sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

É hora de consertar as redes – Liturgia dominical


Frei Gustavo Medella

“Estavam na barca, consertando as redes”. Bom pescadores que eram, Tiago e João, filhos de Zebedeu, sabiam que consertar as redes e deixá-las em ordem era requisito básico de uma pesca eficiente e fecunda. Com frequência precisavam parar o ofício para fazer a revisão e os consertos necessários em seu instrumento de trabalho. Recebem o chamado de Jesus para serem “pescadores de homens”. Trocam a finalidade, mas não o ofício. Continuam a pescar. Certamente o conhecimento adquirido na atividade original serviu-lhes como orientação para este novo modo de pescar. Era preciso sempre cuidar com zelo e carinho das redes.

O empenho dos apóstolos continua a servir de norte para a Igreja até os dias de hoje. Todo o esforço do Papa Francisco na condução da Igreja tem sido na direção de consertar as redes a fim de que a “Barca de Cristo”, comandada por Pedro, siga em frente com sua missão de pescar os corações humanos para a prática do Evangelho. Os pronunciamentos do Santo Padre ao insistir numa Igreja em Saída, que se coloque a serviço da humanidade, assim como os documentos por ele emitidos (Evangelii Gaudium, Laudato Si’, Amores Letitiae etc) têm sido um constante apelo à Igreja, compreendida como a grande família dos batizados e batizadas, a sair de si para ir ao encontro do mundo, numa postura de diálogo, acolhida e serviço.

Ao agir desta maneira, o Papa vem demonstrar que cada cristão deve ser um “reparador de redes”, especialmente daquelas que tecem a complexa trama do relacionamento humano. Desde as famílias, passando pelos ambientes de trabalho e também nos lugares de grande circulação de pessoas, como praças, avenidas, estações de transporte, inclusive nas redes sociais, em todos estes ambientes sempre existem fios e tramas que precisam ser refeitos. Com calma, perseverança e fé, muitos emaranhados repletos de ódio, desconfiança, corrupção e violência devem ser desfeitos com a habilidade de quem acredita no poder de cura e regeneração presente no amor que Deus oferece gratuitamente a todos os que O buscam.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Papa: plasmar uma Igreja com rosto amazônico

Papa Francisco no Encontro com os Povos da Amazônia

Francisco se reuniu com milhares de indígenas em Puerto Maldonado e os encorajou à resistência diante dos desafios atuais.

Cidade do Vaticano

A visita do Papa Francisco ao Peru começou na Amazônia, na cidade de Puerto Maldonado.

O ginásio Mãe de Deus acolheu cerca de três mil indígenas, entre os quais muitos brasileiros, entre fiéis, sacerdotes, bispos e Dom Cláudio Hummes, presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica.

O encontro foi marcado por testemunhos e um longo discurso do Pontífice, em que o Papa manifestou a sua preocupação pela ameaça que os povos e o território da Amazônia está sofrendo.

“Provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como estão agora”, disse Francisco, citando os grandes interesses econômicos da indústria extrativista e das monoculturas agro-industriais. O Papa criticou também “a perversão de certas políticas”, que promovem a «conservação» da natureza sem ter em conta o ser humano.

Todos estes interesses “sufocam” os povos nativos e causa a migração das novas gerações. “Devemos romper com o paradigma histórico que considera a Amazônia como uma despensa inesgotável dos Estados, sem ter em conta os seus habitantes.”

Para romper este paradigma e transformas as relações marcadas pela exclusão, Francisco sugeriu a criação de espaços institucionais de respeito, reconhecimento e diálogo com os povos nativos. Estes não são um “estorvo”, mas memória viva da missão que Deus nos confiou: cuidar da Casa Comum.

Tráfico de pessoas

“A defesa da terra não tem outra finalidade senão a defesa da vida”, disse ainda o Papa. Poluição ambiental e devastação da vida comportam ainda outro sofrimento: tráfico de pessoas e o abuso sexual.

