sexta-feira, 16 de novembro de 2018

No encalço do Senhor com o olhar de São Francisco

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Buscar a Deus é tarefa nossa de cada dia. Franciscanos que somos tentamos  andar no encalço do Senhor com o olhar de São Francisco. Inspirados num texto de Frei Luc Mathieu, frade menor francês, vejamos uma certa aproximação do tema.

 Um certo modo de encontrar  Deus

             Não como uma divindade anônima, mas de acordo com a revelação feita no Evangelho, como sendo o Pai de Jesus Cristo e nosso Pai, o Filho bem amado do Pai, e o Espírito de amor que  nos vem do Pai e do Filho e nos faz entrar em comunhão com esses Três tão misteriosos e tão próximos de nós. O mistério trinitário encontra-se no âmago da experiência franciscana.  Ele não causa medo ao espírito humano, mas é  luz e proximidade. Ele faz nascer em nosso interior confiança filial e segurança a respeito de nosso devir. A oração franciscana, sempre ancorada na oração da Igreja, não precisa de métodos. É espontânea e gratuita, simples e confiante, familiar e despojada.

... de seguir a Jesus  Cristo…

             Com um elã alegre e definitivo, uma adesão sem volta. Trata-se mais de seguir a Jesus do que imitá-lo, com a mesma convicção que animava o apóstolo Paulo: “Não pretendo dizer que já alcancei a meta. Mas eu corro por alcançá-la uma vez que também fui conquistado por Cristo Jesus’ (Fl 3, 12). Em Jesus, vemos o Filho do Altíssimo, o Filho bem amado do Pai, mas também nosso irmão que optou pela humildade e pela pobreza e que, desta forma, se tornou próximo dos pecadores que somos a fim de  nos reconduzi-los a Deus, reconciliá-los com o Altíssimo.  Jesus é contemplado em sua humanidade  humilde e serviçal: o menino de Belém, o crucificado do Calvário e o Ressuscitado que dá vida e  que está à nossa disposição na modesta aparência do pão partido, homem sofredor pelos pecadores, o Ressuscitado que realiza a condição humana destinada à glória. A tradição franciscana contempla Jesus como o Primeiro pensado no desígnio criador do Pai, o Primeiro amado de todas as criaturas por quem e para quem tudo foi feito: “Tudo foi criado por ele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e tudo subsiste nele” (Cl 1, 15ss).

 … de ser livre no movimento do Espírito...

É o Espírito Santo que santifica e ilumina cada um a respeito de sua própria vocação. Francisco o chamava de “Ministro Geral da Ordem” e aquele que inspira caminhos novos de presença no mundo e trilhas de evangelização ainda não percorridas. Ele suscita iniciativas inesperadas  para o desenvolvimento da Ordem e para a irradiação evangélica das fraternidades.

Por tradição, os frades sempre se dirigiram às fronteiras da Igreja para relançar a missão, responder aos apelos da Igreja e para se retirar  numa solidão do “escondido” e da paciência.  Desde suas origens, a família franciscana teve a convicção de ter sido suscitada pelo Espírito para a renovação da Igreja tanto em sua vida interna quanto em sua missão.

Inspirado em: L’héritage de  François d’Assise –  Luc Mathieu, ofm

Revista Évangile Aujourd’hui, n. 200, 2004, p.  33-34

Frei Almir Guimarães 

Fonte: https://carisma.franciscanos.org.br

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Franciscanos seculares: o que queremos de verdade?


1. Queremos ser gente, gente para valer, cultivando o corpo, a mente, o coração e desejando fazer de nossa vida um cântico de alegria. Somos pessoas felizes porque existimos. Gostamos de nós mesmos de verdade, sem idolatria self. Gostamos de viver e de conviver.

2. Gostamos da vida: família, trabalho, lazeres, natureza, belezas, avanços da técnica. Não somos pessoas macambuzias. Gostamos de viver, apesar de todas as dificuldades. Gostamos do casamento, do ser homem, do ser mulher, das refeições com amigos, de leituras cativantes, de noites de luar e de dias de chuva generosa quando a terra está seca.

