terça-feira, 26 de agosto de 2014

Missa em honra a São Luís, rei da França

Irmãos,
Paz e bem!

Celebramos no dia 25 de Agosto na Santa Eucaristia presidida por Frei Domingos, OFM, às 19 horas em Ação de Graças a São Luis, Rei da França, patrono da Ordem Franciscana Secular. O altar estava enfeitado com flores e exposto a relíquia do santo.

Os irmãos no coral animaram a liturgia ao som do órgão. Apesar do número reduzido dos irmãos, foi bem bonito. Após a comunhão Frei Odorico - OFM, nos agraciou com uma melodia suave em sua gaita.

Depois nos confraternizamos com um delicioso lanche preparado com muito carinho pela Irmã Cecília.

Deus seja louvado!

Maria Nascimento









segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Testamento de São Luís a seu filho



Meu filho: a primeira coisa que te recomendo é que ames a Deus de todo o teu coração e prefiras sofrer tudo, até a própria morte, a cometer um pecado mortal. 
Se Deus te mandar contrariedades, aceita-as com gratidão, convencido de que as mereceste. 
Se tudo correr segundo teus desejos, não te deixes levar pelo orgulho. 
Não se deve abusar dos benefícios e os transformar em armas de malícia. 
Confessa-te frequentemente e escolhe um confessor prudente e virtuoso, que te possa ser guia e que tenha coragem bastante para corrigir tuas faltas e castigar teus pecados. 
Assiste à Santa Missa com muita devoção. 
Sê caridoso para com os pobres e socorre-os sempre que puderes. 
Respeita as boas tradições entre o povo e persegue os abusos. 
Não sobrecarregues teu povo com duros e múltiplos impostos. 
Escolhe para tua companhia homens direitos e prudentes, leigos e sacerdotes e foge dos círculos dos maus. 
Ouve de bom grado a palavra de Deus e conserva-a cuidadosamente em teu coração. 
Sê amigo da oração. 
Ama tua honra e sê amigo do bem e inimigo do mal. 
Rende graças a Deus pelos seus benefícios. 
Bens alheios, faze-os chegar às mãos de seu legítimo dono. 
Procura conservar e estabelecer a paz entre teus súditos e zela pelos bons costumes entre o povo. 
Trata de dar a ele bons juízes e funcionários e fiscaliza bem o procedimento deles, a fim de que não haja lugar para vícios, parcialidade, fraude e imoralidade. 
Cuida para que na corte as despesas se limitem ao indispensável. 
Manda rezar missas pelo repouso de minha alma e manda rezar nessa intenção. 
Meu filho: dou-te a bênção que um pai pode dar a seu filho. 

Ordem Franciscana celebra São Luís hoje



Neste ano, a Ordem Franciscana Secular comemora o jubileu do 8º centenário do nascimento de São Luís de França (Luís IX), seu padroeiro. Ele é festejado neste dia 25 de agosto pelos franciscanos por seus exemplos de caridade para com os pobres, pelas demonstrações de fé e por ter combatido as heresias em seu tempo.

Luís IX, rei da França nasceu aos 25 de abril de 1215. Foi educado rigidamente por sua mãe Branca de Castela e por ela encaminhado à santidade. Começou a ser rei da França em 1226. Casado com Margarida de Provença, ele impôs-se por toda vida exercício diário de piedade e penitência em meio de uma corte elegante e pomposa. Viveu na corte como o mais rígido monastério e tomou a todo o país como campo de sua inesgotável caridade. Quando o qualificavam de demasiado liberal com os pobres, respondia: “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos para a vã glória do mundo”.

Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Admirava-lhes sua serena justiça, objetiva supremo de seu reinado. A seu primogênito e herdeiro lhe disse uma vez: “preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o reino bem e com lealdade, e não que tu meu filho, o governasse mal”. Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. Por uma primeira cruzada promovida por ele terminou em fracasso. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro, precisamente a prisão de Luís IX foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram “o sultão justo”.

Em uma segunda expedição ao oriente, ele mesmo morreu de tifo em 1270. Antes de expirar mandou dizer ao Sultão de Túnez: “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”.

Os terceiros franciscanos festejam neste dia 25 de agosto a seu patrono, São Luís, rei da França, ilustre coirmão na terceira Ordem da penitência. Foi sua mãe Branca de Castela que o encaminhou à santidade. Foi um terceiro franciscano que teve de Deus o encargo de exercitar a caridade em terras da França. Na história da França se recorda como um soberano sapientíssimo e também enérgico. O vemos praticar todas as obras de misericórdia convencional, traduz sua fé em ação e buscou no solo viver, e também governar segundo os preceitos da religião. São Luís IX, rei da França, morreu em 25 de agosto com a idade de 55 anos.

Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297 o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte.

Muito do que atualmente se sabe sobre a vida de São Luís foi o que ficou registrado por Jean de Joinville, o seu principal biógrafo com a obra «A Vida de São Luís». Jean de Joinville era amigo, confidente e conselheiro do rei, e também foi uma das principais testemunhas no processo de canonização em 1297 pelo papa Bonifácio VIII. Duas outras biografias importantes foram escritas pelo confessor do rei, Godofredo de Beaulieu, e pelo seu capelão, Guilherme de Chartres, Grão-Mestre da Ordem dos Templários. A quarta notável fonte de informação é a biografia de Guilherme de Saint-Pathus, escrita usando o inquérito papal sobre a vida do rei para a sua canonização.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Fonte: http://franciscanos.org.br

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Encontro do 1º Distrito da OFS

Irmãos e Irmãs, Paz e bem!

Aconteceu no dia 17/08/14 o Encontro do 1º Distrito da OFS, Regional Sudeste III na Fraternidade das Chagas/SP. Pouco depois da reabertura da Igreja das Chagas foi o primeiro momento que tivemos de apresentar aos irmãos do nosso distrito a Igreja restaurada e aberta aos fiéis. Foram vários encontros em preparação e também dos mutirões para deixarmos tudo pronto para receber com muita alegria os irmãos. E eles chegaram bem cedo, vindos de várias partes de nossa cidade, do grande ABC e Baixada Santista. Quando os 250 crachás acabaram, vimos que o número excedia nossas expectativas!

A igreja ficou repleta! A casa cheia!

Na Santa Eucaristia presidida por Frei Anacleto Luiz Gapsk, OFM, fazia menção ao tema ”Ide e Comunicai”.

Na procissão de entrada foram levados até o altar os símbolos utilizados em nossa comunicação: telefone, microfone, tablet, Bíblia, Revista “Paz e Bem”, bem como o Estandarte e Relíquia de São Luiz, Rei da França, em comemoração aos 800 anos de seu nascimento em toda a família franciscana.

Houve filas para o café e almoço, mas com muita disposição e alegria todos ficaram saciados na partilha da fraternidade.

Trabalhamos na parte da manhã em Oficinas uma passagem do evangelho de Mateus Ano –A. 1ª Oficina - Linguagem Corporal Sonora: (Mt 1, 18-25). José assume a paternidade legal de Jesus, trata-se de um compromisso de casamento, realizado com amor. A comunicação Corporal se modifica pela compreensão de cada pessoa. 2ª – Oficina de Argila. (Mt 6, 7-15) Pai Nosso. A comunicação através da nutrição da fé reproduzida na arte expressando com argila os sinais que transmite os valores: humanos, cristãos e franciscanos. 3ª – Oficina de Recursos Áudio Visuais, Missão dos Doze, (Mt 10, 1-16). Construiu a dinâmica da teia mostrando o enredo da vida humana como é realizada a comunicação no dia a dia: o Ofício Divino, o afeto fraterno, as datas dos eventos tudo deve ser feito com amor e, a 4ª oficina: Desenhos e Sons: O maior mandamento, (Mt 22, 34-40), quando se fala em amor, sabedoria pensamos em coração e sintonizamos os irmãos e as irmãs, também as impressões digitais revelam a singularidade de cada indivíduo no processo de conhecimento e práticas educativas, observamos que os sinais transmitidos nessa oficina trouxe à tona grandes talentos nas artes: poesia, dança etc. Essas dinâmicas tinham como objetivo proporcionar aos irmãos maior criatividade, para a comunicação do Evangelho e o exercício da escuta, ao ouvir o povo e sentir os seus problemas. “Como devemos comunicar o Evangelho aos irmãos com esse material”?

As apresentações dos grupos foram bem bacanas levando a assembleia à reflexão, mas também a dar muitas risadas. Também bastantes interessantes foram os testemunhos da comunicação nas fraternidades. Ao final a irmã Sueli fez o fechamento dos trabalhos e apresentações falando da importância da comunicação em nosso dia a dia.

Após o almoço chegou o momento tão esperado: visita às dependências da igreja e acervo da Ordem. Todos gostaram muito ao percorrem as salas.

Depois nos reunimos no pátio e houve apresentação de dança sênior, dançamos em rodas ao som de músicas. Que legal!

