terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mostra Caminho da Penitência: têxteis litúrgicos do Tempo da Quaresma



"Na exposição são apresentadas vinte e três peças, datadas entre os séculos XVIII a XX, pertencentes do Acervo Histórico-Artístico da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência da Cidade de São Paulo (VOTSFPCSP).
Em tecidos de cor roxa, usados no Tempo da Quaresma, simbolizando a penitência e a conversão, as peças apresentam austeridade e nobreza presentes em seus acabamentos (damascos, brocados e cetins) e ornamentos (cravos, coroas de espinhos, entre outros) percebidos nas casulas, estolas, manípulos e capa de asperge.
A exposição é fruto dos estudos da Profª Me. Rosângela Aparecida da Conceição, realizada no acervo e na documentação da VOTSFPCSP, que é parte de sua pesquisa "Indumentária e têxteis litúrgicos nas coleções brasileiras de arte sacra".
Agradecimentos aos irmãos da VOTSFPCSP, em especial a Ministra Irmã Maria Nascimento Silva e aos membros do Conselho 2012 a 2015, ao Prof. Dr. Percival Tirapeli, Prof. Dr. Luciano Migliaccio, Profª Drª Marike Van Roon, Profª Me. Myriam Salomão e Maria José Meireles pelas contribuições.".




Local: Espaço expositivo da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência da Cidade de São Paulo
Visitação: 21 de fevereiro a 1 de abril de 2015
Local: Largo de São Francisco, 173 - Sé
01005-010 - São Paulo  SP  Brasil

Visita monitorada ao acervo e dependências da Igreja: quintas-feiras às 14h
Agendamento e contato: votchagas@gmail.com


Ficha técnica

Curadoria e pesquisa: Profª Me. Rosângela Aparecida da Conceição
Montagem: Profª Me. Rosângela Aparecida da Conceição e 
Profª Tabatha Nascimento
Colaboração: Profª Me. Myriam Salomão
Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência 
da Cidade de São Paulo
Conselho 2012 a 2015
Ministra: Maria Nascimento Silva
Vice Ministro: Carlos Milton dos Santos
1ªTesoureira;- Valéria Jordão de Lima Santos;
2ºTesoureiro: Bernardo Cesar;
1ªSecretária: Sueli Maria Ramos da Silva;
2ªSecretária: Isabel Cristina Ulisses Lima;
Formador: Romário Freitas de Oliveira;
Conselheiros: Edmilson Soares dos Anjos, Sandra Regina Borelli dos Santos, Antonio Alves de Brito, Antonio Santos de Oliveira
Conselho Fiscal: Maria Cecília Martins, Maria Aparecida Pereira Brito, Alex Sandro Bastos Ferreira.



Papa: o verdadeiro jejum vem do coração

Cidade do Vaticano (RV) – Os cristãos, especialmente na Quaresma, são chamados a viver coerentemente o amor a Deus e o amor ao próximo. Este é um dos trechos da homilia que Francisco pronuncio una Missa celebrada na manhã desta sexta-feira na Casa Santa Marta.

O Papa se inspirou na primeira Leitura extraída do Livro de Isaías, em que o povo se lamenta a Deus por não ouvir seus jejuns. Para o Pontífice, é preciso distinguir entre “o formal e o real”. Ou seja, de que adianta jejuar, não comer carne, e depois brigar ou explorar os funcionários? Eis o motivo pelo qual Jesus condenou os fariseus, porque faziam “tantas observações exteriores, mas sem a verdade do coração”.

O amor a Deus e ao homem estão unidos

O jejum que Jesus quer, ao invés, é o que desfaz as cadeias injustas, liberta oprimidos, veste quem está nu, faz justiça. “Este é o verdadeiro jejum – reiterou o Papa – o jejum que não é somente exterior, uma lei externa, mas deve vir do coração”:

“E nas tábuas da lei há o preceito em relação a Deus, em relação ao próximo e os dois estão juntos. Eu não posso dizer: “Mas, não, eu cumpro os primeiros três mandamentos... e os outros mais ou menos”. Não, se não cumpre estes, não pode cumprir aqueles, e se cumpre este, deve cumprir aquele. Estão unidos: o amor a Deus e o amor ao próximo são uma unidade e se quiser fazer penitência, real e não formal, deve fazê-la diante de Deus e também com o seu irmão, com o próximo”.

Usar Deus para cobrir a injustiça

Pode-se ter tanta fé, prosseguiu, mas – como diz o Apóstolo Tiago – se “não realiza obras, é morta, para que serve?”. Assim, se alguém vai à Missa todos os domingos e comunga, pode-se perguntar: “E como é a sua relação com seus funcionários? Os paga de maneira irregular? Dá a eles um salário justo? Paga também as taxas para a aposentaria? Para a assistência de saúde?”.

“Quantos homens e mulheres têm fé mas dividem as tábuas da lei: ‘Sim, eu faço isso... mas você dá esmolas? Sim, sim, sempre mando um cheque para a Igreja. Ah, então tá... Mas na tua Igreja, na tua casa, com quem depende de você (filhos, avós, funcionários), você é generoso, é justo? Não se pode fazer ofertas à Igrejas e pelas costas, ser injusto com seus funcionários. Este é um pecado gravíssimo: usar Deus para cobrir a injustiça”.

“E isto – retomou o Papa – é aquilo que o profeta Isaias, em nome do Senhor, nos explica”: “Não é um bom cristão quem não faz justiça com as pessoas que dependem dele”. E não é um bom cristão aquele que não se despoja de algo necessário para dar ao próximo, que precisa”.

O caminho da Quaresma é “este, é duplo: a Deus e ao próximo. É real, não simplesmente formal. Não é somente deixar de comer carne sexta-feira, fazer alguma coisinha e depois, deixar aumentar o egoísmo, a exploração do próximo, a ignorância dos pobres”.

“Alguns – contou o Papa – quando precisam se curar vão ao hospital, e por ter um plano de saúde, obtém a consulta rápido. “É uma coisa boa – comentou Francisco – agradeça ao Senhor. Mas, diga-me, você pensou naqueles que não têm esta facilidade e quando vão ao hospital devem esperar 6, 7, 8 horas para uma coisa urgente”.

Na Quaresma, abramos espaço no coração para quem errou

E existe quem, aqui em Roma, que pensa nisso na Quaresma “O que posso fazer pelas crianças, pelos idosos que não têm possibilidade de ter uma consulta com um médico?; que esperam horas e horas e depois têm que voltar uma semana depois?”.

“Como será a tua Quaresma?, pergunta Francisco. “Graças a Deus tenho uma família que cumpre os mandamentos, não temos problemas...”. Mas nesta Quaresma – pergunta o Papa – em seu coração existe ainda lugar para quem não cumpriu os mandamentos? Que cometeram erros e estão encarcerados?”.