3. Queremos ser cristãos. Não somos apenas pessoas de ritos e rezas. Queremos ser discípulos do Ressuscitado. Nascemos no seio de uma família católica. Somos membros da Igreja Católica. Isto, no entanto, não basta. Almejamos ser discípulos do Senhor. Nossa fé não é mera herança que guardamos no banco. Fazemos questão de ler e refletir sobre o Sermão da Montanha que marca nosso estilo de vida. Gostamos quando Papa Francisco pede que tenhamos encontros pessoais com Cristo. Queremos, antes de terminar nossos dias, viver uma Igreja segundo o jeito do Papa Francisco. Temos receio de muito jeito de ser cristão suscitado pelos programas religiosos de televisão.

4. Por diferentes razões e circunstâncias tornamo-nos membros da Ordem Franciscana Secular. Muitos de nós ingressamos nas suas fileiras talvez não sabendo todo o alcance de seu programa de vida. Queremos nos impregnar do espírito da Regra: desejamos seguir o Mestre Jesus vivo e ressuscitado à maneira de Francisco. Esse seguimento tem algumas marcas: empenho de mudança do coração (conversão), vontade de viver com outros (fraternidade), mas viver de verdade, não apenas estar ao lado de… Nossa postura é a de sermos menores, alegres menores, gente simples, sem complicações de vaidade, ciúmes… Frequentando as páginas franciscanas sentimos que somos cristãos à maneira desse gigante/pobre e belo chamado Francisco de Assis.

5. Muitas vezes temos saudade do silêncio, do deserto, do eremitério. Não nos sentimos bem no meio das arruaças. Temos saudade daquele que nos inventou. Por isso, gostamos de ler e saborear a contemplação e a Regra de Francisco para os eremitérios.

6. Pecamos. Somos pecadores. Mas levantamos a cabeça e pedimos o perdão do Senhor. Gostamos de dizer com Francisco: miserável verme vosso ínfimo servo. Mas arde dentro de nós tornar Cristo Jesus amado. Francisco nos pede que o Amor seja amado.

7. Gostamos de trabalhar em nossas paróquias. Não somos tocadores de obras, nem tropa de choque. Não somos empregados de uma firma, mas amantes do Amado. Trabalhamos em todos os campos que nos pedem, de preferência cuidando dos mais abandonados. Não queremos ser pessoas mecânicas na ação pastoral que colocamos. Somos antes de tudo enviados por aquele que nos olha e nos cerca de todo carinho.

8. Queremos viver nossa vida conjugal e familiar com o espírito evangélico-franciscano: um casal unido, simples, amigo, despojado; alegria e confiança em nossa casa; filhos educados sem preocupação com dinheiro, sucesso, culto doentio do corpo; queremos que nossos filhos encontrem Cristo Jesus de modo especial em sua juventude. Não queremos ser uma família fechada, mas um foco de bem querer que ilumine os outros casados e as outras famílias.

Frei Almir Guimarães

Fonte: https://carisma.franciscanos.org.br

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Almoço do Papa com pessoas pobres será no próximo domingo

Almoço com pessoas pobres na Sala Paulo VI em 2017

A Sala Paulo VI se transformará em um grande refeitório no próximo domingo, no almoço do Papa Francisco com seus 3 mil convidados necessitados. Antes da refeição, o Santo Padre presidirá uma Missa na Basílica de São Pedro. "Este pobre grita e o Senhor o escuta" é o lema do II Dia Mundial dos Pobres.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No próximo domingo, 18 de novembro, será celebrado o II Dia Mundial dos Pobres, nascido no final do Jubileu da Misericórdia, por vontade do Papa Francisco. Uma iniciativa, como recordado pelo Santo Padre no Angelus de domingo, de "evangelização, oração e partilha", que "promove maior atenção às necessidades dos últimos, dos marginalizados, dos famintos".

Nesta ocasião, o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, que é responsável pela organização e promoção do evento nas dioceses em todo o mundo, tem coordenado algumas iniciativas para transmitir a preocupação da Igreja, sobretudo em relação àqueles que vivem à margem.

Entre essas iniciativas, o almoço do Papa Francisco com pessoas pobres, após a celebração da Santa Missa presidida pelo Papa na Basílica Vaticana, às 10 hora do domingo, com a participação de cerca de 6.000 pobres, juntamente com voluntários que os acompanham, além de representantes de várias entidades que se preocupam dessas pessoas necessitadas. A celebração será transmitida pelo Vatican News a partir das 9h55, horário italiano (6h55, horário de Brasília).

