Indo ainda mais à raiz, é necessário deter a proliferação de armas que, se forem produzidas e comercializadas, mais cedo ou mais tarde acabarão também por ser usadas. Só tornando transparentes as turvas manobras que alimentam o câncer da guerra é que será possível impedir as suas causas reais. A este compromisso urgente e gravoso, estão obrigados os líderes das nações, das instituições e da informação, responsáveis de civilização como nós, convocados por Deus, pela história e pelo futuro a iniciar, cada qual no seu próprio campo, processos de paz, não se esquivando a estabelecer bases sólidas de aliança entre os povos e os Estados. Faço votos de que esta nobre e querida terra do Egito, com a ajuda de Deus, possa continuar a corresponder à sua vocação de civilização e de aliança, contribuindo para desenvolver processos de paz para este povo amado e para toda a região do Médio Oriente.

Al Salamò Alaikum (A paz esteja convosco)!

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Que se levante o sol duma renovada fraternidade em nome de Deus e surja desta terra, beijada pelo sol, o alvorecer duma civilização da paz e do encontro. Interceda por isto mesmo São Francisco de Assis, que, há oito séculos, veio ao Egito e encontrou o Sultão Malik al Kamil.

[1] «Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero» (Francisco, Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2017, «A não-violência: estilo de uma política para a paz», 5).

[2] João Paulo II, Discurso às Autoridades Muçulmanas, Kaduna (Nigéria), 14 de fevereiro de 1982.

[3] Idem, Discurso na Cerimónia de Chegada, Cairo, 24 de fevereiro de 2000, 2.

[4] «Foram impressos no coração do homem como Lei moral universal, válida em todos os tempos e lugares». Oferecem a «base autêntica para a vida dos indivíduos, das sociedades e nações; (…) são o único futuro da família humana. Salvam o homem da força destruidora do egoísmo, do ódio e da mentira. Evidenciam todos os falsos bens que o arrastam para a escravidão: o amor de si mesmo até à exclusão de Deus, a avidez do poder e do prazer que subverte a ordem da justiça e degrada a nossa dignidade humana e a do nosso próximo» (Idem, Homilia na Celebração da Palavra no Monte Sinai, Mosteiro de Santa Catarina, 26 de fevereiro de 2000, 3).

[5] Cf. Francisco, Discurso na Mesquita Central de Koudoukou, Bangui (República da África Central), 30 de novembro de 2015.

[6] «Talvez nunca antes na história, como agora, o laço intrínseco que existe entre uma atitude autenticamente religiosa e o grande bem da paz se tenha tornado evidente a todos» (João Paulo II, Discurso aos Representantes das Igrejas Cristãs e Comunidades Eclesiais e das Religiões Mundiais, Assis, 27 de outubro de 1986, 6).

[7] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 251.

[8] Conc. Ecum. Vat. II, Decl. Nostra aetate, 5.

[9] Idem, Const. past. Gaudium et spes, 37.38.


COM AS AUTORIDADES

O Papa Francisco encontrou-se com as autoridades egípcias, nesta sexta-feira (28/04), no Palácio Presidencial, no Cairo, no âmbito de sua 18ª viagem apostólica internacional.

“Sinto-me feliz por me encontrar no Egito, terra de uma civilização muito antiga e nobre, cujos vestígios podemos admirar ainda hoje e que, na sua majestade, parecem querer desafiar os séculos. Esta terra é muito significativa para a história da humanidade e para a Tradição da Igreja, não só pelo seu prestigioso passado histórico – faraônico, copta e muçulmano –, mas também porque muitos Patriarcas viveram no Egito ou o cruzaram. Na verdade, aparece mencionado numerosas vezes na Sagrada Escritura. Nesta terra, Deus se fez ouvir, «revelou o seu nome a Moisés» e, no Monte Sinai, confiou ao seu povo e à humanidade os Mandamentos divinos. No solo egípcio, encontrou refúgio e hospitalidade a Sagrada Família: Jesus, Maria e José”, disse Francisco em seu segundo discurso em terras egípcias.