“Mas eu, com aquela gente não... Mas você não está preso: se não está no cárcere é porque o Senhor te ajudou a não cair. Em seu coração os presos têm um lugar? Você reza por eles, para que o Senhor lhes ajude a mudar de vida? Acompanha, Senhor, o nosso caminho quaresma, para que a observância exterior corresponda a uma profunda renovação espiritual. Assim rezamos; que o Senhor nos dê esta graça”.


Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma


Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8)
Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem no coração cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa conosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.
«Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros»(1 Cor12, 26): A Igreja.

Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n’Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.
«Onde está o teu irmão?» (Gn4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham conosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inativa no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d’Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!
«Fortalecei os vossos corações» (Tg5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.

Francisco

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Quarta-feira de Cinzas – Ressuscitar das Cinzas

Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja abre solenemente o tempo de penitência, chamado Quaresma, em preparação para a celebração da Páscoa. É a Quarta-feira de Cinzas, entre nós bastante prejudicada pelo carnaval.

Neste dia, após a Liturgia da Palavra, em que se proclama o trecho do Evangelho em que Cristo recomenda a oração, o jejum e a esmola como exercícios de conversão (cf. Mt 6,1-18), realiza-se o rito da imposição das cinzas. Elas são sinal de penitência, no sentido de conversão. A conversão consiste, sobretudo, no reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais e pecadoras. No gesto de imposição das cinzas sobre a cabeça das pessoas, o sacerdote ou o ministro diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A conversão consiste em crer no Evangelho. Crer é aderir a ele, viver segundo os ensinamentos do Senhor Jesus. Pode-se usar também a fórmula tradicional: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar”. Numa das orações de bênção das cinzas se diz: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado”.

A origem das cinzas usadas tem seu significado. Elas são preparadas pela queima de palmas usadas na procissão de Ramos do ano anterior. Lembram, portanto, o Cristo vitorioso sobre a morte. A palma é símbolo de vitória e de triunfo. Assim, se os cristãos aceitam reconhecer sua condição de criaturas mortais, e transformar-se em pó, ou seja, passar pela experiência da morte, a exemplo de Cristo, pela renúncia de si mesmos, participarão também da vida que ressurge das cinzas.

Aqui vale a pena lembrar uma lenda egípcia. Fênix era uma ave fabulosa que durava muitos séculos e, queimada, renascia das próprias cinzas. Foi fácil perceber que ela é símbolo da ressurreição de Cristo e dos que aceitam viver na atitude de Cristo.

Certamente não é fácil aceitar ser cinza. Contudo, a fé em Jesus Cristo ressuscitado faz com que a vida renasça das cinzas. Jesus Cristo faz brotar a vida, onde o ser humano reconhece sua condição de criatura necessitada da ação de Deus. É entrar na atitude pascal.

Esta páscoa se vive na conversão, através dos exercícios da oração, do jejum e da esmola.
A imposição das cinzas não constitui um mero rito a ser repetido a cada ano. É celebração da vocação do ser humano, chamado à imortalidade feliz, contanto que realize o mistério pascal de morte e vida em sua vida fraterna.

Texto de “Viver o Ano Litúrgico – Reflexões para os domingos e solenidades”, de Frei Alberto Beckhauser, Editora Vozes.


Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Começa nesta quarta-feira de Cinzas o tempo da Quaresma


Ter-se-á sempre em vista que a Quaresma constituía preparação para o Tríduo Pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor Jesus, celebrado de quinta-feira à noite até o domingo da Ressurreição.

A Quarta-feira de Cinzas abre este tempo de conversão e de penitência, fazendo a proposta da observância quaresmal da oração, do jejum e da esmola.

Seguem todos os anos os dois domingos com temática fixa, variando apenas conforme os Evangelistas do ano. No 1º Domingo da Quaresma: As tentações de Jesus no deserto; 2º Domingo: a transfiguração do Senhor.

Jesus é o modelo da vida de penitência dos cristãos. O Jesus que jejua, o Jesus que se dedica à oração, deve ser visto à luz do Cristo transfigurado. Toda a caminhada da conversão dos cristãos só tem sentido à luz da ressurreição pregustada no Tabor.

A partir do 3º Domingo temos uma diversificação, conforme os ciclos do Ano A, B e C.

O Ano A apresenta a temática batismal. O Batismo será revivido no Tríduo pascal e especialmente na Vigília.

Se isso é verdade todos os anos, vem tematizado no Ano A. Utilizam-se os Evangelhos de São João. No 3º Domingo: o poço da samaritana; no 4º Domingo: o cego de nascença junto à piscina de Siloé. No 5º Domingo: a ressurreição de Lázaro. As leituras do Antigo Testamento, em harmonia com os evangelhos, apresentam os grandes lances da história da salvação. As leituras do Apóstolo realçam também a temática batismal.

No Ano B, de Marcos, sobressai o mistério da renovação da pessoa humana em Cristo e por Cristo, através da penitência. Seguindo o Cristo no mistério da cruz, o cristão participará de sua ressurreição. Os evangelhos são novamente de João: a restauração do Templo (o corpo de Cristo), Jo 21,13-25; o Cristo exaltado na cruz para a salvação do mundo, Jo 3,14-21; o grão de trigo que precisa morrer para produzir fruto, Jo 12, 20-33. As leituras apresentam tópicos da aliança de Deus com seu povo.

O Ano C, de Lucas, é perpassado pelo tema da necessidade da penitência e da misericórdia de Deus para com a humanidade em Cristo Jesus. A necessidade da conversão (Lc 13,1-9) no 3º Domingo; o filho pródigo (Lc 15,1-3.11-32) no 4º Domingo e a mulher adúltera (Jo 8,1-11) no 5º Domingo. As leituras apresentam experiências pascais do Povo de Deus na história da salvação.

Tudo isso pode acontecer cada ano com o Povo de Deus, a Igreja, no Tríduo Pascal. As condições são a conversão, a renovação da aliança batismal em Cristo Jesus.

Texto de “Viver o Ano Litúrgico – Reflexões para os domingos e solenidades”, de Frei Alberto Beckhauser, Editora Vozes.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br


“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Me 1 0,45).

Vida que resgata vidas! O Crucificado como servo das dores! A morte que liberta da escravidão e concede a dignidade de servir como Deus serve! Deus servo, Jesus Cristo, que concede a toda pessoa batizada o dom de ser serviço para os irmãos e irmãs.

Quaresma é tempo de abertura para o mistério da dor e da morte, da cruz, do Crucificado. Nele, somos conduzidos à graça da vida plena, à ressurreição. Ressurreição, transformação no mistério da dor, da morte, da Cruz. Quaresma, caminho de identificação com Cristo, pede de nós jejum, oração, esmola.

Jejum é um abster-se, um esvaziar-se, um abrir-se. No vazio de nós mesmos, somos fecundados pela suavidade da gratuidade. Jesus crucificado, vazio de si, é entrega suave-sofrida ao Pai: “em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). No jejum, somos reintegrados!

A oração é aproximação, nova relação, exposição, busca de atingimento pela amorosidade de Deus. Uma quase súplica de afeto e de amor: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” (Mt 27,46). A busca de coração pelo Pai. Quanta intimidade!