O almoço do Papa com os pobres

O Santo Padre Francisco convidou cerca de 3.000 pobres para participarem do almoço organizado na Sala Paulo VI, que se transformará em um grande refeitório. A refeição a ser servida será oferecida pela Rome Cavalieri - Hilton Itália, em colaboração com a organização sem fins lucrativos Tabor.

O Papa se sentará à mesa com os pobres, compartilhando com eles um momento informal, na maior simplicidade. Este momento de convívio terá lugar simultaneamente nos refeitórios de muitas paróquias, universidades, realidades assistenciais e associações de voluntariado que aderiram à iniciativa, como a Caritas, a Comunidade de Santo Egídio, Legionários de Cristo, Círculo de São Pedro, Colégio Leoniano, Convitto Lateranense Beato Pio IX, Universidade Europeia de Roma, Regina Apostolorum, Instituto Villa Flaminia e a ACLI de Roma.

Posto de Saúde Solidário

Também neste ano, está sendo repetida a experiência do Posto de saúde Solidário, iniciativa que quer oferecer atendimento gratuito a todos os necessitados, que normalmente teriam muitas dificuldades para acessá-lo.

Este ano, o Posto de Saúde Solidário foi instalado no lado esquerdo da Piazza São Pedro,  adjacente ao Braço de Carlo Magno. A estrutura entrou em funcionamento na segunda-feira, 12 de novembro, e permanecerá aberta até domingo, 18 de novembro, com horários de atendimento das 10h às 22h. Já o laboratório de análises, ficará aberto das 8:00 às 13:00.

Este ano, o calendário foi deliberadamente alargado para ir de encontro às necessidades das pessoas que, muitas vezes, pela sua natureza e necessidades, preferem deslocar-se à noite.

As especialidades médicas disponibilizadas são medicina geral, cardiologia, infectologia, ginecologia e obstetrícia, podologia, dermatologia, reumatologia, oftalmologia e, tal como especificado acima, o laboratório de análises clínicas.

As instituições de saúde que disponibilizaram seus seus serviços são: Fundação Policlinico Universitario A. Gemelli, Universidade de Roma Tor Vergata, grupo Bios S.p.A., a ONG Roma Cares, o hospital San Giovanni Addolorata.

Uma ambulância estará sempre presente e disponível no Posto de Saúde, para aqueles que porventura possam precisar de cuidados especiais que não podem ser realizados dentro da própria estrutura.

No ano passado, mais de 600 pessoas foram atendidas e tratadas, algumas das quais em estado grave.

Voluntariado

No sábado, 17 novembro, às 20h00, na Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, haverá uma Vigília de Oração para as associações de voluntariado, que como verdadeiros agentes de misericórdia, no silêncio e na discrição, oferecem um serviço constante para essas pessoas que vivem as diferentes formas de pobreza e exclusão, que infelizmente produzem a sociedade de hoje.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt.html

OFS das Chagas_ Capítulo Eletivo 18/11/18 as 9 horas

Paz e bem, Irmão e Irmã!

É chegado nosso Capítulo Eletivo para o triênio 2018 a 2021.
Com muita humildade o conselho cessante entrega o serviço e com esperança e alegria no Senhor a fraternidade acolhe os/as novos/as eleitos/as que irão conduzir os trabalhos e vivências fraternas.
Lembrando a convocação para todos/as os/as professos/as que o Capítulo inicia-se as 9 horas com a Celebração Eucarística.

Que não seja "o ser eleito" que vigore, mas o ser irmão/ã, e sempre a serviço.
Que cada um de nós possamos ser franciscanos/as seculares dando testemunho dentro da fraternidade, em nossas responsabilidades, no trabalho, na família, na vida.

Fiquemos em oração e sintonia por esse momento tão especial da vida fraterna!

Coloquemos também em intenção o Capítulo da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil dos frades menores, que está acontecendo em Agudos/SP.

Roguemos a São Francisco e Santa Isabel da Hungria, nossa padroeira que intercedam pelo Capítulo e por todos nós!

O que fomos fazendo da vida ou a vida foi fazendo de nós?