“Também hoje encontram aqui hospitalidade milhões de refugiados provenientes de vários países, entre os quais se conta o Sudão, a Eritreia, a Síria e o Iraque; refugiados esses, aos quais se procura, com um louvável esforço, integrar na sociedade egípcia”, frisou o Papa.

“Por causa da sua história e da sua particular posição geográfica, o Egito ocupa um papel insubstituível no Oriente Médio e no contexto dos países empenhados na busca de soluções para problemas agudos e complexos que precisam ser encarados agora para se evitar uma precipitação de violência ainda mais grave. Refiro-me à violência cega e desumana, causada por vários fatores: o desejo obtuso de poder, o comércio de armas, os graves problemas sociais e o extremismo religioso que utiliza o Santo Nome de Deus para realizar inauditos massacres e injustiças.”

“Este destino e esta tarefa do Egito constituem também o motivo que levou o povo a solicitar um Egito, onde a ninguém falte o pão, a liberdade e a justiça social. Com certeza, este objetivo tornar-se-á realidade, se todos juntos tiverem a vontade de transformar as palavras em ações, as aspirações válidas em compromissos, as leis escritas em leis aplicadas, valorizando a genialidade inata deste povo.”

O Papa recordou em seu discurso, “as pessoas que, nos últimos anos, deram a vida para salvaguardar a sua pátria: os jovens, os membros das forças armadas e da polícia, os cidadãos coptas e todos os desconhecidos que tombaram por causa de várias ações terroristas. Penso também nos assassinatos e nas ameaças que levaram a um êxodo de cristãos do norte do Sinai. Expresso viva gratidão às autoridades civis e religiosas e a quantos deram hospitalidade e assistência a estas pessoas tão provadas. Penso igualmente naqueles que foram atingidos nos atentados contra as igrejas coptas, quer em dezembro passado quer mais recentemente em Tanta e Alexandria. Aos seus familiares e a todo o Egito, as minhas sentidas condolências com a certeza da minha oração ao Senhor pela rápida recuperação dos feridos”.

“Não posso deixar de encorajar os esforços audaciosos na realização de numerosos projetos nacionais, bem como as muitas iniciativas que foram tomadas a favor da paz no Egito e fora dele, tendo em vista o almejado desenvolvimento na prosperidade e na paz que o povo deseja e merece”.

“A grandeza de qualquer nação revela-se no cuidado que efetivamente dedica aos membros mais frágeis da sociedade: as mulheres, as crianças, os idosos, os doentes, as pessoas com deficiência, as minorias, de modo que nenhuma pessoa e nenhum grupo social fique excluído ou marginalizado”, disse ainda o Papa, recordando que este ano, comemora-se o 70º aniversário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e a República Árabe do Egito.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quinta-feira, 20 de abril de 2017

FRANCISCANAS E FRANCISCANOS PELA MISERICÓRDIA COM A TERRA





22 de abril: Dia da Terra

23 de abril: Domingo da Misericórdia

Queridas irmãs, queridos irmãos,

A Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB), juntamente com a OFS e a Jufra do Brasil, em consonância com Campanha da Fraternidade 2017 organizada pela CNBB, convida a todos(as) irmãs e irmãos a participarem das celebrações de #MisericórdiaPelaTerra.

O Papa Francisco declarou recentemente o Cuidado da Criação como a 8ª Obra de Misericórdia. Neste ano, o Dia da Terra (22 de abril) e Domingo da Misericórdia (23 de abril) acontecerão no mesmo fim de semana. Estes dois temas, Terra e Misericórdia, são a essência da declaração ecológica mais importante do Papa Francisco em 2016, intitulada "Usemos de misericórdia para com a nossa casa comum" (1 set, 2016). No contexto do Ano da Misericórdia que a Igreja Católica celebrou em 2016, o Papa Francisco divulgou esta importante mensagem e consagrou o "Cuidado da nossa casa comum" como um ato oficial de misericórdia.

Nesse sentido nos juntaremos a toda comunidade global nesta celebração. Animem suas fraternidades para comprometerem-se nesta causa. Nós disponibilizamos um Exame de Consciência, uma Celebração Eucarística e um Encontro para Grupos.