A esmola, partilha de vida, cuidado amoroso, liberdade de entrega, serviço! A esmola é envio para o próximo. Encontro com aqueles que o Estado e a sociedade não querem (Madre Teresa de Calcutá). Esmola, exercício para o crescimento e fidelidade da nossa filiação divina: sermos bons e generosos como Deus o é.

A conversão, a mudança de vida que a Quaresma possibilita, é um itinerário de libertação pessoal, comunitário e social. A Campanha da Fraternidade 2015 nos convida a refletir, meditar e rezar a relação entre Igreja e sociedade. O tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45). A Campanha vai ajudar-nos a “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus” (Objetivo Geral da CF 2015).

Sociedade vem de socius e id. Id, idade, que diz da força, vigor; força e vigor do socius. Socius é o companheiro. A força que faz e deixa ser companheiro. Companheiros, os que, unidos pela mesma força e vigor, formam um grupo. Os que estão unidos pela mesma força e vigor formam a sociedade. As pessoas que têm mesma pertença e buscam viver e conviver com um modo próprio de organização, formam uma sociedade. As pessoas também recriam a sociedade. Porque formada por pessoas, a sociedade é viva, se transforma. Uma sociedade é sociedade quando todos participam do conviver e do decidir e não permitem que uma pessoa seja excluída. Para que a sociedade possa existir e persistir, deixa-se guiar por valores fundamentais de Justiça, de Fraternidade, de Paz.

O Concílio Ecumênico Vaticano II recordou que a Igreja é Reino de Deus, Povo de Deus. “Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus, revelou-nos Seu mistério e, por Sua obediência, realizou a redenção. O Reino de Deus, já presente em mistério pelo poder de Deus, cresce visivelmente no mundo”(1) “O Senhor Jesus iniciou a sua Igreja, pregando a Boa-Nova, isto é, o advento do Reino de Deus (…). Este Reino manifestou-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo'(2). Com a vinda do Espírito Santo, poderíamos dizer que se completaram os tempos.

Assim, a Igreja é o novo Povo de Deus, a comunidade dos que creem. “Deus convocou e constituiu a Igreja – Comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade”(3). Aqueles que têm seu olhar fixo em Jesus vivem na sociedade. Eles compõem com outras pessoas a sociedade. Os cristãos, como participantes da sociedade, levam seus valores e compromissos, ajudam a construir uma sociedade justa, fraterna e de paz.

A Igreja, as comunidades de fé, os cristãos, são ativos na sociedade. Eles, pelo diálogo e pela caridade, cuidam das pessoas que são excluídas da sociedade. Ao mesmo tempo, participam ativamente das discussões e proposições que visam o bem de todos. Como nos diz o Papa Francisco: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta, e Jesus repete-nos sem cessar: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37)(4).

A Campanha da Fraternidade deste ano será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano 11. Ensinamentos que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhos e filhas de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas, a organização da sociedade estejam a serviço de todos. Na sociedade, a Igreja, as comunidades desejam seguir a Jesus: vim “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

Maria, Mãe de Deus e nossa, nos acompanhe na caminhada quaresmal, para sermos sempre mais a presença da Igreja que serve a todos. Caminhemos todos com Jesus para Jerusalém e participemos com Ele da dor, da morte e da ressurreição.
DOCUMENTO CONCILIAR. Constituição Dogmática Lumem Gentium. n. 3.
Idem. n. 5.
Idem. n. 9.
Cf. PAPA FRANCISCO. Exortação apostólica Evangelii Gaudium. Brasília: Edições CNBB, 2013. 1ª Edição. n. 49.

Abençoada Quaresma e Feliz Páscoa!

Dom Leonardo Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Santa Marta: Papa oferece Missa pelos cristãos decapitados


Cidade do Vaticano (RV) – “Ofereçamos esta Missa pelos nossos 21 irmãos coptas, degolados pelo único motivo de serem cristãos”: assim, o Papa iniciou a missa desta terça-feira (17/02), celebrada na capela da Casa Santa Marta.

“Rezemos por eles, para que o Senhor os acolha como mártires, por suas famílias, pelo meu irmão Tawadros, que tanto sofre”, disse Francisco, que citou o Salmo 31: “Javé, eu me abrigo em ti. Sê para mim um forte rochedo, uma casa fortificada que me salve; guia-me por teu nome”.

O homem é capaz de destruição

O Papa desenvolveu a sua homilia a partir do trecho do Gênesis, que mostra a ira de Deus pela malvadeza do homem e que preanuncia o dilúvio universal. O homem, constatou Francisco com pesar, “parece ser mais poderoso do que Deus”, “é capaz de destruir as coisas boas que Ele fez”.

Nos primeiros capítulos da Bíblia, prosseguiu, há muitos exemplos – de Sodoma e Gomorra à Torre de Babel – em que o homem mostra a sua malvadeza. Um mal, disse, que se aninha no íntimo do coração:

“‘Mas padre, não seja tão negativo!’, alguém dirá. Mas esta é a verdade. Somos capazes de destruir inclusive a fraternidade: Caim e Abel nas primeiras páginas da Bíblia. Destrói a fraternidade. É o início das guerras. Os ciúmes, as invejas, tanta avidez de poder, de ter mais poder. Sim, isso parece negativo, mas é realista. Peguem um jornal, um qualquer – de esquerda, de centro, de direita...qualquer um. E vejam que mais de 90% das notícias são de destruição. Mais de 90%. E isso o vemos todos os dias”.

Empresários de guerra

“Mas o que acontece no coração do homem?”, perguntou-se Francisco. Jesus, disse ele, nos recorda que “do coração do homem saem todas as malvadezas”. Há sempre uma “vontade de autonomia”: “eu faço o que quero e se eu quiser isso, o faço! E se para isso tiver que fazer uma guerra, eu faço!”:

“Mas por que somos assim? Porque temos essas possibilidade de destruição, este é o problema. Depois, nas guerras, no tráfico de armas... ‘Mas somos empresários!’. Sim, do quê? De morte? E há países que vendem as armas a este, que está em guerra com aquele, e vendem também àquele, para que assim a guerra continue. Capacidade de destruição. E isso não vem do próximo: de nós! ‘Todo desígnio do seu coração era continuamente mau’. Nós temos esta semente dentro, esta possibilidade. Mas temos também o Espírito Santo que nos salva, eh! Mas devemos escolher, nas pequenas coisas”.

O Papa então advertiu para as fofocas, de quem fala mal do próximo: “também na paróquia, nas associações”, quando há “ciúme” e “invejas” e talvez se conta tudo para o pároco. “Isso – advertiu – é malvadeza, é a capacidade de destruição que todos nós temos”. E sobre isso, “a Igreja, às portas da Quaresma, nos faz refletir”.

