segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Emoção e formação no Encontro da Família Franciscana




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São Paulo (SP)
– O dia frio na capital paulista, que mais parecia continuação do inverno do que a estação primaveril, não desanimou a Família Franciscana do Regional de São Paulo, que se encontrou pela 35ª vez no ginásio de esportes do Colégio Franciscano Pio XII, no Morumbi, para celebrar o carisma franciscano. Cerca de 500 franciscanos e franciscanas das três Ordens de todas as Congregações, masculinas e femininas, da Jufra, dos simpatizantes do ideal de São Francisco e Santa Clara, se emocionaram e refletiram sobre a Misericórdia durante todo este domingo, 25 de setembro.

Desta vez, sob o tema da misericórdia deste Ano Jubilar, o provincial Frei Carlos Silva, da Província da Imaculada Conceição dos Frades Menores Capuchinhos, iniciou a reflexão durante a Celebração Eucarística que abriu o evento. Na procissão de entrada, as fraternidades presentes trouxeram colchas de retalhos de um metro quadrado mostrando nelas as obras de misericórdia que estão presentes no dia a dia.

Frei Carlos ressaltou a alegria de reunir a Família Franciscana. “Entre nós, só falta a Segunda Ordem. Queremos trazer presente as nossas Irmãs Clarissas com a nossa oração. Então, onde elas estão por esse Estado de São Paulo, nós queremos entrar em comunhão com elas neste dia”, pediu o celebrante e palestrante do dia.
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Frei Carlos também agradeceu as Irmãs de São Francisco da Providência de Deus pela acolhida no Colégio e a nova equipe do Regional da CFFB-SP, coordenada por Frei José Orlando Longarez, OFMCap, e Irmã Ivoni Lourdes Fritzen, IFCR.

Na homilia, que Frei Carlos dividiu com os concelebrantes, o Evangelho deste domingo (o rico e o pobre) reforçou o tema do encontro. Segundo o Provincial dos Capuchinhos, observadores chamam a atenção de que está crescendo em nossa sociedade, em nosso mundo, a apatia, ou falta de sensibilidade diante do sofrimento alheio. “Cada vez mais somos indiferentes, insensíveis. Tem alguém morrendo do nosso lado, passando à nossa frente, e vivemos um momento de insensibilidade. Nós evitamos, de mil maneiras, o contato direto com aquele que sofre. Pouco a pouco vamos nos tornando cada vez mais incapazes de perceber a aflição daqueles que sofrem. A presença da criança pedindo esmola ou de um morador de rua em nosso caminho, nos incomoda. O encontro com um doente terminal nos perturba. Não sabemos o que fazer, muitas vezes nem o que dizer. Só no centro de São Paulo são 18 mil moradores de rua. Nos sentimos incapazes, muitas vezes. Então é melhor voltar o quanto antes para nossas ocupações, para não nos afetarmos com essa situação”, lamentou Frei Carlos.

“Lázaro estava no portão da mansão daquele rico que não tinha nome. A única ajuda que Lázaro teve veio do alto. O rico só foi perceber a existência de Lázaro quando ele estava no lugar dos mortos e Lázaro no lugar da vida. Mas já havia um abismo tão grande…”, completou o celebrante.
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Frei José Orlando confessou que estava emocionado ainda com o menino norte-americano que enviou uma carta para o presidente Barack Obama pedindo para buscar o garotinho sírio que foi salvo da guerra e estava naquela ambulância, todo sujo de terra, com sangue escorrendo no seu rosto. Ele disse: ‘Você poderia buscá-lo e trazê-lo para a nossa casa… estaremos esperando por vocês com bandeiras, flores e balões. Daremos ao menino uma família e ele será nosso irmão’. É tão forte isso neste tempo de insensibilidade com o sofrimento, que nenhum de nós pensa em escrever para o Obama, para o Governador, para o Provincial, para a Madre Superiora, para trazer alguém para perto do coração da gente. É assim que a gente aprende a ser misericordioso. Ficar perto dá para resolver. Não dá para fazer milagre, mas o milagre da ternura fraterna, o milagre da presença franciscana dá para fazer”, disse, lembrando que Teresa de Calcutá, a santa, a Irmã Dulce e tantas outras pessoas nos ensinaram a amar, a sermos presente e sermos misericordiosos.

Para Frei Mário Tagliari, OFM, guardião do Convento São Francisco, foi determinante para São Francisco o encontro com o leproso. “De tal forma determinante que ele coloca isso no seu Testamento. ‘Como eu estava em pecado, era difícil ir até eles. Mas o Senhor mesmo me reconduziu e fez misericórdia para com eles’. Eu li nesses dias alguém dizendo assim: ‘Quando a doença do outro, de tantas formas, se apresenta para nós e não nos comove, não muda nossa atitude, quem está doente não é ele, o doente, mas somos nós’. O Papa Francisco chama a atenção para o maior pecado do nosso tempo: a globalização da indiferença. Em Lampedusa, diante de tantos imigrantes, e lembrando tantos que morreram no mar buscando qualidade de vida, ele chora e lamenta a nossa incapacidade de chorar com a dor, com a morte e com o sofrimento das pessoas”, insistiu Frei Mário, contando que o Convento São Francisco, que acolhe moradores de rua para o “Chá do Padre”, passou a ser também albergue improvisado durante o último inverno na cidade. Mesmo com o final da estação de inverno, os moradores não querem ir para os albergues da cidade, mas querem ficar ali no Convento, que não tem estrutura de albergue. “Quem sabe aí esteja um pouquinho daquilo que podemos fazer. Fazer a diferença, acolhendo com amor, como irmão e irmã, aquele sofre”, completou.

