sábado, 28 de março de 2015

Liturgia para o domingo de Ramos e da Paixão do Senhor



1ª Leitura: Is 50,4-7 / Sl 21 2ª Leitura: Fl 2,6-11 / Evangelhos: Mc 11, 1-10 (procissão) Mc 14,1-15,47 (paixão)

O Rei-Messias

* 1 Jesus e seus discípulos se aproximaram de Jerusalém, diante de Betfagé e de Betânia, perto do monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, 2 dizendo: «Vão até o povoado que está na frente de vocês, e logo que vocês entrarem aí, vão encontrar amarrado um jumentinho que nunca foi montado; desamarrem o animal e tragam aqui. 3 Se alguém lhes falar: ‘Por que estão fazendo isso?’, digam: ‘O Senhor precisa dele, mas logo o devolverá.» 4 Então eles foram e encontraram um jumentinho amarrado, do lado de fora, na rua, junto de uma porta, e o desamarraram. 5 Algumas pessoas que aí estavam disseram: «O que vocês estão fazendo, desamarrando o jumentinho?» 6 Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e então permitiram que fizessem isso. 7 Então levaram o jumentinho a Jesus, colocaram os próprios mantos sobre ele, e Jesus montou. 8 E muitas pessoas estenderam seus mantos pelo caminho; outros puseram ramos que haviam apanhado nos campos. 9 Os que iam na frente e os que seguiam gritavam: «Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! 10 Bendito seja o Reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto do céu!»