Francisco citou em seguida o Evangelho do dia, em que Jesus repreende os discípulos que brigam entre si porque se esqueceram de pegar o pão. O Senhor diz a eles que estejam “atentos” ao fermento dos fariseus, ao fermento de Herodes. E cita o exemplo de duas pessoas: Herodes, que é mau e assassino, e os fariseus hipócritas. Jesus os exorta a pensar na Salvação, àquilo que Deus fez por todos nós. Mas eles, retomou o Papa, “não entendiam, porque o coração estava endurecido por esta paixão, por esta malvadeza de discutir entre si e ver quem era o culpado por aquela falta de pão”.

Escolher o bem com a força que Jesus nos dá

Devemos levar "a sério" a mensagem do Senhor, disse ainda o Papa, "não se trata de coisas estranhas, este não é o discurso de um “marciano", "o homem é capaz de fazer tanto bem". E citou o exemplo de Madre Teresa, "uma mulher do nosso tempo". Todos nós, disse, "somos capazes de fazer o bem, mas todos nós somos também capazes de destruir; destruir no grande e no pequeno, na mesma família; destruir os filhos", não deixá-los crescer “com liberdade, não ajudando-os a crescer bem; cancelando os filhos”. Temos essa capacidade e para isso, reiterou, "é necessária a meditação contínua, a oração, a comparação entre nós, para não cair nesse mal que destrói tudo":

"E nós temos a força, Jesus nos recorda. Lembrem-se. E hoje nos diz: 'Recorde-se. Recorde-se de Mim, que eu derramei o meu sangue por você; recorde-se de Mim que eu o salvei, eu salvei todos vocês; Recorde-se de Mim, que Eu tenho a força para acompanhá-lo no caminho da vida, não pelo caminho do mal, mas pelo caminho do bem, do fazer o bem aos outros; não pelo caminho da destruição, mas pelo caminho da construção: construir uma família, construir uma cidade, construir uma cultura, construir uma pátria, mais e mais".

"Peçamos ao Senhor, hoje, esta graça antes de começar a Quaresma - concluiu o Papa-: sempre escolher bem o caminho com a sua ajuda e não deixar-se enganar pelas seduções que nos levam para o caminho errado". (SP/BF)

Fonte: Rádio Vaticano

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Papa aos novos Cardeais: "É no Evangelho dos marginalizados que se descobre e revela a nossa credibilidade"


Cidade do Vaticano (RV) – “Servir aos outros é nosso único título de honra!”. O Papa Francisco celebrou com os novos cardeais na Basílica de São Pedro na manhã deste domingo (15/02), exortando-os a seguir a lógica de Jesus e o caminho da Igreja: acolher e integrar os que batem à porta, mas também ir buscar, sem medo e preconceito, os distantes.

O Santo Padre dedicou sua longa e articulada homilia à compaixão de Jesus diante da marginalização e a sua vontade de integração. Inspirado na Liturgia do dia, o Papa explicou que Jesus se deixa “envolver na dor e nas necessidades das pessoas”, Jesus tem um coração que “não se envergonha de ter compaixão”, uma compaixão, voltada a reintegrar o marginalizado.

Para ilustrar esta marginalização, Francisco toma como exemplo o leproso, que pela antiga lei, era “afastado e marginalizado pela comunidade”, considerado impuro. E o objetivo era “salvar os sãos e proteger os justos”, marginalizando assim o “perigo” e tratando sem piedade o contagiado:

“Imaginai quanto sofrimento e quanta vergonha devia sentir, física, social, psicológica e espiritualmente, um leproso! Não é apenas vítima da doença, mas sente que é também o culpado, punido pelos seus pecados. É um morto-vivo, como «se o pai lhe tivesse cuspido na cara». Além disso, o leproso suscita medo, desprezo, nojo e, por isso, é abandonado pelos seus familiares, evitado pelas outras pessoas, marginalizado pela sociedade; mais, a própria sociedade o expulsa e constringe a viver em lugares afastados dos sãos, exclui-o. E o modo como o faz é tal que, se um indivíduo são se aproximasse de um leproso seria severamente punido e com frequência tratado, por sua vez, como leproso”.

Em contraposição à antiga lei, Jesus revoluciona e sacode com força aquela “mentalidade fechada no medo e auto-limitada pelos preconceitos”, declara a ineficácia da lei do talião, diz que não agrada a Deus a observância do sábado que despreza o homem e o condena, e não condena a mulher pecadora, pronta a ser apedrejada. “Jesus revoluciona as consciências no Sermão da Montanha, abrindo novos horizontes para a humanidade e revelando plenamente a lógica de Deus, a lógica do amor baseada na liberdade, na caridade, no zelo saudável e no desejo salvífico de Deus”:

“Jesus, novo Moisés, quis curar o leproso, quis tocá-lo, quis reintegrá-lo na comunidade, sem Se «autolimitar» nos preconceitos; sem Se adequar à mentalidade dominante do povo; sem Se preocupar de modo algum com o contágio. Jesus responde à súplica do leproso sem demora e sem os habituais adiamentos para estudar a situação e todas as eventuais consequências. Para Jesus, o que importa acima de tudo é alcançar e salvar os afastados, curar as feridas dos doentes, reintegrar a todos na família de Deus. E isto deixou alguém escandalizado!”

Jesus não tem medo do “escândalo” que suas atitudes possam causar nas pessoas com esquemas mentais e espirituais fechados. Francisco diz serem estas duas lógicas de pensamento e de fé: o medo de perder os salvos e o desejo de salvar os perdidos:

“Hoje, às vezes, também acontece encontrarmo-nos na encruzilhada destas duas lógicas: a dos doutores da lei, ou seja marginalizar o perigo afastando a pessoa contagiada, e a lógica de Deus que, com a sua misericórdia, abraça e acolhe reintegrando e transformando o mal em bem, a condenação em salvação e a exclusão em anúncio”.

O Santo Padre recorda que as lógicas “marginalizar e reintegrar” percorrem toda a história da Igreja, e cita Paulo, cuja atividade missionária escandalizava e encontrava grande resistência e mesmo hostilidade por parte daqueles que exigiam uma observância incondicional da lei. “O caminho da Igreja, desde o Concílio de Jerusalém em diante, é sempre o de Jesus: o caminho da misericórdia e da integração”:

“Isto não significa subestimar os perigos nem fazer entrar os lobos no rebanho, mas acolher o filho pródigo arrependido; curar com determinação e coragem as feridas do pecado; arregaçar as mangas em vez de ficar a olhar passivamente o sofrimento do mundo. O caminho da Igreja é não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com coração sincero; o caminho da Igreja é precisamente sair do próprio recinto para ir à procura dos afastados nas «periferias» da existência; adotar integralmente a lógica de Deus; seguir o Mestre, que disse: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores»”.

