São Francisco e o Fogo O fogo restringiu-se a um elemento prosaico de nosso quotidiano. Que é? De onde vem? Um palito de fósforo que se risca. A chave do fogão que se gira. Um leve toque na tomada. Ei-lo: o fogo, domesticado, a seu dispor. No entanto, o “Fogo” é um elemento nobre, constitutivo, fundamental – e final – do universo. Desprovidos do moderno aparato tecnológico, os antigos alcançavam melhor percepção talvez do caráter arcano, transcendental e arquetípico do Fogo. E com ele mantinham respeitosa relação de medo, gratidão e veneração. A partir de uma característica singular de sua espiritualidade, que via nas coisas materiais, não simplesmente uma profana opacidade, ou o signo de perigosa idolatria, mas sim o reflexo do Criador e um caminho para a divindade, São Francisco construiu uma significativa relação de admiração e identificação com o Fogo, que pode ser destacada sob o ponto de vista factual, psicológico e religioso. Factualmente, São Francisco tra...