O Messias vai ser morto

1 Faltavam dois dias para a Páscoa e para a festa dos Ázimos. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei procuravam um meio de prender Jesus à traição, para matá-lo.
2 Eles diziam: ‘Não durante a festa, para que não haja um tumulto no meio do povo.’ Derramou perfume em meu corpo, preparando-o para a sepultura.
3 Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Quando estava à mesa, veio uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume de nardo puro, muito caro. Ela quebrou o vaso e derramou o perfume na cabeça de Jesus.
4 Alguns que estavam ali ficaram indignados e comentavam: ‘Por que este desperdício de perfume?
5Ele poderia ser vendido por mais de trezentas moedas de prata, que seriam dadas aos pobres.’ E criticavam fortemente a mulher.
6 Mas Jesus lhes disse: ‘Deixai-a em paz! Por que aborrecê-la? Ela praticou uma boa ação para comigo.
7 Pobres sempre tereis convosco e quando quiserdes podeis fazer-lhes o bem. Quanto a mim não me tereis para sempre.
8 Ela fez o que podia: derramou perfume em meu corpo, preparando-o para a sepultura.
9 Em verdade vos digo, em qualquer parte que o Evangelho for pregado, em todo o mundo, será contado o que ela fez, como lembrança do seu gesto.’ Prometeram a Judas Iscariotes dar-lhe dinheiro.
10 Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os sumos sacerdotes para entregar-lhes Jesus.
11 Eles ficaram muito contentes quando ouviram isso, e prometeram dar-lhe dinheiro. Então, Judas começou a procurar uma boa oportunidade para entregar Jesus. Onde está a sala em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?
12 No primeiro dia dos ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus: ‘Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?’
13 Jesus enviou então dois dos seus discípulos e lhes disse: ‘Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro. Segui-o
14 e dizei ao dono da casa em que ele entrar: ‘O Mestre manda dizer: onde está a sala em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?’
15 Então ele vos mostrará, no andar de cima, uma grande sala, arrumada com almofadas. Ali fareis os preparativos para nós!’
16 Os discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito, e prepararam a Páscoa. Um de vós, que come comigo, vai me trair.’
17 Ao cair da tarde, Jesus foi com os doze.
18 Enquanto estavam à mesa comendo, Jesus disse: ‘Em verdade vos digo, um de vós, que come comigo, vai me trair.’
19 Os discípulos começaram a ficar tristes e perguntaram a Jesus, um após outro: ‘Acaso serei eu?’
20 Jesus lhes disse: ‘É um dos doze, que se serve comigo do mesmo prato.
21 O Filho do Homem segue seu caminho, conforme está escrito sobre ele. Ai, porém, daquele que trair o Filho do Homem! Melhor seria que nunca tivesse nascido!’ Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue, o sangue da aliança.
22 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: ‘Tomai, isto é o meu corpo.’
23 Em seguida, tomou o cálice, deu graças, entregou-lhes e todos beberam dele.
24 Jesus lhes disse: ‘Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos.
25 Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira, até o dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus.’
Antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás.
26 Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras.
27 Então Jesus disse aos discípulos: ‘Todos vós ficareis desorientados, pois está escrito: ‘Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão.’
28 Mas, depois de ressuscitar, eu vos precederei na Galiléia.’
29 Pedro, porém, lhe disse: ‘Mesmo que todos fiquem desorientados, eu não ficarei.’
30 Respondeu-lhe Jesus: ‘Em verdade te digo, ainda hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás.’
31 Mas Pedro repetiu com veemência: ‘Ainda que tenha de morrer contigo, eu não te negarei.’ E todos diziam o mesmo. Começou a sentir pavor e angústia.
32 Chegados a um lugar chamado Getsêmani, disse Jesus aos discípulos: ‘Sentai-vos aqui, enquanto eu vou rezar!’
33 Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir pavor e angústia.
34 Então Jesus lhes disse: ‘Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai.’
35 Jesus foi um pouco mais adiante e, prostrando-se por terra, rezava que, se fosse possível, aquela hora se afastasse dele.
36 Dizia: ‘Abbá! Pai! Tudo te é possível: Afasta de mim este cálice! Contudo, nóo seja feito o que eu quero, mas sim o que tu queres!’
37 Voltando, encontrou os discípulos dormindo. Então disse a Pedro: ‘Simão, tu estás dormindo? Não pudeste vigiar nem uma hora?
38 Vigiai e orai, para não cairdes em tentaçóo! Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.’
39 Jesus afastou-se de novo e rezou, repetindo as mesmas palavras.
40 Voltou outra vez e os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono e eles não sabiam o que responder.
41 Ao voltar pela terceira vez, Jesus lhes disse: ‘Agora podeis dormir e descansar. Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores.
42 Levantai-vos! Vamos! Aquele que vai me trair já está chegando.’ Prendei-o e levai-o com segurança!’
43 E logo, enquanto Jesus ainda falava, chegou Judas, um dos doze, com uma multidão armada de espadas e paus. Vinham da parte dos sumos sacerdotes, dos mestres da Lei e dos anciãos do povo.
44 O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: ‘É aquele a quem eu beijar. Prendei-o e levai-o com segurança!’
45 Judas logo se aproximou de Jesus, dizendo: ‘Mestre!’, e o beijou.
46 Então lançaram as mãos sobre ele e o prenderam.
47 Mas um dos presentes puxou a espada e feriu o empregado do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
48 Jesus tomou a palavra e disse: ‘Vós saístes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante.
49 Todos os dias eu estava convosco, no Templo, ensinando, e não me prendestes. Mas isto acontece para que se cumpram as Escrituras.’
50 Então todos o abandonaram e fugiram.
51 Um jovem, vestido apenas com um lençol, estava seguindo a Jesus, e eles o prenderam.
52 Mas o jovem largou o lençol e fugiu nu. Tu és o Messias, o Filho de Deus Bendito?
53 Então levaram Jesus ao Sumo Sacerdote, e todos os sumos sacerdotes, os anciãos e os mestres da Lei se reuniram.
54 Pedro seguiu Jesus de longe, até o interior do pátio do Sumo Sacerdote. Sentado com os guardas, aquecia-se junto ao fogo.
55 Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para condená-lo à morte, mas não encontravam.
56 Muitos testemunhavam falsamente contra ele, mas seus testemunhos não concordavam.
57 Alguns se levantaram e testemunharam falsamente contra ele, dizendo:
58 ‘Nós o ouvimos dizer: ‘Vou destruir este templo feito pelas mãos dos homens, e em três dias construirei um outro, que não será feito por mãos humanas!`’
59 Mas nem assim o testemunho deles concordava.
60 Então, o Sumo Sacerdote levantou-se no meio deles e interrogou a Jesus: ‘Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?’
61 Jesus continuou calado, e nada respondeu. O Sumo Sacerdote interrogou-o de novo: ‘Tu és o Messias, o Filho de Deus Bendito?’
62 Jesus respondeu: ‘Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo com as nuvens do céu.’
63 O Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e disse: ‘Que necessidade temos ainda de testemunhas?
64 Vós ouvistes a blasfêmia! O que vos parece?’ Então todos o julgaram réu de morte.
65 Alguns começaram a cuspir em Jesus. Cobrindo-lhe o rosto, o esbofeteavam e diziam: ‘Profetiza!’ Os guardas também davam-lhe bofetadas. Nem conheço esse homem de quem estais falando.
66 Pedro estava em baixo, no pátio. Veio uma criada do Sumo Sacerdote,
67 e, quando viu Pedro que se aquecia, olhou bem para ele e disse: ‘Tu também estavas com Jesus, o Nazareno!’
68 Mas Pedro negou, dizendo: ‘Não sei e nem compreendo o que estás dizendo!’ E foi para fora, para a entrada do pátio. E o galo cantou.
69 A criada viu Pedro, e de novo começou a dizer aos que estavam perto: ‘Este é um deles.’
70 Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que estavam junto diziam novamente a Pedro: ‘É claro que tu és um deles, pois és da Galiléia.’
71 Aí Pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo: ‘Nem conheço esse homem de quem estais falando.’
72 E nesse instante um galo cantou pela segunda vez. Lembrou-se Pedro da palavra que Jesus lhe havia dito: ‘Antes que um galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás.’ Caindo em si, ele começou a chorar. Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?