Não se esqueça de registrar seu evento. Sua iniciativa poderá servir de exemplo para outros(as) irmãs e irmãos. Que São Francisco e Santa Clara nos inspirem a cuidarmos da nossa casa comum, na defesa da vida em toda sua integralidade.

--
Fraternalmente,

Mayara Ingrid Sousa Lima, OFS/JUFRA
Secretária do Conselho Nacional da OFS




22 E 23 DE ABRIL
DIA DA TERRA
DOMINGO DA MISERICÓRDIA
JUFRA DO BRASIL I ORDEM FRANCISCANA SECULAR I
CONFERÊNCIA DA FAMÍLIA FRANCISCANA DO BRASIL

CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
RITOS INICIAIS
Queridos irmãos e irmãs. Sejamos todos bem-vindos à celebração deste segundo domingo da páscoa. Hoje, no domingo da Divina Misericórdia, recordamos a mensagem do Papa Francisco "Usemos de Misericórdia para com a nossa Casa Comum", quando ele consagrou o cuidado pela criação como um ato de misericórdia.
Cheios de fé e confiança filial, participemos da celebração de Misericórdia pela Terra. Cantemos todos juntos:
CANTO DE ENTRADA
HINO OFICIAL DA CF 2017
Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de “cultivar o bem guardar a criação.”
Refrão:
Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,
chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)
Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom.
Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.
Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração,
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.
Se contemplamos essa “mãe” com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção.
Que entre nós cresça uma nova ecologia,
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.
ACOLHIDA
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém
O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja
convosco.
Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
ATO PENITENCIAL
Irmãos e irmãs, reconheçamos as nossas culpas para celebrarmos dignamente os santos mistérios.
Senhor, tende misericórdia de nós.
Por todas as vezes que pecamos contra a criação, os pobres e as gerações futuras, rezemos ao senhor.
Senhor, tende misericórdia de nós.
Pela nossa contribuição, pequena ou grande, para a desfiguração e destruição do meio ambiente, rezemos
ao senhor.
Pelo nosso estilo de vida, induzido por uma cultura equivocada do bem-estar baseada em um desejo
desordenado de consumir mais do que realmente necessitamos, rezemos ao senhor.
Por participarmos e sermos coniventes com um sistema que impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza, rezemos ao senhor.
*Pode haver acréscimos da comunidade.
GLÓRIA
Glória a Deus nas alturas
é o canto das criaturas.
Rios e matas se alegrem,
teus povos por Ti esperam.
Paz para o povo sofrido,
é o grito dos oprimidos.
A terra mal repartida clama por Tua justiça.
Glória, glória, glória te damos Senhor.
Glória, glória, venha teu reino de amor!
Glória a Jesus, nosso guia,/ Filho da virgem Maria./
Veio por meio dos pobres,/ pra carregar nossas dores./
Filho do altíssimo Deus,/ por nós na cruz padeceu./
Venceu a morte e a dor, para nos dar força e vigor.
Glória ao Espírito Santo/ que nos consola no pranto./
Que orienta a igreja/ pra que do pobre ela seja./
Que deu coragem a Pedro / e aos outros seus
companheiros,/
que hoje junta esse povo a buscar um mundo novo.
ORAÇÃO DO DIA
Ó Deus dos pobres, ajudai-nos a resgatar os
abandonados e esquecidos desta terra, que valem
tanto aos vossos olhos.
Ó Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste
mundo como instrumentos do vosso carinho por
todos os seres desta terra. Ó Deus de misericórdia,
concedei-nos a graça de receber o vosso perdão e
transmitir a vossa misericórdia em toda a nossa casa
comum. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho na
unidade do Espírito Santo. Amém
LITURGIA DA PALAVRA
(Liturgia do domingo, 23 de abril)
Primeira Leitura (At 2, 42-47)
Salmo Responsorial (Sl 117-118)
Segunda Leitura1Pd 1, 3-9
ACLAMAÇÃO DO EVANGELHO
Evangelho Jo 20, 19-3
PROFISSÃO DE FÉ
Creio em Deus Pai todo poderoso, Criador do céu e da
Terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso
Senhor; que foi concebido pelo poder do Espírito
Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio
Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à
mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia; subiu
aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todopoderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os
mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja
Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos
pecados, na ressureição da carne, na vida
eterna. Amém.
PRECES DA ASSEMBLEIA
Ao celebrarmos o domingo da Divina Misericórdia e domingo da Divina Misericórdia, e ao recordamos a mensagem do Papa Francisco
"Usemos de Misericórdia para com a nossa Casa Comum", unamo-nos em oração, suplicando em favor
da nossa casa comum, ouvindo tanto o “Grito da Terra e o Gritos dos Pobres”. Digamos juntos:
Atendei, Senhor, nossa prece confiante!
Para que a nossa comunidade assuma atitudes e comportamentos concretos mais respeitadores da
criação, dos pobres e das gerações futuras, nós vos pedimos.
Para que adotemos uma verdadeira conversão Ecológica, mudando nosso estilo de vida para uma
cultura de paz e respeito pela natureza, nós vos pedimos.
Para que, juntos, possamos refletir e colocar em prática todas as propostas da Campanha da Fraternidade deste ano, nós vos pedimos.
Pelo Papa Francisco, para que continue firme em sua missão profética, nos conduzindo na construção do
verdadeiro Reino de Deus, nós vos pedimos.
Orações espontâneas...
Façamos, juntos, a oração da CF 2017:
Deus, nosso Pai e Senhor,
nós vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinita bondade.
Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.
Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa
Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o
empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e
da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho
do novo céu e da nova terra que prometestes. Amém!
LITURGIA EUCARÍSTICA
PREPARAÇÃO DAS OFERENDAS
Canto Ofertório (De mãos estendidas)
De mãos estendidas, ofertamos o que de graça
recebemos. (2x)
A natureza tão bela
Que é louvor, que é serviço,
O sol que ilumina as trevas transformando-as em luz.
O dia que nos traz o pão e a noite que nos dá repouso,
Ofertemos ao senhor o louvor da criação.
Nossa vida toda inteira ofertamos ao Senhor
Como prova de amizade, como prova de amor.
Com o vinho e com o pão ofertamos ao Senhor
Nossa vida toda inteira o louvor da criação.
Orai irmãos e irmãs...
Receba ó senhor por tuas mãos este sacrifício...
Ó Deus de bondade, concedei-nos, por este sacrifício,
que, pedindo perdão de nossos pecados, saibamos
perdoar a nossos semelhantes. Por Cristo nosso senhor,
Amém.
PREFÁCIO DA PÁSCOA I
ORAÇÃO EUCARÍSTICA III
PAI-NOSSO DOS MÁRTIRES
Pai nosso, dos pobres marginalizados
Pai nosso, dos mártires, dos torturados.
Teu nome é santificado naqueles que morrem
defendendo a vida,
Teu nome é glorificado, quando a justiça é nossa
medida
Teu reino é de liberdade, de fraternidade, paz e
comunhão
Maldita toda a violência que devora a vida pela
repressão.
O, o, o, o, O, o, o, o