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UM CERTO MODO DE VIVER

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

1. É curto o espaço entre o nascer e o fim dos dias que nos são dados a viver. Tudo passa depressa, depressa demais. Passamos nós, passa o tempo, passam as coisas, passam as pessoas, passam as modas. Tudo muda. A criança, o adolescente, o rapaz e a moça em plena forma, a idade adulta e depois vem o declínio. Por vezes temos a tentação de dizer que nada é importante, de deixar as coisas correrem, acontecerem e, preguiçosamente, observar esse correr das coisas para o fim, coisas que se repetem, rotineiramente. Temos a tentação de deixar a vida nos levar, viver por viver. Entre o momento em que não existíamos e aquele em que nosso corpo inerte for levado ao cemitério ou a um crematório aconteceu a vida, a minha vida, a nossa vida, que ninguém vive em meu lugar, em nosso lugar. O que estamos fazendo de nossas vidas?

2. Fizemos o propósito de viver cristãmente. Nossos pais, parentes e conhecidos nos orientaram, ou nos encaminharam em que fôssemos adotando um gênero de vida cristão. Pode ter acontecido que tenhamos sido batizados, crismados, que tenhamos recebido a comunhão no corpo de Cristo e tudo o mais que tínhamos direito: bênção da garganta pela intercessão de São Brás, cinzas na fronte no começo da Quaresma, jejum na sexta-feira da Paixão e tudo o mais. Pode ter acontecido que tenhamos vivido tudo isso sem grande profundidade, sem consciência clara a beleza e do esplendor do estilo de vida cristão. Por única graça do Senhor fomos despertados de nossa indolência e de um torpor religioso e nasceu em nós o desejo de viver intensamente nosso seguimento de Cristo. Quisemos deixar a prática de uma religião sem vida e desejamos ser discípulos do Senhor Jesus, vivo e ressuscitado, que foi, por diferentes circunstâncias se insinuando em nossas vidas. Experimentamos como que uma saudade de Deus e nasceu em nós o desejo de sermos cristãos de verdade.

3. Alguns entramos na Ordem Primeira de Francisco de Assis, parte da família espiritual suscitada pelo Santo Espírito. Outros aderiram ao franciscanismo vivido pelos seculares. No seio da família franciscana “ocupa posição específica a Ordem Franciscana Secular que se configura como uma união orgânica de todas as fraternidades católicas espalhadas pelo mundo e abertas a todos os grupos e fiéis. Nelas, os irmãos e irmãs, impulsionados pelo Espírito a atingir a perfeição da caridade no próprio estado secular, são empenhados pela profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante a Regra, confirmada pela Igreja” (Regra, n.2).

4. Reiteramos nossa opção pelo caminho cristão de viver, abraçamos o Evangelho. Tomamos plena consciência de que Cristo vive em nós, que o Espírito do Senhor foi derramado em nossos corações, que morremos e renascemos na paixão, morte e ressurreição do Senhor, revestimo-nos do Evangelho vivo, fomos compreendendo que não existe maior amor do que dar a vida pelos outros. Estas afirmações não são meramente frases feitas salpicadas de água benta, mas convicções que nos animam a partir de nosso nó interior, precisamente lá onde começa nossa vida.

5. Fazemos e queremos continuar a fazer de nossa vida um dom. Recebemo-la de Deus e aos outros vamos doá-la. Não queremos reter nada para nós. Dom no seio de nossa família, junto aos que vivem e trabalham conosco, na comunidade cristã e em nossa fraternidade franciscana secular. Aos poucos vamos nos tornando discípulos ardorosos do Senhor. Nem sempre conseguimos.

6. Os que ingressam na família franciscana são pessoas que não se contentam com a mediocridade e a superficialidade. São discípulos do serafim de Assis, do ardoroso homem do amor a Deus e aos homens. À maneira de Francisco e de Clara buscam corresponder ao amor de Deus no meio do mundo. Não buscam a santidade à maneira dos que professam a vida consagrada, mas no meio do século.

7. Vivem e querem sempre mais viver o fraternismo. Regularmente se reúnem com seus irmãos de ideal. Mas são sempre fraternos: gostam das pessoas, acolhem os diferentes, criam a paz onde há divisão, corrigem firme e carinhosamente os irmãos para que estes não enveredem por mais que não levam a lugar nenhum, têm como ponto de honra lavar os pés dos outros, evitam alimentar sentimentos de competição.

8. Não gostam de estar sob a claridade dos holofotes. Tudo o que fazem, fazem da melhor maneira que podem. Fazem-se presentes sem chamar atenção. Mas também não admitem uma falsa humildade.