Frei José Hugo, OFMConv, disse que este Evangelho do rico e do pobre Lázaro é “quase que uma provocação” para nós neste dia, pelo simples fato de sermos franciscanos e franciscanas. “Nós sabemos que Francisco se encantou por uma senhora, por uma dama, que ela chamava de Dama Pobreza. É deste carisma que emanam a fraternidade, a minoridade, o serviço. E sinto, particularmente, que toda vez que estamos distante desse carisma, Deus nos provoca, Deus nos cutuca. Ilustro com uma breve história: Eu moro em Santo André, no ABC Paulista. Ao lado da nossa casa existe uma praça que, infelizmente, está bastante degradada e, ali, mora um senhor chamado Dorival. O Frei Arnaldo e o Frei Tiago estão aqui comigo e sabem muito bem dessa história. Na noite do último Natal, no dia 24 de dezembro, ele tocou a nossa campainha. Nós tínhamos saído da Missa de Natal da igreja e estávamos preparando a Ceia dos Frades. Vendo-o pelo monitor, disse na minha correria: ‘Dorival, espere um pouquinho que a gente já vai levar um lanche para você’. Toda vez que ele toca a nossa campainha é porque está precisando de algo. E ele me disse: ‘Frei, não precisa trazer nada. Venha aqui um pouquinho’. Disse: ‘Tá bom’. Nem imaginei o que ele queria. Abri a porta e ele trazia nas mãos uma sacola enorme, com frango, lasanha, maionese, e outras coisas que ele ganhou e disse: ‘Frei, é muito para mim. Leva para você e para os seus confrades”. A minha noite de Natal aconteceu ali. Nunca tinha visto algo desse tipo. É muito fácil nós, que temos recursos, e até bens em quantidade grande, tentarmos partilhar. Mas quando vemos que essa partilha vem de onde menos se espera, de onde menos se tem condições, aí a gente se espanta. Por isso, eu acredito que o nosso carisma não está morto. Como o Papa Francisco falou no Ano da Vida Consagrada, nós precisamos olhar com esperança o futuro, não apenas colher os louros do passado. Que nosso esse nosso Encontro seja mais uma provocação para redescobrirmos e vivermos com fidelidade, e alegria, o nosso carisma”, contou o frade conventual.

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Irmã Ivoni, IFCR, e Sônia Correia, OFS, também foram convidadas para o altar. Irmã Ivoni lembrou que hoje é também o dia da Bíblia. “A Palavra de Deus vem, fecunda, e ela não volta sem produzir frutos. Viver o carisma franciscano significa para nós viver a Palavra, a Palavra feita Carne”, assinalou.

Sônia, deu um belo testemunho neste Ano da Misericórdia ao falar sobre o lema do encontro “E fiz misericórdia com eles”. Há quase 20 anos, quando ela e seu marido resolveram adotar um menino soropositivo de 4 anos e surdo, foram chamados de “loucos”. Hoje, com 23 anos, João Vítor tem sua carga viral indetectável, cresceu no meio da Fraternidade Franciscana e tem a sua namorada. “Faço este depoimento para mostrar que a misericórdia de Deus foi muito maior do que tudo e que amor permanece entre a gente. Quero agradecer a Deus por nos ter dado esse amor. Mesmo ele sendo surdo, ele participa de todos os eventos franciscanos. Só tenho a agradecer a Deus misericordioso. Que Deus continue nos dando forças para ajudar aqueles que necessitam do nosso amor”, revelou.

FREI CARLOS: Ninguém nasce pronto. É preciso dar o primeiro passo em direção da misericórdia”.


O Provincial dos Frades Menores Capuchinhos, Frei Carlos, falou sobre o Perdão de Assis no contexto do Ano Jubilar e lembrou o documento dos Ministros Gerais para este evento no começo de agosto. Frei Carlos partiu de Assis, onde está fonte de todo o carisma franciscano, para chegar ao novo tempo que o Francisco de Roma nos propõe.

Citando Frei Vitório Mazzuco, lembrou que a Porciúncula é um lugar fontal para os franciscanos e franciscanas. “Se Assis é a ‘capital do espírito’, a Porciúncula é o lugar necessário a toda humana criatura do nosso tempo”, disse, lembrando que em Assis emana o único fascínio: o retorno ao Evangelho.

Em Assis está a Porciúncula, o berço da fraternidade. “Ali os acontecimentos são vivos e presentes. Ali viveu Francisco, Clara, ali morreu Francisco. Ali nasceu a Ordem, ali foi feito o primeiro Capítulo das Esteiras. É ou não é um lugar fontal?”, perguntou, dando uma pausa para exibir um vídeo que fala do novo Francisco sob o título “Para uma sociedade nova”.