“ A violência contra os adolescentes e contra as mulheres é um grito que chega ao céu. «Sempre me angustiou a situação das pessoas que são objeto das diferentes formas de tráfico. Quem dera que se ouvisse o grito de Deus, perguntando a todos nós: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4, 9). Onde está o teu irmão escravo? (…) Não nos façamos de distraídos! Há muita cumplicidade... A pergunta é para todos! ”

Francisco recordou que já São Toríbio denunciava essas violências cinco século atrás. Esta profecia, defendeu, “deve continuar presente na nossa Igreja, que nunca cessará de levantar a voz pelos descartados e os que sofrem”.

Para Francisco, as povos nativos jamais devem ser considerados uma minoria, mas autênticos interlocutores. Além de constituir uma reserva da biodiversidade, a Amazônia é também uma reserva cultural que deve ser preservada face aos novos colonialismos.

Família e educação

“A família é, e sempre foi, a instituição social que mais contribuiu para manter vivas as nossas culturas. Em períodos de crises passadas, face aos diferentes imperialismos, a família dos povos indígenas foi a melhor defesa da vida.”

O Pontífice falou também da educação, que deve ser uma prioridade e um compromisso do Estado; compromisso integrador e inculturado que assuma, respeite e integre como um bem de toda a nação a sua sabedoria ancestral.

Igreja na Amazônia

Por fim, Francisco comentou a presença da Igreja na Amazônia, enaltecendo o trabalho dos missionários em defender  as culturas locais. O Papa exortou a não sucumbir às tentativas em ato para desarraigar a fé católica de seus povos.

“Cada cultura e cada cosmovisão que recebe o Evangelho enriquecem a Igreja com a visão de uma nova faceta do rosto de Cristo. A Igreja não é alheia aos seus problemas e à sua vida, não quer ser estranha ao seu modo de viver e de se organizar. Precisamos que os povos indígenas plasmem culturalmente as Igrejas locais amazônicas.” Francisco pede ajuda mútua e diálogo entre os povos locais e os bispos para “plasmar uma Igreja com rosto amazônico e uma Igreja com rosto indígena. Com este espírito, convoquei um Sínodo para a Amazônia no ano de 2019”.

O Papa concluiu encorajando os povos indígenas a resistirem, demonstrando capacidade de reação perante os momentos difíceis que são obrigados a viver. E se despediu em língua: quechua Tinkunakama [Até um próximo encontro].

Fonte: http://www.vaticannews.va/pt.html

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Jerusalém - Nos passos de Jesus

Galeria - Cores da Fé

A exposição terá início dia 21 de Janeiro e continuará até Março de 2018.

Largo São Francisco, 173



Papa: somos chamados e desafiados a caminhar nas Bem-aventuranças

Papa coroa imagem de Nossa Senhora do Monte Carmelo

Primeira Missa celebrada em terras chilenas


Cidade do Vaticano

“As Bem-aventuranças são aquele novo dia para quantos continuam a apostar no futuro, continuam a sonhar, continuam a deixar-se tocar e impelir pelo Espírito de Deus.

Na Missa celebrada na manhã desta terça-feira no Parque O’Higgins, em Santiago, o Papa Francisco falou das Bem-aventuranças, sublinhando as atitudes de “construir a paz” e acreditar nas possibilidades de mudança.

Foi o primeiro grande encontro de Francisco com os fiéis chilenos, no parque intitulado a um dos Pais fundadores do Chile, e ocupando no centro de Santiago uma área de 770mil m². Segundo as autoridades, 400 mil pessoas participaram da celebração.

A multidão que seguia Jesus, encontra em seu olhar “o eco das suas buscas e aspirações, disse o Papa no início de sua homilia. De tal encontro, nasce este elenco de Bem-aventuranças, o horizonte para o qual somos convidados e desafiados a caminhar”.