9. Podem e devem dizer que são “amigos do Senhor”. Abrem suas vidas para encontros gratuitos, regulares e, por vezes, saborosos com o Senhor mesmo com as tarefas pesadas que precisam exercer em sua vida secular. Fazem o que podem e não podem para não perder o espírito da devoção e da santa oração.

10. Estão dispostos a mudar

• o coração através de constantes revisões de vida, exames interiores e da alegre e grata recepção do sacramento da reconciliação;

• a organização de suas vidas, simplificando tudo o que puderem (comportamento, modo de comer, de vestir-se, de administrar os bens e o dinheiro, de usar o tempo livre;

• a maneira de realizar seus encontros e reuniões que serão suculentos, sinceros, realizados com equilíbrio entre oração, estudo e carinho fraterno, espaços que são verdadeira salas de espera para acolher o Senhor que se faz presente na Palavra proclamada e no rosto dos irmãos;

• o modo de atuar na paróquia e na evangelização; não querem dar a impressão de serem meros “funcionários” de uma firma, “tropa de choque”, mas gente que age e atua com espírito crítico, discernimento preparando os corações para que acolham a novidade esplendorosa de Deus em suas vidas.

Fonte: https://carisma.franciscanos.org.br

terça-feira, 13 de novembro de 2018

OFS: uma comunidade de irmãos

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1. É Cristo Jesus que que reúne em fraternidades homens e mulheres e faz que eles se tornem efetivamente irmãos. Chamados a viver como irmãos os membros de uma fraternidade vão tecendo relacionamentos fraternos uns com os outros e amando-se na qualidade do amor de Cristo Jesus.

2. Como pano de fundo dessa comunidade de irmãos está a experiência das primeiras comunidades cristãs: “Eles frequentavam com perseverança a doutrina dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir do pão e as orações. De todos apoderou-se o medo à vista dos prodígios e sinais que os apóstolos faziam. E todos os que tinham fé viviam unidos, tendo todos os bens em comum. Vendiam as propriedades e os bens e dividiam o dinheiro com todos, segundo as necessidades de cada um. Todos os dias se reuniam unânimes, no Templo. Partiam o pão nas casas e comiam com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. Cada dia o Senhor lhes ajuntava outros a caminho da salvação” (Atos 2,42-47).

3. O amor fraterno se manifesta e se exprime de muitas maneiras:

• por uma atitude de acolhimento de cada um;
• por uma atenção calorosa e bondosa para com todos os membros da fraternidade, sem deter-se em simpatias pessoais, aprendendo a ouvir a todos;
• procurando fazer com que cada um encontre seu lugar na fraternidade nela, integrando-se mais e mais;
• ajudando mais especialmente aqueles membros que têm dificuldades ou vivem enfermidades, luto e carências notáveis;
• eventualmente os irmãos se ajudam material e financeiramente;
• as pessoas doentes e os idosos haverão de merecer especial atenção;
• criando um clima de confiança de tal maneira que cada um possa sentir-se à vontade para exprimir desejos e necessidades;
• com um esforço de querer, concretamente, partilhar a vida e as preocupações do outro;
• estabelecendo um diálogo verdadeiro;
• os membros da Fraternidade não hesitam em abordar os assuntos mais variados, para poderem viver em plenitude e não serem pessoas cansativamente rotineiras;
• em fraternidade, os irmãos exercem uma fidelidade criativa;
•por meio do diálogo, os irmãos sentem com a possibilidade de conviver com o diferente

4. Através do diálogo fraterno, os membros da Fraternidade dão passos avantajados rumo a uma comunhão cada vez mais estreita. Dão ao mundo o testemunho de que se amam e se estimam. Vivendo o fraternismo em suas Fraternidades, os irmãos e irmãs sentem capacitados a criar laços fraternos com todos os homens e mesmo com todo o mundo criado.

Texto para reflexão

“Onde estão e onde quer que se encontrarem os irmãos, mostrem-se mutuamente familiares entre si. E com confiança um manifeste ao outro sua necessidade, porque, se a mãe nutre a ama seu filho carnal, quanto mais diligentemente não deve cada um amar e nutrir a seu irmão espiritual? E se algum deles cair enfermo, os outros irmãos devem servi-lo como gostariam de ser servidos” (Regra Bulada, cap. VI).

