domingo, 20 de maio de 2018

Pentecostes: "Força do Espírito é um reconstituinte para a vida"

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Em sua homilia, o Papa afirmou que "o Espírito lembra à Igreja que não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor".

Cidade do Vaticano

A Basílica de São Pedro ficou lotada na manhã deste domingo (20/05) para a celebração da missa de Pentecostes, presidida pelo Papa Francisco. Cardeais, bispos e sacerdotes, usando paramentos vermelhos, concelebraram a liturgia com o Papa.

A homilia do Papa Francisco começou com a explicação da primeira leitura do dia, que narra a rajada de vento que veio do céu com um ruído e que encheu toda a casa em que os discípulos se encontravam: a vinda do Espírito Santo no Pentecostes é a força divina que muda o mundo.

Muda os corações

“Aqueles discípulos que antes viviam no medo, fechados em casa, mesmo depois da ressurreição do Mestre, são transformados pelo Espírito e – disse o Papa, desta vez mencionando o Evangelho do dia – «dão testemunho d’Ele»”.

“De hesitantes, tornam-se corajosos e, partindo de Jerusalém, lançam-se até aos confins do mundo. Medrosos quando Jesus estava entre eles, agora são ousados sem Ele, porque o Espírito mudou os seus corações”.

“ A experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem ”

"A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração, transformando-o de pecador em perdoado”.

O Espírito como um reconstituinte de vida

A partir desta reflexão, o Papa sugeriu que quando precisarmos de uma verdadeira mudança, quando as nossas fraquezas nos oprimem, quando avançar é difícil e amar parece impossível, faria bem tomar diariamente este reconstituinte de vida: é Ele, a força de Deus.

Muda as vicissitudes

Prosseguindo a homilia, o Papa disse que depois dos corações, o Espírito, como o vento, sopra por todo o lado e chega às situações mais imprevistas.

“Como na família, quando nasce uma criança, esta complica os horários, faz perder o sono, mas traz uma alegria que renova a vida, impelindo-a para a frente, dilatando-a no amor, do mesmo modo o Espírito traz à Igreja um «sabor de infância»; realiza renascimentos contínuos. Reaviva o amor do começo".

“ O Espírito lembra à Igreja que, não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor ”

Gaza, nome que suscita dor

Citando o episódio dos Atos dos Apóstolos em que o diácono Filipe é impelido “por uma estrada deserta, de Jerusalém a Gaza”, o Papa acrescentou: “como este nome soa doloroso, hoje! Que o Espírito mude os corações e as vicissitudes e dê paz à Terra Santa!”.

Terminando, o Papa pediu que Espírito Santo, rajada de vento de Deus, sopre sobre nós: “Soprai nos nossos corações e fazei-nos respirar a ternura do Pai. Soprai sobre a Igreja e impeli-a até aos últimos confins; vinde, Espírito Santo, mudai-nos por dentro e renovai a face da terra”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 15 de maio de 2018

Convite para o dia 19 de maio 2018

Minhas irmãs e meus irmãos,

Paz e bem!

Nesse próximo sábado dia 19/05 teremos duas atividades importantes e pedimos que organizem o melhor horário para participar. Convidem os amigos e familiares.

As 14h15 a OFS conduzirá a Coroa Franciscana na Igreja do Convento São Francisco.

Uma devoção especialmente franciscana e todos somos convidados/as a participar.

A Oração será nas intenções:

* Pela Paz no mundo inteiro, especialmente pela Síria.

* Pelas famílias que sofrem sem emprego e sem casa para morar, especialmente as que padecem devido ao incêndio ocorrido no prédio do Centro de SP (Edifício Wilton Paes de Almeida). Pelas almas dos que faleceram no local.

* Pelos leigos, para que cumpram sua missão específica colocando-se a serviço dos desafios do mundo atual.

As 18h venha participar da Missa e Vigília de Pentecostes na Igreja do Convento:

"O Espírito Santo é o vento que nos impele a ir em frente, que nos mantém em caminhos, nos faz sentir peregrinos e forasteiros, e não nos permite acomodarmo-nos e tornarmo-nos um povo sedentário" - Papa Francisco

Venha celebrar Pentecostes!




domingo, 13 de maio de 2018

Nossa Senhora de Fátima

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No dia 5 de maio de 1917, o mundo ainda vivia os horrores da Primeira Guerra Mundial, então o papa Bento XV convidou todos os católicos a se unirem em uma corrente de orações para obter a paz mundial com a intercessão da Virgem Maria. Oito dias depois ela respondeu à humanidade através das aparições em Fátima, Portugal.

Foram três humildes pastores, filhos de famílias pobres, simples e profundamente católicas, os mensageiros escolhidos por Nossa Senhora. Lúcia, a mais velha, tinha dez anos, e os primos, Francisco e Jacinta, nove e sete anos respectivamente. Os três eram analfabetos.

Contam as crianças que brincavam enquanto as ovelhas pastavam. Ao meio-dia, rezaram o terço. Porém rezaram à moda deles, de forma rápida, para poder voltar a brincar. Em vez de recitar as orações completas, apenas diziam o nome delas: “ave-maria, Santa-Maria” etc. Ao voltar para as brincadeiras, depararam com a Virgem Maria pairando acima de uma árvore não muito alta. Assustados, Jacinta e Francisco apenas ouvem Nossa Senhora conversando com Lúcia. Ela pede que os pequenos rezem o terço inteirinho e que venham àquele mesmo local todo dia 13 de cada mês, desaparecendo em seguida. O encontro acontece pelos sete meses seguintes.