“A primeira atitude de Jesus é ver, fixar o rosto dos seus, observou o Papa, referindo-se ao Evangelho de Mateus. Aqueles rostos põem em movimento o entranhado amor de Deus. Não foram ideias nem conceitos que moveram Jesus; foram os rostos, as pessoas. É a vida que clama pela Vida, que o Pai nos quer transmitir”.

Francisco explica que  as “Bem-aventuranças não nascem de uma atitude passiva perante a realidade, nem podem nascer de um espectador que se limite a ser um triste autor de estatísticas do que acontece”.

“Não nascem dos profetas de desgraças, que se contentam em semear decepções; nem de miragens que nos prometem a felicidade com um «clique», num abrir e fechar de olhos. Pelo contrário”:

“As Bem-aventuranças nascem do coração compassivo de Jesus, que se encontra com o coração de homens e mulheres que desejam e anseiam por uma vida feliz; de homens e mulheres que conhecem o sofrimento, que conhecem a frustração e a angústia geradas quando «o chão lhes treme debaixo dos pés» ou «os sonhos acabam submersos» e se arruína o trabalho duma vida inteira; mas conhecem ainda mais a tenacidade e a luta para continuar para diante; conhecem ainda mais o reconstruir e o recomeçar.

E “como é perito o coração chileno em reconstruções e novos inícios!”, exclamou o Papa, “vocês são peritos em se levantar depois de tantas derrocadas! A este coração, faz apelo Jesus; para este coração são as Bem-aventuranças!”
Francisco prossegue explicando que “as Bem-aventuranças não nascem de atitudes de crítica fácil nem do «palavreado barato» daqueles que julgam saber tudo, mas não querem se comprometer com nada nem com ninguém, acabando assim por bloquear toda a possibilidade de gerar processos de transformação e reconstrução nas nossas comunidades, na nossa vida”.

"As Bem-aventuranças nascem do coração misericordioso, que não se cansa de esperar; antes, experimenta que a esperança «é o novo dia, a extirpação da imobilidade, a sacudidela duma prostração negativa», enfatizou, usando uma frade de Pablo Neruda.
Francisco explica que quando Jesus diz bem-aventurado “o pobre, o que chorou, o aflito, o que sofre, o que perdoou, vem extirpar a imobilidade paralisadora de quem pensa que as coisas não podem mudar, de quem deixou de crer no poder transformador de Deus Pai e nos seus irmãos, especialmente nos seus irmãos mais frágeis, nos seus irmãos descartados”:

“Jesus, quando proclama as Bem-aventuranças vem sacudir aquela prostração negativa chamada resignação que nos faz crer que se pode viver melhor, se evitarmos os problemas, se fugirmos dos outros, se nos escondermos ou fecharmos nas nossas comodidades, se nos adormentarmos num consumismo tranquilizador. Aquela resignação que nos leva a isolar-nos de todos, a dividir-nos, a separar-nos, a fazer-nos cegos perante a vida e o sofrimento dos outros”.

“As Bem-aventuranças são aquele novo dia para quantos continuam a apostar no futuro, continuam a sonhar, continuam a deixar-se tocar e impelir pelo Espírito de Deus.

“Bem-aventurados vocês que se deixam contagiar pelo Espírito de Deus, lutando e trabalhando por este novo dia, por este novo Chile, porque vosso será o reino do Céu”, disse o Papa aos fiéis chilenos.
Francisco ressalta que perante a resignação que, “como uma rude zoada, mina os nossos laços vitais e nos divide, Jesus nos diz: bem-aventurados aqueles que se comprometem em prol da reconciliação”:

“Felizes aqueles que são capazes de sujar as mãos e trabalhar para que outros vivam em paz. Felizes aqueles que se esforçam por não semear divisão. Desta forma, a bem-aventurança faz-nos artífices de paz; convida a empenhar-nos para que o espírito da reconciliação ganhe espaço entre nós. Queres ser ditoso? Queres felicidade? Felizes aqueles que trabalham para que outros possam ter uma vida ditosa. Queres paz? Trabalha pela paz.”