Queremos fazer Tua vontade, és o verdadeiro Deus
libertador,
Não vamos seguir as doutrinas corrompidas pelo poder
opressor.
Pedimos-Te o pão da vida,
O pão da segurança,
O pão das multidões.
O pão que traz humanidade,
Que constrói o homem em vez de canhões
Perdoa-nos quando por medo ficamos calados diante
da morte,
Perdoa e destrói os reinos em que a corrupção é a lei
mais forte.
Protege-nos da crueldade,
Do esquadrão da morte,
Dos prevalecidos
Pai nosso revolucionário,
Parceiro dos pobres,
Deus dos oprimidos
Pai nosso, revolucionário,
Parceiro dos pobres,
Deus dos oprimidos
___________________________
Agora rezemos: Pai nosso...
Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai nos hoje a
vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos
sempre livres do pecado e protegidos de todos os
perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos
a vinda do Cristo salvador.
Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!
Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: "Eu
vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz". Não olheis
os nossos pecados, mas a fé que anima vossa lgreja;
dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade.
Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.
Amém!
A paz do Senhor esteja sempre convosco. O amor de
Cristo nos uniu!
Cordeiro...
CANTO DE COMUNHÃO
VEJAM, EU ANDEI PELAS VILAS
Vejam: Eu andei pelas vilas, apontei as saídas como Pai
me pediu; Portas eu cheguei para abri-las, eu curei as
feridas como nunca se viu.
Por onde formos também nós que brilhe a tua luz
Fala, Senhor, na nossa voz, em nossa vida
Nosso caminho então conduz, queremos ser assim
Que o pão da vida nos revigore em nosso "sim"
Vejam: Fiz de novo a leitura das raízes da vida que meu
Pai vê melhor; Luzes acendi com brandura, para a
ovelha perdida não medi meu suor
Vejam: Procurei bem aqueles que ninguém procurava e
falei de meu Pai; Pobres, a esperança que é deles eu
não quis ver escrava de um poder que retrai
Vejam: Semeei consciência nos caminhos do povo, pois
o Pai quer assim; Tramas, enfrentei prepotência dos
que temem o novo, qual perigo sem fim
Vejam: Eu quebrei as algemas, levantei os caídos, do
meu Pai fui as mãos; Laços, recusei os esquemas, Eu
não quero oprimidos, quero um povo de irmãos
Vejam: Procurei ser bem claro; o meu reino é diverso,
não precisa de Rei; Tronos, outro jeito mais raro de
juntar os dispersos o meu Pai tem por lei
Vejam: Do meu Pai a vontade eu cumpri passo a passo,
foi pra isso que eu vim; Dores, enfrentei a maldade,
mesmo frente ao fracasso eu mantive meu "sim"
Vejam, fui além das fronteiras, espalhei boa-nova:
Todos filhos de Deus; Vida, não se deixe nas beiras,
quem quiser maior prova venha ser um dos meus
Por onde formos também nós que brilhe a tua luz
Fala, Senhor, na nossa voz, em nossa vida
Nosso caminho então conduz, queremos ser assim
Que o pão da vida nos revigore em nosso "sim"