As crianças mudam radicalmente. Passam a rezar e a fazer sacrifícios diários. Relatam aos pais e autoridades religiosas o que se passou. Logo, uma multidão começa a acompanhar o encontro das crianças com Nossa Senhora.

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As mensagens trazidas por ela pediam ao povo orações, penitências, conversão e fé. A pressão das autoridades sobre os meninos era intensa, pois somente eles viam a Virgem Maria e depois contavam as mensagens recebidas, até mesmo previsões para o futuro, as quais foram reveladas nos anos seguintes e, a última, o chamado “terceiro segredo de Fátima”, no final do segundo milênio, provocando o surgimento de especulações e histórias fantásticas sobre seu conteúdo. Agora divulgado ao mundo, soube-se que previa o atentado contra o papa João Paulo II, ocorrido em 1981.

Na época, muitos duvidavam das visões das crianças. As aparições só começaram a ser reconhecidas oficialmente pela Igreja na última delas, em 13 de outubro, quando sinais extraordinários e impressionantes foram vistos por todos no céu, principalmente no disco solar. Poucos anos depois, os irmãos Francisco e Jacinta morreram. A mais velha tornou-se religiosa de clausura, tomando o nome de Lúcia de Jesus, e permaneceu sem contato com o mundo por muitos anos.

O local das aparições de Maria foi transformado num santuário para Nossa Senhora de Fátima. Em 1946, na presença do cardeal representante da Santa Sé e entre uma multidão de católicos, houve a coroação da estátua da Santíssima Virgem de Fátima. Em 13 de maio de 1967, por ocasião do aniversário dos cinquenta anos das aparições de Fátima, o papa Paulo VI foi ao santuário para celebrar a santa missa a mais de um milhão de peregrinos que o aguardavam, entre eles irmã Lúcia de Jesus, a pastora sobrevivente, que viu e conversou com Maria, a Mãe de Deus.

Esta mensagem de Fátima foi um apelo à conversão, alertando a humanidade para não travar a luta entre o bem e o mal deixando Deus de lado, pois não conseguirá chegar à felicidade, pois, ao contrário, acabará destruindo-se a si mesma. Na sua solicitude materna, a Santíssima Virgem foi a Fátima pedir aos homens para não ofender mais a Deus Nosso Pai, que já está muito ofendido. Foi a dor de mãe que a fez falar, pois o que estava em jogo era a sorte de seus filhos. Por isso ela sempre dizia aos pastorzinhos: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.

Fonte: http://franciscanos.org.br/

Deus olha seus filhos e filhas com olhos de mãe



“Deus olha seus filhos e filhas com olhos de mãe.” Para falar de Deus em sua infinitude, o único recurso que temos é lançar mão de percepções e experiências que estão ao alcance de nossa humana limitação. Desta forma, o olhar de mãe para descrever o olhar de Deus quer fazer menção ao que de mais nobre o sentimento humano pode produzir: o olhar e o cuidado da mãe para como o filho. E quais seriam os atributos deste olhar que o fazem ser tão parecido ao olhar de Deus?

1) Um olhar teimosamente otimista. É próprio da mãe apostar todas as fichas em seu filho. “A quem ama, o feio, bonito lhe parece”, diz o ditado que tem nos olhos da mãe a sua mais evidente confirmação. Mesmo diante de erros, tropeços e fracassos, lá está ela, fiel, obstinada, teimando em acreditar, em dar nova chance, em reavivar no coração os motivos que tem para amar aquele em cujas veias e artérias corre o sangue do seu sangue. Ainda que chore e sofra, nunca o faz diante do filho ou da filha e, ao modo do palhaço que maquia um sorriso sobre o rosto condoído por uma grave perda, faz das tripas coração para ser uma voz de esperança e de otimismo. Basta lembrar-se das mães que se consomem nas filas intermináveis de presídios e penitenciárias para visitar aqueles que saíram de seus ventres, acreditando teimosamente nas sementes de bondade e amor que foram plantadas no coração de seus “pequenos”. E assim é a misericórdia divina.

2) Um olhar sempre disposto a perdoar. É próprio do ser humano decepcionar e ser decepcionado. Não existe história que não seja marcada por este dado, fruto da limitação e da complexidade nas quais fomos tecidos. No entanto, no coração da mãe sempre está aberta a porta do perdão, pela qual o filho tem livre acesso, reconhecendo ou não o erro, pedindo ou não desculpas. Ao modo do Pai do Filho Pródigo, em seu coração a mãe está sempre disposta, de braços abertos para cobrir de abraços aqueles que são a extensão de suas próprias entranhas. E este é o modo de Deus perdoar. Este é sempre o seu modo de agir. Basta aos filhos tomarem consciência desta disposição amorosa e perseverante.