Francisco disse não poder deixar de evocar “o grande Pastor que teve Santiago” – referindo-se ao Cardeal Raúl Silva Henríquez Silva – que em um Te Deum disse «“Se queres a paz, trabalha pela justiça” (...). E se alguém nos perguntar: “Que é a justiça?” ou se porventura consiste apenas em “não roubar”, dir-lhe-emos que existe outra justiça: a que exige que todo o homem seja tratado como homem».

“Semear a paz à força de proximidade, de vizinhança; à força de sair de casa e observar os rostos, de ir ao encontro de quem se encontra em dificuldade, de quem não foi tratado como pessoa, como um digno filho desta terra. Esta é a única maneira que temos para tecer um futuro de paz, para tecer de novo uma realidade sempre passível de se desfiar”.

O obreiro de paz – observou o Papa - sabe que muitas vezes “é necessário superar mesquinhezes e ambições, grandes ou sutis, que nascem da pretensão de crescer e «tornar-se famoso», de ganhar prestígio à custa dos outros”.

“O obreiro de paz sabe que não basta dizer «não faço mal a ninguém», pois, como dizia Santo Alberto Hurtado: «Está muito bem não fazer o mal, mas está muito mal não fazer o bem».

“Construir a paz é um processo que nos congrega, estimulando a nossa criatividade para criar relações capazes de ver no meu vizinho, não um estranho ou um desconhecido, mas um filho desta terra”.

Que a Virgem Imaculada “nos ajude a viver e a desejar o espírito das Bem-aventuranças, para que, em todos os cantos desta cidade, se ouça como um sussurro: «Bem-aventurados os obreiros de paz, porque serão chamados filhos de Deus».

Após a homilia, o Papa Francisco coroou a Imagem da Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.


Papa Francisco assegura orações pela paz e prosperidade do Brasil

Telegrama foi enviado a dez chefes de Estado
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco enviou um telegrama de saudação às nações sobrevoadas durante sua viagem apostólica internacional ao Chile e Peru dirigindo-se aos chefes de Estado dos respectivos países: Itália, França, Espanha, Marrocos, Cabo Verde, Senegal, Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Dirigindo-se ao mandatário do Brasil, presidente Michel Temer, escreve o Pontífice:

Ao tempo em que sobrevoo o Brasil para minha visita apostólica ao Chile e Peru faço minhas melhores felicitações a Vossa Excelência e seus cidadãos, assegurando minhas orações pela paz e a prosperidade da nação.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Cristo é o amado do Pai

Batismo do Senhor

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Mc 1,7-11

“Tu és o meu Filho amado; em ti encontro o meu agrado” (Mc 1, 11)

Através de dois testemunhos, dados pelo profeta João Batista, “depois de mim vem àquele que é mais do que eu” (Mc. 1,7), e do próprio Deus “Tu és meu filho amado…” (Mc. 1,11), está fortemente acentuado que Cristo é o Messias esperado, aquele que conduz as ovelhas nos apriscos e dá sua vida em resgate do mundo decaído. Assim, somos chamados também a sermos testemunhas do único Filho de Deus, que não revogou a sua condição de filho do Altíssimo para cumprir a vontade do Pai. Porém, como atesta o Evangelho, é necessário termos atitude do profeta João Batista, isto é, devemos reconhecer humildemente a nossa pequenez diante Daquele que é. Pois Cristo é aquele que é e que vem ao nosso encontro, derramar o Espírito Santo. Espírito que não se prende a nada, mas está livre para atuar como quer, quando quer e a quem Ele quer. Quando batizados, somos também por Cristo emergidos neste Espírito e testificados por Deus Pai como seus filhos, não por sermos dignos, mas sim pela misericórdia do próprio Deus.

De fato, São Marcos nos revela neste texto o sentido verdadeiro do nosso batismo que emana do amor de Cristo pela água e pelo Espírito. Portanto, sejamos pessoas de paz para que Deus nos tenha sempre como filhos muito amados.