Prosseguindo o momento da Tarde Cultural, as Fraternidades apresentaram os talentos na expressão de poesia, cantos e musical como o hino de São Luiz Rei de França composto por Fernando Gregório da Fraternidade Santo Antônio do Embaré e cantado pelos irmãos. A animação dada pelas Fraternidades do Bom Jesus das Oliveiras e São Francisco de Assis – Guarulhos com várias músicas sertanejas, populares entoadas por eles sempre nos encanta o coração e a alma!

Na despedida sentimos um gostinho de saudade dos irmãos.

Como é bom o encontro dos Irmãos!

Deus seja louvado!
Maria Nascimento


































video


video

video

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Maria Assunta na glória

A homilia-oração da tradição bizantina que transcrevemos pode nos a cantar a beleza de Maria que está na glória:

“Nós te rendemos graças, Senhor, tu que acompanhas tuas criaturas, por estes mistérios, sobretudo porque escolheste Maria como ministra de teus mistérios. Rendemos-te graças por tua inefável sabedoria, pelo teu poder e por teu amor pelos homens porque não somente quiseste unir a ti a nossa natureza, mas sobretudo porque não achaste indigno tomar por mãe uma das nossas e fazer dela rainha do universo, do céu e da terra.

Nós te rendemos graças, Pai de todos, porque quiseste que tua mãe se tornasse também nossa mãe (…). Sempre de novo te rendemos graças. Sofreste muito por nós e dispuseste também que tua mãe sofresse por ti e por nós, para que a comunhão contigo na paixão preparasse a comunhão na glória e ainda para que recordando os sofrimentos padecidos por nós, se dedicasse ainda com maior solicitude à nossa salvação e conservasse íntegro seu amor por nós, não somente pelo fato da participação em nossa natureza mas recordando também tudo o que em sua vida fez por nós (…).

Nós te rendemos graças também a ti, Senhora, pelas tribulações e pelos sofrimentos que padeceste por nós. Para ti não cantamos hinos fúnebres, mas cantos nupciais; não lamentamos tua partida, mas cantamos a glória de teres entrado no céu. Partes para o céu, sem abandonar a terra; livre das misérias desta terra e assunta na felicidade inefável e infinita não te esqueces da miséria de nossa condição. Ao contrário, mais ainda te lembras de nós e te mostras solícita por nossas tribulações. Não nos deixastes duplamente órfãos, mas dissolveste nosso estado de orfandade. Perto de Ti sabemos que nos tornaste teu Filho propício, Ele que nos reconciliou com o Pai.

Foste constituída rainha à destra do Rei, circundada de outras esplêndidas rainhas (cf. Sl 45, 10.15), ou seja, almas virgens e reais, com vestes tecidas de ouro pelo Espírito, envoltas pelo manto real de tua dignidade, de tuas múltiplas virtudes e de teus carismas. Recebeste das mãos de teu filho de teu Deus o diadema da graça, o cetro do reino, o cinto e a púrpura, isto é, um poder universal e uma luz que refulge de tua pessoa e da luz divina que brilha em teu rosto.

João, dito o Geômetra

Fonte: http://franciscanos.org.br

A visita de Maria a Isabel – Alegria no Espírito!

Carlos Mesters e Mercedes Lopes

O ASSUNTO DA VIDA: PARA COMEÇO DE CONVERSA

O texto de hoje nos fala da visita de Maria a sua prima Isabel. As duas eram conhecidas uma da outra. E, no entanto, neste encontro elas descobrem, uma na outra, o mistério que ainda não conheciam e que as encheu de muita alegria. Hoje também encontramos pessoas que nos surpreendem com a sabedoria que possuem e com o testemunho de fé que nos dão.

CHAVE DE LEITURA

Na leitura que vamos refletir, sobretudo no Cântico de Maria, percebemos que ela descobriu o mistério de Deus não só na pessoa de Isabel, mas também na história do seu povo. Durante a reflexão vamos prestar atenção no seguinte: ”Com que palavras e comparações Maria expressou a descoberta de que Deus está presente em sua vida e na vida do seu povo?”

SITUANDO

Quando Lucas fala de Maria, ele pensa nas comunidades do seu tempo que viviam espalhadas pelas cidades do império romano. Maria é, para ele, o modelo da comunidade fiel. Descrevendo a visita de Maria a Isabel, ele ensina como aquelas comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e irmãs.

O episódio da visita de Maria a Isabel mostra ainda outro aspecto bem próprio de Lucas. Todas as palavras e atitudes, sobretudo o Cântico de Maria, formam uma grande celebração de louvor. Parece a descrição de uma solene liturgia. Assim, Lucas evoca o ambiente litúrgico e celebrativo, em que as comunidades devem viver a sua fé.