3) Um olhar repleto de empatia. A mãe vibra em cada vitória do filho. Enche-se do bom orgulho para partilhar as conquistas daquele a quem ama. Seja grande ou pequeno, cada progresso é celebrado, partilhado. No coração da mãe, talvez traga mais contentamento do que uma conquista que tivesse sido dela. Também na dor, o coração da mãe se condói ao ver o sofrimento de seu filho ou de sua filha, sentido na própria carne a intensidade da dor que abate o coração de seu rebento. E desta forma é o Deus de Jesus Cristo, alegrando-se com as alegrias e sofrendo com as dores de seu povo.

Neste dia das Mães, mais uma vez desejo agradecer a Deus que, em sua Sabedoria, confiou-nos seres tão capazes de trazer para a nossa vida uma porção generosa do Amor infinito com o qual Ele nos ama. Obrigado, Senhor, pela minha mãe. Agradeço-vos, ó Deus, por todas as mães!

 Frei Gustavo Wayand Medella, OFM

Fonte: http://franciscanos.org.br/

quinta-feira, 10 de maio de 2018

As mães enfeitam a face da Terra

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Foto: Frei Roger Strapazzon, Angola

Maio, mês das mães, e aqui simplesmente uma galeria de retratos de mãe. Isto é verdade verdadeira, elas sempre enfeitam a face da terra.

As mães são criaturas adoráveis, especialíssimas, sim quase sempre adoráveis. Aí estão elas, numerosas, apressadas, cuidando de mil tarefas antes de ir para o trabalho, antes que a noite chegue, antes que caia tonta de sono, antes de os filhos irem para a cama, antes de rezarem uma reza para a mãe de Jesus.

As mulheres ficam mais bonitas no tempo da gravidez. Até mesmo as que não são bonitas demais. Caminham devagar carregando um tesouro. Depois bem o abraço com o pimpolho que saiu de dentro dela. Cuidados e mais cuidados. Vacinas, papinhas, fraldas, mamadeiras, material para o jardim da infância, mochila e… tênis, roupa para as noites, festa de formatura…aparelho de barba, namoro, casamento e o ninho fica vazio. Há sempre, no entanto, um ponto de referência: a mãe, a mamãe.

Lá está aquela mãe. Mais parece uma menina. Dezesseis, dezessete anos. Está amamentando uma criança. Houve um envolvimento amoroso com um homem casado que dera à mocinha a ideia do aborto e de uma soma de dinheiro para tanto. A garota resistiu às insinuações de uns e de outros. Pena que a criança tenha nascido assim, fora do amor de verdade de um homem e de uma mulher, fora de um espaço que se chama família. Tomara que essa mãe-menina encontre um rapaz de valor que lhe queira bem e “adote” a criança que ela agora amamenta.

Aquela outra mulher é uma executiva. Resolveu ter dois filhos. Fez de tal sorte que um chegasse logo após o outro. Pouco tempo de intervalo. Não pode estar sempre perto dos filhos. Faz o que pode para se fazer presente em suas vidas. Procura estar com eles à noite, em torno à mesa. Ela e o marido, mesmo com atividades estressantes e ocupações absorventes, não delegam a ninguém a educação dos filhos. Estão presentes na vida dos filhos.

Ainda aquela outra mulher teve uma porção de filhos. Vive num bairro modesto da cidade. Teve uma tristeza muito grande anos atrás. Sua menina mais velha, quando vinha da escola, morreu numa dessas brigas de facções criminosas. Era uma menina de muito valor. Estava dando catequese na capela do morro, preparando crianças para a primeira comunhão. Mesmo cercada do marido e de muitos outros filhos a dor daquela mãe não tem tamanho.

Aquela outra mulher queria ter muitos filhos e não pode ter nenhum. Adotou duas meninas. Sua maternidade vem do coração. Uma vez crescida a menina mais velha casou-se e já lhe deu dois netos. A mais nova está fazendo enfermagem e vive com a mãe. Há sempre um belo almoço com todos no dia as mães. Normal que seja assim. Preito de gratidão.

Ainda uma cena protagonizada por mães. Era o primeiro filho do casal. Ao sair da maternidade marido e mulher e João Ricardo passaram pela igreja perto de sua casa. Os pais do menino foram até a Capela do Santíssimo e entregaram o dom que lhes tinha sido dado ao Deus de todos os dons.

O tema das mães

Os tempos mudaram. Nem todas as mães têm o avental sujo de ovo. Mas sempre são fontes da vida. Pessoas que alimentam os filhos com o oxigênio de seus pulmões, o sangue de suas veias, o leite do peito e atenções ao longo de todo o tempo da vida. Aquela que dá entre num eterno estado de maternidade.

Mãe, pessoa única, figura de toda grandeza e de toda beleza. Frágil e forte. Quantas vezes vemos essas figuras descarnadas das terras da miséria alimentando os filhos com a secura de seus peitos. Normal que sua data seja comemorada com alegria. Muitas vezes discursos e elogios às mães são exagerados, são marcados por sentimentalismo balofo, nem sempre dizendo a verdade.

Mãe que antes de tudo é esposa. Na sua caminhada encontrou uma pessoa especial que lhe roubou o coração. Ele e ela, marido e mulher, esposo e esposa se abrem ao mistério da vida. Aceitam alegremente o colocar filhos no mundo. Filhos que chegam do mistério da vida e do sonho do Altíssimo e são confiados aos dois.  A mãe apresenta o filho que saiu de suas entranhas ao pai. Deus empresta o tesouro de seus filhos aos pais da terra.