Ao curar o leproso – explica o Papa – Jesus não provoca nenhum dano em quem é são, antes, o livra do mal; não lhe cria perigo, mas lhe dá um irmão, não despreza a Lei, mas preza o homem, para o qual Deus inspirou a Lei. De fato, Jesus liberta os sãos da tentação do “irmão mais velho”:

“A caridade é criativa, encontrando a linguagem certa para comunicar com todos aqueles que são considerados incuráveis e, portanto, intocáveis. O contacto é a verdadeira linguagem comunicativa, a mesma linguagem afectiva que comunicou a cura ao leproso. Quantas curas podemos realizar e comunicar, aprendendo esta linguagem! Era um leproso e tornou-se arauto do amor de Deus”.

“Esta é a lógica de Jesus e o caminho da Igreja”, disse o Papa Francisco dirigindo-se aos Cardeais: “Não só acolher e integrar, com coragem evangélica, aqueles que batem à nossa porta, mas ir à procura, sem preconceitos nem medo, dos afastados revelando-lhes gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos. «Quem diz que permanece em [Cristo], deve caminhar como Ele caminhou”. E reiterou, que “a disponibilidade total para servir os outros, é o nosso sinal distintivo, é o nosso único título de honra”!

Por fim, o Papa invoca a intercessão de Maria, que “sofreu em primeira pessoa a marginalização devido às calúnias”, para que alcance a graça de “sermos servos fiéis de Deus” e exortou os novos cardeais:

“Exorto-vos a servir a Igreja de tal maneira que os cristãos – edificados pelo nosso testemunho – não se sintam tentados a estar com Jesus, sem quererem estar com os marginalizados, isolando-se numa casta que nada tem de autenticamente eclesial. Exorto-vos a servir Jesus crucificado em toda a pessoa marginalizada, seja pelo motivo que for; a ver o Senhor em cada pessoa excluída que tem fome, que tem sede, que não tem com que se cobrir; a ver o Senhor que está presente também naqueles que perderam a fé ou se afastaram da prática da sua fé; o Senhor, que está na cadeia, que está doente, que não tem trabalho, que é perseguido; o Senhor que está no leproso, no corpo ou na alma, que é discriminado. Não descobrimos o Senhor, se não acolhemos de maneira autêntica o marginalizado”.

O Papa conclui recordando a imagem de São Francisco que não teve medo de abraçar o leproso e acolher os que sofrem qualquer tipo de marginalização: “Verdadeiramente é no evangelho dos marginalizados que se descobre e revela a nossa credibilidade”. (JE)

Eis a homilia na íntegra:

«Senhor, se quiseres, podes purificar-me». Compadecido, Jesus, estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado» (cf. Mc 1, 40-41). A compaixão de Jesus! Aquele «padecer com» levava-O a aproximar-Se de cada pessoa atribulada! Jesus não Se retrai, antes, pelo contrário, deixa-Se comover pelo sofrimento e as necessidades do povo, simplesmente porque Ele sabe e quer «padecer com», porque possui um coração que não se envergonha de ter «compaixão».

Ele «já não podia entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados» (Mc 1, 45). Isto significa que, além de curar o leproso, Jesus tomou sobre Si também a marginalização que impunha a Lei de Moisés (cf. Lv 13, 1-2.45-46). Não teme o risco de assumir o sofrimento alheio, mas paga por inteiro o seu preço (cf. Is 53, 4).

A compaixão leva Jesus a agir de forma concreta: a reintegrar o marginalizado. Temos aqui os três conceitos-chave que a Igreja nos propõe na liturgia da palavra hodierna: a compaixão de Jesus perante a marginalização e a sua vontade de integração.

Marginalização: Moisés, ao tratar juridicamente a questão dos leprosos, reclama que sejam afastados e marginalizados da comunidade, enquanto persistir o mal, e declara-os «impuros» (cf. Lv 13, 1-2.45-46).

Imaginai quanto sofrimento e quanta vergonha devia sentir, física, social, psicológica e espiritualmente, um leproso! Não é apenas vítima da doença, mas sente que é também o culpado, punido pelos seus pecados. É um morto-vivo, como «se o pai lhe tivesse cuspido na cara» (cf. Nm 12, 14).

Além disso, o leproso suscita medo, desprezo, nojo e, por isso, é abandonado pelos seus familiares, evitado pelas outras pessoas, marginalizado pela sociedade; mais, a própria sociedade o expulsa e constringe a viver em lugares afastados dos sãos, exclui-o. E o modo como o faz é tal que, se um indivíduo são se aproximasse de um leproso seria severamente punido e com frequência tratado, por sua vez, como leproso.

A finalidade desta legislação era «salvar os sãos», «proteger os justos» e, para os defender de qualquer risco, marginalizava «o perigo» tratando sem piedade o contagiado. De facto, assim decretou o sumo sacerdote Caifás: «Convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50).

Integração: Jesus revoluciona e sacode intensamente aquela mentalidade fechada no medo e autolimitada pelos preconceitos. Contudo Ele não abole a Lei de Moisés, mas leva-a à perfeição (cf. Mt 5, 17), declarando, por exemplo, a ineficácia contraproducente da lei de talião; declarando que Deus não gosta da observância do sábado que despreza o homem e o condena; ou, quando perante a mulher pecadora, não a condena, pelo contrário salva-a do zelo cego de quantos já estavam prontos para a lapidar sem dó nem piedade, convictos de aplicar a Lei de Moisés. Jesus revoluciona também as consciências no Sermão da Montanha (cf. Mt 5), abrindo novos horizontes para a humanidade e revelando plenamente a lógica de Deus: a lógica do amor, que não se baseia no medo mas na liberdade, na caridade, no zelo salutar e no desígnio salvífico de Deus: «Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 3-4). «Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt 12, 7; cf. Os 6, 6).

Jesus, novo Moisés, quis curar o leproso, quis tocá-lo, quis reintegrá-lo na comunidade, sem Se «autolimitar» nos preconceitos; sem Se adequar à mentalidade dominante do povo; sem Se preocupar de modo algum com o contágio. Jesus responde à súplica do leproso sem demora e sem os habituais adiamentos para estudar a situação e todas as eventuais consequências. Para Jesus, o que importa acima de tudo é alcançar e salvar os afastados, curar as feridas dos doentes, reintegrar a todos na família de Deus. E isto deixou alguém escandalizado!

Jesus não teme este tipo de escândalo. Não olha às mentes fechadas que se escandalizam até por uma cura, que se escandalizam diante de qualquer abertura, qualquer passo que não entre nos seus esquemas mentais e espirituais, qualquer carícia ou ternura que não corresponda aos seus hábitos de pensar e à sua pureza ritualista. Ele quis integrar os marginalizados, salvar aqueles que estão fora do acampamento (cf. Jo 10).

Trata-se de duas lógicas de pensamento e de fé: o medo de perder os salvos e o desejo de salvar os perdidos. Hoje, às vezes, também acontece encontrarmo-nos na encruzilhada destas duas lógicas: a dos doutores da lei, ou seja marginalizar o perigo afastando a pessoa contagiada, e a lógica de Deus que, com a sua misericórdia, abraça e acolhe reintegrando e transformando o mal em bem, a condenação em salvação e a exclusão em anúncio.