Frei Carlos explicou a origem do Perdão de Assis e disse que celebrar o Perdão é comprometer-se com uma nova maneira de ser e estar no mundo. “Como estou no mundo hoje? Padre eu ando com tantas dores… (risos). Dói a perna, os braços, as costas, a cabeça, a consciência… Quando começa a doer a cabeça é um aviso de que algo não vai bem”, brincou.

Segundo o frade, o Perdão de Assis é também se comprometer no cuidado da Casa Comum, se “não nossa casa vai entrar em colapso”. “Vejam quantas pessoas nós atingimos nas paróquias, nos colégios, nas obras sociais, e como essa questão da Casa Comum é tão maravilhosa. Mas como estamos tratando dessa tema?”, perguntou, novando fazendo referência ao Papa Francisco, que com a Laudato Sí chamou não só a atenção dos cristãos, mas de toda a humanidade.

“Nós estamos em rede e interligados. Somos iluminados pelo que o Papa Francisco nos aponta na sua Encílica Laudato Sí e nasua Carta Misericórdia Vultus“, disse.

No final, Frei Carlos disse que não adianta passar pelas Portas Santas e não ter uma atitude de conversão. “A minha vida tem que ser um sinal concreto de Deus está perto de nós. Pequeno gesto de amor, de ternura, de cuidado, que levam a crer que o Senhor está perto de nós. Só assim se abre a porta da Misericórdia”, lembrou.

“Ninguém nasce pronto. É preciso dar o primeiro passo em direção da misericórdia. Dê o primeiro voo. A caridade tem que ser feita. Francisco diz: ‘E fiz misericórdia entre eles’.”, completou.

Após a reflexão houve um momento de partilha e convívio. O Encontro também teve apresentações culturais e a nova coordenação regional foi apresentada aos participantes, assim como as metas do triênio. Em seguida, os participantes se dividiram em grupos para estudar o tema. O Encontro terminou com uma procissão no pátio do Colégio Franciscano Pio XII.

Fotos: Paulo Henrique (Província dos Capuchinhos de São Paulo)

Texto: Moacir Beggo (Província Franciscana da Imaculada Conceição)









Fotos: Arquivo Pessoal

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Jornada Franciscana reúne CFFB-SP no dia 25 de setembro





Um dia de confraternização dos franciscanos e franciscanas das três Ordens e de todas as Congregações, dos simpatizantes pelo ideal de São Francisco e Santa Clara, dos que amam a paz e lutam por um mundo melhor e pela fraternidade de todos os seres.

Desde o primeiro encontro por ocasião do 8º Centenário do Nascimento de São Francisco de Assis, a Conferência da Família Franciscana do Brasil não deixou de promover esse encontro em São Paulo. São 35 anos ininterruptos de jornadas e de reflexão sobre a presença franciscana em São Paulo.


Neste ano, em sintonia com o Ano Jubilar da Misericórdia, o tema da Jornada será “Levar a Misericórdia ao mundo” e terá no dia a reflexão do Provincial dos Frades Menores Capuchinhos, Frei Carlos Silva (foto), da Província Imaculada Conceição de São Paulo.

Frei Carlos Silva (foto ao lado) é paulista de Andradina e nasceu no dia 05 de dezembro de 1962. Ele professou solenemente na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos no dia 12 de outubro de 1991 e foi ordenado presbítero no dia 1º de agosto de 1992. Antes de ser eleito Provincial, no Capítulo Provincial de 2013, trabalhou por 9 anos e 8 meses no norte do México, onde foi em missão pela Ordem em 2004.

A Jornada Franciscana terá início às 8 horas no Colégio Franciscano Pio XII, Rua Pio XII, 233. Morumbi- São Paulo- SP. A chegada está prevista entre 7 e 8 horas. A Celebração Eucarística, às 8h30, abre a programação desta jornada.

Os organizadores pedem que os participantes levem lanches e refrigerantes para serem partilhados no almoço e uma contribuição de R$ 5,00. Outro pedido é que cada Fraternidade ou grupo deverá confeccionar uma colcha de retalhos de um metro quadrado mostrando nela as obras de misericórdia que concretiza no cotidiano da vida com a frase: “E fiz Misericórdia com eles” (test,2). Os participantes devem confirmar presença peloregionalcffbsp@gmail.com


COMO CHEGAR

Rua Colégio Pio XII, 233 – Morumbi
São Paulo – SP
Tel.: (11) 3759-5050

CARRO

Travessa da Av. Morumbi, altura do nº 6000

ÔNIBUS
Partida: Terminal Bandeira – São Paulo – SP
Ônibus 6291-10 Inocoop Campo Limpo
Aproximadamente 1h (27 paradas)
Descer no 1º ponto da R. Colégio Pio XII
Atravesse para Colégio Pio XII

TREM + ÔNIBUS
Partida: Estação Morumbi (CPTM) – São Paulo – SP
Caminhe até Av. Roque Petroni Júnior
Cerca de 11 min, 800m
Av. Roque Petroni Júnior
Ônibus 807J-10 Term. Campo Limpo
Cerca de 9 min (6 paradas)
Descer no ponto:
Av. Morumbi, 6000
Caminhe até Rua Colégio Pio XII, 233
Cerca de 4 min, 290 m

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Papa chega a Assis para o Dia de Oração pela Paz


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco chegou de helicóptero às 10h55min da manhã desta terça-feira (20/09) a Assis, para o Dia Mundial de Oração pela Paz, no âmbito do evento “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”, promovido pela Diocese de Assis, Famílias Franciscanas e Comunidade de Santo Egídio.