Maternidade não é fatalidade. É vocação. A decisão pela maternidade começa no útero de uma mulher. Aquele nadinha se instala ali. Precisa de alimentos, sais minerais, sangue, oxigênio, carinho, conversa, ternura. Depois que nasce… é a vida toda filho…cresce, vai à escola, enturma-se, fica conhecendo o mundo… vai e volta… namora, casa, separa-se. Uns desses meninos e meninas têm uma trajetória bonita e linear… outros são difíceis… mas lá está mãe que vai dando a vida pelos filhos que acabam de nascer, que sofreram um acidente, que andam pelas noites, que se drogam.. sempre a mãe. A vida inteira vai dando a vida pelos filhos sem querer possuí-los. Que não se tornem trapos humanos, vítimas de sociedade da mentira, sociedade consumista, matadora de sonhos e de utopias. Sociedade que usa os filhos de nossas famílias.

Mãe, aquela que sabe escutar, que sempre escuta, que adivinha antes que lhes digam o que nem sabem ou podem dizer. Aquela com quem se pode contar. Aquela a quem os filhos recorrem com toda confiança. Mesmo um filho de quarenta que se separa depois de um casamento tumultuado e desastroso encontra espaços largos no coração da mãe.

Mãe cristã, não apenas religiosa ou pessoa de rezas, mas mulher que foi se plasmando pela força do Evangelho da misericórdia, do serviço. Mulher de oração, de intimidade com Deus, mulher da qual os filhos se orgulham porque sabem que é confidente de Deus. Mulher que, delicadamente, apresenta os filhos ao Senhor que não impõe práticas religiosas, fazendo antes com que seus filhos se tornem límpidos por dentro em tenham sede de Deus, que consigam ter em seus semblantes os traços de Jesus.

A mulher e sua filharada

Uma mulher, mulher simples, com sua filharada.

O cronista encontra matéria para suas divagações simplesmente observando a vida à sua volta. As histórias acontecem nas coisas inesperadas do cotidiano. Um dia desses vi uma mulher de seus quarenta e poucos anos, forte, robusta. Chinelo de dedos, saia comprida com blusa solta. A cores da saia com a da blusa se desentendiam. Carregava uma bolsa, dessas bolsas de supermercado, cheia de coisas. Os filhos, os filhos todos à sua volta. A mulher, cabelo liso, corpo ainda jeitoso, dava ordens a uns e outros. Eram seis. Os meninos de bermudas e as meninas de saiotes e camisetas coloridas. Um dos mais novos que vinha atrás pinicava o nariz. A menina de tranças olhava para trás, observando uma mulher que puxava a filha pelo braço e a teimosa da menina se jogava no chão. A mãe e os filhos iam depressa. Não sei de onde vinham nem para onde iam. Não sei se marido tinha aquela mulher. Devia ter e devia ser uma pessoa muito orgulhosa da mulher e dos miúdos. Imaginei que fosse um homem bonito parecido com o guri mais velho com luminoso e escultural semblante. Uma mãe, uma mulher dessas mulheres belamente simples.

Lembrei-me de uns versos delicados e verdadeiros de Cora Coralina:

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca grossa
de chinelinha
e filharada.

Cena encantadora, essa da mãe com seus filhos, todos caminhando com decisão, para frente, não sei para onde… mas gente que vivia a vida, essa mulher de tantos filhos parecia mesmo a senhora do mundo.

Fonte: http://franciscanos.org.br

terça-feira, 8 de maio de 2018

Imaculado Coração de Maria


A devoção ao Coração de Maria começou já no início da Igreja, desenvolvendo-se na Idade Média. Com as aparições em Fátima, ganhou grande destaque. A devoção ao Coração de Maria está associada à devoção ao Coração de Jesus, pois esses Dois Corações se uniram no Mistério da Encarnação, Paixão e Morte do Verbo Encarnado.

Honrar o Coração de Maria é honrar o Coração que foi preparado por Deus para ser uma digna morada do Espírito Santo, que formaria a seu tempo o Redentor no ventre imaculado da Virgem Maria.

Esta devoção ao Coração de Maria é devoção à própria Mãe de Jesus. É também veneração dos santos sentimentos e afetos, a ardente caridade de Maria para com Deus, para com seu Filho e para com todos os homens, que lhe foram confiados solenemente por Jesus agonizante.

Assim, louvamos e agradecemos a Deus por nos haver dado por Mãe e intercessora Aquela que acreditou.

No dia 8 de maio, ao meio-dia, recita-se a súplica à Bem-aventurada Virgem do Rosário. A mensagem de Fátima pede: oração, penitência, vida cristã, recitação do Rosário, pureza de costumes, vida de adesão ao Evangelho.

Fonte: http://franciscanos.org.br/

terça-feira, 1 de maio de 2018

Papa: "O silêncio de José é habitado pela voz de Deus"

Na manhã de terça-feira (01/05), dia dedicado a São José Operário, Francisco refletiu sobre a figura deste ‘homem do silêncio’ e alertou os jornalistas: “Não devemos fazer o bem de quem nos ouve, mas educá-los a pensar e a julgar”.