Fonte: https://carisma.franciscanos.org.br

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Alicerce da Igreja


Dom José Alberto Moura

A igreja-templo deve ser usada para ajudar a Igreja-povo realizar sua missão, que se baseia no alicerce de Jesus Cristo. A conversão para segui-Lo é essencial na vida de quem quer viver sua fé nele. Usar do templo e do ser membro da Igreja, família de Cristo, devem levar a pessoa a realizar o projeto de Deus, sustentado na pessoa do Filho e em sua Palavra. O templo é o lugar da reunião dos seguidores do Mestre para realizar o culto e ter o alimento dos dons de Deus para dar suporte à vida de fé transformadora e libertadora de todo tipo de escravidão. Esta deve ser superada com a erradicação do egocentrismo, das injustiças, discriminações e exclusões. Fé sem ação conseqüente da mesma leva a pessoa ao intimismo religioso, que faz da religião um comércio ou troca com Deus. Leva a pessoa a buscar para si benesses, curas e soluções de problemas na ordem econômica, de cunho subjetivo e social, sem colocar em prática os preceitos de Deus, com um compromisso de promoção da justiça e do bem comum.

O profeta Ezequiel fala do templo donde se originam águas fertilizantes da vida. Elas provêm da graça divina, como verdadeira Igreja encarregada de abastecer o povo com a riqueza de dons, para dar consistência de realização da vida para todos (Cf. Ezequiel 47,1-12). De fato, a Igreja instituída por Jesus, é encarregada de oferecer meios da graça divina para ajudar a humanidade a ter força para a realização de sua história. Nesta, cada ser humano terá consistência e alimento sobrenatural para conseguir sua plena realização. Sem a graça de Deus nenhum ser humano é capaz de se realizar plenamente, pois, tem sede de amor infinito, que só o Criador pode oferecer. Ele o faz como quer e encarregou sua Igreja de indicar o caminho para todos: “Vós sois luz do mundo” (Mateus 5,14).

Paulo lembra que o alicerce da Igreja é Jesus Cristo: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo” (1 Coríntios 3,11). Sua Igreja só tem sentido na efetivação da missão a ela outorgada pelo Mestre. Assim como o próprio Senhor expulsou os vendedores do templo de Jerusalém (Cf. João 2,13-22), a Igreja, povo de Deus, deve esvaziar-se de tudo o que a tira de sua missão de santificar, promover a vida em plenitude, expulsar de si todo tipo de discórdia, interesses mesquinhos, orgulho, triunfalismo, hegemonia, uso indevido do que é material, apego ao relativo como sendo absoluto, autoritarismo e toda forma de opressão.

Como é bela a missão da Igreja de Cristo, que humaniza, ergue os caídos, dá esperança, promove os excluídos, dialoga, faz ver a verdade e erradica o erro, incentiva os carismas, potencializa o pavio ainda fumegante do que existe de bom na pessoa humana, reconhece os valores dos outros, sabe dar vez, promove a fraternidade, a justiça, o bem da família, da vida e de toda a sociedade!

Ser Igreja de Cristo leva a pessoa a assumir a missão de encantar, de mostrar que seguir o Mestre é o melhor bem para todos e faz a sociedade perceber o valor de construir a história com verdadeiro amor, zelo e ajuda de cada um para o bem de todos. É cuidar do grande navio da história, que deve ser de benefício para todos. Seu bem estar é de responsabilidade de cada um.

Dom José Alberto Moura, CSS, é Arcebispo de Montes Claros (MG). Fonte: www.cnbb.org.br

Fonte: http://franciscanos.org.br/

Consagração da Basílica do Latrão


Pe. Johan Konings

Na festa da dedicação da basílica do Latrão, em Roma, celebram-se, de fato, as catedrais de todas as dioceses do mundo. A basílica do Latrão foi a primeira catedral do mundo. Igreja catedral é a Igreja do bispo do lugar. A igreja dedicada a S. João Batista e a S. João Evangelista, no morro do Latrão, em Roma, foi durante muito tempo a igreja do bispo de Roma, o papa. E como o papa exerce a “presidência da caridade” entre os bispos do mundo inteiro, a igreja catedral do Latrão simboliza todas as dioceses.