Depois de aterrissar no Campo Esportivo “Migaghelli”, em Santa Maria dos Anjos, Francisco foi de automóvel até o Sacro Convento de Assis, onde foi recebido, entre outros, pelo Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I; o Patriarca Sírio-ortodoxo de Antioquia Ignatius Efrem II; pelo Vice-Presidente da Universidade de Al-Azhar, Egito, Abbas Schuman; pelo Arcebispo de Cantuária e Primaz da Igreja Anglicana Justin Welby, pelo Rabino Chefe de Roma, Riccardo di Segni, entre outros.

Juntos, dirigiram-se ao Claustro de Sisto IV, onde aguardavam representantes de Igrejas e Religiões de todo o mundo, além dos Bispos da Úmbria. O Santo Padre saudou um a um os presentes.

Às 13 horas, no refeitório do Sacro Convento, um almoço comum, do qual tomaram parte 12 refugiados provenientes de países em guerra, atualmente acolhidos pela Comunidade de Santo Egídio.

Fonte: Rádio Vaticana

sábado, 10 de setembro de 2016

Retiro Anual 03.09.2016

Irmãos e irmãs,
Paz e bem!

Aconteceu no dia 03/09/16, sábado, o retiro anual da fraternidade. Frei Anacleto Luís Gapsky, OFM desenvolveu o tema: O Ano Santo da misericórdia na parte da manhã refletindo os textos e meditação do documento do Papa Francisco ressaltando o ano da misericórdia com citações na bíblia, da espiritualidade franciscana e documentos da Igreja.
Após o almoço Frei Anacleto nos conduziu pelo caminho penitencial levando-nos a fazer memória de nossas faltas na vida de fraternidade com aquilo que o papa tem solicitado aos cristãos de todo o mundo: ter o coração misericordioso como Deus é misericordioso. E aos poucos fomos pensando em nossas faltas pedindo perdão.

E chegou o momento forte de nosso retiro: passar pela porta Santa. Fizemos fila lembrando a peregrinação e um a um dos irmãos foi entrando pela porta santa à entrada da sacristia.
O que será que estava por detrás da porta? Cada um saía com um sentimento diferente do outro. Um irmão saía pensativo, outro demorou um pouco mais, outro ainda com lágrimas nos olhos ia retornando ao seu lugar. Que experiências tiveram lá dentro?

Fica para cada um de vocês o mistério: O que estava por trás da Porta Santa...?

No domingo dia 04, começamos nosso dia de encontro fraterno ás 9 horas com a santa missa presidida pelo Frei Marcos.

Em seguida nosso costumeiro café da manhã bem animado pela equipe do canto.

E após nos dirigimos ao salão da fraternidade. O Irmão Ivo conduziu nosso momento formativo com o tema: Jubileu do Perdão de Assis. De maneira simples, cordial e palavras sábias foi abordando o tema ligando ao tema do retiro com o Ano santo da misericórdia levando á reflexão nossas atitudes, nosso modo de vida franciscana condizente com Francisco e Clara de Assis. Foi muito bom.

E após saboreamos um delicioso almoço preparado com muito carinho pelas irmãs. E finalizamos nosso encontro com a reza da coroa franciscana na capela.

Que os frutos do nosso retiro permaneçam em nossos corações e nas atitudes da vida fraterna.

Agradeço aos irmãos e irmãs que trabalharam pela realização de nosso retiro: na organização, decoração e lembrancinhas distribuídas aos participantes, tudo feito com muito amor e carinho.

Que Deus conceda a todos muitas bênçãos e graças.     

Por tudo Deus seja louvado!

Maria Nascimento
























domingo, 4 de setembro de 2016

Papa: Madre Teresa foi dispensadora generosa da misericórdia divina



Cidade do Vaticano (RV) - A missão de Madre Teresa de Calcutá “permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres”: disse o Papa Francisco na missa de canonização da religiosa fundadora das Missionárias da Misericórdia, cuja celebração foi presidida na Praça São Pedro, lotada por cerca de 120 mil fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo.

Uma dia de festa para a Igreja e para o mundo, para todos homens e mulheres de boa vontade que conheceram nesta religiosa de origem albanesa uma gigante da caridade dos nossos dias, apresentada pelo Pontífice ao mundo do voluntariado – que nestes dias celebra seu Jubileu – “como modelo de santidade para todos os Agentes de Misericórdia.

Partindo da passagem do livro da Sabedoria (9,13) em que o autor sapiencial pergunta “Qual o homem que conhece os desígnios de Deus?”, o Pontífice afirmou que esta interrogação presente na liturgia dominical apresenta a nossa vida como um mistério, cuja chave de interpretação não está em nossa posse.

“Os protagonistas da história são sempre dois: Deus de um lado e os homens do outro. A nossa missão é perceber a chamada de Deus e aceitar a sua vontade. Mas para aceitá-la sem hesitar, perguntemo-nos: qual é a vontade de Deus na minha vida?”, continuou Francisco.