Estas duas lógicas percorrem toda a história da Igreja: marginalizar e reintegrar. São Paulo, ao pôr em prática o mandamento do Senhor de levar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra (cf. Mt 28, 19), escandalizou e encontrou forte resistência e grande hostilidade sobretudo da parte daqueles que exigiam, inclusive aos pagãos convertidos, uma observância incondicional da Lei mosaica. O próprio São Pedro foi duramente criticado pela comunidade, quando entrou na casa de Cornélio, um centurião pagão (cf. Act 10) .

O caminho da Igreja, desde o Concílio de Jerusalém em diante, é sempre o de Jesus: o caminho da misericórdia e da integração. Isto não significa subestimar os perigos nem fazer entrar os lobos no rebanho, mas acolher o filho pródigo arrependido; curar com determinação e coragem as feridas do pecado; arregaçar as mangas em vez de ficar a olhar passivamente o sofrimento do mundo. O caminho da Igreja é não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com coração sincero; o caminho da Igreja é precisamente sair do próprio recinto para ir à procura dos afastados nas «periferias» da existência; adoptar integralmente a lógica de Deus; seguir o Mestre, que disse: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores» (Lc 5, 31-32).

Curando o leproso, Jesus não provoca qualquer dano a quem é são, antes livra-o do medo; não lhe cria um perigo, mas dá-lhe um irmão; não despreza a Lei, mas preza o homem, para o qual Deus inspirou a Lei. De facto, Jesus liberta os sãos da tentação do «irmão mais velho» (cf. Lc 15, 11-32) e do peso da inveja e da murmuração dos «trabalhadores que suportaram o cansaço do dia e o seu calor» (cf. Mt 20, 1-16).

Consequentemente, a caridade não pode ser neutra, indiferente, morna ou esquiva. A caridade contagia, apaixona, arrisca e envolve. Porque a caridade verdadeira é sempre imerecida, incondicional e gratuita (cf. 1 Cor 13). A caridade é criativa, encontrando a linguagem certa para comunicar com todos aqueles que são considerados incuráveis e, portanto, intocáveis. O contacto é a verdadeira linguagem comunicativa, a mesma linguagem afectiva que comunicou a cura ao leproso. Quantas curas podemos realizar e comunicar, aprendendo esta linguagem! Era um leproso e tornou-se arauto do amor de Deus. Diz o Evangelho: «Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido» (cf. Mc 1, 45).

Amados novos Cardeais, esta é a lógica de Jesus, este é o caminho da Igreja: não só acolher e integrar, com coragem evangélica, aqueles que batem à nossa porta, mas ir à procura, sem preconceitos nem medo, dos afastados revelando-lhes gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos. «Quem diz que permanece em [Cristo], deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2, 6). A disponibilidade total para servir os outros é o nosso sinal distintivo, é o nosso único título de honra!

Nesta Eucaristia, que nos vê reunidos ao redor do altar do Senhor, invoquemos a intercessão de Maria, Mãe da Igreja, que sofreu em primeira mão a marginalização por causa das calúnias (cf. Jo 8, 41) e do exílio (cf. Mt 2, 13-23), para que nos alcance a graça de sermos servos fiéis a Deus. Ensine-nos Ela – que é a Mãe – a não termos medo de acolher com ternura os marginalizados; a não temermos a ternura e a compaixão; que Ela nos revista de paciência acompanhando-os no seu caminho, sem buscar os triunfos dum sucesso mundano; que Ela nos mostre Jesus e faça caminhar como Ele.

Amados irmãos, com os olhos fixos em Jesus e em Maria nossa Mãe, exorto-vos a servir a Igreja de tal maneira que os cristãos – edificados pelo nosso testemunho – não se sintam tentados a estar com Jesus, sem quererem estar com os marginalizados, isolando-se numa casta que nada tem de autenticamente eclesial. Exorto-vos a servir Jesus crucificado em toda a pessoa marginalizada, seja pelo motivo que for; a ver o Senhor em cada pessoa excluída que tem fome, que tem sede, que não tem com que se cobrir; a ver o Senhor que está presente também naqueles que perderam a fé ou se afastaram da prática da sua fé; o Senhor, que está na cadeia, que está doente, que não tem trabalho, que é perseguido; o Senhor que está no leproso, no corpo ou na alma, que é discriminado. Não descobrimos o Senhor, se não acolhemos de maneira autêntica o marginalizado. Recordemos sempre a imagem de São Francisco, que não teve medo de abraçar o leproso e acolher aqueles que sofrem qualquer gênero de marginalização. Verdadeiramente é no evangelho dos marginalizados que se descobre e revela a nossa credibilidade!

Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Nossa Senhora de Lourdes




A Virgem Maria se apresentou como a Imaculada Conceição, confirmando assim o dogma decretado anos antes.

Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.

“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Maria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, e, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Nossa Senhora, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência.

Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja. Que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes. E os sinais, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local.

Lá, onde as multidões afluem, o clero e vários Papas lá estiveram. Agora, temos a graça de ter o Papa Francisco para nos alertar sobre este chamado.


Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

Fonte: http://santo.cancaonova.com/santo/nossa-senhora-de-lourdes/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A fraternidade vai até o irmão

Irmãos e Irmãs,
Paz e bem!

Domingo dia 08 de fevereiro saí em missão ás 12:15 horas de casa (zona oeste) para visitar o Irmão Francisco Alves que reside na Zona Sul. Após um longo caminho de aproximadamente 03 horas em 04 ônibus cheguei à sua casa às 14:45 horas.  Ele e sua esposa D. Vitória me receberam com grande alegria e ternura. Estavam terminando de preparar o almoço. Conversamos, almoçamos, conheci a casa. Depois fui visitar seu atelier de trabalho: a estamparia de uniformes, camisetas. Ele ainda faz pequenos serviços e do qual por muitos anos sustentou sua família. Ganhei de presente um lindo avental.  O Irmão Francisco está no SEI (Serviço aos enfermos e idosos) há algum tempo. É idoso e com muitas enfermidades. Por isso não participa efetivamente da vida em fraternidade. Agora a fraternidade vai até o irmão.

Passamos duas horas bem agradáveis.

Ao final rezamos e nos despedimos com amor fraterno. Hora de voltar para casa.

A longa distância não é empecilho para ir ao encontro do irmão.

 Deus seja louvado!

 Maria Nascimento













segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Papa: preservar a Criação é a tarefa dos cristãos, não só dos ecologistas

Cidade do Vaticano (RV) - Os cristãos são chamados a preservar a Criação. Foi o que destacou Francisco na Missa da manhã desta segunda-feira (09/02), celebrada na capela da Casa Santa Marta. O Papa falou sobre a “segunda criação” atuada por Jesus, que “recriou” o que foi destruído pelo pecado.

Deus criou o universo, mas a criação não acabou. “Ele continuamente ampara aquilo que criou”. O Pontífice desenvolveu a sua homilia refletindo sobre o trecho do Gênesis, na primeira leitura, que narra a criação do Universo. No Evangelho de hoje, comentou, vemos “a outra criação de Deus”, “Jesus, que vem para re-criar o que foi destruído pelo pecado”.