COMENTANDO

1. Lucas 1,39-40: Maria sai para visitar Isabel

Lucas acentua a prontidão de Maria em atender as exigências da Palavra de Deus. O anjo lhe falou da gravidez de Isabel e, imediatamente, Maria se levanta para verificar o que o anjo lhe tinha anunciado, e sai de casa para ir ajudar a uma pessoa necessitada. De Nazaré até as montanhas de Judá são mais de 100 quilômetros! Não havia ônibus nem trem.

2. Lucas 1,41-44: Saudação de Isabel

Isabel representa o Antigo Testamento que termina. Maria, o Novo que começa. O AT acolhe o NT com gratidão e confiança, reconhecendo nele o dom gratuito de Deus que vem realizar e completar toda a expectativa do povo. No encontro entre as duas mulheres manifesta-se o dom do Espírito que faz a criança estremecer de alegria no seio de Isabel. A Boa Nova de Deus revela a sua presença numa das coisas mais comuns da vida humana: duas donas de casa se visitando para se ajudar. Visita, alegria, gravidez, criança, ajuda mútua, casa, família: É nisto que Lucas quer que as comunidades (e nós todos) percebamos e descubramos a presença do Reino. As palavras de Isabel, até hoje, fazem parte do salmo mais conhecido e mais rezado da América Latina, que é a Ave Maria.

3. Lucas 1,45: O elogio que Isabel faz a Maria

“Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor vai acontecer”. É o recado de Lucas às comunidades: crer na Palavra de Deus, pois ela tem força para realizar aquilo que nos diz. É Palavra criadora. Gera vida nova no seio de uma virgem, o seio do povo pobre e abandonado que a acolhe com fé.

4. Lucas 1,46-56: O Cântico de Maria

Muito provavelmente, este cântico já era conhecido e cantado nas comunidades. Ele ensina como se deve orar e cantar.

Lucas 1,46-50

Maria começa proclamando a mudança que aconteceu na sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia. Por isso, ela canta feliz: “Exulto de alegria em Deus, meu Salvador”.

Lucas 1,51-53

Em seguida, canta a fidelidade de Javé para com seu povo e proclama a mudança que o braço de Javé estava realizando a favor dos pobres e famintos. A expressão “braço de Deus” lembra a libertação do Êxodo. É esta força salvadora de Javé que faz acontecer a mudança: dispersa os orgulhosos (1,51), destrona os poderosos e eleva os humildes (1,52), manda os ricos embora sem nada e aos famintos enche de bens (1,53).

Lucas 1,54-55

No fim, ela lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com o seu povo e expressão de sua fidelidade às promessas feitas a Abraão. A Boa Nova veio não como recompensa pela observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às promessas. É o que Paulo ensinava nas cartas aos Gálatas e aos Romanos.

ALARGANDO

O Segundo Livro de Samuel conta a história da Arca da Aliança. Davi quis colocá-la em sua casa, mas ficou com medo e disse: “Como virá a Arca de Javé para ficar na minha casa?” (2 Samuel 6,9) Davi mandou que a Arca fosse para a casa de Obed-Edom. “E a Arca de Javé ficou três meses na casa de Obed-Edom, e Javé abençoou a Obed-Edom e a toda a sua família” (2 Samuel 6,11). Maria, grávida de Jesus, é como a Arca da Aliança que, no AT, visitava as casas das pessoas trazendo benefícios. Ela vai para a casa de Isabel e fica lá três meses. E enquanto está na casa de Isabel, ela e toda a sua família são abençoadas por Deus. A comunidade deve ser como a Nova Aliança. Visitando a casa das pessoas, deve trazer benefícios e graça de Deus para o povo.

A atitude de Maria frente à Palavra expressa o ideal que Lucas quer comunicar às comunidades: não fechar-se sobre si mesmas, mas sair de si, sair de casa, e estar atentas às necessidades bem concretas das pessoas e procurar ajuda na medida das necessidades.

Texto extraído do livro O AVESSO É O LADO CERTO. Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas de autoria de Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

Aprofunde a reflexão sobre o Magnificat com o livro O cântico da Bem-Aventurada, de Maria das Graças Vieira. O livro é um exercício de interpretação do cântico de Maria em Lucas 1,46-55 na perspectiva da libertação, que se atualiza cada vez que o pão é partilhado, a justiça se realiza e a pessoa empobrecida encontra-se com o deus-libertador.
www.cebi.org.br

Fonte: http://franciscanos.org.br

Assunção da Virgem Maria

A presente festa é uma grande felicitação de Maria da parte dos fiéis, que nela vêem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe dos fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto de Ap 12 (1ª leitura), originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto (a Igreja perseguida do 1° século) até a vitória final do Cristo. Na 2ª leitura, a Assunção de Maria ao céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a une mais intimamente a nós.

Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia de Deus: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Deus escolhe o lado de quem, aos olhos do inundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico, isto é, rebaixadas, humilhadas, oprimidas (a “humildade” não como aplaudida virtude, mas como baixo estado social): Maria, que nem tinha o status de casada, e toda uma comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do evangelho de Lc (cf. 12,32, peculiar de Lc). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra através dos poderosos: antecipação da realidade escatológica, em que será grande quem confiou em Deus e se tomou seu servo (sua serva), e não quem quis ser grande por suas próprias forças, pisando em cima dos outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).

Pois bem, a glorificação de Maria no céu é a realização desta visão escatológica. Nela, é coroada a fé e a disponibilidade de quem se toma servo da justiça e bondade de Deus, impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus, que hoje é coroada.

A “arte” litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: o triunfo e a humildade. O único meio para unir estes dois momentos é colocar tudo nas mãos de Deus, ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé de que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas.

Em Maria vislumbramos a combinação ideal de glória e humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida. É o jeito…

Magnificat: a mãe gloriosa e a grandeza dos pobres

Em 1950, o Papa Pio XII definiu a Assunção de Maria como dogma, ou seja, como ponto referencial de sua fé. Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada plena e definitivamente com a
glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, ela é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida completamente no céu porque ela acolheu o Céu nela – inseparavelmente.

O evangelho de hoje é o Magnificat de Maria, resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva – nem tinha sequer o status de mulher casada -, ela foi “exaltada” por Deus, para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus opera nela. Um diálogo de amor entre Deus e a moça de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria, e à doação de Maria na maternidade e no seguimento de Jesus, responde o grande “sim” de Deus, a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não deixam Deus agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. O filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois enquanto estes oprimem, ele salva de verdade.

Essa maravilha, só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e seu status. Ela é serva, está a serviço – como costumam fazer os pobres – e, por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo de Deus, superando todas as servidões humanas. Mas, para que seu serviço seja grandeza, tem que saber decidir a quem serve: a Deus ou aos que se arrogam injustamente o poder sobre seus semelhantes. Consciente de sua opção, o pobre realizará coisas que os ricos, presos na sua auto-suficiência, não realizam: a radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus.

A vida de Maria, a “serva”, assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (Fl 2,6-11). O amor torna semelhantes as pessoas. Também a glória. Em Maria realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na 2ª leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa do pai, uma vez que o Filho venceu a morte.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Fonte: http://franciscanos.org.br

A missão de trazer o céu à terra




“Embora fosse de divina condição, Cristo Jesus não se apegou ciosamente a ser igual em natureza a Deus Pai. Jesus Cristo é Senhor para a glória de Deus Pai! Porém esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante” (Fl 2, 6-7). Este trecho da Carta de São Paulo aos Filipenses não faz parte da Liturgia da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, que celebramos neste domingo. No entanto, a atitude de entrega de Jesus exposta pelo apóstolo é fruto dos valores que Maria ensinou a seu filho com palavras e, mais ainda, com o próprio modo de ser.

Se Jesus não se apegou a ser igual em natureza a Deus Pai é porque sua mãe também jamais de vangloriou de ter sido eleita pelo mesmo Pai para trazer ao mundo o Salvador. Sempre encarou tal prerrogativa como um chamado à responsabilidade para se colocar a serviço, assim como se colocou à disposição de Isabel, sua prima Idosa que estava grávida, conforme se lê no Evangelho de São Lucas (Lc 1,39-56), proclamado na missa deste fim de semana.

A Glória de Maria que se celebra na festividade da Assunção é justamente esta entrega sem reservas ao plano de Deus, que a transporta da terra ao céu ou, se preferir, que através dela traz o céu até a terra, transformando-a em habitação do próprio Deus. Todos nós, diariamente, somos convidados a trazer o céu à terra, colocando-nos como servidores fiéis de Cristo na pessoa de quem precisa. Que Nossa Senhora da Glória nos inspire ações, gestos e palavras que ergam o caído, que libertem o humilhado e que ninguém saia de nossa presença pior do que quando chegou. Viva Nossa Senhora da Glória!

Frei Gustavo Medella

Oração de Agosto