Reflexão feita pelos noviços.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

Papa: agredir os fracos, uma das marcas do pecado original


Papa retoma celebrações na Capela da Casa Santa Marta


Ao retomar as celebrações na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco alertou que a tendência do ser humano de agredir os mais fracos é uma das marcas do pecado original e não é inspirada pelo Espírito Santo. Por isto, devemos pedir ao Senhor a graça da compaixão, que é de Deus.

Cidade do Vaticano

A tendência a agredir os mais fracos é uma das marcas do pecado original, e se temos este desejo, é porque o diabo está ali. Deus, ao contrário disto, é compaixão.

A primeira leitura proposta pela liturgia do dia inspirou a homilia do Papa Francisco ao retomar as celebrações na Capela da Casa Santa Marta, após a pausa pelas festas de Natal.

A passagem, extraída do Livro do Profeta Samuel, narra a história dos pais do profeta, Elcana e Ana.

Elcana tinha duas mulheres: Ana, que era estéril, e Penina, que tinha filhos.

Penina, ao invés de consolar Ana, não perde a ocasião para humilhá-la e a maltratá-la, recordar-lhe constantemente a ela a sua esterilidade.

O Papa observa que em outras páginas da Bíblia acontece a mesma coisa, citando o que ocorre entre Agar e Sara, as mulheres de Abraão, sendo a segunda estéril.

Mas ridicularizar e desprezar os mais fracos é um comportamento dos homens, como no caso de Golias diante de Davi.

Mais ainda – disse Francisco – pensemos na mulher de Jó, ou na de Tobias, que desprezam os seus maridos sofredores:

“Eu me pergunto: o que existe dentro destas pessoas? O que existe dentro de nós, que nos leva a desprezar, a maltratar, a ridicularizar os mais fracos? Compreende-se que alguém se ofenda com quem é mais forte: pode ser a inveja que te leva (a isso)... Mas e os mais fracos? O que existe dentro (de nós) que nos leva (a isso)? É algo que é corriqueiro, como se eu tivesse a necessidade de desprezar o outro  para me sentir seguro. Como uma necessidade...”

Também entre as crianças acontece isto – observa o Papa – recordando de uma situação vivida na infância: em seu bairro vivia uma senhora, Angiolina, que tinha uma doença mental e vagava pelas ruas o dia inteiro.

As mulheres davam a ela algo para comer, alguma roupa, mas as crianças a enganavam. Diziam: ‘Vamos atrás da Angiolina para nos divertirmos um pouco’”.

“Quanta maldade nas crianças! – comenta Francisco – ofender os mais fracos!”:

“E hoje vemos o mesmo continuamente, nas escolas, com o fenômeno do bullying: (bulismo), agredir o fraco, porque você é gordo ou porque você é assim ou é estrangeiro ou porque você é negro, por isto...agredir, agredir... As crianças, os jovens... Não somente Penina, ou Agar, ou as mulheres de Tobias e de Jó: também as crianças. Isto significa que existe algo dentro de nós que nos leva a isto. À agressão dos fracos. E acredito que seja uma das marcas do pecado original”.

Talvez os psicólogos – afirma o Papa – tenham sua explicação para este desejo de aniquilar o outro porque é fraco, mas eu digo que “esta é uma das marcas do pecado original. Isto é obra de satanás”. Em satanás, de fato, não existe compaixão:

“E assim, da mesma forma quando temos um bom desejo de fazer uma obra boa, uma obra de caridade, dizemos “é o Espírito Santo que me inspira a fazer isto”, quando nós nos damos conta que temos dentro de nós este desejo de agredir alguém porque é fraco, não duvidemos: o diabo está ali. Porque isto é obra do diabo, agredir o fraco”.

“Peçamos ao  Senhor – conclui Francisco – que nos dê a graça da compaixão: esta é de Deus”, Ele que “tem compaixão de nós e nos ajuda a caminhar”.