Mas o que se celebra não são templos de pedra e sim os templos do Espírito, as comunidades dos fiéis. A liturgia de hoje se refere continuamente ao templo de pedras vivas, que são as comunidades cristãs, e ao templo que é o corpo de Cristo, ressuscitado, que substitui o templo do antigo Israel. O evangelho deixa isso bem claro. Conforme Jo, já no início de sua atuação pública, Jesus chega a Jerusalém por ocasião de uma romaria pascal e expulsa do templo não só os abusos (como descrevem os outros evangelistas, Mt 21,12-13 par.), mas os próprios animais do sacrifício. Em outros termos: expulso o culto do templo. E quando as autoridades lhe pedem um sinal profético que possa respaldar tal gesto inimaginável, Jesus aponta o sinal que só depois (2,22) os discípulos vão conhecer: o sinal de sua ressurreição.

O templo antigo pode ser destruído (como de fato ele foi, em 70 d.C., alguns anos antes de João escrever seu evangelho), mas Jesus “fará ressurgir” um novo templo em três dias: o templo de seu corpo, de sua pessoa. Jesus é templo, santuário, lugar de culto a Deus, de encontro com Deus. Nele, a Palavra de Deus armou tenda entre nós (Jo 1,14). Nele também é oferecido a Deus o único culto da nova Aliança, o dom da própria vida por amor.

Ora, ao templo que é Jesus associa-se o templo de pedras vivas que é a comunidade. A 1ª carta de Pedro (cf. canto da comunhão) apresenta uma bela homilia pascal, para os novos batizados, neste sentido. Eles devem se aproximar (termo do culto) da pedra rejeitada, Cristo, que pela ressurreição se tomou pedra angular, alicerce (cf. a “primeira pedra” de uma igreja). Eles são assim o edifício “espiritual” ( = constituído pelo espírito, a força ativa de Deus, que ressuscitou também Jesus). E nessa comunidade é que se oferece o “sacrifício espiritual” (= promovido pelo Espírito de Deus) (7), que é a prática da vida cristã (ler 1Pd 2,4-10 e Rm 12,1). Paulo (2ª leitura) usa uma imagem semelhante, ao falar de seu trabalho de fundação da igreja de Corinto. A comunidade é construção de Deus, morada do Espírito. O alicerce, posto pelo próprio Paulo, é Cristo. Adiante, ao proscrever a imoralidade sexual, ele aplica essa mesma imagem ao comportamento pessoal dos fiéis (1Cor 6,19).

A abertura dessas imagens é fornecida pela “utopia de Ezequiel”, na qual aparece a descrição do novo templo, a ser construído quando os exilados da Babilônia voltarem à Judéia (lª leitura). Ezequiel vê a fonte do templo (o riacho do Gion) como um rio caudaloso que saneia as águas e as margens e até o Mar Morto… Um símbolo da salvação que deve fluir do novo templo. Pela “lógica da liturgia”, isso se aplica a Cristo e à sua comunidade (cf. Jo 7,3 7-39). A comunidade de Jesus deve ser a edificação de Deus da qual sai a água salvadora para a humanidade.

 (7) Ou talvez: “em sentido espiritual” (= tipológico, alegórico), daí a tradução “sacrifício/culto verdadeiro” (em oposição aos sacrifícios provisórios do A.T.)

Mensagem

A Igreja de Pedras vivas e o sacrifício espiritual

A liturgia da dedicação da basílica do Latrão, primeira catedral (igreja episcopal) da cristandade, sugere a extensão a todos os templos cristãos em todas as dioceses do mundo, as “Igrejas particulares”, nas quais está presente a Igreja universal a serviço da qual está disposto o bispo de Roma, o Papa.

Ora, ao se observar bem, a liturgia não realça os templos de pedra, os edifícios góticos, barrocos… Realça o novo templo “espiritual” que é Cristo ressuscitado e a comunidade, templo de “pedras vivas”, alicerçada nele (pelo trabalho do apóstolo). E a própria atuação do cristão é o “sacrifício espiritual”do novo culto.

”Espiritual”, neste contexto, não quer dizer o oposto de material. Quer dizer o que é suscitado pelo Espírito de Deus (ou talvez: interpretado à luz do Espírito de Deus). Ora, isso não é coisa no ar. Os frutos do Espírito são coisas bem concretas: amor fraterno, alegria, paz, etc. (Gl 5,22). O sacrifício espiritual (1Pd 2,5; Rm 12,1) implica em coisas bem concretas e materiais: é a própria vida cotidiana do cristão, vivida em amor fraterno eficaz.