“Para Deus são agradáveis todas as obras de misericórdia, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver (cf. Jo 1,18). Todas as vezes em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, dêmos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus (cf. Mt 25,40).

“Somos chamados a por em prática o que pedimos na oração e professamos na fé.” Dito isso, o Santo Padre fez uma premente advertência: “Não existe alternativa para a caridade; quem se põe ao serviço dos irmãos, embora não o saibamos, são aqueles que amam a Deus.

A vida cristã, observou, não é uma simples ajuda oferecida nos momentos de necessidade. “Se assim fosse, certamente seria um belo sentimento de solidariedade humana, que provoca um benefício imediato, mas seria estéril, porque careceria de raízes. O compromisso que o Senhor pede, pelo contrário, é o de uma vocação para a caridade com que cada discípulo de Cristo põe ao seu serviço a própria vida, para crescer no amor todos os dias.”

Após ressaltar que na página do Evangelho proposto na liturgia do dia ouvimos que “seguiam com Jesus grandes multidões” (Lc 14,25), hoje, a “grande multidão” é representada pelo “vasto mundo do voluntariado, aqui reunido por ocasião do Jubileu da Misericórdia. Sois aquela multidão que segue o Mestre, e que torna visível o seu amor concreto por cada pessoa”, disse o Pontífice dirigindo-se diretamente a eles.

“Quantos corações os voluntários confortam! Quantas mãos apoiam; quantas lágrimas enxugam; quanto amor é derramado no serviço escondido, humilde e desinteressado! Este serviço louvável dá voz à fé e manifesta a misericórdia do Pai que se faz próximo daqueles que passam por necessidade.”

Francisco lembrou que seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; “exige radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e colocar-se ao seu serviço”.

“Para isso, os voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o amor verdadeiro.”

Como o Senhor veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, continuou, “assim vou ao seu encontro e me inclino sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os enfermos e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos.”

“Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança”, afirmou Francisco com veemência.

“Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável».”

Referindo-se ainda sobre a nova Santa, disse que a fundadora das Missionárias da Caridade se inclinou “sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes da pobreza criada por eles mesmos.”

A misericórdia foi para ela, recordou Francisco, “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.

“A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de santidade!”

“Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião.”

Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». “Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura”, concluiu o Papa.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Retiro Anual - 03.09.16


Venerável Ordem Terceira de São Francisco
da Penitência da Cidade de São Paulo
OFS – Fraternidade das Chagas

São Paulo, 26 de Agosto de 2016.

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Está chegando nosso Retiro Anual das Chagas!
Será no dia 03/09/16 (1º sábado).

Dia de recolhimento espiritual.

Início às 8:30 horas.
Recepção/café/.

Palestrante: Frei Anacleto Luiz Gapsky , OFM .
Tema: Ano Santo da Misericórdia

Encerramento às 16 horas.

Contamos com a presença e participação de todos num momento tão importante da Vida em Fraternidade.

Sejam bem-vindos!   


Maria Nascimento

Carta pede mais cuidado pela “Casa Comum”

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O Sinfrajupe Baixada Fluminense/RJ (Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia) lança, nesta quinta-feira, 1.º de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado com a Criação, uma Carta Aberta para alertar a população sobre a necessidade do Cuidado com a Casa Comum, retomando o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 “Casa Comum, nossa responsabilidade”, com o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (cf. Am 5,24).

Nesse tema e lema, duas dimensões básicas para a subsistência da vida são abarcadas a um só tempo: o cuidado com a criação e a luta pela justiça, sobretudo dos países pobres e vulneráveis. A proposta está em sintonia com a Encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco.


A reflexão da CFE 2016 e da Carta do Sinfrajupe estão em sintonia com a Encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco, e partem de um problema específico que afeta o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos, que é a fragilidade e, em alguns lugares, a ausência dos serviços de saneamento básico no país.

O Sinfrajupe reúne franciscanos, franciscanas e simpatizantes de São Francisco, o pobre de Assis, e Santa Clara, que animados pelo seu carisma e testemunho, que desejam viver como irmãos e irmãs menores, em nome do Evangelho, numa caminhada constante de conversão, colocando-nos a serviço do Reino, na Igreja e na sociedade, para defender, promover e valorizar a vida, principalmente onde ela se encontre ameaçada, agredida e violentada, assumindo a ótica e o lugar geográfico, social e cultural do empobrecido e excluído.

O Sinfrajupe é um espaço de articulação para aqueles que trabalham nas dimensões relacionadas às questões da justiça, paz e ecologia. Um espaço que traduz o desejo que temos para nos organizarmos, pensar, aprofundar, estudar e também participar das demandas que temos da sociedade de firma mais conjunta e coesa, para ser também instrumento de fortalecimento na família franciscana como um todo e no mundo, diante de todas estas questões que estão sendo colocadas para nós no Brasil e no mundo de hoje.

Leia, na íntegra, a Carta Aberta do Sinfrajupe:

‘CASA COMUM, NOSSA RESPONSABILIDADE’

Garantir o acesso ao saneamento básico a toda população é um dos grandes desafios que as cidades brasileiras terão que enfrentar ao longo das próximas décadas. Queremos um mundo no qual o direito brote como fonte e a justiça corra qual riacho que não seca (cf. Am 5,24).