Fonte: http://www.vaticannews.va/pt.html

sábado, 6 de janeiro de 2018

O compromisso de manifestar Deus ao mundo


Frei Gustavo Medella

Epifania é a celebração de um Deus que se manifesta. Na etimologia do termo latino “manifestum”, encontram-se as palavras “manus” (mãos) e “festus”, que significa agarrado, apanhado. Manifestar-se é, portanto, tornar-se próximo, deixar-se apanhar pelas mãos. Esta é a atitude de Deus ao manifestar-se à humanidade na forma de um recém-nascido que espera ser carregado nos braços.

Os “magos”, segundo a origem do termo, peritos em adivinhação, deixam-se guiar pelo brilho da estrela, que não os conduz a nenhum projeto de grandeza, poder ou ostentação, mas a uma criança pobre. Estes adivinhos que, percorrendo o grande percurso desde o Oriente, aprenderam a enxergar com o coração e por isso não se frustraram diante da singeleza da cena mas, ao contrário, prostraram-se reverentes e ofereceram ao menino da periferia os presentes que traziam para o Rei.

No percurso que encerra nossa vida, também somos convidados a adquirir a experiência que o caminho nos proporciona. Também recebemos a chance de enxergar a partir de dentro, percebendo na simplicidade do presépio os grandes valores que fazem a nossa vida ganhar um novo sentido.

A epifania nos revela, assim, que o mesmo Deus que a nós se manifesta, deseja que O manifestemos a outros. Oferecer nossas melhores forças em favor da justiça, da paz e do respeito significa atualizar a adoração reverente dos Magos diante do Pequenino de Belém.

Estamos cheios de Herodes prontos para devorarem nossos sonhos e projetos. Basta olharmos para as mazelas que temos vivido em nosso país. No entanto, precisamos confiar que, assim como concedeu aos Magos, o Senhor há de nos revestir da esperteza necessária a fim de que possamos manifestá-Lo com garra e profecia a nossos contemporâneos.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Papa a professores: reconstruir o pacto educativo entre pais e escola

Papa Francisco falou sobre os desafios da educação

Os desafios da educação foram o tema do discurso do Papa Francisco aos cerca de 400 membros da Associação Italiana de Professores Católicos. De modo especial, pediu "cumplicidade" entre pais e educadores.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco concluiu sua série de audiências na manhã de sexta-feira (05/01) recebendo a Associação Italiana dos Professores Católicos.

Na Sala Clementina, no Vaticano, o Pontífice pronunciou um discurso no qual propôs aos membros da Associação três temas: a cultura do encontro, a aliança entre escola e família e a educação ecológica.

O Papa pediu a promoção da cultura do encontro de forma mais extensa e incisiva, exortando os professores a estimularem nos alunos a abertura ao outro como irmão e irmã.

Bullying

Para ele, o desafio é cooperar para formar jovens abertos e interessados na realidade que os circunda, livres do preconceito segundo o qual para se impor é preciso ser competitivo e agressivo, especialmente diante de quem é diferente, e citou o fenômeno do bullying. “Infelizmente, este é o ‘ar’ que com frequência as nossas crianças respiram, e o remédio é fazer de modo que possam respirar um ar diferente, mais saudável, mais humano. Para este fim, é muito importante a aliança com os pais.”

Pacto rompido

Francisco declarou-se convicto do rompimento do pacto educativo entre escola, família e Estado. Antigamente, afirmou, havia um fortalecimento recíproco entre os estímulos dados pelos professores e aqueles oferecidos pelos pais. Mas a partir do momento que esta sinergia não acontece mais de modo “natural”, é preciso favorecê-la com planejamento, inclusive com a contribuição de especialistas em campo pedagógico.

Todavia, antes disso, o Papa defendeu uma nova “cumplicidade” entre professores e pais, não como antagonistas, mas cúmplices na tarefa da educação – o que definiu como “cumplicidade solidária”.