Cidade do Vaticano

Na manhã de terça-feira (01/05), o Papa Francisco recebeu em audiência especial no Vaticano cerca de 400 funcionários do jornal italiano católico ‘Avvenire’ e seus familiares. O cotidiano foi fundado em Milão há 50 anos.

No dia dedicado a São José Operário, Francisco presenteou o grupo com uma reflexão sobre a figura deste santo trabalhador definindo-o ‘homem do silêncio’.

O silêncio e a dignidade atribuída pelo trabalho

Lembrando que “o silêncio pode parecer como a antítese do comunicador”, o Papa iniciou afirmando que “o silêncio de José é habitado pela voz de Deus e gera a obediência da fé”.
“Homem justo, capaz de se doar ao sonho de Deus, José se encarrega das pessoas e situações que a vida lhe confia: é um educador e pai que sabe fazer crescer a vida, acompanhar as pessoas e transmitir o trabalho”, prosseguiu.

“A dignidade humana não se relaciona ao dinheiro, à visibilidade ou ao poder, mas ao trabalho”, frisou, comparando a marcenaria de José à redação deste jornal, onde o trabalho teve que ser reorganizado e harmonizado com as novas tecnologias e a colaboração com as outras mídias ligadas à Conferência Episcopal Italiana.

O Evangelho anunciado como beleza e bem comum

“Neste panorama, a Igreja sente que sua voz não pode faltar, fiel à missão que a chama ao anúncio do Evangelho da misericórdia. A mídia oferece enormes potencialidades para contribuir na cultura do encontro”, destacou, convidando os jornalistas, por um momento, a focarem a comunicação como verdade, beleza e bem comum.
O marceneiro de Nazaré nos convida a reencontrar o sentido da saudável lentidão, da calma e da paciência: “Com o seu silêncio, nos recorda que tudo tem início com a escuta, para abrir-se à palavra e à história do próximo”, ressaltou Francisco. 

“ É o diálogo a vencer o medo e a Igreja deve ser seu artífice ”

O Papa dirigiu algumas recomendações aos ‘amigos do Avvenire’: “Não se cansem de buscar a verdade com humildade; escutem, aprofundem, comparem. Contribuam para superar contraposições estéreis e prejudiciais e sejam companheiros de quem se dedica à justiça e à paz”.

Ninguém é 'excesso'

“Desejo que vocês saibam afinar e defender esta visão; que superem a tentação de não ver, afastar ou excluir. Encorajo-os a não discriminar, a não considerar ninguém como ‘excesso’, a não se contentarem do que os outros já veem. Que ninguém, além dos pobres, dos últimos e dos sofredores, dite a sua agenda. Não aumentem a fila daqueles que contam a parte de realidade já iluminada pelos refletores. Comecem pelas periferias, conscientes de que não são o fim, mas início da cidade”.

Francisco mencionou um discurso feito por Paulo VI em 1971 aos comunicadores: “Não devemos fazer o bem de quem nos ouve, mas educá-los a pensar e a julgar”. E neste sentido, encorajou os jornalistas a evitar a informação de fácil consumo, que não compromete; a aproximar-se das pessoas com respeito e a apostar em relações que constituem e reforçam as comunidades.

Amor pela causa

“Nada cria proximidade como a misericórdia”, frisou, concluindo com outras palavras de Paulo VI:

“ Temos que ter um grande amor pela causa, dizer que acreditamos no que fazemos e no que queremos fazer. ”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt.html

São José Operário


Pio XII, instituindo, em 1955, a festa de São José Operário quis oferecer ao trabalhador cristão um modelo e protetor. “Todo trabalho possui dignidade inalienável e, ao mesmo tempo, ligação íntima com a pessoa em seu aperfeiçoamento: nobre dignidade e prerrogativa, que não são de modo algum aviltadas pela fadiga e pelo peso que devem ser suportados como efeito do pecado original em obediência e submissão à vontade de Deus”, disse Pio XII.

Foi no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.

São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.

Proclamando São José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

Muito acertada mais esta celebração ao homem “justo” do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada.

Fonte: http://franciscanos.org.br/

quarta-feira, 25 de abril de 2018

SOS Mata Atlântica e Santuário Nacional de Aparecida unem forças pela restauração florestal

Thiago Leon

Plantio de mudas nativas da Mata Atlântica na Fazenda Santana


A Fundação SOS Mata Atlântica e o Santuário Nacional de Aparecida anunciam uma parceria para promover a restauração florestal de 248 hectares (ha) de Mata Atlântica nos municípios de Aparecida e Taubaté, em São Paulo. Também serão realizados projetos de educação ambiental com jovens, ações de sensibilização e engajamento da sociedade pela conservação da Mata Atlântica, como uma campanha com devotos durante a comemoração do Dia do Meio Ambiente, Data comemorada no dia 5 de junho.

O projeto será lançado oficialmente em evento realizado amanhã (25), às 9h30 no Centro de Reuniões Santo Afonso de Ligório, nas imediações do Hotel Rainha do Brasil, em Aparecida. O evento tem como convidados, representantes de projetos ligados ao meio ambiente no Vale do Paraíba, das indústrias da região e especialistas da SOS Mata Atlântica.