15,1 Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos.
2 E Pilatos o interrogou: ‘Tu és o rei dos judeus?’ Jesus respondeu: ‘Tu o dizes.’
3 E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus.
4 Pilatos o interrogou novamente: ‘Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!’
5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado.
6 Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem.
7 Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato.
8 multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume.
9 Pilatos perguntou: ‘Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?’
10 Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja.
11 Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás.
12 Pilatos perguntou de novo: ‘Que quereis então que eu faça com o rei dos Judeus?’
13 Mas eles tornaram a gritar: ‘Crucifica-o!’
14 Pilatos perguntou: ‘Mas, que mal ele fez?’ Eles, porém, gritaram com mais força: ‘Crucifica-o!’
15 Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. Teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça.
16 Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa.
17 Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça.
18 E começaram a saudá-lo: ‘Salve, rei dos judeus!’
19 Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele.
20 Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo. Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota.
21 Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz.
22 Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer ‘Calvário’. Ele foi contado entre os malfeitores.
23 Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele nóo o tomou.
24 Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um.
25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram.
26 E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: ‘O Rei dos Judeus’.
27 Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.
28 Porque eu vos digo: É preciso que se cumpra em mim a Palavra da Escritura: ‘Ele foi contado entre os malfeitores.’A outros salvou, a si mesmo não pode salvar!
29 Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: ‘Ah! Tu que destróis o Templo e o reconstróis em três dias,
30 salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!’
31 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo: ‘A outros salvou, a si mesmo não pode salvar!
32 O Messias, o rei de Israel…que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!’ Os que foram crucificados com ele também o insultavam. Jesus deu um forte grito e expirou.
33 Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde.
34 Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte: ‘Eli, Eli, lamá sabactâni?’, que quer dizer: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?’
35 Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram: ‘Vejam, ele está chamando Elias!’
36 Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo: ‘Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz.’
37 Então Jesus deu um forte grito e expirou. Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
38 Neste momento a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes.
39 Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: ‘Na verdade, este homem era Filho de Deus!’
40 Estavam ali também algumas mulheres, que olhavam de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de Joset, e Salomé.
41 Elas haviam acompanhado e servido a Jesus quando ele estava na Galiléia. Também muitas outras que tinham ido com Jesus a Jerusalém, estavam ali. José rolou uma pedra à entrada do sepulcro.
42 Era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, e já caíra a tarde.
43 Então, José de Arimatéia, membro respeitável do Conselho, que também esperava o Reino de Deus, cheio de coragem, veio a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
44 Pilatos ficou admirado, quando soube que Jesus estava morto. Chamou o oficial do exército e perguntou se Jesus tinha morrido há muito tempo.
45 Informado pelo oficial, Pilatos entregou o corpo a José.
46 José comprou um lençol de linho, desceu o corpo da cruz e o envolveu no lençol. Depois colocou-o num túmulo, escavado na rocha, e rolou uma pedra à entrada do sepulcro.
47 Maria Madalena, e Maria, mãe de José, observavam onde Jesus foi colocado.

* 12-21: A celebração da Páscoa marcava a noite em que o povo de Deus foi libertado da escravidão do Egito. Jesus vai ser morto como o novo cordeiro pascal: sua vida e morte são o início de novo modo de vida, no qual não haverá mais escravidão do dinheiro e do poder.
* 22-25: A ceia pascal de Jesus com os discípulos recorda a multiplicação dos pães. Ela substitui as cerimônias do Templo e torna-se o centro vital da comunidade formada pelos que seguem a Jesus. O gesto e as palavras de Jesus não são apenas afirmação de sua presença sacramental no pão e no vinho. Manifestam também o sentido profundo de sua vida e morte, isto é: Jesus viveu e morreu como dom gratuito, como entrega de si mesmo aos outros, opondo-se a uma sociedade em que as pessoas vivem para si mesmas e para seus próprios interesses. Na ausência de Jesus, os discípulos são convidados a fazer o mesmo («tomem»): partilhar o pão com os pobres e viver para os outros.