Educação ecológica integral

O terceiro aspecto destacado pelo Santo Padre foi o da educação ecológica que, segundo ele, não se trata somente de dar algumas noções, mas de educar a um estilo de vida baseado numa atitude de proteção da casa comum.

“ Um estilo de vida que não seja esquizofrênico, que, por exemplo, cuide dos animais em extinção, mas ignore os problemas dos idosos; ou defenda a floresta amazônica, mas esqueça dos direitos dos trabalhadores a um salário justo, e assim por diante. Isso é esquizofrenia. Não. A ecologia para a qual educar deve ser integral. ”

De modo especial, Francisco citou a educação ao sentido de responsabilidade, não transmitindo slogans, mas suscitando o prazer de experimentar uma ética ecológica partindo de escolhas e gestos de vida cotidiana.


O Papa concluiu encorajando a perseveraram no trabalho da Associação e exortou: “Não tenham medo das diferenças e também dos conflitos que normalmente existem nas associações laicais; não os escondam, mas os enfrentem com estilo evangélico, na busca do verdadeiro bem da associação”. 

Fonte: http://www.vaticannews.va/pt.html

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Papa: deixar para trás os fardos do passado e partir do que é importante

Papa Francisco incensa imagem de Nossa Senhora de Monte Serrat


Recomeçar do presépio, da Mãe que tem Deus nos braços.

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu a missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, nesta segunda-feira (01/01), primeiro dia do ano,  na Basílica de São Pedro. 

“ O Ano tem início sob o nome da Mãe. Mãe de Deus é o título mais importante de Nossa Senhora. ”

"Mas alguém poderia fazer a pergunta: por que dizemos «Mãe de Deus», e não Mãe de Jesus? Alguns, no passado, pediram para nos cingirmos a isto, mas a Igreja afirmou: Maria é Mãe de Deus.

Devemos estar-lhe agradecidos, porque, nestas palavras, se encerra uma verdade esplêndida sobre Deus e sobre nós mesmos, ou seja: desde que o Senhor encarnou-se em Maria – desde então e para sempre –, traz a nossa humanidade agarrada a Ele.

Já não há Deus sem homem: a carne que Jesus tomou de sua Mãe, continua ainda agora a ser d’Ele e sê-lo-á para sempre. Dizer «Mãe de Deus» lembra-nos isto: Deus está perto da humanidade como uma criança da mãe que a traz no ventre.”

Francisco disse ainda que “a palavra mãe (mater) remete também para a palavra matéria. Em sua Mãe, o Deus do céu, o Deus infinito fez-se pequenino, fez-se matéria, não só para estar conosco, mas também para ser como nós. Eis o milagre, a novidade: o homem já não está sozinho; nunca mais será órfão, é para sempre filho".

“ O Ano tem início com esta novidade. E nós a proclamamos dizendo: Mãe de Deus! É a alegria de saber que a nossa solidão está vencida. ”

É a maravilha de nos sabermos filhos amados, de sabermos que esta nossa infância nunca mais nos poderá ser tirada. É espelharmo-nos em Deus frágil e menino nos braços da Mãe e vermos que a humanidade é querida e sagrada para o Senhor.

“ Por isso, servir a vida humana é servir a Deus, e toda a vida – desde a vida no ventre da mãe, até à vida envelhecida, atribulada e doente, à vida incômoda e até repugnante – deve ser acolhida, amada e ajudada. ”

O Papa nos convidou a deixarmo-nos “guiar pelo Evangelho de hoje. Da Mãe de Deus, se diz apenas uma frase: «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração». Guardava. Simplesmente… guardava; Maria não fala: d’Ela, o Evangelho não refere uma palavra sequer, em toda a narração do Natal. Também nisto a Mãe associa-se ao Filho: Jesus é infante, ou seja, «sem dizer palavra».

