Pensamento de abertura Há uma certa vinculação entre a pureza do coração e a mansidão, entre a transparência das profundezas e a serenidade, entre a santidade e a bondade essencial. Talvez, no fundo, a pureza não seja mais do que a transparência do ser, frente à Bondade original. Um homem, pelo menos, assim o entendeu. Era um sábio embora não cuidasse de o parecer. Ele viu que a pureza e a mansidão formavam a face de Deus. Por assim o haver entendido, esse homem renunciou ao poder que gera a violência, e ao dinheiro que está na raiz do poder. Deu de mão a toda a ambição de domínio, incluindo a mais sutil de todas, a dos clérigos. Rompeu com o sistema político religioso do seu tempo, a supremacia temporal da Igreja, as lutas feudais, as guerras santas. Fê-lo sem clamor, sem subverter a opinião pública, com suavidade, humildemente, mas realmente. Num mundo violento, eriçado de torreões, cavado de fossos, o seu universo não...