DEPOIS DA COMUNHÃO
Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a
graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu
nova vida, e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito
Santo. Amém.
RITOS FINAIS
*Compromissos da semana e outros avisos.
BÊNÇÃO FINAL (Bênção de São Francisco)
O Senhor Te abençoe e te guarde.
O Senhor Te mostre sua face e tenha misericórdia de ti.
O Senhor volva para ti seu rosto e te dê a Paz
O Senhor te abençoe, em nome do pai, do filho e do espirito santo.
Amém
CANTO FINAL
Onipotente e bom Senhor
A ti a honra, glória e louvor!
Todas as bênçãos de ti nos vêm
E todo o povo te diz: amém!
Louvado sejas nas criaturas
Primeiro o sol, lá nas alturas
Clareia o dia, grande esplendor
Radiante imagem de ti, Senhor
Louvado sejas pela irmã lua
No céu criaste, é obra tua
Pelas estrelas, claras e belas
Tu és a fonte do brilho delas
Louvado sejas pelo irmão vento
E pelas nuvens, o ar e o tempo
E pela chuva que cai no chão
Nos dá sustento, Deus da criação
Louvado sejas, meu bom Senhor
Pela irmã águia e seu valor
Preciosa e casta, humilde e boa
Se corre, um canto a ti entoa
Louvado sejas, ó, meu Senhor
pelo irmão fogo e seu calor
Clareia a noite robusto e forte
Belo e alegre, bendita sorte
Sejas louvado pela irmã terra
Mãe que sustenta e nos governa
Todos os frutos, nos da o pão
Com flores e ervas sorri o chão
Onipotente e bom Senhor
Louvado sejas, meu bom Senhor
Pelas pessoas que em teu amor
Perdoam e sofrem tribulação
Felicidade em ti encontrarão
Louvado sejas pela irmã morte
Que vem a todos, ao fraco e ao forte
Feliz aquele que te amar
A morte eterna não o matará
Bem aventurado quem guarda a paz
Pois o altíssimo o satisfaz
Vamos louvar e agradecer
Com humildade ao Senhor bendizer
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22 E 23 DE ABRIL
DIA DA TERRA
DOMINGO DA MISERICÓRDIA