Ele, o Verbo, a Palavra de Deus que «muitas vezes e de muitos modos falara nos tempos antigos» (Heb 1, 1), agora, na «plenitude dos tempos» (Gal 4, 4), está mudo. O Deus, na presença de Quem se guarda silêncio, é um menino que não fala".

“ A sua majestade é sem palavras, o seu mistério de amor desvenda-se na pequenez. Esta pequenez silenciosa é a linguagem da sua realeza. A Mãe associa-se ao Filho e guarda no silêncio. ”

Segundo Francisco, “o silêncio nos diz que também nós, se quisermos guardar a nós mesmos, precisamos de silêncio. Precisamos permanecer em silêncio, olhando o presépio. Porque, diante do presépio, redescobrimo-nos amados; saboreamos o sentido genuíno da vida.

Olhando em silêncio, deixamos que Jesus fale ao nosso coração: deixamos que a sua pequenez desmantele o nosso orgulho, que a sua pobreza desinquiete as nossas suntuosidades, que a sua ternura revolva o nosso coração insensível".

“ Reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma; é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade, da difusão de palavras vazias e das ondas avassaladoras das maledicências e da balbúrdia. ”

“Maria guardava – continua o Evangelho – todas estas coisas, meditando-as. Quais eram estas coisas? Eram alegrias e aflições: por um lado, o nascimento de Jesus, o amor de José, a visita dos pastores, aquela noite de luz; mas, por outro, um futuro incerto, a falta de uma casa, «porque não havia lugar para eles na hospedaria», o desconsolo de ver fechar-lhes a porta; a desilusão por fazer Jesus nascer num curral.

“ Esperanças e angústias, luz e trevas: todas estas coisas preenchiam o coração de Maria. E o que Ela fez? Meditou-as, isto é, repassou-as com Deus no seu coração. Nada conservou para si, nada encerrou na solidão nem submergiu na amargura; tudo levou a Deus. ”

Foi assim que guardou. Entregando, guarda-se: não deixando a vida à mercê do medo, do desânimo ou da superstição, não se fechando nem procurando esquecer, mas dialogando tudo com Deus. E Deus, que se preocupa conosco, vem habitar em nossas vidas.”

O Pontífice ressaltou “os segredos da Mãe de Deus: guardar no silêncio e levar a Deus. Isto realizava-se – conclui o Evangelho – no seu coração. O coração convida a pôr os olhos no centro da pessoa, dos afetos, da vida".

“ Também nós, cristãos em caminho, no início do Ano, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os fardos do passado e partir do que é importante. ”


Temos hoje diante de nós o ponto de partida: a Mãe de Deus. Pois Maria é exatamente como Deus nos quer, como quer a sua Igreja: Mãe terna, humilde, pobre de coisas e rica de amor, livre do pecado, unida a Jesus, que guarda Deus no coração e o próximo na vida.

“ Para recomeçar, ponhamos os olhos na Mãe. No seu coração, bate o coração da Igreja. Para ir adiante, nos diz a festa de hoje, é preciso recuar: recomeçar do presépio, da Mãe que tem Deus nos braços. ”
Francisco concluiu a homilia, afirmando que “a devoção a Maria não é galanteria espiritual, mas uma exigência da vida cristã. Olhando para a Mãe, somos encorajados a deixar tantas bagatelas inúteis e reencontrar aquilo que conta. O dom da Mãe, o dom de cada mãe e cada mulher é muito precioso para a Igreja, que é mãe e mulher.

E, enquanto o homem muitas vezes abstrai, afirma e impõe ideias, a mulher, a mãe sabe guardar, fazer a ligação no coração, vivificar. Porque a fé não se pode reduzir apenas a ideia ou doutrina; precisamos, todos, de um coração de mãe que saiba guardar a ternura de Deus e ouvir as palpitações do homem.

Que a Mãe, autógrafo de Deus sobre a humanidade, guarde este Ano e leve a paz de seu Filho aos corações e ao mundo inteiro”.

Fonte: http://www.vaticannews.va/pt.html