Bíblia Pastoral

Mensagem

A primeira parte do evangelho de Marcos apresenta de maneira velada a obra messiânica de Jesus. Falou-se até de um “segredo messiânico”. Jesus traz o Reino de Deus presente, mas não de modo manifesto; apenas o deixa entrever em sinais de sua autoridade (1, 21; 2,10 etc). Inclusive, os demônios que ele expulsa o reconhecem antes dos próprios discípulos! As parábolas (Mc 4) falam da presença escondida do Reino. 
Os gestos de Jesus apontam para o Reino (a partilha do pão), mas os discípulos não o entendem (8, 14-21). A abertura dos olhos do cego de Betsaida anuncia uma mudança (8, 22-26). Os discípulos reconhecem Jesus como Messias, mas em categorias humanas, sem entender seu caminho de Servo Sofredor (8, 27-30.31-33). Nos caps. 8 a 10, mediante os anúncios da Paixão e os ensinamentos sobre o seguimento e o serviço, surge uma espécie de compreensão, simbolizada pela abertura dos olhos do cego de Jericó (10, 46-52). Mas Jerusalém continua na ambigüidade. Jesus entra na cidade sentado num burrinho, como o Messias humilde descrito no profeta Zacarias, mas o povo o aclama; como Filho de Davi. Ora, Davi era guerreiro. Será que o povo entendeu que tipo de Messias Jesus realiza? Jesus é mais que um filho de Davi.É o filho querido de Deus (1, 11; 9,7; 15,39) que, em obediência ao incansável amor do Pai, dá sua vida e realiza plenamente a figura do “Servo” descrita em Isaías 53.

A narração da Paixão fornece uma chave para abrir esse segredo. O sumo sacerdote pergunta a Jesus se ele é o Messias, o Filho de Deus. Jesus responde “Sou, sim, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu” (Mc 14, 61). O mundo pergunta se ele é o Filho de Deus e ele responde que é o Filho do Homem… Este Filho do Homem é uma figura que vem da profecia de Daniel (7, 13-14). É o enviado celestial que esmaga as quatro feras que disputam o domínio sobre o mundo. Simboliza o Reino de Deus. O Reino de Deus, que vence os reinos “ferozes” deste mundo, tem rosto humano. Para nós, tem o rosto de Jesus.

Assim, na Paixão de Jesus, Filho do Homem e Filho de Deus significam a mesma coisa. Jesus é o Filho querido de Deus, que une sua vontade à do Pai, para, pelo dom da própria vida, vencer as feras que dominam este mundo e quebrar sua força definitivamente. Ao ser condenado pelo sumo sacerdote de seu povo, ele se proclama portador de uma autoridade: a do Filho do Homem. Quando ele morre na cruz, por causa da justiça e do amor, o representante do mundo universal, o militar romano, exclama: “Este era de fato Filho de Deus”. Ambos os títulos significam o respaldo que Deus dá a Jesus, e que se verificará na gloriosa ressurreição dentre os mortos. Jesus é vencedor pela morte por amor em obediência filial (Filho de Deus), mas também pelo julgamento que derrota o poder deste mundo (Filho do Homem).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/

quinta-feira, 26 de março de 2015

Capítulo Avaliativo do Regional Sudeste III

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu nos dias 20 a 22/03/15 o Capítulo Avaliativo do Regional Sudeste III, no Centro Pastoral Santa fé.

Contando com 145 participantes entre irmãos e irmãs representantes das mais de 80 fraternidades da OFS de São Paulo, Assistentes locais e regionais e conselheiros, o encontro transcorreu num clima de muita paz, alegria, harmonia e fraternidade.

A irmã Denize, ministra regional apresentou o relatório das atividades desenvolvidas nesse um ano e meio de mandato. A estatística, as sombras e luzes na caminhada das fraternidades.

Com aproximadamente 3.000 irmãos e irmãs, somos um grande número na grande família da Ordem franciscana secular do Brasil.

Com palestras, teve um espaço de trabalhos por distritos, confraternização e descontração no sábado à noite. O relatório final do Capítulo que trabalharemos nas fraternidades em 2015 e 2016 contempla as expectativas e anseios das fraternidades locais.

Ao final saímos com a sensação do dever cumprido. Atendemos a convocação e voltamos revigorados para nossas fraternidades com tantas maravilhas vividas nesses dias. Quantas coisas boas acontecem nas fraternidades, nos distritos e no regional como num todo.

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento




















quarta-feira, 25 de março de 2015

“Igreja sempre fará de tudo para cuidar da família”



Cidade do Vaticano – Milhares de peregrinos reuniram-se na Praça São Pedro onde, apesar da chuva, acompanharam a Audiência Geral do Papa. Francisco retomou a catequese sobre a família transformando-a em um momento de oração coletiva por ocasião da Solenidade da Anunciação, que a Igreja celebra nesta quarta-feira (25/03).