ENCONTRO PARA GRUPOS
PREPARAÇÃO DO ENCONTRO
Acolher fraternalmente os participantes. Organizar o espaço da reunião, em círculo, com a bíblia, vela, o cartaz da Campanha da Fraternidade 2017 e da #MisericórdiaPelaTerra. Incluir elementos que simbolizem a criação.
ANIMADOR(A): Queridos (as) irmãos e irmãs.
Sejamos todos bem-vindos ao nosso encontro. Hoje recordamos a mensagem do Papa Francisco "Usemos de Misericórdia para com a nossa Casa Comum", quando ele consagrou o cuidado pela criação como um ato de misericórdia. Na ocasião do Dia da Terra (22 de abril) e o Domingo da Misericórdia (23 de abril), nos juntamos a toda nossa fraternidade global na celebração de Misericórdia pela Terra. Cantemos todos juntos:
Onipotente e bom Senhor
A ti a honra, glória e louvor!
Todas as bênçãos de ti nos vêm
E todo o povo te diz: amém!
Louvado sejas nas criaturas
Primeiro o sol, lá nas alturas
Clareia o dia, grande esplendor
Radiante imagem de ti, Senhor
Louvado sejas pela irmã lua
No céu criaste, é obra tua
Pelas estrelas, claras e belas
Tu és a fonte do brilho delas
Louvado sejas pelo irmão vento
E pelas nuvens, o ar e o tempo
E pela chuva que cai no chão
Nos dá sustento, Deus da criação
Louvado sejas, meu bom Senhor
Pela irmã água e seu valor
Preciosa e casta, humilde e boa
Se corre, um canto a ti entoa
Louvado sejas, ó, meu Senhor
pelo irmão fogo e seu calor
Clareia a noite robusto e forte
Belo e alegre, bendita sorte
Sejas louvado pela irmã terra
Mãe que sustenta e nos governa
Todos os frutos, nos da o pão
Com flores e ervas sorri o chão
Louvado sejas, meu bom Senhor
Pelas pessoas que em teu amor
Perdoam e sofrem tribulação
Felicidade em ti encontrarão
Louvado sejas pela irmã morte
Que vem a todos, ao fraco e ao forte
Feliz aquele que te amar
A morte eterna não o matará
Bem-aventurado quem guarda a paz
Pois o altíssimo o satisfaz
Vamos louvar e agradecer
Com humildade ao Senhor bendizer
ANIMADOR(A): A Bíblia começa descrevendo de maneira poética e simbólica a obra magnifica da Criação. O primeiro capitulo do Livro do Genesis foi escrito a partir da experiência do exilio do povo na Babilônia. Longe de sua terra santa e de seu templo, o povo percebeu que não estava distante de Deus, porque tudo em volta (o céu e a terra, a natureza, as pessoas) era obra desse Criador amoroso e universal.
Hoje, diante diversidade da criação visível nos biomas brasileiros, também nos sentimos envolvidos pela sabedoria do Criador.
LEITURA DE GENESIS 1-2,4
(POR PARTES)
Leitor (a) 1: Gn. 1, 1-5: o dia e a noite
Todos: oferecemos ao Senhor cada dia e cada noite,
para serem vividos a serviço do seu projeto de vida e
em agradecimento pela criação.
Leitor (a) 2: Gn 1, 6-8: o céu e as águas
Todos: o céu e as águas nos garantem a vida. Cuidemos
do nosso ar, dos nossos rios e mares, presentes
preciosos de Deus.
Leitor (a) 3: Gn 1, 9-13: a terra, o mar e os vegetais
Todos: Terra, mares e plantas precisam de cuidado.
São fontes vida a serem preservadas com
perseverança, sabedoria e alegria.
Leitor (a) 4: Gn 1,14-19: o sol, a lua e as estrelas
Todos: O firmamento nos faz pensar profundamente
no mistério e na magnificência da criação. Somos parte
de um universo que ultrapassa o que conseguimos
perceber. Mas no meio dessa imensidão temos um
Criador que se importa conosco, nos valoriza e quer
que tenhamos uma vida digna.
Leitor (a) 5: Gn 1, 20-23: os animais do ar e das águas
Todos: Aves e seres das águas, na sua variedade, falam
também da grandeza dessa criação, de que somos
chamados a cuidar, para que o conjunto da vida
continue fazendo do nosso planeta uma casa em
harmonia com o projeto de Deus.
Leitor (a) 6: Gn 1,24-31: os animais da terra e o ser
humano
Todos: Somos a culminância da Criação. Dominar ai
significa administrar, cuidar, não se servir da criação de
forma egoísta e irresponsável. A cada dia, Deus viu que
era bom o que havia criado. Agora, com a criação
completa, viu que tudo era "muito" bom.
Leitor (a) 7: Gn 2,1-4: um dia abençoado de descanso
Todos: Sete na Bíblia é numero simbólico que indica
perfeição, plenitude, totalidade. A Criação se completa
com um dia de descanso dedicado a Deus, para nunca
nos esquecermos desse amor que nos oferece tanta
riqueza e nos pede responsabilidade diante do que
recebemos.
CAMINHOS
ANIMADOR(A): Diante da Criação, temos um dever de gratidão a Deus que nos deu a vida e o
mundo, um chamado de solidariedade para com o próximo que tem direito a tudo que Deus quis nos
oferecer e uma responsabilidade de não deixar estragar o presente inestimável que recebemos na
totalidade da criação. Que atitudes concretas podemos ter diante disso?