Mais de 620 mil mudas nativas serão plantadas em três propriedades do Santuário com recursos da SOS Mata Atlântica, por meio do programa Florestas do Futuro e empresas parceiras, além de Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA). Até 2021, mais de R$ 9 milhões serão investidos no projeto.

“As áreas escolhidas para a restauração fazem parte de importantes regiões de Mata Atlântica, mas que possuem poucos remanescentes, apenas 4% em Aparecida e 6% em Taubaté. As propriedades também estão localizadas em mananciais de abastecimento do Santuário e possuem alta vulnerabilidade de aquíferos“, afirma Rafael Bitante, gerente de Restauração Florestal da SOS Mata Atlântica.

Umas das propriedades é a Fazenda Santana, gerida pelo Santuário Nacional de Aparecida em parceria com a prefeitura da cidade. O espaço possui 175 mil metros quadrados e tem uma área de 121 hectares disponível para restauração. De acordo padre Daniel Antônio, ecônomo do Santuário, “essas ações visam um ambiente melhor para a cidade de Aparecida e seus peregrinos, mas também colaboram para a melhoria da qualidade de vida no Vale do Paraíba”.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica - A Fundação SOS Mata Atlântica é uma ONG ambiental brasileira. Atua na promoção de políticas públicas para a conservação da Mata Atlântica por meio do monitoramento do bioma, produção de estudos, projetos demonstrativos, diálogo com setores públicos e privados, aprimoramento da legislação ambiental, comunicação e engajamento da sociedade em prol da recuperação da floresta, da valorização dos parques e reservas, de água limpa e da proteção do mar. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.

Sobre o Santuário Nacional de Aparecida - O maior centro de evangelização católica do Brasil é um espelho da devoção popular brasileira e estrangeira pela Rainha e Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. No total cerca de 13 milhões de peregrinos visitam o Santuário por ano, vindos de todas as partes do Brasil e fora dele. Segundo o Ministério do Turismo, Aparecida é considerado um dos mais importantes destinos religiosos do Brasil.


Fonte: Santuário Nacional

terça-feira, 17 de abril de 2018

Jovens fazem a Experiência do Ressuscitado

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Frei Augusto Luiz Gabriel, ofm

Campos do Jordão (SP) – A 7ª Caminhada Franciscana da Juventude terminou neste domingo com a mensagem do Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, incentivando os 800 jovens que invadiram Campos do Jordão, neste final de semana (14 e 15/4), para continuarem “construindo sonhos”, mas sem se esquecer de uma escolha simples: “Não podemos sonhar se o Ressuscitado não estiver do nosso lado”.

“Coragem, levanta-te, Jesus te chama”, extraído do evangelho de Mc (10, 49) foi o lema escolhido pelos organizadores do evento. Neste sentido, tendo como fundamento a Palavra de Deus, os jovens puderam refletir e acompanhar durante cada parada, pequenas encenações, neste ano chamada de “meditações”, ou seja, momentos de parada e de reflexão sobre questionamentos simples que exigem respostas profundas. “Mas escuta aqui, no caminho de vocês, o que havia? O que vocês experimentaram ao fazer este caminhar?”, perguntou o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, que presidiu a Celebração Eucarística às 4 horas da madrugada do domingo na Igreja Santa Teresinha, no centro da cidade.

ALEGRIA DO REENCONTRO

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Provenientes dos estados de SC, PR, SP, RJ e MG, os jovens foram acolhidos com muita animação por Frei Diego Melo e Frei Marx Rodrigues dos Reis, frades que trabalham diretamente no Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Província Franciscana da Imaculada Conceição, na cidade de Sapucaí-Mirim (MG).

Ainda nem era dia e os primeiros ônibus chegavam lotados de jovens alegres e dispostos a enfrentarem novos desafios. Curiosidade importante desta edição da caminhada foi a de que quase metade dos participantes nunca havia participado de nenhum evento assim, o que gerou mais expectativa ainda.

Depois de um reforçado café da manhã e também tendo realizado o credenciamento, os jovens iniciaram a caminhada logo no começo do dia. Antes, porém, os jovens de Campos do Jordão conduziram um momento de oração e reflexão a partir da 1ª meditação, que trouxe como questionamento a seguinte pergunta: “Quem sou eu?”.

Pela estrada José Teotônio Silva, os jovens franciscanos seguiram até o Sítio e Pousada do Robertinho, local onde foi servido gentilmente um delicioso almoço para todos os jovens e voluntários. No mesmo local cada jovem recebeu um coração para que durante o caminho depositasse nele todos os seus pedidos e desafios que enfrentaria durante a caminhada.

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Neste primeiro dia, o itinerário foi mais longo, por isso era necessário reabastecer as garrafinhas e com o ‘pé na estrada e fé no coração’, como canta o hino da CFJ, seguir adiante. Ninguém imaginava as surpresas que Deus havia preparado após o almoço. Durante um percurso de 6 km e 400 metros que contou apenas com subidas íngremes, os jovens puderam apreciar a obra de Deus manifestada na bela natureza. O cansaço era notável, porém, foi uma oportunidade de superar os limites, de ajudar o próximo, e de muita oração e confiança de que Deus caminhava com aqueles jovens ousados.