Universalizar o saneamento básico não é só uma questão sanitária, mas também de justiça social e ambiental, essencial à vida humana e à proteção ambiental, principalmente para milhões de pessoas que vivem em favelas e cortiços com instalações sanitárias improvisadas e esgoto a céu aberto, além da população em situação de rua exposta a todos os tipos de precariedades. A água e os serviços públicos não podem ser tratados como mercadoria!

Segundo o relatório “Progresso no Saneamento e Água Potável – Atualização e Avaliação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2015”, da Unicef e da Organização Mundial de Saúde (OMS), 2,4 bilhões de pessoas ficaram sem acesso ao saneamento melhorado no ano de 2015. O Índice de Desenvolvimento do Saneamento no Brasil foi de 0, 581, posição inferior aos países desenvolvidos, mesmo frente a países da América do Sul.

Os últimos dados do Ministério das Cidades, através do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico), ano base 2013, mostram que mais da metade da população brasileira ainda não possui acesso às redes de coleta de esgoto e apenas 39% destes esgotos são tratados. Cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não possuem água tratada e temos mais de cinco milhões de pessoas sem acesso a banheiros, além de 37% da água potável é perdida em vazamentos, ‘gatos’ ou problemas de medição.

Historicamente, a Baixada Fluminense possui problemas crônicos de saneamento básico que afetam enorme parcela da população que, por conseguinte, também sofre com doenças associadas à precariedade ou falta de saneamento básico, que consome somas elevadas do orçamento público no combate a endemias que este ano atormentaram o cotidiano dos mais pobres com a dengue, zika e chikungunya.

A Lei n.º 11.445, de 5 de janeiro de 2007, a Lei de Saneamento Básico, estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico. A partir de sua publicação, todas as prefeituras têm a obrigação de elaborar seu Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB). Sem o PMSB, a partir de 2014, a prefeitura não poderá receber recursos federais para projetos de saneamento básico.

O saneamento básico foi definido pela Lei n.º 11.445/2007 como o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais relativos aos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana e manejo de águas pluviais, medidas necessárias para que as pessoas possam ter saúde e vida dignas. O PMSB deve abranger as quatro áreas, relacionadas entre si, e, após aprovado, torna-se instrumento estratégico de planejamento e gestão participativa.

O PMSB é um instrumento de desenvolvimento do município na área do saneamento e auxilia na melhoria da gestão dos municípios e impacta diretamente a qualidade de vida da população, que terá acesso a melhores condições sanitárias e ambientais. Ressalte-se que a elaboração do PMSB pelos municípios é obrigatória, conforme a Lei n.º 11.445/2007 e deve abranger toda a área do município, seja ela urbana e/ou rural.
Elaborado pelos técnicos da prefeitura, com o apoio da sociedade, o PMSB deve ser aprovado em audiência pública. As audiências são o fórum de discussão da proposta da Prefeitura e para apresentação de sugestões e reivindicações.

Após as discussões com a comunidade, o PMSB deve ser apreciado pelos vereadores e aprovado pela Câmara Municipal. Aprovado, o PMSB passa a ser a referência de desenvolvimento de cada município, estabelecendo as diretrizes para o saneamento básico e fixando as metas de cobertura e atendimento com os serviços de água; coleta e tratamento do esgoto doméstico, limpeza urbana, coleta e destinação adequada do lixo urbano e destino adequado das águas de chuva.

Os municípios da Baixada Fluminense do Estado do Rio de Janeiro têm todas as condições legais para a total universalização dos serviços públicos de saneamento básico com qualidade. Cabe exclusivamente ao município elaborar o PMSB com a participação da sociedade e contribuir para seu efetivo cumprimento.

Para o alcance desse objetivo, é necessário planejar adequadamente o saneamento básico, o que depende, necessariamente, de um diagnóstico da situação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município, que inclui a identificação, mapeamento e avaliação das instalações existentes; definição dos objetivos e metas de curto, médio e longo prazo para universalização dos serviços e garantir suporte técnico para a promoção de políticas de saneamento adequadas à realidade econômico-financeira, social e ambiental da região, visando à melhoria da saúde pública e a proteção ambiental.

Exigir uma efetiva coordenação institucional da política de saneamento básico em nível local é fundamental para que a sociedade perceba melhor a relevância desse tema, participe dos debates e influa nas decisões políticas para a efetivação e melhoria contínua dos serviços de saneamento básico. É importante que esse tema se torne prioridade nas ações de estados e municípios.

As comunidades cristãs são convocadas pela Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 a mobilizar em todos os municípios grupos de pessoas para reclamar a elaboração de Planos de Saneamento Básico e exercer o controle social sobre as ações de sua execução. O saneamento básico, universal e justo, só poderá ocorrer se houver uma profunda e ampla participação de toda a população.
É importante aprofundar os mecanismos de democracia participativa e atuar em conselhos e outros espaços de participação voltados para o debate e a reivindicação de políticas públicas orientadas para esse tema. O saneamento básico é um direito humano fundamental e, como todos os demais direitos, precisa ser assegurado.