“Com este Anúncio o Senhor ilumina e reforça a fé de Maria, como fará também depois com seu esposo José, para que Jesus possa nascer em uma família humana. Isto é muito bonito: nos mostra quão profundamente o mistério da Encarnação, assim como Deus quis, compreenda não somente a concepção no ventre da mãe, mas também a acolhida em uma verdadeira família”.

Família seio da humanidade
Após o momento de oração, o Papa recordou que neste dia 25 de março, muitos países celebram o Dia de Defesa da Vida e que 20 anos atrás, São João Paulo II assinou, nesta data, a Encíclica Evangelium Vitae. Na Encíclica, disse ainda Francisco, “a família ocupa um lugar central enquanto seio da vida humana”. Recorrendo às palavras de São João Paulo II, o Papa reiterou que os casais foram abençoados por Deus desde o princípio para formar uma comunidade de amor e de vida, a qual é confiada a missão da procriação. “Os esposos cristãos, ao celebrar o sacramento do Matrimônio, tornam-se disponíveis a honrar esta bênção, com a graça de Cristo, por toda a vida”, afirmou Francisco, dizendo ainda que “a ligação entre Igreja e família é sagrada e inviolável”.

“A Igreja, como mãe, jamais abandona a família, mesmo quando esta é degradada, ferida e em tantas maneiras mortificada. Tampouco quando cai no pecado ou quando se afasta da Igreja; sempre fará de tudo para cuidar e curar a família, convidá-la à conversão e à reconciliação com o Senhor”, afirmou Francisco.

Precisamos de oração, não de falação

Se este é o dever da Igreja, disse o Papa, é clara a quantidade de oração que a Igreja precisa para ser capaz, em todos os tempos, cumprir essa missão. Por isso, Francisco propôs o renovamento da oração (texto abaixo) para o Sínodo dos Bispos sobre a Família.

“Relançamos este compromisso até o próximo mês de outubro, quando acontecerá a Assembleia sinodal ordinária dedicada à família. Gostaria que esta oração, assim como todo o percurso sinodal, seja animada da compaixão do Bom Pastor para com seu rebanho, especialmente para as pessoas e as famílias que, por diversos motivos, estão ‘cansadas e desamparadas, como ovelhas sem pastor’”, concluiu o Pontífice, afirmando: “É disso que precisamos, não de falação! Convido todos a rezar, até mesmo aqueles que se sentem afastados, ou que não estão mais habituados. Esta oração pelo Sínodo sobre a família é para o bem de todos”.

Antes de conceder sua bênção apostólica, Francisco recordou aos presentes na Praça São Pedro que, previamente, esteve com os doentes na Sala Paulo VI.

Oração para o Sínodo dos Bispos sobre a Família

Jesus, Maria e José
em vós nós contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a vós dirigimo-nos com confiança.
Sagrada Família de Nazaré,
faz também das nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se vivam experiências
de violência, fechamento e divisão:
quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado
receba depressa consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar de novo em todos a consciência
da índole sagrada e inviolável da família,
a sua beleza no desígnio de Deus.
Jesus, Maria e José
escutai, atendei a nossa súplica.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Capítulo Avaliativo do Regional Sudeste III


Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Começa hoje à tarde dia 20/03/15 o Capítulo Avaliativo do Regional Sudeste III.
Estarei juntamente com o Frei Gustavo Medella, OFM, nosso Assistente representando nossa Fraternidade.

É um momento importante para a caminhada de nossas fraternidades. São mais de 80 fraternidades que enviam seus representantes para juntos avaliarem a caminhada espiritual dos irmãos da Ordem Franciscana Secular do Estado de São Paulo.

Solicito com toda a caridade orações para o bom desempenho do Capítulo.

Fraternalmente,

Maria Nascimento 

terça-feira, 17 de março de 2015

Encontro 15.03.2015

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Na Celebração Eucarística do dia 15/03/15 das 9 horas nossa Fraternidade de alegrou com a entrada ao Período de Iniciação na OFS da irmã Maria Helena Souza da Silva.

Ela chega para fazer conosco a experiência da Vida em Fraternidade.

Após o café nos dirigimos para a sala de reuniões e refletimos na formação sobre os cargos do Conselho.

Foi muito bom e esclarecemos vários artigos da legislação que regem a Ordem Franciscana Secular.

Depois saboreamos um delicioso almoço preparado com muito carinho pelas nossas irmãs.

E após uma pausa para conversas e partilhas em fraternidade, os simpatizantes, iniciantes e formandos foram para os encontros específicos de formação e os professos rezaram a coroa franciscana.