Richard Ferrari, de Rodeio (SC), cidade que acolheu a última edição da caminhada, destacou: “Para quem já participou e ajudou na organização de um evento como este, é muito gratificante estar novamente envolvido como participante. É uma alegria imensa”, afirmou o jovem rodeense.
A jovem Maria Clara, da cidade de Agudos (SP), declarou que não imaginava conseguir completar o caminho íngreme todo, “mas Deus coloca alguns anjos que ajudam a gente a superar as dificuldades e isso nos motiva a chegar até o final”, enfatizou ela.

Os jovens da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem da Rocinha (RJ) também marcaram presença. Para eles, foi inovador participarem da caminhada. João Pedro contou que estava afastado da Igreja e que foi para a caminhada por insistência dos amigos. Gostou tanto que ainda lançou o convite: “Participem, pois vale a pena”.

TEMPO DE CELEBRAR O JUBILEU


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Ao contrário dos eventos anteriores, a Caminhada deste ano foi realizada em uma cidade e paróquia que não é mais assistida pelos frades da Província da Imaculada. “Embora a nossa Província tenha entregue a Paróquia Santa Teresinha há mais de 27 anos, percebemos o quanto o povo ainda alimenta um grande carinho pelos frades, com destaque para a figura de Frei Orestes Girardi, que tanto se doou pelas crianças e famílias pobres de Campos do Jordão, bem como garantiu a continuidade de sua obra através da fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora de Fátima. Assim, esta VII edição da CFJ contou com o envolvimento de uma grande equipe na preparação, formada por leigos e leigas, irmãos e irmãs da Ordem Franciscana Secular, ex-jufristas, Padres Diocesanos e Padres da Sociedade dos Joseleitos de Cristo, bem como as Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora de Fátima, que nos convidaram para realizar essa caminhada também como forma de celebração pelos seus 50 anos de congregação”, explicou Frei Diego.

Na Sociedade de Educação Frei Orestes (SEA), os jovens finalizaram a caminhada do primeiro dia, após 24 km. Antes, foram recebidos no Mosteiro São João, das Irmãs Beneditinas, com hinos e cânticos. Ali, os jovens confiaram às irmãs o coração que ganharam no início da caminhada, cheio de pedidos e agradecimentos.

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“Nosso coração exulta porque olhando para vocês, neste século onde muitos jovens estão divididos e sem sonhos, vocês optaram por Cristo, por ter um ideal. Recebam essa luz de Cristo que deve iluminar a caminhada de vocês. Cada vez que tiverem uma dificuldade, seja ela qual for, se lembrem de que Jesus está adiante e mostra o caminho. Francisco foi um jovem que sonhou e teve um ideal e até hoje esse ideal dá muitos frutos em todo o mundo. Sejam como Francisco, sonhem, tenham um ideal. De preferência sonhem o sonho que Deus Pai tem para vocês, e confiem em Maria, colocando os seus corações no coração dela”, pediu a irmã Myriam de Castro, do Mosteiro São João.

Apesar do frio e da chuva que os jovens enfrentaram neste primeiro dia, eles foram acalentados pelo calor não só de um casaco de moletom da cor franciscana, mas também pelo calor da acolhida das irmãs de Nossa Senhora de Fátima, como também das famílias e do povo da região.

No SEA, antes de serem enviados para as famílias, os jovens prestigiaram algumas apresentações preparadas impecavelmente pelas irmãs e jovens. Também puderam conhecer um pouco mais da congregação que neste ano completa 50 anos. E, por fim, participaram do túnel do amor, formado por religiosos e religiosas, onde cada jovem recebeu um abraço e ouviu palavras de ânimo e entusiasmo.

A EXPERIÊNCIA DO RESSUSCITADO

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Ainda era 4h da madrugada quando os jovens se reuniram na Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus em Campos do Jordão-SP para juntos celebrarem a Eucaristia. O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, foi o presidente da Celebração. A igreja esteve lotada de jovens e fiéis que deixaram de lado o sono para juntos entregarem a Deus mais um dia intenso de caminhada que teriam pela frente.

Em sua homilia, Frei Fidêncio afirmou que estamos vivendo um tempo muito bonito, que é o tempo pascal. “Em todo esse tempo pascal o que nós podemos perceber é o grupo de pessoas em movimento, um grupo de pessoas em caminhada. Nós ouvimos há pouco, no Evangelho, que dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho e como eles reconheceram o Ressuscitado ao fazer o caminho”, disse.

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Todos caminham, segundo o Ministro Provincial: Pedro e João, as mulheres e os discípulos. “De certa forma, no primeiro momento, há um caminhar dispersivo. A morte de Jesus assustou a todos. A morte de Jesus, a tragédia da Cruz, espantou a todos, como nós nos espantamos quando algo trágico acontece. Mas a partir da ressurreição de Jesus, há um caminhar novo, há um caminhar diferente, há um caminhar de alegria, há um caminhar das pessoas que vão ao encontro de Jesus Ressuscitado. E a partir deste novo caminhar, as pessoas se encontram. A Igreja começa a nascer, as pessoas começam a narrar tudo aquilo que foi a experiência pessoal com o Senhor Ressuscitado”, destacou.