Isso requer a união de esforços entre sociedade civil e poder público no planejamento e na prestação de serviços e de cuidados. A responsabilidade pela integridade da Casa Comum é de todos, dos governantes e da população.

A combinação do acesso à água potável e ao esgoto sanitário é condição para se obter resultados satisfatórios também na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental. Isso traz sensível melhoria na saúde e nas condições de vida de uma comunidade.

Não podemos, portanto, ficar calados. Nossa fé cristã nos impulsiona a sair do comodismo e construir um mundo mais humano e justo. Não nos esqueçamos de que promover a “justiça ambiental” é parte integrante da “justiça social.

Deus nos convoca para cuidar da sua criação. A Casa Comum, o lugar onde habitamos, é o maior presente que Deus nos deu. Assumir nossas responsabilidades pelo cuidado com a Casa Comum e denunciar os pecados que ameaçam a vida no planeta é missão confiada por Deus a cada um de nós.

O cuidado com a Criação é parte integrante da justiça, da solidariedade e da fraternidade que Deus quer ver entre nós. É também um jeito de louvar e agradecer a Deus. Unidos, seremos mais eficientes, mais ouvidos e testemunharemos de cuidado melhor do mundo e da família global que Deus nos ofereceu.

Baixada Fluminense, 1.º de setembro de 2016
sinfrajupebaixada@gmail.com

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Frei Edvaldo será ordenado presbítero dia 3 - Assistente da Jufra das Chagas

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“Desejo cada dia dizer o meu sim a Deus”

Moacir Beggo

Nascido e criado no interior baiano, Frei Edvaldo Batista Soares fala nesta entrevista um pouco de sua vida com sua família de 12 irmãos (cinco morreram) até deixar a sua terra natal em busca de oportunidades na cidade grande. Conseguiu o que queria em São Paulo, ajudou a família, mas Deus tinha reservado para ele uma outra missão: seguir os passos de Jesus, como é o seu lema escolhido para receber a ordenação presbiteral pelas mãos do Arcebispo de Porto Alegre e seu confrade, Dom Jaime Spengler, no dia 3 de setembro, às 18 horas, na Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, em Entre Rios (BA). Sua Primeira Missa será no dia seguinte, às 10 horas, na mesma igreja. Acompanhe a entrevista!

Site Franciscanos - Fale um pouco de suas origens, sua família e sua terra.
Frei Edvaldo – Sou natural de Entre Rios, uma pequena cidade no litoral Norte da Bahia. Vivi desde a minha infância até os 20 anos com meus pais numa comunidade da zona rural, Calçada Nova, a uns 16km do centro da cidade. Meus pais chamam-se Florêncio e Joana Batista Soares. Eles tiveram 16 filhos: Maura, Luiz, Josefa, Josefa (duas irmãs com o mesmo nome), Lindinalva, José, Edno, Edvânio, Pe. Edilson, Jorge, estes todos vivos; cinco faleceram ainda bebês. Depois de criar os filhos com muita dificuldades, Deus pediu um pouco mais de doação a esses dois batalhadores e eles, então, adotaram uma criança de 2 anos, nossa irmã Juliana, que também é minha afilhada. Portanto, hoje somos em 12 irmãos. Vi muitas vezes o sacrifício de meus pais para sustentar os seus 12 filhos. Vi-os trabalhando de sol a sol para garantir um pouco do sustento para a família. Quantas vezes vi minha mãe partir um ovo para quatro ou cinco filhos e ela mesma seguir trabalhando com fome. Ela sempre preferiu saciar a fome dos filhos do que a própria necessidade de se alimentar. Passaram-se os anos, e eu, assim como meus irmãos, tivemos que sair da minha terra natal para buscar dias melhores longe da minha casa e do meu povo. Em 1999, recebi do meu irmão Edno uma proposta de vir morar em São Paulo, onde conseguiria um emprego. No dia 6 de janeiro de 2000, com 20 anos, minha vida mudou radicalmente. Saí do meu pequeno povoado para morar na cidade mais populosa do país. Essa ruptura me trouxe dores e alegrias: dores, porque tive que deixar o meu “mundo” para fazer parte de outro “mundo”; alegrias, porque tive a oportunidade de me sustentar financeiramente e ajudar minha família a ter melhores condições de vida. Hoje, recordando minha trajetória vocacional, percebo que foi Deus que me conduziu pela mão e me trouxe onde nunca imaginei chegar.