Deus seja louvado!

Maria Nascimento    








  

quarta-feira, 11 de março de 2015

Papa aos idosos: "melhor idade" não é hora de parar de remar



Cidade do Vaticano (RV) – “Como queria uma Igreja que desafia a cultura do descarte com a alegria transbordante de um novo abraço entre os jovens e os idosos”. Assim, o Papa terminou sua reflexão da Audiência Geral desta quarta-feira (11/03), diante de milhares de pessoas na Praça São Pedro.

Francisco retomou suas considerações sobre o valor e a importância do papel dos avós nas famílias. Afirmou que a “sociedade não está pronta, espiritualmente e moralmente, a dar pleno valor aos idosos”. Reiterou, contudo, que o Senhor é garantia de que os anciãos “são uma graça e uma missão” e que não é tempo de “parar de remar”.

“Este período da vida é diferente dos demais, não há dúvidas. Uma vez, de fato, não era tão normal ter tempo à disposição; hoje é muito mais. E até mesmo a espiritualidade cristã foi pega meio que de surpresa, e se trata então de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas”, disse o Papa.

Cristo dá novo fôlego

Como exemplo evangélico de incentivo a não esmorecer, Francisco citou São Lucas quando descreve a infância de Jesus e a reação dos anciãos Simeão e Ana, “que se moveram animados pelo Espírito Santo” quando José e Maria levaram Jesus até o templo. “Eles reconheceram a Criança, e descobriram uma nova força, para uma nova tarefa: louvar e testemunhar por este Sinal de Deus”, recordou Francisco.

Importância da oração

“A oração dos avós e dos idosos é um grande dom para a Igreja”. O Papa garantiu que isto é uma grande injeção de sabedoria para a humanidade e citou o exemplo do Papa emérito. “Olhemos a Bento XVI, que escolheu viver na oração e na escuta de Deus a última parte de sua vida!”.

Francisco, incluindo-se entre os anciãos, recordou que eles têm a possibilidade de “interceder diante das expectativas das novas gerações, lembrar os jovens ambiciosos que a vida sem amor é árida, aos jovens medrosos que a angústia do futuro pode ser vencida, aos jovens tão apaixonados por si mesmos que há mais alegria em dar do que em receber”.

Base sólida

“Os avós formam o 'coral' permanente de um grande santuário espiritual, no qual a oração de súplica e o canto de louvor alicerçam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida”, refletiu o Papa ao afirmar que a oração “purifica incessantemente o coração e previne o seu endurecimento por ressentimentos e egoísmos”. Ao afirmar que a vocação dos idosos é transmitir aos jovens o sentido da fé e da vida, o Papa lamentou aqueles que se resignaram com o passar dos anos.

“Como é feio o cinismo de um idoso que perdeu o sentido do testemunho, que despreza os jovens e não comunica a sabedoria da vida”. E finalizou: “Trago ainda comigo, no meu breviário, as palavras que minha avó me deu no dia da minha ordenação sacerdotal”. (RB)

Fonte: Rádio Vaticano

domingo, 1 de março de 2015

Intenções do Papa para março: pelos cientistas e pelas mulheres na Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre propôs, ao Apostolado da Oração, as seguintes intenções para este mês de março:

Intenção Universal: “Cientistas ao serviç
o do bem. Para que todos aqueles que se dedicam à investigação científica se ponham ao serviço do bem integral da pessoa humana”.

Intenção pela Evangelização: “Contributo da mulher na Igreja. Para que se reconheça cada vez mais o contributo específico da mulher na vida da Igreja”.

De fato, os desafios para este mês de março, são: denunciar situações, das quais se tenha conhecimento, onde a ciência não está a serviço da dignidade humana; se tiver algum familiar, estudando ou trabalhando nesta área, procurar alertá-lo para a consciência de usar a ciência em prol da vida; animar as mulheres que se dedicam ao seu serviço da Igreja.

Oração:

“Pai de Bondade, Tu nos criaste com inteligência e deste-nos o poder de cuidar da criação. Ao longo dos séculos, a humanidade foi desenvolvendo a técnica e a ciência, criando melhores condições de vida. Mas também, em nome do progresso, se cometem tantos abusos e a dignidade dos teus filhos fica submetida a outros interesses. Quero pedir-Te por todos os que se dedicam à investigação científica, para que usem a sua inteligência para o bem da pessoa humana e não para a degradação. Peço-te também para que na Igreja se reconheça cada vez mais o contributo da mulher, nas instâncias de decisão e no serviço à comunidade dos teus filhos”. (MT/Arautos)

Fonte: Rádio Vaticano

No alto do monte, o combustível para a missão


Frei Gustavo Medella

Acompanhando a geografia dos relatos bíblicos destes domingos da Quaresma, vamos perceber que, no domingo passado, o Evangelho de Marcos nos contava que Jesus estava no deserto, lugar da solidão, da secura, dos desafios. Neste segundo domingo, o mesmo evangelista relata que Jesus está sobre um alto monte, não mais sozinho, mas em companhia de três de seus seguidores: Pedro, Tiago e João. Este trecho bíblico se encontra em Mc 9,2-10.