A resposta à criação de Deus

Jesus está entre as pessoas e salva quem é tocado por Ele: é a “re-criação”. “Esta ‘segunda criação – relevou Francisco – é mais maravilhosa do que a primeira. Mas há “outro trabalho”, o da “perseverança na fé”, feito pelo Espírito Santo:

“Deus trabalha, continua a trabalhar, e nós podemos nos perguntar como devemos responder a esta criação de Deus, que nasceu do amor, porque Ele trabalha com amor. À ‘primeira criação’, devemos responder com a responsabilidade que o Senhor nos dá: ‘A Terra é de vocês, levem-na avante; dominem-na; façam-na crescer’. Também para nós existe a responsabilidade de fazer crescer a Terra, de protegê-la e fazê-la crescer segundo as suas leis. Nós somos senhores da Criação, não donos”.

A tarefa do cristão

Portanto, acrescentou, “esta é a primeira resposta ao trabalho de Deus: trabalhar para preservar a Criação”:

“Quando nós ouvimos que as pessoas se reúnem para pensar em como proteger a Criação, podemos dizer: ‘Mas não, são ecologistas!’ Não, não são ecologistas! Isso é cristão! É a nossa resposta à ‘primeira criação’ de Deus. É a nossa responsabilidade. Um cristão que não preserva a Criação, que não a faz crescer, é um cristão que não se importa com o trabalho de Deus, aquele trabalho que nasceu do amor Dele por nós. E esta é a primeira resposta à primeira criação: preservar a Criação, fazê-la crescer”.

Reconciliarmo-nos com Jesus

Francisco então se perguntou como respondemos à “segunda criação”. São Paulo nos diz para nos reconciliarmos com Deus”, “ir no caminho da reconciliação interior, da reconciliação comunitária, porque a reconciliação é obra de Cristo”. E ainda, citando o Apóstolo dos Gentios, o Pontífice disse que não devemos entristecer o Espírito Santo que está em nós, que está dentro de nós e trabalha dentro de nós. E acrescentou que nós “acreditamos num Deus pessoal”: “é pessoa Pai, pessoa Filho e pessoa Espírito Santo”.

“E todos os três estão envolvidos nesta criação, nesta re-criação, nesta perseverança na re-criação. E a todos os três respondemos: preservar e fazer crescer a Criação, deixar-nos reconciliar com Jesus, com Deus em Jesus, em Cristo, todos os dias, e não entristecer o Espirito Santo, não expulsá-lo: é o hóspede do nosso coração, que nos acompanha, nos faz crescer”.

“Que o Senhor, concluiu, nos dê a graça de entender que Ele está trabalhando”, e “nos dê a graça de responder de maneira justa a este trabalho de amor”.

Fonte: Rádio Vaticano

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Neste domingo: a solicitude de Deus que nos desconcerta



Frei Gustavo Medella

As considerações de Jó diante da fragilidade da própria vida trazem em si resignação e certa melancolia. Colocam-nos face a face com o precário e provisório que a vida humana traz em si. Chegam a espantar. Causam-nos desconforto. São desconcertantes e fazem parecer ridícula qualquer atitude de prepotência, arrogância e orgulho que possamos trazer em nosso iludido coração. “Lembra-te que minha vida é apenas um sopro” (Jó 7,7).

E é neste “sopro” de cinquenta, sessenta, “setenta e poucos” anos – ou pouco mais ou pouco menos – que somos chamados a dar o melhor de nós, a nos superar. São Paulo encontrou o sentido de sua vida na pregação do Evangelho. Entregou-se todo inteiro à causa do Cristo: “Pregar o Evangelho para mim não é motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (1Cor 9,16). Esta entrega generosa de São Paulo o faz grande em sua pequenez e confere a ele a maturidade de quem se doa integralmente, sem grande preocupação com qualquer reconhecimento ou resultado: “Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns” (1Cor 9,22b).

Se desconcertante é a constatação de nossa fragilidade, também nos desconcerta a solicitude de Deus em assumi-la de modo integral, como o faz em Jesus Cristo. No Evangelho temos a graça de encontrar este Deus que está sempre ocupado em oferecer cura e salvação, em olhar nos olhos de cada necessitado, em estender a mão a quem está caído, assim com fez com a sogra de Simão Pedro (cf. Mc 1,31). Jesus é Deus que “conforta os corações despedaçados, ele enfaixa suas feridas e as cura”, conforme rezamos no Salmo (Sl 146,3).

Se temos muitos motivos para ficarmos espantados, mais ainda são as razões para nos sentirmos gratos e felizes, sem ceder ao desânimo e ao desespero. Na companhia de Cristo e dos irmãos podemos chegar longe, alcançar lugares aos quais jamais teríamos acesso se caminhássemos sozinhos. Sigamos em frente, com os olhos fixos em Jesus!

Fonte: www.franciscanos.org.br

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Audiência: os pais devem ser doces e firmes com os filhos

Cidade do Vaticano (RV) – Na Sala Paulo VI, o Papa recebeu cerca de sete mil fiéis para a Audiência Geral desta quarta-feira (04/02).
Sob o som de “Solo lo pido a Dios”, tocado ao vivo na Sala, o Papa percorreu o corredor central para saudar e receber o carinho dos peregrinos, que saúdam entusiasmados o Pontífice.
Em sua catequese, o Papa voltou a falar do papel dos pais na família, desta vez ressaltando os aspectos positivos. “Toda família necessita do pai”, constatou Francisco, que se inspirou nas seguintes palavras do Livro dos Provérbios: “Meu filho, se o teu coração é sábio, meu coração também se alegrará”.
“Este pai não diz que se orgulha porque o filho é como ele”, explicou o Papa, mas diz algo bem mais importante, isto é: que se alegra toda vez que o filho age com sabedoria e retidão. E um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança. Proximidade, doçura e firmeza são atitudes necessárias – e que só podem ser manifestadas com um pai presente na família.

“O pai deve estar próximo da mulher, para compartilhar tudo, alegrias e tristezas, fadigas e esperanças. E deve estar próximo dos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando ousam ou hesitam, quando erram e voltam atrás. Pai presente, sempre! Presente não significa controlador, pois pode anular o filho”, advertiu.

Francisco cita também como exemplo o pai da parábola do filho pródigo. “Quanta dignidade e ternura naquele pai que espera à porta de casa que o filho regresse!” Um bom pai sabe esperar e sabe perdoar, do profundo do coração. Certamente, sabe também corrigir com firmeza, sem sentimentalismos. O pai que sabe corrigir sem humilhar, é o mesmo que sabe proteger sem poupar-se.

“Punir na medida justa”, disse Francisco, lembrando de um pai que disse, numa reunião de casais, que jamais batia no rosto dos filhos para não humilhá-los. Depois de experiências e falências, voltar para casa e não encontrar um pai pode provocar feridas difíceis de serem curadas.