Dividir os participantes em grupos. Provocar a discussão de ações concretas a nível pessoal, 
comunitário, social e político. Realizar a partilha de cada grupo. Abrir novamente para discussão e
acréscimos.

ORAÇÃO FINAL
Deus, nosso Pai e Senhor,
nós vos louvamos e bendizemos,
por vossa infinita bondade.
Criastes o universo com sabedoria
e o entregastes em nossas frágeis mãos
para que dele cuidemos com carinho e amor.
Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa
Comum. Cresça, em nosso imenso Brasil, o desejo e o
empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas, e
da beleza e riqueza da criação, alimentando o sonho
do novo céu e da nova terra que prometestes. Amém!
CANTO FINAL
HINO OFICIAL DA CF 2017
Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de “cultivar o bem guardar a criação.”
Refrão:
Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,
chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)
Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom.
Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos – da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.
Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração,
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.
Se contemplamos essa “mãe” com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção.
Que entre nós cresça uma nova ecologia,
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.

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Exame de Consciência

Na mensagem "Usemos de misericórdia para com a nossa casa comum" (1 de set, 2016), o
Papa Francisco nos lembra que um dos primeiros passos para integrar o amor e o cuidado com
a criação como parte de nossa fé cristã é conduzindo um exame de consciência. Oferecemos
este Exame de Misericórdia pela Terra baseado na mensagem do Papa para ajudá-lo neste
processo. Este material é modelado após o exame de consciência desenvolvido por Santo
Inácio de Loyola. Convidamos você a usá-lo durante a Quaresma, como forma de aprofundar
sua vocação como "protetor da obra de Deus" ou antes de ir ao sacramento da confissão.


Este Exame de Misericórdia pela Terra tem 6 passos:

1. Descanso na presença de Deus.


2. Graças pela criação e criaturas de Deus


3. Reflexão sobre as formas que você tem ouvido "o grito da terra e o grito dos pobres".


4. Pedido de perdão pelas maneiras pelas quais você se esqueceu de cuidar da criação e
das criaturas de Deus.


5. Se redimir, comprometendo-se com formas concretas de mostrar misericórdia pela
criação e pelo próximo.


6. Oração Final


1. Descanso na presença de Deus.


"A este Pai, cheio de misericórdia e bondade, que aguarda o regresso de cada um dos seus
filhos, podemos dirigir-nos reconhecendo os nossos pecados para com a criação, os pobres e
as gerações futuras."
Antes de começar, tome um momento para lembrar que você está na presença de nosso
Amoroso Criador. Feche os olhos, respire profundamente e ofereça uma oração pela graça de
ouvir profundamente a palavra de Deus dentro de você.