Na linguagem da Bíblia, o deserto é lugar de provação e de luta solitária. A montanha, por sua vez, se apresenta como ambiente da manifestação de Deus. E é justamente sobre a manifestação luminosa de Deus em Jesus Cristo que o Evangelho deste domingo nos fala, no episódio conhecido como a Transfiguração do Senhor.

Diante de Pedro, Tiago e João, Jesus transfigurou-se e suas roupas ficaram tão brancas e brilhantes como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Nem o melhor sabão, aquele que lava mais branco conforme diz a propaganda, conseguiria tal proeza!

Não bastasse esta manifestação de esplendor, ainda apareceram Moisés e Elias para conversar com Cristo e, para completar a proeza, uma nuvem os encobriu com sua sombra e, desta nuvem, saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado! Escutai o que ele diz”! Como diz o narrador de futebol: “Haja coração, para tanta emoção!”

E emocionados de verdade ficaram os discípulos. Emocionados e com medo, tanto que Pedro não sabia o que dizer. O fato é que, passado o episódio, Jesus e seus discípulos desceram da montanha, afinal uma grande missão os esperava!

Neste tempo de gasolina com o preço lá em cima, podemos arriscar dizer que as boas experiências de fé que fazemos – ao modo de Pedro, Tiago e João no alto do monte – são o combustível que nos garante força e energia para levarmos adiante a tarefa que Deus nos confia.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mostra Caminho da Penitência: têxteis litúrgicos do Tempo da Quaresma



"Na exposição são apresentadas vinte e três peças, datadas entre os séculos XVIII a XX, pertencentes do Acervo Histórico-Artístico da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência da Cidade de São Paulo (VOTSFPCSP).
Em tecidos de cor roxa, usados no Tempo da Quaresma, simbolizando a penitência e a conversão, as peças apresentam austeridade e nobreza presentes em seus acabamentos (damascos, brocados e cetins) e ornamentos (cravos, coroas de espinhos, entre outros) percebidos nas casulas, estolas, manípulos e capa de asperge.
A exposição é fruto dos estudos da Profª Me. Rosângela Aparecida da Conceição, realizada no acervo e na documentação da VOTSFPCSP, que é parte de sua pesquisa "Indumentária e têxteis litúrgicos nas coleções brasileiras de arte sacra".
Agradecimentos aos irmãos da VOTSFPCSP, em especial a Ministra Irmã Maria Nascimento Silva e aos membros do Conselho 2012 a 2015, ao Prof. Dr. Percival Tirapeli, Prof. Dr. Luciano Migliaccio, Profª Drª Marike Van Roon, Profª Me. Myriam Salomão e Maria José Meireles pelas contribuições.".




Local: Espaço expositivo da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência da Cidade de São Paulo
Visitação: 21 de fevereiro a 1 de abril de 2015
Local: Largo de São Francisco, 173 - Sé
01005-010 - São Paulo  SP  Brasil

Visita monitorada ao acervo e dependências da Igreja: quintas-feiras às 14h
Agendamento e contato: votchagas@gmail.com


Ficha técnica

Curadoria e pesquisa: Profª Me. Rosângela Aparecida da Conceição
Montagem: Profª Me. Rosângela Aparecida da Conceição e 
Profª Tabatha Nascimento
Colaboração: Profª Me. Myriam Salomão
Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência 
da Cidade de São Paulo
Conselho 2012 a 2015
Ministra: Maria Nascimento Silva
Vice Ministro: Carlos Milton dos Santos
1ªTesoureira;- Valéria Jordão de Lima Santos;
2ºTesoureiro: Bernardo Cesar;
1ªSecretária: Sueli Maria Ramos da Silva;
2ªSecretária: Isabel Cristina Ulisses Lima;
Formador: Romário Freitas de Oliveira;
Conselheiros: Edmilson Soares dos Anjos, Sandra Regina Borelli dos Santos, Antonio Alves de Brito, Antonio Santos de Oliveira
Conselho Fiscal: Maria Cecília Martins, Maria Aparecida Pereira Brito, Alex Sandro Bastos Ferreira.