Por fim, o Pontífice garantiu a proximidade da Igreja a todos os pais:

“A Igreja, portanto, está empenhada em apoiar com todas as suas forças a presença generosa dos pais nas famílias, porque eles são para as novas gerações custódios e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, na justiça e na proteção de Deus, como São José.”
Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Religiosos se reúnem no Convento São Francisco para celebrar o dia da Vida Consagrada



Frei Gustavo Medella

Centenas de religiosos de toda a Arquidiocese se reuniram nesta segunda-feira, dia 02 de fevereiro, na Igreja do Convento São Francisco, para celebrar a Solenidade da Apresentação do Senhor, dia em que também se recorda a vida consagrada na Igreja. As atividades, coordenadas pelo núcleo paulista da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), tiveram início às 13h30, com a Adoração ao Santíssimo Sacramento, conduzida pelo Bispo Auxiliar de São Paulo e responsável pela Vida Religiosa na Arquidiocese, Dom Julio Endi Akamini. Em seguida, a assembleia, formada por religiosos e também leigos e leigas em geral, se dirigiu para a Igreja da São Francisco das Chagas, da Ordem Franciscana Secular, que fica ao lado do convento, onde teve início a celebração da Missa Solene, presidida pelo Arcebispo de São Paulo, o Cardeal Dom Odilo Scherer, com a acolhida da Assembleia e a bênção das velas, conforme prescreve o Missal Romano. Em seguida, todos se dirigiram em procissão luminosa para a Igreja do Convento, onde a celebração continuou. A missa contou ainda com a participação do Bispo da Diocese de Lorena, o franciscano Dom João Inácio Müller, do Abade do Mosteiro de São Bento, Dom Mathias Tolentino Braga, além de outros diversos sacerdotes de diferentes institutos de vida consagrada.

Na homilia, Dom Odilo recordou o episódio narrado pelo Evangelista Lucas, celebrado na Solenidade da Apresentação do Senhor. Também lembrou que a história de São Paulo está intimamente ligada com a presença da vida consagrada. “São Paulo começou com os religiosos. Lembremos dos jesuítas, São José de Anchieta, Padre Manoel da Nóbrega. E depois as grandes ordens que aqui se estabeleceram por primeiro, franciscanos, beneditinos, carmelitas, começando um trabalho permanente e estável aqui”, ressaltou. Falando sobre a atualidade, disse se sentir grato a Deus pelo grande número de institutos, com diversos carismas e vocações, que estão presentes na Arquidiocese. Dom Odilo aproveitou ainda para incentivar os religiosos a seguirem firmemente o caminho da vocação que abraçaram. “Minha palavra é de encorajamento. Vocês dão um grande testemunho do seguimento de Cristo. Permaneçam firmes neste caminho bonito, resgatem a vida e a história de seus fundadores, sejam testemunhas fiéis de Cristo”, exortou.

Em nome do núcleo de São Paulo da Conferência dos Religiosos do Brasil, a Irmã Inês Camargo, Franciscana Seráfica, fez um agradecimento à Arquidiocese, na pessoa de Dom Odilo, e também à Fraternidade Franciscana do Convento São Francisco, referindo-se ao guardião Frei Luiz Henrique Aquino, pela acolhida a todos que participavam da celebração. Frei Luiz, por sua vez, também se disse contente com a presença de todos e convidou os participantes para partilharem, após a missa, um bolo no refeitório do convento, em celebração pelo Dia da Vida Consagrada e também comemorando os 13 anos da Ordenação Espiscopal de Dom Odilo, que agradeceu pela lembrança. “Há exatos 13 anos, no dia 02 de fevereiro de 2002, data que não dá para esquecer, eu era ordenado na cidade de Toledo, PR. Depois, logo vim para São Paulo, como bispo auxiliar e por aqui fiquei. Peço que rezem por mim e eu rezarei por vocês. Nós bispos, precisamos muito da oração do povo e também por isso o Papa Francisco sempre pede que rezem por ele”, recordou Dom Odilo.



Para bispo responsável pelos consagrados, sem a Vida Religiosa, a Igreja seria incompleta

Na opinião do Bispo Auxiliar e responsável por acompanhar a Vida Religiosa na Arquidiocese de São Paulo, Dom Julio Akamine, que também é membro de um instituto de Vida Consagrada (Sociedade do Apostolado Católico – Palotinos), com 36 anos de consagração, a vida consagrada é parte constitutiva da Igreja, e, por este motivo, uma Igreja sem a presença dos religiosos seria “uma Igreja incompleta, na qual faltaria um elemento essencial”. Além desta lacuna institucional, Dom Julio apontou algumas carências práticas que poderiam ser notadas na Arquidiocese de São Paulo caso não houvesse a presença da Vida Religiosa nesta porção da Igreja Particular: “No aspecto prático, haveria uma carência muito grande na área da educação, pois os religiosos e religiosas sempre se dedicaram muito a esta área. Faltaria também uma presença muito forte na assistência social, no cuidado com os mais pobres, com os marginalizados, a presença nos meios populares, nas periferias, na área da saúde. Faria falta também o trabalho que os religiosos realizam nas paróquias, o atendimento pastoral, e faltaria também o testemunho profético daqueles que vivem com radicalidade o seguimento de Jesus Cristo”, explicou Dom Julio.

Opção é vista como caminho de realização

Na homilia, Dom Odilo ressaltou que os religiosos devem testemunhar para o mundo que a realização plena do ser humano se encontra em Deus. Num mundo de muitas ofertas de sentido, para o cardeal, a vida religiosa é um sinal de busca e de encontro com um sentido capaz de tornar a vida plena. Para a jovem Irmã Giuliane, de 30 anos, da Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, a vida religiosa tem diante de si um horizonte de muita esperança: “A gente sabe que é o Espirito Santo que move a vida consagrada da Igreja. E ele é dinâmico. De formas diferentes, o Espírito continua suscitando bons frutos na vida consagrada”, relata. A religiosa, que tem nove anos de vida consagrada, atualmente se dedica ao trabalho educacional em um dos colégios da congregação.

Trilhando o caminho da vida consagrada há mais tempo, Irmã Maria de Nazaré, da Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, tem 56 anos de caminhada como religiosa. O instituto à qual pertence possui uma grande variedade de trabalhos de evangelização. Atualmente, Irmã Maria, que lecionou por muitos anos, trabalha em um colégio, auxiliando na direção. “Todos os dias eu agradeço a Deus pelo dom da minha vida, maior presente que eu poderia ter recebido”, relata a irmã com um largo sorriso.

Responsável pela animação dos cantos na celebração, Irmão Célio Leite, natural de São Miguel, RN, é Rogacionista do Coração de Jesus há quatro anos. O carisma de sua congregação é promover a oração e o trabalho em prol das vocações para a vida religiosa. “Como religioso, me sinto muito realizado e grato a Deus por Ele estar conduzido minha vocação e minha missão nesta terra de São Paulo”, relata Irmão Célio.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br