São esses os sacrifícios oferecidos no novo templo que somos nós. Em nossa comunidade de amor eficaz, baseado em Cristo, Deus se torna presente muito mais do que no templo de Jerusalém.

Pe. Johan Konings, SJ, do livro “Liturgia Dominical”, Editora Vozes

Fonte: http://franciscanos.org.br/

O corpo de Jesus é o novo Templo


1ª Leitura: Ez 47,1-2.8-9.12 
2ª Leitura: 1Cor 3,9c-11.16.17
Evangelho: Jo 2,13-22

* 13 A Páscoa dos judeus estava próxima, e Jesus subiu para Jerusalém. 14 No Templo, Jesus encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. 15 Então fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo junto com as ovelhas e os bois; esparramou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16 E disse aos que vendiam pombas: «Tirem isso daqui! Não transformem a casa de meu Pai num mercado.» 17 Seus discípulos se lembraram do que diz a Escritura: «O zelo pela tua casa me consome.»

18 Então os dirigentes dos judeus perguntaram a Jesus: «Que sinal nos mostras para agires assim?» 19 Jesus respondeu: «Destruam esse Templo, e em três dias eu o levantarei.» 20 Os dirigentes dos judeus disseram: «A construção desse Templo demorou quarenta e seis anos, e tu o levantarás em três dias?» 21 Mas o Templo de que Jesus falava era o seu corpo. 22 Quando ele ressuscitou, os discípulos se lembraram do que Jesus tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.

 * 13-22: Para os judeus, o Templo era o lugar privilegiado de encontro com Deus. Aí se colocavam as ofertas e sacrifícios levados pelos judeus do mundo inteiro, e formavam verdadeiro tesouro, administrado pelos sacerdotes. A casa de oração se tornara lugar de comércio e poder, disfarçados em culto piedoso. Expulsando os comerciantes, Jesus denuncia a opressão e a exploração dos pobres pelas autoridades religiosas. Predizendo a ruína do Templo, ele mostra que essa instituição religiosa já caducou. Doravante, o verdadeiro Templo é o corpo de Jesus, que morre e ressuscita. Deus não quer habitar em edifícios, mas no próprio homem.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

Fonte: http://franciscanos.org.br/

Liturgia: Como temos cuidado de nossos templos?


Frei Gustavo Medella

Templo é ambiente sagrado, é morada do divino, é ponto de encontro de pessoas entre si e de pessoas com Deus. Templo é lugar, lugar onde vive gente, onde habita Deus. Nosso corpo é templo, nosso coração é templo, nosso planeta é templo. As leituras desta Festa da Dedicação da Basílica de São João do Latrão, a Festa da Unidade da Igreja Universal, nos levam a refletir:

• De que forma temos habitado nossos templos?
• Com que espírito temos administrado nossos templos?
• Agimos com espírito de vendilhão, que usa, usurpa, explora e quer tirar vantagem? Ou com o Espírito de Jesus, que cuida, zela, olha e se consome?

A primeira leitura, do livro de Ezequiel (Ez 47,1-2.8-9.12), se reveste de significado forte no contexto em que vivemos. Fala da água que brota do templo e que leva a vida por onde passa. Falta-nos água – conforme nos atesta a grave crise do Sistema Cantareira – falta-nos vida, falta-nos interesse pela vida. O espírito do mercado, do consumo desenfreado, do “cada um por si” seca as fontes que nos garantem a sobrevivência tanto material quanto existencial.

Precisamos mais do que nunca ser chacoalhados por Jesus, como foram os vendilhões do templo. E caso a conversão não venha por uma opção de fé ou por uma escolha ética, a própria natureza nos converterá, com métodos certamente bem mais duros e incisivos do que as chicotadas e os gritos do Senhor. Os alertas dos cientistas, as mudanças climáticas, a escassez de água, os surtos de doenças já são sinais claríssimos que nosso templo-planeta já chegou a seu limite. Ilimitados prosseguem nossos caprichos, nosso egoísmo, nossas ambições, sinais de uma humanidade em desumanização. Ainda é tempo de mudar… No entanto, mais um pouco e não mais será. Quem se habilita a dar o primeiro passo numa nova direção?

Fonte: http://franciscanos.org.br/