Papa: o verdadeiro jejum vem do coração

Cidade do Vaticano (RV) – Os cristãos, especialmente na Quaresma, são chamados a viver coerentemente o amor a Deus e o amor ao próximo. Este é um dos trechos da homilia que Francisco pronuncio una Missa celebrada na manhã desta sexta-feira na Casa Santa Marta.

O Papa se inspirou na primeira Leitura extraída do Livro de Isaías, em que o povo se lamenta a Deus por não ouvir seus jejuns. Para o Pontífice, é preciso distinguir entre “o formal e o real”. Ou seja, de que adianta jejuar, não comer carne, e depois brigar ou explorar os funcionários? Eis o motivo pelo qual Jesus condenou os fariseus, porque faziam “tantas observações exteriores, mas sem a verdade do coração”.

O amor a Deus e ao homem estão unidos

O jejum que Jesus quer, ao invés, é o que desfaz as cadeias injustas, liberta oprimidos, veste quem está nu, faz justiça. “Este é o verdadeiro jejum – reiterou o Papa – o jejum que não é somente exterior, uma lei externa, mas deve vir do coração”:

“E nas tábuas da lei há o preceito em relação a Deus, em relação ao próximo e os dois estão juntos. Eu não posso dizer: “Mas, não, eu cumpro os primeiros três mandamentos... e os outros mais ou menos”. Não, se não cumpre estes, não pode cumprir aqueles, e se cumpre este, deve cumprir aquele. Estão unidos: o amor a Deus e o amor ao próximo são uma unidade e se quiser fazer penitência, real e não formal, deve fazê-la diante de Deus e também com o seu irmão, com o próximo”.

Usar Deus para cobrir a injustiça

Pode-se ter tanta fé, prosseguiu, mas – como diz o Apóstolo Tiago – se “não realiza obras, é morta, para que serve?”. Assim, se alguém vai à Missa todos os domingos e comunga, pode-se perguntar: “E como é a sua relação com seus funcionários? Os paga de maneira irregular? Dá a eles um salário justo? Paga também as taxas para a aposentaria? Para a assistência de saúde?”.

“Quantos homens e mulheres têm fé mas dividem as tábuas da lei: ‘Sim, eu faço isso... mas você dá esmolas? Sim, sim, sempre mando um cheque para a Igreja. Ah, então tá... Mas na tua Igreja, na tua casa, com quem depende de você (filhos, avós, funcionários), você é generoso, é justo? Não se pode fazer ofertas à Igrejas e pelas costas, ser injusto com seus funcionários. Este é um pecado gravíssimo: usar Deus para cobrir a injustiça”.

“E isto – retomou o Papa – é aquilo que o profeta Isaias, em nome do Senhor, nos explica”: “Não é um bom cristão quem não faz justiça com as pessoas que dependem dele”. E não é um bom cristão aquele que não se despoja de algo necessário para dar ao próximo, que precisa”.

O caminho da Quaresma é “este, é duplo: a Deus e ao próximo. É real, não simplesmente formal. Não é somente deixar de comer carne sexta-feira, fazer alguma coisinha e depois, deixar aumentar o egoísmo, a exploração do próximo, a ignorância dos pobres”.

“Alguns – contou o Papa – quando precisam se curar vão ao hospital, e por ter um plano de saúde, obtém a consulta rápido. “É uma coisa boa – comentou Francisco – agradeça ao Senhor. Mas, diga-me, você pensou naqueles que não têm esta facilidade e quando vão ao hospital devem esperar 6, 7, 8 horas para uma coisa urgente”.

Na Quaresma, abramos espaço no coração para quem errou

E existe quem, aqui em Roma, que pensa nisso na Quaresma “O que posso fazer pelas crianças, pelos idosos que não têm possibilidade de ter uma consulta com um médico?; que esperam horas e horas e depois têm que voltar uma semana depois?”.

“Como será a tua Quaresma?, pergunta Francisco. “Graças a Deus tenho uma família que cumpre os mandamentos, não temos problemas...”. Mas nesta Quaresma – pergunta o Papa – em seu coração existe ainda lugar para quem não cumpriu os mandamentos? Que cometeram erros e estão encarcerados?”.

“Mas eu, com aquela gente não... Mas você não está preso: se não está no cárcere é porque o Senhor te ajudou a não cair. Em seu coração os presos têm um lugar? Você reza por eles, para que o Senhor lhes ajude a mudar de vida? Acompanha, Senhor, o nosso caminho quaresma, para que a observância exterior corresponda a uma profunda renovação espiritual. Assim rezamos; que o Senhor nos dê esta graça”.


Fonte: Rádio Vaticano