2. Graças pela criação e criaturas de Deus


O primeiro passo… implica "gratidão e gratuidade, ou seja, um reconhecimento do mundo
como dom recebido do amor do Pai."


● Agradeça as muitas maneiras pelas quais Deus o abençoou através da criação. Isso
pode incluir o que você comeu no café da manhã, a água que você bebe ... também
pode ser uma árvore favorita, os sons dos pássaros ou um lugar na natureza que é
especial para você.


● Dê graças pelas pessoas, do passado e do presente, que contribuem na construção de
sua vida. Você pode pensar nas pessoas que te ajudam no seu dia a dia, seus
professores, as pessoas que cultivam seu alimento, fazem suas roupas e os inúmeros
outros. O Papa Francisco nos convida a "termos a consciência amorosa de que não
estamos desligados do resto das criaturas, mas unidos numa esplêndida comunhão
universal". Nossas vidas estão interligadas e interdependentes a tantas outras pessoas!


3. Reflexão sobre as formas que você tem ouvido "o grito da terra e o grito dos pobres".


"Na medida em que causamos pequenos danos ecológicos," somos chamados a reconhecer "a
nossa contribuição, pequena ou grande, para a desfiguração e destruição do ambiente."[9]


Dedique um tempo para refletir sobre as seguintes perguntas que o Papa Francisco nos faz em
sua mensagem:


● Estou consciente do "grito da terra e do grito dos pobres?" Estou consciente de como o
mundo natural, as plantas e os animais estão sofrendo? Dedico meu tempo para aprender sobre as realidades sociais e econômicas enfrentadas por tantos ao redor do mundo?


● De quais maneiras tenho me esforçado para cuidar da criação e de suas criaturas?
Quanto tempo tenho dedicado a isso?


● Como está o meu consumo e desperdício? Eu tenho consumido mais que o necessário?


● Como posso ajudar a "reparar a intolerância religiosa do passado e do presente", bem como a injustiça contra pessoas de outras religiões, "mulheres, povos indígenas, imigrantes e pobres e não nascituros"?


4. Peça perdão pelas vezes que você deixou de cuidar da criação e das criaturas de Deus.


"Depois de um sério exame de consciência e habitados por tal arrependimento, podemos
confessar os nossos pecados contra o Criador, contra a criação, contra os nossos irmãos e
irmãs". Entregue a Deus as vezes que você deixou de cuidar da nossa casa comum e peça
perdão. Se desejar, você pode trazer algumas de suas reflexões para o sacramento da
reconciliação, um "lugar onde a verdade nos torna livres para um encontro."


5. Se redimir


"O exame de consciência, o arrependimento e a confissão ao Pai, rico em misericórdia, levamnos a um propósito firme de mudar de vida. Isto deve traduzir-se em atitudes e comportamento
concretos mais respeitadores da criação."


Agradeça a Deus pela graça em saber como você é convidado a cuidar melhor da criação, dos
pobres e das gerações futuras. Em sua mensagem, o Papa Francisco oferece a seguinte
orientação, 


Como obra de misericórdia espiritual, o cuidado da casa comum requer "simples gestos
quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo" e se
manifesta o amor "em todas as ações que procuram construir um mundo melhor…Uma única
pergunta pode manter nossos olhos fixos em um objetivo comum: Que tipo de mundo
queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças e as gerações futuras?


Que mudanças você pode fazer em sua vida pessoal ou em sua comunidade para cuidar
melhor da nossa casa comum e das pessoas que nela habitam? Você pode considerar rever as
sugestões em nosso guia de #MisericórdiaPelaTerra. (Veja mais em misericordiapelaterra.org)


6. Oração Final


Conclua seu exame dando graças pelo amor misericordioso que você recebeu durante este
tempo. Em seguida faça a oração final da mensagem do Papa:


Ó Deus dos pobres,
ajudai-nos a resgatar os abandonados
e esquecidos desta terra
que valem tanto aos vossos olhos...
Ó Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundo
como instrumentos do vosso carinho por todos os seres desta terra
Ó Deus de misericórdia, concedei-nos a graça de receber o vosso perdão
e transmitir a vossa misericórdia em toda a nossa casa comum.
Louvado sejais.
Amém.