Site Franciscanos – Como se deu o seu discernimento vocacional?
Frei Edvaldo – Pois bem, apesar de ter sido uma criança muita levada, sempre gostei das coisas que me falava do Sagrado: cantos devocionais, rezar os Benditos, as ladainhas e o Ofício de Nossa Senhora nas casas de famílias, práticas devocionais muito fortes na minha região e que tinham como animadora minha tia Lauriana. No meu tempo de infância até o início de minha adolescência, as missas aconteciam apenas uma ou duas vezes por ano na minha comunidade; todos os outros momentos de fé se davam pelas devoções promovidas por minha tia. Ela me ensinou amar a Deus e à Igreja e trilhar os caminhos do Senhor. Ela me ajudou a afinar os meus ouvidos na escuta da sua Palavra e preparou o meu coração para ouvir o chamado do Senhor e acolher a sua mensagem de amor. Desde os meus 12 anos, pelo que me recordo, sentia vontade de ser sacerdote cada vez que via o Pe. Evaristo, pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, celebrando missa no colégio da minha comunidade. Aqueles momentos eram especiais para mim e para todo o povo daquela comunidade. Eles despertavam em mim o desejo de ser padre. Passaram os anos e eu não tinha coragem de tomar uma decisão tão radical como essa. Aos 20 anos, morando em São Paulo, recebi do meu catequista, o sr. Silvino, um livro enviado da Bahia. O nome era “Seiva Nova”. Nele, contava-se a história de Frei Anselmo Fracasso e, na página seguinte, um convite para ser frade franciscano. A partir disso, escrevi uma carta para o Frei Luiz Fernando Mendonça e ele me convidou para conhecer os frades no Convento São Francisco. Aquele encontro foi amor à primeira vista e, aos poucos, fui me apaixonando pelo Santo de Assis e, desde então, não deixei de visitar o convento no centro de São Paulo. Fiz um ano e meio de acompanhamento vocacional e, em 2003, entrei no Seminário Santo Antônio, de Agudos. Olhando a minha trajetória, cheguei a uma conclusão: não fui eu que escolhi a vida religiosa franciscana, mais foi ela que me escolheu. Foi Deus Pai que me escolheu, Cristo me chamou e a Ordem dos Frades Menores me acolheu no seio da Igreja. E hoje eu posso dizer com toda a alegria de um frade menor: meu coração bate forte por Cristo no ritmo de São Francisco de Assis.

Site Franciscanos – Quem é Frei Edvaldo?
Frei Edvaldo – Essa pergunta me faz recordar nosso pai São Francisco, quando, estando diante da grandeza de Deus e reconhecendo sua pequenez, reza: “Senhor, quem sois vós e quem sou eu? Vós o Altíssimo Senhor do céu e da terra e eu um miserável vermezinho, vosso ínfimo servo!” Eu, diante da grandeza do chamado de Deus, me sinto incapacitado para tão grande missão, mas acredito que Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Portanto, eu me vejo como uma pessoa que, do fundo do meu coração, desejo e anseio ser modelado pelas mãos do Senhor assim como o barro é modelado pelas mãos do oleiro. Desejo cada dia dizer o meu sim a Deus, iluminado pelo lema da minha Ordenação: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23).

Site Franciscanos – Que expectativas você tem para o seu ministério sacerdotal?
Frei Edvaldo – Com sinceridade, eu espero corresponder todos os dias da minha vida, como frade menor e com toda a fidelidade às exigências desse árduo e bonito ministério. Espero ser fiel à Igreja que, através da Ordem Franciscana me confiou esse ministério. Espero ser fiel ao povo de Deus, que espera encontrar no sacerdote a acolhida do Cristo misericordioso.

Site Franciscanos – Deixe uma mensagem para os jovens que querem seguir a vida religiosa franciscana.
Frei Edvaldo – Desde o início desse ano, a Província Franciscana da Imaculada confiou ao Frei Diego A. Melo e a mim o Serviço de Animação Vocacional (SAV). É claro que a nossa missão é ajudar aqueles que já estão na caminhada a dizer cada dia seu sim com alegria. Do mesmo modo, aos jovens que procuram a vida religiosa franciscana, buscamos ajudá-los a discernir bem o chamado do Senhor e, ao mesmo tempo, apresentamos a esta juventude a beleza do carisma franciscano. A estes jovens, gostaria de dizer que ser franciscano é, antes de tudo, ser um verdadeiro cristão católico, que ama e vive a fé da Igreja e por ela se entrega a exemplo do próprio Cristo, que se entregou por nós. Portanto, jovem, se você sente arder em seu coração o desejo de seguir Jesus Cristo a exemplo de São Francisco de Assis, aposte nesse ideal de vida, pois você não estará longe do Reino dos Céus. Posso dizer por minha experiência: é muito bom sentir o nosso coração bater forte por Cristo no ritmo de São Francisco de Assis.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

JORNADA DO PATRIMÔNIO


                                                                                                                            IGREJA DAS CHAGAS DO SERÁPHICO PAI SÃO FRANCISCO IRÁ PARTICIPAR DA 2ª JORNADA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE SÃO PAULO 





  PALESTRAS NO DIA 27/08
Das 10 h às 11 h
   REVENDO ORTMANN: ELEMENTOS PICTÓRICOS DA IGREJA DE SÃO FRANCISCO
                   PALESTRANTE: Danielle Manoel dos Santos Pereira é doutoranda em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP,com pesquisa sobre as pinturas ilusionistas do Estado de São Paulo: são Paulo, Itu e Mogi das Cruzes.

DAS 11h30 às 12h30
   COLEÇÃO DE TÊXTEIS LITÚRGICOS: ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO
               PALESTRANTE: Rosângela Aparecida da Conceição. Em 2010, realizou o arrolamento do acervo têxtil da VOTSFPCSP e, em 2011, realizou a pesquisa de têxteis para a mostra itinerante “Vestes Sagradas”, exibida no Museu de Arte Sacra de São Paulo; desde 2014, tem feito a curadoria de mostras do acervo têxtil da VOTSFPCSP.