“Meus queridos jovens, vocês, ontem, fizeram uma caminhada fantástica, difícil, uma caminhada que teve seus momentos de dor, e parecia que nunca chegava. Mas escuta aqui, no caminho de vocês, o que havia? O que vocês experimentaram ao fazer este caminhar?”, perguntou.
“Creio que cada um de vocês, no fundo do coração, também dizem como Maria: ‘Eu vi o Cristo Ressuscitado! Eu experimentei o Cristo Ressuscitado’. O Cristo Ressuscitado estava no irmão, na irmã que me sorriu, que reclamou, que chorou, que estendeu seu braço, que alargou seu coração. Sim, vocês, no caminhar, fizeram a experiência do Cristo Ressuscitado”, ensinou o Ministro.

“Nada mais bonito do que reconstruir vidas (tema da Caminhada) a partir da experiência que cada um fez lá no fundo do seu coração, com o Ressuscitado que silenciosamente caminhava com vocês como caminhou com os discípulos de Emaús”, ilustrou.

Segundo Frei Fidêncio, se se desse aos jovens o microfone, eles certamente contariam e partilhariam da experiência da ressurreição do Senhor, da experiência do Cristo ressuscitado. “Os apóstolos disseram que nós experimentamos muito de perto o Ressuscitado no momento da partilha. Sim, é na partilha da vida, na experiência de comunhão, quando nós deixamos este Cristo peregrino entrar na nossa casa, entrar na nossa vida. Sim, no meu caminho, no teu caminho, no nosso caminho, cada um experimentou a alegria do Ressuscitado”, observou.


CONSTRUIR SONHOS

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Mas segundo Frei Fidêncio, essa experiência com o Ressuscitado, segundo o Evangelho, dá uma missão a todos: vós sereis testemunhas de tudo isso. “Vós sereis as testemunhas do Ressuscitado, portanto o Ressuscitado confere a todos nós esta missão e, a partir Dele,  queremos construir sonhos. Não apenas reconstruir vidas. Nós queremos construir sonhos! E não podemos sonhar se o Ressuscitado não estiver do nosso lado.

Frei Fidêncio exortou os jovens a não terem medo de anunciar o Ressuscitado: “Coragem! O Senhor nos chama! Coragem! O Senhor estende a sua mão, ele nos provoca para a missão, para o testemunho, para o alegre anúncio e nós vivemos hoje em um mundo muito dividido. É tão triste a destruição da Síria, onde as bombas caíram ceifando vidas. “Não precisamos ir longe. Também experimentamos na nossa realidade, no nosso país, nas nossas cidades, nos nossos estados, de onde a gente vem, que vivemos um mundo dividido. O Ressuscitado congrega. O Ressuscitado forma comunidade e nós queremos, então, queridos jovens, continuar a nossa caminhada. Coragem!”, pediu.

E completou: “Vocês depois, certamente, terão muitas histórias a contar: o que viram pelo caminho, o que construíram neste caminhar, o que o Ressuscitado, sobretudo, falou ao coração de cada um de vocês. Coragem! O Senhor te chama. Coragem, para contar as maravilhas que vocês experimentaram neste caminhar, coragem para serem profetas e profetizas, testemunhas do Ressuscitado no nosso tempo, na nossa história de hoje”.

No final da celebração, o pároco Beto Luna dirigiu palavras de agradecimento a todos os jovens e, em especial, às famílias que não mediram esforços para acolherem os jovens. “Nós nos alegramos com a presença de vocês. O grande número nos surpreendeu. Lembro-me que no domingo passado (08/04) faltavam ainda 250 lugares para hospedarmos vocês e, de repente, as famílias se multiplicaram e faltaram jovens. Viessem mil jovens teríamos famílias e pessoas generosas para acolher a todos”, disse. Ao Frei Fidêncio convidou: “Que os freis possam voltar e frequentar mais nossa cidade e Paróquia! Voltem sempre, a casa continua sendo de vocês!”.

SER TESTEMUNHAS NA HUMILDADE

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Os jovens, então, continuaram em peregrinação pela cidade de Campos do Jordão, passando por alguns pontos turísticos e também por bairros da periferia, muitas vezes ignorados e esquecidos. Muitas famílias e pessoas que moram nos locais por onde a caminhada passou saíram às ruas para ver esta “invasão franciscana” que, com toda a certeza, deixou marcas.

Já na Paróquia São Benedito, do Bairro Capivari, os jovens viveram um momento forte de adoração ao Santíssimo. Refletindo a última meditação “como realmente seguirei Jesus”, os jovens puderam coroar esta caminhada: “Vai, a tua fé te curou” (Mc 10,52).

Ainda faltavam apenas 4 km para que todo o trajeto se cumprisse. Porém, isso não foi motivo de tristeza nem de desânimo; pelo contrário, a cada novo passo, a chegada ficava mais próxima. Entoando cantos, rezando e louvando ao Senhor, os jovens pararam literalmente a cidade, com a ajuda da Defesa Civil.

Finalmente, quando chegaram ao destino, na casa das Irmãs de Nossa Senhora de Fátima, foram surpreendidos pelo rito do lava-pés, onde religiosos e religiosas estavam a postos, com bacias e jarros na mão, para lavar os pés daqueles jovens que viveram a experiência do Ressuscitado neste último final de semana. Os jovens partiram em missão para suas comunidades com a lição de servir.

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Tivemos a Gabriela e o Diego representando a Jufra das Chagas.

Fonte: http://franciscanos.org.br/